Almeirim (Portugal)

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Disambig grey.svg Nota: Para outro significado de Almeirim, veja Almeirim.
Almeirim
Brasão de Almeirim Bandeira de Almeirim

Restaurantes em Almeirim.JPG
Almeirim
Localização de Almeirim
Gentílico Almeirinense
Área 222,12 km²
População 23 376 hab. (2011)
Densidade populacional 105,2  hab./km²
N.º de freguesias 4
Presidente da
câmara municipal
Pedro Ribeiro (PS)
Fundação do município
(ou foral)
1483
Região (NUTS II) Alentejo
Sub-região (NUTS III) Lezíria do Tejo
Distrito Santarém
Província Ribatejo
Orago Mártir São Sebastião
Feriado municipal Quinta-feira de Ascensão
Código postal 2080
Sítio oficial cm-almeirim.pt
Municípios de Portugal Flag of Portugal.svg

Almeirim é uma cidade portuguesa. Localizada no Ribatejo, pertence ao Distrito de Santarém, tem cerca de 11 700 habitantes.[1]

Desde 2002 que está integrada na região estatística (NUTS II) do Alentejo e na sub-região estatística (NUTS III) da Lezíria do Tejo; continua, no entanto, a fazer parte da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo, que manteve a designação da antiga NUTS II com o mesmo nome. Pertencia ainda à antiga província do Ribatejo, hoje porém sem qualquer significado político-administrativo, mas constante nos discursos de auto e hetero-identificação.

É sede de um município com 222,12 km² de área[2] e 23 376 habitantes (2011),[3][4] subdividido em 4 freguesias.[5] O município é limitado a norte pelo município de Alpiarça, a leste e nordeste pela Chamusca, a sul por Coruche e Salvaterra de Magos, a oeste pelo Cartaxo e a noroeste por Santarém.

Em 2016 regi

História[editar | editar código-fonte]

A ocupação humana da atual área do concelho de Almeirim é muito antiga. Terão sido a proximidade do rio Tejo e a riqueza natural os fatores que terão contribuído para a instalação de homens nesta região. Existem vestígios da presença humana desde a pré-história até à época romana, por todo o vale do Tejo. Exemplos da presença humana no concelho são o concheiro epipaleolítico do vale da Fonte da Moça, os marcos miliários recentemente identificados, pertencentes à via romana que ligava Lisboa a Mérida e ainda a villa romana de Azeitada em Benfica do Ribatejo.

Com as suas magníficas coutadas de caça, que se estendiam por uma grande extensão, a vizinhança de Santarém, as proximidades do Tejo e ainda de Lisboa, com fácil acesso, por via fluvial, Almeirim tornou-se, desde logo, no lugar preferido dos reis da II dinastia e a estância de Inverno frequentada por numerosos membros da Corte, de tal maneira que foi considerada a "Sintra de Inverno", no século XVI.

Almeirim era pois, o ponto ideal para repouso.

Em Almeirim as intrigas palacianas e os amores forjados à sombra dos frondosos jardins do Paço Real eram misturados com a resolução dos mais altos negócios do Reino, tanto se dizia que "punha Cupido a sua aula e tinha El-Rei o seu despacho".

D. João I, entre 1411 e 1423, fez construir o Paço acastelado e as primeiras habitações que vieram contribuir para a criação da vila, depois do rei ter mandado proceder a trabalhos de terraplanagem, colmatagens e drenagens em terrenos paludados na zona da construção. Este Paço Real foi aumentado e melhorado com novas instalações por D. Manuel I que esteve em Almeirim por diversas vezes: todo o ano de 1510, parte de 1513, o Natal de 1514 e todo o período que decorreu entre Outubro de 1515 e Maio de 1516, tendo D. João III seguido o seu exemplo, manifestando a sua predilecção por Almeirim, aliás demonstrado este interesse por toda a dinastia de Avis.

Foi o Paço Real em Almeirim palco de uma das mais problemáticas Cortes da nossa história.

