Lapões

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Sámi
Sami flag.svg
Bandeira da Lapônia
SamiWikibasedCollage.JPG
Mari Boine, Lars Levi Læstadius, Lisa Thomasson, Helga Pedersen, Renée Zellweger e Ole Henrik Magga
Línguas lapão, norueguês, sueco, finlandês, russo
Área 388 350 km²
População 80 000 - 100 000
Religião Laestadianismo, luteranismo, ortodoxos, xamanismo
Zona horária UTC de +1 a +3
Grupo étnico relacionado Finlandeses, estonianos, entre outros grupos fínicos
Distribuição geográfica dos lapões
Trajes tradicionais Sámi (Samediggi de Noruega)

O povo lapão ou sámi [1][2][3] (em lapão: Sámi, Sápmi ou Sápmelaš; em finlandês: Saame; em sueco e norueguês: Same; em russo: Саамы) constitui o grupo étnico nativo da Lapónia (Sápmi; literalmente Terra dos Sámi), um território abrangendo partes das regiões setentrionais da Noruega, Suécia, Finlândia e da península de Kola, na Rússia. Habitam zonas serranas (fjäll), zonas florestais, zonas costeiras, zonas geladas e fiordes noruegueses.[4][5][6]

Os lapões são um dos maiores grupos indígenas da Europa, totalizando cerca de 70 000 pessoas, das quais 17 000 vivem na Suécia, 35 000 na Noruega, 5 700 na Finlândia e 2 000 na Rússia.[7][8][9]

Falam um grupo de dez variedades linguísticas distintas denominadas genericamente de sámi ou lapão, pertencente à família das línguas fino-úgricas (do grupo linguístico raro no qual se encontram o finlandês e o húngaro).[6]

Destas, seis possuem sua própria norma escrita.[10] As línguas lapônicas têm um alto grau de parentesco, mas não são mutuamente inteligíveis; por exemplo, falantes do lapão do sul não são capazes de compreender o lapão do norte. Inicialmente referia-se a estas distintas línguas como "dialetos", mas hoje considera-se esta terminologia incorreta, devido às grandes diferenças entre as variedades. A maior parte destas línguas é falada em mais de um país, devido ao fato de as fronteiras linguísticas não corresponderem às fronteiras nacionais.

As atividades tradicionais dos lapões são a caça, a pesca, a agricultura e a criação de renas. Esta última implica por vezes uma vida nómada, conduzida por uma minoria. Todavia, hoje em dia a maior parte deste povo tem uma vida sedentária.[6]

A primeira descrição relativamente objetiva da vida dos lapões aparece no livro Lapponia de Johannes Schefferus, publicado em 1673 na Alemanha, e traduzido 300 anos depois para sueco em 1956 .[11][12]

História[editar | editar código-fonte]

Os vestígios mais antigos da presença humana na "Terra dos Lapões" (Sápmi) datam de 9 000 a.C. Os achados feitos no Norte da Suécia testemunham a presença de uma população que subsistia graças à caça de renas selvagens e à pesca do salmão. As suas habitações eram tendas móveis feitas de peles de animais. [13] [14]

Referências históricas[editar | editar código-fonte]

  • 98 d.C. - O historiador romano Tácito refere na sua obra Germania um povo pelo nome de "fenni", uma latinização de um termo ainda usado na Noruega. Segundo ele, este povo não cultivava a terra, mas comia o que a Natureza dava. Usavam roupas feitas de peles e dormiam no chão. [14][13]
  • 150 d.C - O geógrafo grego Ptolomeu menciona um povo pelo nome "finnoi", como um dos 7 povos da ilha de Scandia. [14][13]
  • 550 d.C - O historiador bizantino Procópio informa que os "skrithifinnoi" eram o único povo selvagem de Thule.
  • 551 d.C - O historiador godo Jordanes escreve na sua obra Getica que os "finni" habitam o extremo norte da ilha de Scandza. E aponta ainda que eles e os "suehans" (Sveas) negociavam peles, que depois eram vendidas no Império Romano.

História genética[editar | editar código-fonte]

Os Lapões dos nossos dias têm duas histórias genéticas atrás de si - uma linhagem materna mais antiga confluindo com uma linhagem paterna mais recente. Embora se tenha avançado bastante no conhecimento da linhagem paterna, ainda há trabalho a fazer no que respeita à linhagem materna e às combinações genéticas entre estes dois ramos.

