Movimento Tailândia Livre

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Movimento Tailândia Livre
เสรีไทย
Participante na Segunda Guerra Mundial
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Datas 1940 – 1945
Líder {{{leaders}}}
Relação com outros grupos
Aliados Aliados da Segunda Guerra Mundial
Inimigos Regime de Plaek Pibulsonggram e Império do Japão

O Movimento Tailândia Livre (tailandês: เสรีไทย; rtg's: Seri Thai) foi um movimento de resistência tailandês contra o Japão Imperial durante a Segunda Guerra Mundial. O movimento foi uma importante fonte de informações para os serviços de inteligência dos Aliados na região.

Contexto[editar | editar código-fonte]

Após a invasão japonesa na Tailândia, em 7 de dezembro de 1941, o regime de Plaek Pibulsonggram (Phibun) declarou guerra contra o Reino Unido e os Estados Unidos em 25 de janeiro de 1942. Entretanto, Seni Pramoj, o então embaixador tailandês em Washington, recusou-se a entregar a declaração de guerra para o governo americano e, consequentemente, os Estados Unidos não declararam guerra à Tailândia. Seni Pramoj, conservador cujo ideal anti-japonês era evidente, organizou o Movimento Tailândia Livre com ajuda americana, recrutando estudantes tailandeses nos Estados Unidos para trabalhar com a Office of Strategic Services (OSS). A OSS treinou os tailandeses para executarem atividades clandestinas e se infiltrarem na Tailândia. Até o final da guerra, mais de 50.000 tailandês tinham sido treinados e armados para resistirem as tropas japonesas.

Segunda Guerra e a Ocupação Japonesa[editar | editar código-fonte]

Aliança com o Japão[editar | editar código-fonte]

A aliança de Phibun com o Japão durante o início da guerra teve, inicialmente, grande aceitação popular. A Royal Thai Army juntou-se ao Japão na Campanha da Birmânia com o objetivo de recuperar parte dos estados Shan, cedido anteriormente ao Reino Unido pelo Tratado de Yandabo. Junto com os japoneses, a Tailândia recuperou quatro estados no extremo norte que haviam perdido no Tratado Anglo-Siamês de 1909 e, com a mediação japonesa na Guerra Franco-Tailandesa, também recuperaram os territórios perdidos na Guerra Franco-Siamesa de 1893.

No entanto, em razão do Japão ter tropas com cerca de 150.000 soldados em solo tailandês, os japoneses, cada vez mais, tratavam a Tailândia como um território conquistado, ao invés de como um aliado. Embora os Estados Unidos não tenha declarado guerra oficialmente, a Força Aérea dos Estados Unidos, em 26 de dezembro de 1942, fez seu primeiro ataque com aviões bombardeiros,[1] atingindo seus alvos em Bangkok e em outras regiões, causando várias de vítimas. Após o ocorrido a opinião pública tailandesa e de simpatizantes da atual política mudaram consideravelmente, tornando-se contra Phibun e sua aliança com o Japão.

Regime civil (1944-1947)[editar | editar código-fonte]

Em junho de 1944, Phibun, forçado a sair do cargo, foi substituído pelo primeiro governo predominantemente civil desde o golpe de 1932. O novo governo foi liderado por Khuang Aphaiwong, um civil vinculado politicamente com os conservadores, assim como Seni. A figura mais influente no regime, no entanto, foi Pridi Bhanomyong (que havia servido como Regente da Tailândia), cujo sentimento anti-japonês tornou-se cada vez mais atraente para os tailandeses. Contudo, os ataques aéreos não cessaram e, em 14 de abril de 1945, destruíram em Bangkok as duas principais centrais de energia da região, deixando a cidade sem energia elétrica e água.[2] Durante a campanha dos bombardeios, o Movimento Tailândia Livre foi eficaz na transmissão de relatórios para as forças aéreas americanas, com o intuito de resgatar os aviadores caídos.[3] No último ano da guerra, foi concedido, secretamente, o acesso à Bangkok aos agentes Aliados.[4] Ao término da Segunda Guerra, a Tailândia repudiou seus acordos feitos com o Japão.

Os líderes civis foram incapazes de alcançar a unidade do poder e, depois de um desentendimento com Pridi Bhanomyong, Khuang Aphaiwong, que ocupava o cargo de primeiro-ministro, foi substituído por Seni Pramoj, que havia retornado à Tailândia com o posto de líder do Movimento Tailândia Livre em Washington. A disputa pelo poder das facções civis, ao final de 1945, criou divisões políticas entre seus líderes, que resultou na retomada da força política dos militares nos anos seguintes do pós-guerra. No período pós-guerra a acomodação do governo tailandês com os Aliados também enfraqueceu o governo civil.

Como resultado das contribuições efetuadas pelo Movimento Tailândia Livre, os Estados Unidos, que ao contrário dos outros Aliados, nunca oficializou guerra com a Tailândia, absteve-se de lidar com a Tailândia como um inimigo do país nas negociações de paz ao término do conflito. Antes de assinar o tratado de paz com a Tailândia, o Reino Unido exigiu reparações de guerra em forma de carregamentos de arroz para a Malásia, e a França recusou-se a permitir a admissão da Tailândia na Organização das Nações Unidas (ONU) até que a indochina e territórios anexados durante a guerra fossem devolvidos. A União Soviética, insistiu sobre a revogação da legislação anti-comunista.

Referências

  1. Stearn, Duncan (30 de maio de 2003). «Allies attack Thailand, 1942–1945». Pattaya Mail. Consultado em 16 de setembro de 2017. On 26 December 1942 bombers of the United States’ Tenth Air Force, based in India, launched the first major strike 
  2. Stearn, Duncan. Allies attack. [S.l.: s.n.] 
  3. Stearn, Duncan (4 de abril de 2004). «Shot Down and Rescued». Pattaya Mail. Consultado em 16 de setembro de 2017. Many Thais resented the presence of Japanese forces in their homeland, especially since these troops tended to act more like occupiers than allies. So, whenever the opportunity arose to hinder the progress of Japanese war aims, there Thais collaboration was present. 
  4. Stearn, Duncan (16 de abril de 2004). «To Bangkok». Pattaya Mail. Consultado em 16 de setembro de 2017. The downed fliers were taken to Thai police headquarters where some of them received first aid and, as evening fell, they were allowed outside to wash themselves in a large pool of water. 

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Thailand's Secret War: OSS, SOE and the Free Thai Underground During World War II. E. Bruce Reynolds. Cambridge Military Histories series. Cambridge University Press. ISBN 0-521-83601-8. Colonel David Smiley is pictured page 377 with his Force 136 team.
  • The Thai Resistance Movement During The Second World War, John B. Haseman, Northern Illinois Center for Southeast Asian Studies, np, 1978.
  • Free Thai, compiled by Wimon Wiriyawit, White Lotus Co., Ltd, Bangkok, 1997.
  • Into Siam, Underground Kingdom, Nicol Smith and Blake Clark, Bobbs Merrill Company, New York, 1945.
  • Colonel David Smiley, "Irregular Regular", Michael Russell – Norwich – 1994 (ISBN 978-0859552028). Translated in French by Thierry Le Breton, Au coeur de l'action clandestine des commandos au MI6, L’Esprit du Livre Editions, France, 2008 (ISBN 978-2915960273). With numerous photographs.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]