Língua tâmil

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Tâmil (தமிழ் tamiḻ)
Falado em:  Índia,[1][2]
Sri Lanka,[3] and
 Singapura.[4]
Total de falantes: 68 milhões nativo,[5][6] 77 milhões total[5]
Posição: 20, 16,
Família: Dravídica
 Meridional
  Tâmil
Escrita: alfabeto tâmil
alfabeto árabe (minoritário)
grantha, vattelluttu, kolezhuthu e pallava
Estatuto oficial
Língua oficial de: Tamil Nadu,Puducherry,Sri Lanka e Singapura
Regulado por: Várias academias e o governo do Tamil Nadu
Códigos de língua
ISO 639-1: ta
ISO 639-2: tam
ISO 639-3: tam
Distribuição de falantes de tâmil no sul da Índia e no Sri Lanka (1961).

O tâmil[7] ou tâmul[7] é uma língua dravídica falada no sul da Índia (oficial no estado de Tamil Nadu), Sri Lanka, Myanmar (ex-Birmânia), Malásia, Indonésia, Vietname, Singapura e ainda em zonas do sul e leste da África, pelo povo tâmil.

Há a distinguir ao mínimo dois socioletos razoavelmente divergentes (bramânico e não bramânico), além das variantes locais particulares. Hoje o tâmil é majoritariamente escrito com o alfabeto tâmil, apesar de existirem minorias muçulmanas utilizando o alfabeto árabe (o qual chamam de arwi) e de haver uma série de alfabetos históricos antes comuns, como o vattelluttu e o grantha.[8][9]

História[editar | editar código-fonte]

O tâmil é uma das línguas vivas mais antigas do mundo, com seus registros datando de tão antigamente quanto o século V a.C.. O Tolkappiyam, primeira obra literária da língua, datada entre os séculos III a.C. e III d.C., também é conhecido pela historiografia como um dos mais antigos estudos de gramática.[10] É nesta obra que aparece pela primeira vez o nome da língua, cujo significado foi entendido por estudiosos da língua como Franklin Southworth e Kamil Zvelebil por algo como "sua própria língua".[11][12] Autores como S. V. Subramanian, por outro lado, entendem o termo como significando "som doce", o que é aproximado pelo léxico tâmil da Universidade de Madras, que define a palavra como "doçura".[13][14]

Convencionalmente, a língua é dividida em três épocas: antiga, média e moderna.

Tâmil antigo[editar | editar código-fonte]

O tâmil antigo é a forma mais antiga registrada da língua, que se estima ter emergido caracteristicamente de uma protolíngua dravídica do sul da Índia por volta do século III a.C.. Esta, da qual se originaram todas as outras grandes línguas dravídicas (com a exceção do brahui e do kurux), teria se originado da língua proto-dravídica, falada no milênio III a.C. na foz do Rio Godavari, por volta do milênio II a.C.. Os textos deste período são escritos em uma variedade da escrita brahmi e a princípio se limitavam a inscrições em cavernas e em cerâmica, estas sendo datadas a partir do século V a.C.. O Tolkapiyyam é o primeiro texto longo na língua tâmil. Muitos poemas, datados entre os séculos I e V, também foram preservados.[15] O alfabeto vattelluttu começa a tomar o espaço do brahmi no século VI, marcando a transição para o tâmil médio, na mesma época em que surgem o alfabeto grantha, posteriormente simplificado pela Dinastia Pallava, em forma como é frequentemente chamado alfabeto pallava.

Tâmil médio[editar | editar código-fonte]

Acredita-se que a transição para o tâmil médio tenha estado completa por volta do século VIII. Inovações como o tempo presente, a coalescência de nasais alveolares e dentais e o desaparecimento do aytam são características deste período. O alfabeto pallava e o vattelluttu eram os mais utilizados, com o kolezhuthu também adquirindo certa relevância. Pertence a este período o Nannul, gramática tâmil até hoje usada como referência padrão.[16] Esta variante se tornaria a língua malaiala na região de Kerala por volta do século XIV, caracterizando-se como o tâmil moderno por volta do século XVII em Tamil Nadu e Sri Lanka.

Tâmil moderno[editar | editar código-fonte]

Embora o tâmil formal tenha uma gramática razoavelmente estática a partir da codificação do Nannul no século XIII, a língua tâmil hoje possui particularidades fonológicas claras, uma decadência razoável de algumas formas gramaticais neste período e, sobretudo, uma linguagem coloquial distanciada deste antigo padrão. O alfabeto grantha sobrevive ativamente até o século XX, quando se completa sua substituição pelo alfabeto tâmil.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Commons
O Commons possui imagens e outras mídias sobre Língua tâmil

Referências

  1. «Official languages». UNESCO. Consultado em 2007-05-10. 
  2. «Official languages of Tamilnadu». Tamilnadu Government. Consultado em 2007-05-01. 
  3. «Official languages of Srilanka». State department, US. Consultado em 2007-05-01. 
  4. «Singapore Language and Literacy». AsianInfo.Org. Consultado em 2007-11-17. 
  5. a b «Top 30 Languages by Number of Native Speakers: sourced from Ethnologue: Languages of the World, 15th ed. (2005)». Vistawide - World Languages & Cultures. Consultado em 2007-04-03. 
  6. «Languages Spoken by More Than 10 Million People». MSN Encarta. Consultado em 2007-04-02. 
  7. a b Paulo Correia; Direção-Geral da Tradução — Comissão Europeia. (Outono de 2012). "Etnónimos, uma categoria gramatical à parte?" (PDF). a folha — Boletim da língua portuguesa nas instituições europeias (N.º 40) p. 29. Sítio Web da Direção-Geral de Tradução da Comissão Europeia no portal da União Europeia. ISSN 1830-7809. Visitado em 13 de janeiro de 2013.
  8. Arokianathan, S. Writing and Diglossic: A Case Study of Tamil Radio Plays. ciil-ebooks.net
  9. Steever, S. B.; Britto, F. (1988). «Diglossia: A Study of the Theory, with Application to Tamil». Language [S.l.: s.n.] 64: 152. doi:10.2307/414796. JSTOR 414796. 
  10. * Zvelebil, Kamil. 1973. The smile of Murugan on Tamil literature of South India. Leiden: Brill.
  11. Southworth 1998, pp. 129–132
  12. Zvelebil 1992, p. ix–xvi
  13. Subramanian, S.V (1980), Heritage of Tamils; Language and Grammar, International Institute of Tamil Studies, pp. 7–12 
  14. Tamil lexicon, Madras: University of Madras, 1924–36, http://dsal.uchicago.edu/cgi-bin/philologic/getobject.pl?c.5:1:7048.tamillex, visitado em 26 February 2012. 
  15. Lehmann, Thomas. Old Tamil. 1998.
  16. {cite web|last=Sadasivan|first=M. P.|publisher=State Institute of Encyclopaedic Publications|url=http://mal.sarva.gov.in/index.php?title=നന്നൂല്‍%7Carchiveurl=https://web.archive.org/web/20140820221313/http://mal.sarva.gov.in/index.php?title=%E0%B4%A8%E0%B4%A8%E0%B5%8D%E0%B4%A8%E0%B5%82%E0%B4%B2%E0%B5%8D%E2%80%8D%7Cdeadurl=no%7Carchivedate=2014-08-20%7Caccessdate=2014-08-20%7Cdate=2011-01-13%7Clanguage=Malayalam%7Ctitle=നന്നൂല്‍%7Ctrans_title=Nannūl}}