Sabemos hoje, que homens portadores do cromossoma Y do grupo N1c, com a mutação N1c-L026, parecem ter chegado à Finlândia, vindos do Sul dos Montes Urais, na Rússia, há uns 4 000 anos. Uns mil anos mais tarde, começaram a migrar para o norte da Escandinávia. Aí encontraram e misturaram-se com homens noruegueses, suecos e finlandeses portadores do cromossoma Y dos grupos I1, R1a e R1b.
Isto é, os pais ancestrais dos atuais lapões chegaram à Lapónia, vindos de várias regiões – do Sul da Finlândia, do centro da Suécia e do Leste da Noruega. Num estudo de 2004, sobre o cromossoma Y de 127 homens lapões, 47% pertenciam ao grupo N1c, 26% ao grupo I1, 11% ao grupo R1a e 4% ao grupo R1b. Por outras palavras, os lapões não são, do ponto de vista genético, fundamentalmente diferentes dos outros escandinavos.

Nos tempos pré-históricos, não existiam os atuais estados nacionais. As populações da Escandinávia interagiam umas com as outras sem atritos de maior. Com o advento da Idade Média, surgiram os estados nacionais – cristãos e nacionalistas. Os lapões – pagãos e nómadas – ficaram de fora da corrente dos tempos. Os reinos nórdicos começaram ofensivas contra os lapões baseadas na intolerância religiosa e na cobiça pelos recursos geográficos e naturais dos vastos territórios em que habitavam os Lapões.
Hoje em dia, os Lapões são considerados juridicamente um povo indígena da Suécia, Noruega e Finlândia. A Convenção sobre os Povos Indígenas e Tribais de 1989 foi assinada pela Noruega, mas não pela Finlândia nem pela Suécia.[15][16][17][18]

Lapões notáveis[editar | editar código-fonte]

Galeria[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. «Sami os indígenas europeus que tomam conta de renas». Embaixada da Finlândia, Brasília. Consultado em 31 de maio de 2018 
  2. DAVID DREW ZINGG. «Loiras, Elvis em latim e Papai Noel». Folha de São Paulo. Consultado em 31 de maio de 2018 
  3. «Os Saami: povo de pastores de renas do extremo Norte». Portal Legionário. Consultado em 31 de maio de 2018 
  4. «Samer» (em sueco). Uppslagsverket Finland - Enciclopédia Finlândia. Consultado em 26 de maio de 2015 
  5. «Samer» (em norueguês). Store norske leksikon - Grande Enciclopédia Norueguesa. Consultado em 26 de maio de 2015 
  6. a b c Miranda, Ulrika Junker; Anne Hallberg (2007). «Samer». Bonniers uppslagsbok (em sueco). Estocolmo: Albert Bonniers Förlag. p. 852. 1143 páginas. ISBN 91-0-011462-6 
  7. Enciclopédia Nacional Sueca - Lapões
  8. http://finland.fi/Public/default.aspx?contentid=260949&nodeid=41800&culture=pt-PT
  9. «sámi - Significado no Dicionário Rápido». dicionariorapido.com.br. Consultado em 10 de fevereiro de 2016 
  10. Karlsson, Fred (2008). An Essential Finnish Grammar. Abingdon-on-Thames, Oxfordshire: Routledge, 1. ISBN 978-0-415-43914-5.
  11. Magnusson, Thomas; et al. (2004). «Samer». Vad varje svensk bör veta (em sueco). Estocolmo: Albert Bonniers Förlag e Publisher Produktion AB. p. 76. 654 páginas. ISBN 91-0-010680-1 
  12. «Johannes Schefferus» (em sueco). Nationalencyklopedin – Enciclopédia Nacional Sueca. Consultado em 21 de fevereiro de 2016 
  13. a b c «Med solens folk (Com o povo do Sol)». Samer. Ett ursprungsfolk i Sverige (em sueco). Kiruna: Parlamento Lapónio da Suécia e Ministério da Agricultura da Suécia. 2004. p. 10-11. 64 páginas. ISBN 91-974667-9-4 
  14. a b c Inger Zachrisson (2010). «Vittnesbörd om pälshandel?» (PDF). Fornvännen - Journal of Swedish Antiquarian Research (em sueco) 
  15. Max Ingman e Ulf Gyllensten. «A recent genetic link between Sami and the Volga-Ural region of Russia» (em inglês). European Journal of Human Genetics. Consultado em 9 de janeiro de 2017 
  16. Per Möller, Olof Östlund, Lena Barnekow, Per Sandgren, Frida Palmbo, Eske Willerslev. «Living at the margin of the retreating Fennoscandian ice sheet: The early Mesolithic sites at Aareavaara, northernmost Sweden» (em inglês). The Holocene. Consultado em 9 de janeiro de 2017 
  17. Bojs, Karin; Peter Sjölund (2016). «Samer». Svenskarna och deras fäder. De senaste 11 000 åren (em sueco). Estocolmo: Albert Bonniers. p. 81-87. 232 páginas. ISBN 9789100167547 
  18. «Indigenous and Tribal Peoples Convention, 1989 (No. 169)» (em inglês, francês, espanhol, árabe, alemão, e russo). ILO – International Labour Organization. Consultado em 9 de janeiro de 2017 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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