Em 1578, D. Sebastião que visitava Almeirim com frequência, foi levado pelo gosto da aventura e com o ímpeto dos seus verdes anos a oferecer os seus préstimos para a reconquista de Arzila, que os portugueses tinham abandonado em 1550. Não resistindo à superioridade das forças marroquinas, o exército chefiado pelo jovem rei foi derrotado, deixando D. Sebastião a sua vida em Alcácer-Quibir provocando uma situação difícil para o reino.Sem sucessor são abertas as Cortes de Almeirim pelo Cardeal D. Henrique em 11 de Janeiro de 1580 para decidir o problema da sucessão.Nestas Cortes Febo Moniz, como procurador do Povo de Lisboa, dirige-se com voz enérgica ao decrépito Cardeal: "Entregue Vossa Alteza o Reino a um príncipe português e todos lhe beijarão a mão".

Sem nada ser resolvido, as Cortes são dissolvidas e o Reino passa a ser governado por Filipe II de Castela, dando-se início à Dinastia Filipina que iria durar Até 1 de Dezembro de 1640.

Durante o tempo em que Almeirim foi procurada como estância de veraneio, muitas pessoas passearam-se pelas ruas do burgo e povoaram o Paço Real: Gil Vicente, o pai do teatro português, representou, nos Paços da Vila, às Cortes de D. João III, algumas das suas farsas, comédias e autos, como por exemplo, o "Auto da Fé" em 1510; a "Barca da Glória" em 1519; a tragicomédia "Dom Dardos" no casamento da Infanta D. Isabel com Carlos V, em 1525 e em 1526 apresenta a farsa "O Juiz da Beira", a tragicomédia "Templo de Apolo", o "Breve Sumário da História de Deus" e o "Diálogo sobre a Ressurreição".

Foi ainda no Paço Real que Garcia de Resende começou a imprimir o seu Cancioneiro Geral.

O Pórtico do Palácio que começava a ameaçar ruína foi mandado demolir por D. João, Regente em nome de D. Maria I em 1792, facto que só se verificou no século XIX, em 1890.

É possível encontrar na parte antiga da povoação entre S. Roque e as Ribeiras alguns Passos do Calvário e edifícios revestidos a azulejos.

Com importância encontram-se os Palácios da Quinta da Alorna que foi residência de D. Leonor de Almeida Portugal Lorena e Lencastre, a escritora Alcipe, 4ª Marquesa da Alorna: Palácio do Casal Branco, famoso por ter sido palco de divertimentos tauromáquicos do Rei D. Migue; Quinta de Santa Marta, na freguesia de Benfica do Ribatejo que foi residência do Conde de Atalaia.

População[editar | editar código-fonte]

Número de habitantes [6]
1864 1878 1890 1900 1911 1920 1930 1940 1950 1960 1970 1981 1991 2001 2011
4 258 4 945 6 376 7 913 9 311 9 886 12 808 15 020 17 045 18 011 19 225 21 154 21 380 21 957 23 376

(Obs.: Número de habitantes "residentes", ou seja, que tinham a residência oficial neste concelho à data em que os censos se realizaram.)

Pela lei nº 129, de 02/04/1914,foi constituído o concelho de Alpiarça com lugares desanexados do concelho de Almeirim

Número de habitantes por Grupo Etário [7]
1900 1911 1920 1930 1940 1950 1960 1970 1981 1991 2001 2011
0-14 Anos 4 944 5 657 3 345 4 191 4 712 4 618 4 389 4 375 4 781 3 709 3 060 3 539
15-24 Anos 2 556 2 874 2 028 2 475 2 689 3 217 2 864 2 840 2 899 3 141 2 841 2 134
25-64 Anos 5 796 6 339 4 163 5 435 6 669 8 058 9 401 10 195 11 000 11 181 11 796 12 566
= ou > 65 Anos 553 722 384 664 895 1 078 1 357 1 815 2 474 3 349 4 260 5 137
> Id. desconh 35 60 2 9 24

(Obs: De 1900 a 1950 os dados referem-se à população "de facto", ou seja, que estava presente no concelho à data em que os censos se realizaram. Daí que se registem algumas diferenças relativamente à designada população residente)

Festas e Romarias[editar | editar código-fonte]

  • Festas da Cidade
  • Feira do Melão
  • Festival da Sopa da Pedra

Património arquitectónico[editar | editar código-fonte]

  • Igreja Matriz de S. João Baptista
  • Fontes de S. Roque e do Largo dos Namorados
  • Pórtico do Paço da Ribeira de Muge
  • Praça de Touros de Almeirim
  • Jardim da República
  • Ermida de Nossa Senhora do Calvário.
  • Fonte dos Namorados
  • Mercado de Almeirim
  • 'Escolas Velhas'

Cultura[editar | editar código-fonte]

  • Cine-Teatro de Almeirim
  • Museu Municipal
  • Galeria Municipal
  • Centro Cultural de Fazendas de Almeirim

Gastronomia[editar | editar código-fonte]

Artesanato[editar | editar código-fonte]

Cestaria em vime

Louça de barro

Trabalhos em madeira.

