Mosteiro de São Dinis

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Mosteiro S. Dinis, Odivelas

O Mosteiro de São Dinis e São Bernardo ou Mosteiro de Odivelas foi fundado no final do século XIII; está localizado no largo de D. Dinis, freguesia de Odivelas, Portugal.

Este importante conjunto de arquitetura religiosa está classificado como Monumento Nacional (1910).

Historial[editar | editar código-fonte]

Capela-mor (estilo gótico)

O mosteiro, da Ordem de Cister, foi fundado por D. Dinis. Reza a lenda que D. Dinis terá tido esta iniciativa como forma de pagamento de uma promessa feita a S. Luiz bem como a S. Dins, quando numa caçada no Alentejo foi surpreendido por um urso. Perante a aparição do santo, o rei recobrou forças e neutralizou o enorme animal. A escolha do local para D. Dinis edificar a sua fé, incidiu numa propriedade do Rei no termo de Lisboa, Odivelas, onde se situava a “Quinta das Flores”. Esta zona gozava de ótimos recursos naturais, nomeadamente, solos férteis, um curso de água, e ainda a sua morfologia que favorecia um natural abrigo das culturas. O mosteiro destinava-se a receber uma comunidade feminina cisterciense e a escolha do local pretendia assegurar a subsistência das monjas e garantir o recato das mesmas, sendo criados campos de cultivo junto ao mosteiro. [1] A construção primitiva, em estilo gótico, iniciou-se em 1295 e teve como arquitetos os mestres Antão Martins e Afonso Martins, e ainda Frei João Turriano, engenheiro-mor do reino. Devido à extensão dos danos causados pelo terramoto de 1755, da construção gótica inicial restam apenas alguns troços dos claustros e a cabeceira da igreja – com o seu portal lateral sul –, constituída pela abside e capelas laterais, com abóbadas de nervuras chanfradas. O mosteiro reflete a diversidade estilística das sucessivas intervenções a que foi submetido, apresentando, a par dos elementos tipicamente góticos da edificação inicial, outros de características manuelinas, barrocas e neoclássicas.[2] Em 1325 morre D. Dinis e conforme sua vontade é sepultado no mosteiro que representa talvez a obra arquitetónica mais emblemática do seu reinado. [3]

Edifício[editar | editar código-fonte]

Localizado intencionalmente no coração do recinto odivelense, o Mosteiro de S. Dinis e S. Bernardo implanta-se sobre uma antiga pedreira num terreno em ligeiro declive, enquadrado entre os montes de Nossa Senhora da Luz a Sul, Tojais a Nascente e S. Dinis a Ponte. Trata-se de um edifício retangular, constituído por duas torres flanqueadas que se decompõem em três naves.[4]

O edifício apresenta uma planta retangular irregular, composta por dois claustros quadrangulares, dos quais algumas alas se prolongam para Norte e para Nascente, a primeira com dois braços adossados, de nave simples formada pela cabeceira, capela-mor e absidíolos, todos eles poligonais e por sacristia adossada à fachada lateral direita de volumes articulados e escalonados, com coberturas diferenciadas em telhados de duas (naves), três (sacristia) e cinco (cabeceira) águas.[5]

A cabeceira é marcada por quatro corpos facetados, tendo, nos ângulos, contrafortes; alguns dos panos são rasgados por arcos apontados, sustentados por colunas, mas de dimensões distintas. Sobre a cabeceira, dois óculos circulares rasgam a parede sobre o arco triunfal.[6]

Na capela absidial do lado do Evangelho localiza-se o túmulo D. Dinis, da 1ª metade do século XIV, importante monumento da tumulária medieval portuguesa (muito danificado pelo terramoto de 1755 e pelas invasões francesas; o jacente, reconstituído no século XIX, não respeita a traça original). Na outra capela, ao lado da epístola, encontra-se o túmulo (vazio) de D. Maria Afonso, filha de D. Dinis. Destaquem-se ainda a antiga cozinha e o refeitório, bem como os claustros originais, quinhentistas – Claustro da Moura, de dois andares, e Claustro Novo, decorado com azulejos do século XVII.

Claustro Novo (séc. XVI)
Túmulo de D. Dinis (pormenor)

O mosteiro foi palco do Auto da Cananea, de Gil Vicente, encomendado pela Abadessa Violante para ali ser representado. Uma das ocupantes mais famosas do mosteiro foi a Madre Paula, amante de D. João V.

Fruto de diversas ocupações, o Mosteiro de Odivelas foi, desde o início do século XX, um colégio feminino para filhas de militares, o Instituto de Odivelas (1902-2015[7]), encontrando-se sob a responsabilidade do Ministério da Defesa.[8]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Figueiredo, B. O Mosteiro de Odivelas: os casos de reis e memórias de freiras. Lisboa: Livraria Ferreira, 1889, pp. 7-9
  2. «O mosteiro de Odivelas e as suas profundas alterações». Mosteiro de Odivelas. Consultado em 03-08-2015. 
  3. Figueiredo, B. O Mosteiro de Odivelas: os casos de reis e memórias de freiras. Lisboa: Livraria Ferreira, 1889, p. 149
  4. Barbosa, I. V . Mosteiro de Odivelas, Ocidental, vol.IX . Lisboa: Alfa. 1886, p.40
  5. Barbosa, I. V. Mosteiro de Odivelas, Ocidental, vol.IX. Lisboa: Alfa, 1886, p.55
  6. Figueiredo, B. O Mosteiro de Odivelas: os casos de reis e memórias de freiras. Lisboa: Livraria Ferreira, 1889, pp. 15-18
  7. «Defesa vai "devolver à população" mosteiro onde está o Instituto de Odivelas». DN – Política. Consultado em 03-08-2015. 
  8. «Cronologia do mosteiro». Mosteiro de Odivelas. Consultado em 03-08-2015. 
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