Gebhard Leberecht von Blücher

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Gebhard Leberecht von Blücher
Nascimento 16 de dezembro de 1742
Rostock, Ducado de Mecklenburg
Morte 12 de setembro de 1819 (76 anos)
Província da Silésia
País Sweden-Flag-1562.svg Suécia
Flag of the Kingdom of Prussia (1803-1892).svg Prússia
Anos em serviço 1758–1815
Hierarquia Flag of the Kingdom of Prussia (1803-1892).svg Generalfeldmarschall
Batalhas/Guerras Guerra dos Sete Anos
Guerras Napoleônicas

Gebhard Leberecht von Blücher (Rostock, 15 de dezembro de 1742Krieblowitz, 12 de setembro de 1819) foi um marechal-de-campo prussiano que liderou seu exército contra as forças de Napoleão na Batalha das Nações em 1813 e na Batalha de Waterloo em 1815.

Seu pai era o prefeito de Hessen-Kassel, Christian Friedrich von Blücher (1696-1761) e sua mãe era Dorothea Maria von Zülow (1702-1769). Gebhard tinha seis irmãos mais velhos e duas irmãs. Quando jovem, foi enviado com seu irmão mais velho Ulrich Siegfried para casa de uma tia na Ilha de Rügen, na Suécia.

Após a entrada da Suécia na Guerra dos Sete Anos, os irmãos se juntaram ao regimento de Hussardos suecos em 1758, sem o consentimento de seus pais, e lutaram contra a Prússia. Gebhard foi capturado em agosto de 1760 em uma batalha perto da aldeia de Kavelpaß. Posteriormente juntou-se ao exército prussiano, servindo como oficial hussardo para a Prússia durante o restante da guerra.

Em 1773, Blücher foi forçado a renunciar por insubordinação ao rei Frederico II, o Grande. Estabeleceu-se como fazendeiro na Silésia até a morte de Frederico em 1786, quando foi reintegrado ao exército com a patente de major. Promovido à tenente-coronel em 1789, após a campanha contra a Holanda em 1790, tornou-se coronel.

Destacou-se a seguir nas Guerras Revolucionárias Francesas, sendo promovido à major-general em 1794. Em 1795, Blücher assumiu o comando das tropas prussianas, que permaneceram após a paz de Basileia para proteger a linha de demarcação na Vestfalia. Tornou-se tenente-general em 1801 e comandou o corpo de cavalaria durante as Guerras Napoleônicas em 1806.

Guerras Napoleônicas[editar | editar código-fonte]

Na batalha dupla de Jena-Auerstedt, Blücher lutou na frente de Auerstedt, liderando sem sucesso a cavalaria prussiana. Após nova derrota prussiana na Batalha de Prenzlau, conduziu suas tropas para noroeste, juntando-se às forças remanescentes do Grão-Duque Carlos Augusto de Saxe-Weimar.

Blücher e seu chefe de estado maior, Gerhard von Scharnhorst, tentaram reorganizar as forças prussianas, mas foram derrotados pelos franceses na Batalha de Lübeck em 6 de novembro, não lhes restando outra alternativa senão aceitar a capitulação oferecida pelo General Bernadotte. Posteriormente beneficiado por uma troca de prisioneiros, foi permutado pelo futuro marechal Claude Victor-Perrin, duque de Belluno, que fora aprisionado pelos prussianos.

Após receber do Rei Frederico Guilherme III a Ordem da Águia Negra em abril de 1807, por reconhecimento a seu esforço; Blücher foi enviado à Pomerânia Sueca, a frente de um corpo auxiliar prussiano, para apoiar as forças do rei sueco Gustavo IV Adolfo. Após o término dos combates tornou-se Governador Geral da Pomerânia e Neumark (1807) e comandante geral da cavalaria (1809).

Terminada a guerra, Blücher foi encarado como o líder natural do partido patriota durante o período de dominação napoleônica, mas suas esperanças de uma aliança com a Áustria na guerra de 1809 viram-se frustradas. Em 1812, expressou-se tão abertamente sobre a aliança da Rússia com a França que foi exonerado do seu governo militar da Pomerânia e virtualmente banido da corte.

Porém durante a guerra da sexta coligação na primavera de 1813, Blücher passou a integrar novamente o alto comando, tomando parte nas batalhas de Lützen e Bautzen. Tornou-se comandante em chefe do Exército da Silésia, com August von Gneisenau e Karl von Müffling como seus principais colaboradores.

Promovido à marechal-de-campo, venceu os franceses comandados pelo marechal MacDonald em Katzbach e obteve outra vitória sobre o Marechal Marmont em Möckern. Liderou os prussianos na Batalha das Nações ocupando a cidade de Leipzig, obtendo sua primeira vitória contra Napoleão Bonaparte.

Durante a invasão da França em 1814 foi derrotado na Batalha de Brienne, obtendo melhor sorte na Batalha de La Rothière. Os confrontos seguintes tiveram desfecho favorável à Napoleão em Champaubert, Vauchamps e Montmirail; porém a vitória prussiana em Laon (10 de março) praticamente decidiu o destino da campanha. A seguir, efetuou a junção com as forças austríacas do Príncipe de Schwarzenberg, entrando com as forças aliadas em Paris, culminando com a capitulação e abdicação de Napoleão I.