Colectividades[editar | editar código-fonte]

As principais colectividades de Almeirim são:

Política[editar | editar código-fonte]

Resultados eleitorais[editar | editar código-fonte]

Eleições autárquicas[editar | editar código-fonte]

Partido % V % V % V % V % V % V % V % V % V % V % V % V
1976 1979 1982 1985 1989 1993 1997 2001 2005 2009 2013 2017
PS 44,3 4 52,4 4 51,9 4 19,1 1 29,7 2 61,8 5 61,9 5 58,7 5 55,2 5 52,9 5 58,9 5 73,9 6
FEPU/APU/CDU 29,2 2 25,0 2 24,2 2 22,4 2 24,5 2 17,9 1 19,5 1 17,8 1 21,5 1 12,6 1 11,5 1 11,1 1
PPD/PSD 15,0 1 21,7 1 15,6 1 14,9 1 13,9 1 16,8 1 12,3 1 9,5 -
AD 19,7 1 20,1 1
PRD 30,2 3 26,2 2
IND 19,4 1 8,0 -
5,0 -
PSD-CDS 11,5 1
CDS-PP 2,3 -
PSD-MPT 8,4 -

Eleições legislativas[editar | editar código-fonte]

Partido %
1976 1979 1980 1983 1985 1987 1991 1995 1999 2002 2005 2009 2011 2015
PS 43,98 34,77 38,23 45,58 18,71 25,65 36,55 56,00 57,59 46,69 56,81 38,85 31,39 40,87
PCP/APU/CDU 22,65 29,48 25,51 25,59 21,77 18,48 13,74 12,19 11,06 10,78 10,29 11,57 10,77 10,87
PPD/PSD 14,55 17,65 20,84 36,85 39,07 20,83 20,17 28,43 18,20 20,05 30,16
CDS-PP 8,14 5,90 3,86 2,25 2,38 6,72 6,08 7,92 4,57 11,03 12,46
UDP 0,89 0,81 0,49 0,52 0,53 0,51 0,64
AD 28,39 29,80
PRD 30,47 10,45 1,27
PSN 1,45 0,36 0,15
B.E. 1,63 2,44 5,40 12,19 6,21 9,95
PAN 1,00 1,13
PàF 27,53

Freguesias[editar | editar código-fonte]

Freguesias do concelho de Almeirim.

O concelho de Almeirim está dividido em 4 freguesias:

Referências

  1. INE (2013). Anuário Estatístico da Região Alentejo 2012. Lisboa: Instituto Nacional de Estatística. p. 33. ISBN 978-989-25-0214-4. ISSN 0872-5063. Consultado em 5 de maio de 2014 
  2. Instituto Geográfico Português (2013). «Áreas das freguesias, municípios e distritos/ilhas da CAOP 2013» (XLS-ZIP). Carta Administrativa Oficial de Portugal (CAOP), versão 2013. Direção-Geral do Território. Consultado em 28 de novembro de 2013 
  3. INE (2012). Censos 2011 Resultados Definitivos – Região Alentejo. Lisboa: Instituto Nacional de Estatística. p. 101. ISBN 978-989-25-0182-6. ISSN 0872-6493. Consultado em 27 de julho de 2013 
  4. INE (2012). «Quadros de apuramento por freguesia» (XLSX-ZIP). Censos 2011 (resultados definitivos). Tabelas anexas à publicação oficial; informação no separador "Q101_ALENTEJO". Instituto Nacional de Estatística. Consultado em 27 de julho de 2013 
  5. Lei n.º 11-A/2013, de 28 de janeiro: Reorganização administrativa do território das freguesias. Anexo I. Diário da República, 1.ª Série, n.º 19, Suplemento, de 28/01/2013.
  6. Instituto Nacional de Estatística (Recenseamentos Gerais da População) - https://www.ine.pt/xportal/xmain?xpid=INE&xpgid=ine_publicacoes
  7. INE - http://censos.ine.pt/xportal/xmain?xpid=CENSOS&xpgid=censos_quadros

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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