Henrique de Borgonha, conde de Portucale

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Henrique de Borgonha
Conde de Portucale
Henrique da Borgonha, Conde de Portucale
Governo
Antecessor Raimundo de Borgonha
Sucessor Teresa de Leão
Casa Real Borgonha
Dinastia Capetiana
Vida
Nascimento 1066
Morte 24 de abril de 1112 (46 anos)
Astorga, Leão
Sepultamento Sé de Braga, Braga, Condado Portucalense
Cônjuges
Teresa de Leão
Pai Henrique de Borgonha
Mãe Sibila da Borgonha

D. Henrique de Borgonha conhecido em Portugal, geralmente, por Conde D. Henrique (1066Astorga, 24 de abril de 1112) foi conde de Portucale desde 1093 até à sua morte.

Pertencia à família ducal da Borgonha, sendo filho de Henrique, herdeiro do duque Roberto I com Sibila da Borgonha, e irmão dos também duques Odo I e Hugo I.

Sendo um filho mais novo, D. Henrique tinha poucas possibilidades de alcançar fortuna e títulos por herança, tendo por isso aderido à Reconquista da península Ibérica. Ajudou o rei Afonso VI de Leão a conquistar o Reino da Galiza, recebendo como recompensa pelos seus serviços casamento com a filha ilegítima do monarca, Teresa de Leão.

Alguns anos mais tarde, em 1096, D. Henrique recebeu de Afonso VI o Condado Portucalense, que passava a lhe prestar vassalagem directa. O rei de Leão pretenderia assim limitar o poder do conde Raimundo de Borgonha, casado com Urraca de Leão.

Henrique morreu a 24 de Abril de 1112, tendo sido sepultado na Sé de Braga. Tinha tido vários filhos com Teresa, mas só o mais novo sobreviveu à infância: D. Afonso Henriques, que sucedeu ao pai e se tornou no segundo conde de Portucale em 1112.

No entanto, o jovem Afonso Henriques rebelou-se contra a sua mãe em 1128, que pretendia manter-se no governo do condado. Por isso, em 1139 Afonso reafirmou-se independente de Leão e proclamou-se Rei de Portugal, recebendo o reconhecimento oficial de Leão em 1143, e a do Papado em 1179.

Esboço biográfico[editar | editar código-fonte]

Ambiente familiar[editar | editar código-fonte]

Afonso VI de Leão e Castela entrega o Condado Portucalense a D. Henrique em 1096

Nascido em 1066, em Dijon, o conde D. Henrique era o filho mais novo de Henrique de Borgonha, filho do duque Roberto I por sua vez filho do rei Roberto II de França. [1] [2] Dois de seus irmãos mais velhos, Hugo e Odo I, herdaram o ducado.[2] Apesar de sua mãe, chamada Sibila, aparecer em genealogias tradicionais como filha dos condes de Barcelona, Berengário Raimundo I e sua esposa Gisela de Lluçà, esta filiação não aparece em documentos medievais e Sibila provavelmente foi a filha de Reinaldo I e, portanto, irmã do pai de Raimundo de Borgonha, que de acordo com essas filiações, seria um primo em primeiro grau de Henrique.[3] [a]

Uma das tias do lado paterno era a rainha Constança, esposa do rei Afonso VI de Leão, e um tio-avô era Hugo, abade de Cluny, irmão de sua avó Hélia de Semur, e uma das personalidades mais poderosas e reverenciados do seu tempo.[4] Sua família ostentava um grande poder e dominava várias cidades no reino da França, como Chalon, Auxerre, Autun, Nevers, Dijon, Mâcon e Semur.[5] Ele era também um primo distante do Papa Calisto II.