O rei Frederico Guilherme III da Prússia, em gratidão por suas vitórias, o fez Príncipe Blücher de Wahlstatt (na Silésia, no campo de batalha de Katzbach). Também lhe concedeu propriedades perto de Krieblowitz (atual Krobielowice, Polônia) na Baixa Silésia e uma grande mansão na Pariser Platz em Berlim (que em 1930 tornou-se a Embaixada Norte-Americana).

Após a guerra, Blücher se retirou para a Silésia; no entanto, o retorno de Napoleão de Elba e sua entrada em Paris no início dos Cem Dias, o fizeram voltar ao serviço. Reconduzido ao comando do Exército do Baixo Reno, com o general von Gneisenau como seu chefe de gabinete.

No início da campanha de 1815, os prussianos sofreram uma séria derrota na Batalha de Ligny (16 de junho), no decorrer da qual o Blücher ficou preso sob seu cavalo morto e sua vida foi salva por seu ajudante de campo, o conde von Nostitz, que jogou um casaco sobre seu comandante, a fim de ocultar a identidade de Blücher aos franceses que passavam.

Como Blücher não conseguiu retornar por algumas horas, Gneisenau assumiu o comando, e ordenou a retirada do exército derrotado, em direção a Wavre, a fim de manter viva a possibilidade de juntar-se ao exército britânico.

Depois de banhar suas feridas, Blücher voltou ao seu exército, levando dois corpos para se juntarem a Wellington em na decisiva Batalha de Waterloo. Ele conduziu seu exército em uma marcha tortuosa ao longo de caminhos lamacentos, apesar de sua idade e a dor de suas feridas; chegando ao campo de Waterloo no final da tarde. A batalha encontrava-se equilibrada naquela altura, quando o exército de Blücher interveio com um efeito decisivo e esmagador.

Após a nova invasão à França, os exércitos da coalizão entraram em Paris à 7 de julho de 1815, obtendo à queda definitiva do Primeiro Império Francês.

O príncipe Blücher foi agraciado com a “cruz de ferro” e permaneceu na capital francesa por alguns meses, porém sua idade e enfermidades o obrigaram a se aposentar, retirando-se para sua residência da Silésia em Krieblowitz, onde veio a falecer em 1819.

Vida Pessoal[editar | editar código-fonte]

Blücher casou-se com Caroline Amalie von Mehling (1756-1791) em 1773, o casal teve sete filhos. Viúvo, casou-se novamente em 1795, com Amalie de Colomb (1772-1850), uma irmã do general Peter de Colomb.

Iniciado na maçonaria em 1799, alcançou o grau de mestre em 1806.

Legado e Posteridade[editar | editar código-fonte]

Blücher foi um dos principais líderes militares de seu tempo. Embora não se destacasse tanto como estrategista, sendo mais apreciado pelo seu ímpeto e carisma, que lhe valeram o apelido de “general avante”.

Celebrado como um dos artífices da derrota de Napoleão I, foi um dos militares mais condecorados da história alemã, sendo ele e o general Hindenburg os únicos agraciados com a Estrela da Grande Cruz de Ferro.

Após sua morte foram erguidas estátuas em sua memória em Berlim, Breslau, Rostock e Kaub (onde suas tropas atravessaram o Reno em busca das forças de Napoleão em 1813).

O engenheiro britânico George Stephenson, inventor pioneiro das ferrovias, batizou uma de suas locomotivas com o nome “Blücher”, em homenagem ao marechal.

Três navios da marinha alemã foram batizados em homenagem a Blücher, sendo uma corveta em 1877, um cruzador leve lançado em 1908 (afundado em 1915 durante a 1ª Guerra Mundial) e um cruzador pesado lançado em 1937, afundado próximo à Oslo, em 1940, durante a invasão da Noruega.

Quando Krieblowitz foi conquistada pelo Exército Vermelho em 1945, soldados soviéticos profanaram o mausoléu de Blücher e dispersaram seus restos mortais.

A família von Blücher deteve a posse de suas terras até a expulsão dos alemães da Polônia e da Tchecoslováquia em 1945. O título de Príncipe Blücher de Wahlstatt (Alteza Sereníssima), hereditário em primogenitura, foi legado aos descendentes do marechal, sendo o atual chefe da casa o Conde Nicolaus, 8º Príncipe Blücher de Wahlstatt (nascido em 1932), tendo por herdeiro presuntivo seu filho, o conde Lukas, nascido em 1956.


Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Crepon, Tom (1999). Gebhard Leberecht von Blücher: sein Leben, seine Kämpfe. Rostock: Hinsdorff. ISBN 3-356-00833-1.
  • von Ense, K. A. Varnhagen (1826). Leben des Fürsten Blücher von Wahlstadt. Berlin: G. Reimer.
  • Henderson, Ernest F. (1994). Blücher and the uprising of Prussia against Napoleon, 1806-1815. Aylesford: R.J. Leach. ISBN 1-873050-14-3.
  • Parkinson, Roger (1975). The Hussar general: the life of Blücher, man of Waterloo. London: P. Davies. ISBN 0-432116-00-1.
  • (1996) The life and campaigns of Field-Marshal Prince Blücher of Wahlstatt. London: Constable. ISBN 0-09-476640-1.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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