Guerra de Independência Argelina

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Corpos de muçulmanos mortos na Argélia, em 1956.
Argel: Makamelchahid, monumento em memória dos mortos pela independência.

A Guerra de Independência Argelina, também conhecida como Revolução Argelina ou Guerra da Argélia (em árabe: الثورة الجزائريةAth-Thawra Al-Jazā’iriyya; em francês: Guerre d'Algérie) foi um movimento de libertação nacional da Argélia do domínio francês, que tomou curso entre 1954 e 1962.

Caracterizou-se por ataques de guerrilha e atos de violência contra civis - perpetrados tanto pelo exército e colonos franceses (os "pied-noirs") quanto pela Frente de Libertação Nacional (Front de Libération Nationale - FLN) e outros grupos argelinos pró-independência.

O governo francês do tempo considerava criminoso ou terrorista todo ato de violência cometido por argelinos contra franceses, inclusive militares. No entanto, alguns franceses, como o antigo guerrilheiro antinazi e advogado Jacques Vergès, compararam a Resistência francesa à ocupação nazi com a resistência argelina à ocupação francesa.

Uma campanha de atentados antiárabes (1950-1953) havia sido praticada por colonos direitistas, desencadeando, em contrapartida, a luta lançada pela FLN em 1954, apenas dois anos antes de a França ser obrigada a desistir do seu controle sobre a Tunísia e Marrocos.

O principal rival argelino da FLN — com o mesmo objetivo de independência para a Argélia — era o Movimento Nacional Argelino (Mouvement National Algérien - MNA), criado mais tarde, cujos apoiantes principais eram trabalhadores argelinos em França. A FLN e o MNA lutaram entre si durante quase toda a duração do conflito.

Início das hostilidades[editar | editar código-fonte]

Na madrugada de 1º de novembro de 1954, militantes da FLN lançaram ataques em vários locais da Argélia, contra instalações militares, postos de polícia, armazéns, infraestrutura de comunicações e serviços de utilidade pública.

O General Salan, chefe da Organisation armée secrète (OAS) liderou a oposição ao processo de descolonização da Argélia. O conflito foi um dos primeiros de descolonização com uma participação grande de mulheres que usavam suas burcas para carregar armas.[1]

Posição dos judeus argelinos na guerra da independência[editar | editar código-fonte]

A população judia, às vésperas da guerra, estava presente sobretudo nas grandes cidades, em especial Alger e Oran[2]:185. Em 1953, 21 % dos médicos, 18 % dos dentistas, 16 % dos advogados e 18 % dos funcionários públicos são judeus[2]:185. Havia também 472 colonos, nas áreas agrícolas. [2]:187 Embora do ponto de vista cultural, religioso e étnico, constituíssem um grupo distinto da maioria dos pieds-noirs, os judeus da Argélia também partilhavam com aqueles o apoio à soberania francesa sobre o território argelino.

Quando irrompeu a guerra, a comunidade judaica, de maneira geral, não tomou partido, a princípio. As organizações comunitárias mostram extrema moderação, recusando-se assumir uma posição política, mostrando-se tanto ligadas à nacionalidade francesa quanto favoráveis à igualdade de direitos para todos [3].

Em 1º de novembro de 1954, o manifesto da FLN convida todos os habitantes, independentemente da confissão religiosa, a lutar contra o exército francês. Em 1956, é lançado um apelo aos judeus da Argélia, convidando-os a aderir à causa nacionalista [4]:233, mas as instituições judaicas se recusam a assumir uma posição, declarando apenas : "Somos franceses, somos republicanos, somos liberais, somos judeus."[2]:176

Referências

  1. F. Mernessi, (1985), Beyond the Veil, London, Al Saqi, p.l 1
  2. a b c d Cohen, Ayoun; Cohen, Bernard. Les Juifs d’Algérie. Deux mille ans d'histoire, Paris, Jean-Claude Lattès, 1982,
  3. Stora, Benjamin; Harbi, Mohammed. L'impossible neutralité des juifs d'Algérie, in La guerre d'Algérie, 1954-2004, la fin de l'amnésie, Laffont (2004), p. 287-315
  4. Attal, Robert. Regards sur les juifs d’Algérie, l’Harmattan, 1996

Ver também[editar | editar código-fonte]

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]


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