Distúrbios de outubro de 1988 na Argélia

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Os distúrbios de outubro de 1988 foram uma série de distúrbios e manifestações desordeiras da juventude argelina, que iniciaram em 5 de outubro de 1988 e se encerraram no dia 11. [1][2] Os tumultos foram "os mais sérios" desde a independência da Argélia e envolveram milhares de jovens que "tomaram o controle das ruas". [3] Os motins começaram em Argel e se espalharam para outras cidades, resultando em cerca de 500 mortes e 1000 feridos. [2][4] Os tumultos indiretamente levaram à queda do sistema de partido único do país (o partido Front de Libération Nationale (FLN) que estava no poder desde 1962) e a introdução de uma reforma democrática, mas também a uma espiral de instabilidade e um conflito político cada vez mais vicioso que, em última instância, fomentaram a Guerra Civil Argelina.

O aumento dos preços, a elevada taxa de desemprego entre os jovens e as medidas de austeridade anunciadas pelo governo foram os principais motivos para os tumultos.[2][5]

Os alvos dos protestos anárquicos incluíram lojas, escritórios, veículos oficiais e edifícios - que foram incendiados [1][6][7] - agências da Air Algérie, ônibus, sinalização rodoviária e outros símbolos estatais, qualquer automóvel que parecesse caro e o luxuoso centro de compras de Riad al Fath.[3]

A polícia e a administração civil foram submetidas ao controle militar [6] e a tortura de detidos foi relatada em academias de polícia.[8] O estado de emergência foi decretado em 6 de outubro e um toque de recolher estabelecido que decorreu da meia-noite às seis horas da manhã (a partir de 8 de outubro o toque de recolher não foi aplicado até as 8 horas da noite).[1] A polícia era provocada como "judeus" pelos manifestantes (uma critica a Intifada em Israel).[3]

Em geral, os tumultos foram direcionados ao crescente desespero social - em grande parte resultado da queda acentuada dos preços do petróleo nos anos anteriores - e ao ritmo lento da reforma econômica e política. Os protestos foram violentamente reprimidos, mas desencadearam um processo de lutas internas de poder e críticas públicas. Após os tumultos, o governo do presidente Chadli Bendjedid prometeu reformas políticas com uma "maior democratização da ação política" e "mudanças políticas e institucionais".[8] A Constituição de 1989 foi submetida a um referendo em 23 de fevereiro de 1989. [9] A referência ao socialismo não seria encontrada na nova constituição e o reconhecimento da liberdade do indivíduo substitui o reconhecimento da liberdade do povo encontrada na constituição anterior.[9] A constituição de 1989 dá um novo papel ao exército relegando-o a defender a independência nacional da Argélia. [9] Finalmente, a nova constituição coloca uma ênfase na religião em seu preâmbulo, afirmando que a Argélia é uma "terra do Islã". [10]

A natureza simultânea e inesperada dos protestos, bem como suas consequências monumentais, levaram muitos observadores argelinos a traçar suas origens até intrigas dentro da elite dominante, com facções militares explorando a frustração da juventude argelina, e o descontentamento geral da população com a corrupção no aparelho estatal, para desacreditar a presidência ou forçar o seu controle. No entanto, existem poucas evidências para provar ou refutar esta tese.[carece de fontes?]

Referências

  1. a b c "La semaine sanglante", Jeune Afrique. 19 Octobre 1988. PP. 10-16.
  2. a b c «Algeria: Riots of October 1988». Refworld 
  3. a b c Kepel, Jihad, 2002: p.160-1
  4. "Algeria calls for vote on political changes", Globe and Mail. Thursday, October 13, 1988.
  5. "Troops fire on Algerian protesters", The Toronto Star. Monday, October 10, 1988.
  6. a b "Death toll climbs in Algerian riots", Globe and Mail. Saturday, October 08, 1988.
  7. "Algeria uses armed forces to curb riots over prices", Globe and Mail. Friday, October 07, 1988.
  8. a b "When Algeria lost patience", The Middle East. November 1988. p.6.
  9. a b c François Soudan, "Algérie: l'adieu au socialisme", Jeune Afrique. 1er mars 1989. P. 24
  10. François Soudan, "Algérie: l'adieu au socialisme", Jeune Afrique. 1er mars 1989. P. 25

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