Chegada ao reino de Leão[editar | editar código-fonte]

Após a derrota das tropas cristãs na batalha de Zalaca que foi travada a 23 de outubro de 1086, nos primeiros meses do ano seguinte, o rei Afonso VI pediu auxilio aos cristãos do outro lado dos Pirinéus, chamada a que responderam muitos nobres e cavaleiros franceses, entre eles Raimundo de Borgonha, os seus primos-irmãos, o duque Odo e Henrique de Borgonha, assim como Raimundo de Saint-Gilles.[6] Apesar das alegações de que Henrique chegara na primeira expedição em 1087, a sua presença na peninsula contata-se somente a partir de 1096 quando aparece confirmando os foros de Guimarães e de Constantim de Panoias.

Três destes nobres franceses contraíram matrimónio com filhas do rei Afonso VI: Raimundo com a infanta Urraca, que sucedeu seu pai no trono leonês; Raimundo de Saint-Gilles com Elvira Afonso;[7] e Henrique de Borgonha com Teresa de Leão,[8] filha nascida da relação de Afonso VI com Ximena Moniz.

Aliança com seu primo, o conde Raimundo da Borgonha[editar | editar código-fonte]

Entre o primeiro trimestre de 1096 e o final de 1097, o conde Raimundo, ao ver a sua influência reduzida na corte concordou com o seu primo Henrique de Borgonha, que ainda não tinha sido nomeado governador de Portugal, para compartilhar o poder, o tesouro real e para se apoiarem mutuamente.[9] Através desta aliança, que teve a aprovação do parente de ambos o abade Hugo de Cluny,[lower-alpha 1] Raimundo "prometia sob juramento a seu primo Henrique entregar o reino de Toledo e um terço do tesouro real quando Afonso VI morresse ". Se ele não podesse entregar o reino de Toledo, ele daria a Galiza. Henrique, por sua vez, comprometeu-se a ajudar Raimundo a obter "todos os domínios do rei Afonso e dois terços do tesouro".[11] O rei Afonso VI parece ter tido conhecimento do acordo e para contrariar a iniciativa de seus dois genros, nomeou Henrique governador da região que se estende desde o Minho ao Tejo, que até agora era governada pelo Conde Raimundo, o último viu o seu poder reduzido apenas ao governo da Galiza.[12] [lower-alpha 2]

Independência do condado de Portugal[editar | editar código-fonte]

Ao enviuvar a rainha D. Urraca de Leão - meia irmã de Teresa de Leão - questões políticas e estratégicas casa-se com Afonso I de Aragão. Henrique de Borgonha, aproveitando os problemas, conflitos familiares e políticos surgidos em torno da sua cunhada D. Urraca, declarou a independência do Condado Portucalense. Morreu em Astorga a 22 de maio de 1112.[13] O seu corpo foi transferido, como havia ordenado, para a cidade de Braga, onde ele foi sepultado na capela-mor da catedral que tinha fundado.[14]

Após a sua morte, Teresa governou o condado durante a menoridade do futuro Afonso I de Portugal, que tinha apenas três anos de idade.[15]

Títulos, estilos, e honrarias[editar | editar código-fonte]

Estilo real de tratamento de
Henrique de Borgonha, conde de Portucale
Shield of the County of Portugal (1095-1139).png

Brasão de armas do Condado Portucalense (1095-1139)

Estilo real Sua Mercê
Tratamento directo Vossa Mercê
Estilo alternativo Senhor

Títulos e estilos[editar | editar código-fonte]

Nota: em data incerta, anterior a 1096, foi concedido a D. Henrique o título de Conde de Tordesilhas.[16]

Genealogia[editar | editar código-fonte]

Ascendência[editar | editar código-fonte]

Descendência[editar | editar código-fonte]

Henrique de Borgonha, Conde de Portucale e Teresa de Leão, em iluminura da Genealogia dos Reis de Portugal (1530-1534)

Casou-se com Teresa de Leão ca. 1095.[17] Deste matrimónio nasceram:

Ver também[editar | editar código-fonte]

Henrique de Borgonha, conde de Portucale
Nascimento: 1066, Dijon Morte: 24 de abril de 1112, Astorga
Precedido por
Raimundo de Borgonha
PortugueseFlag1095.svg
Conde de Portucale

1096 - 1112
Sucedido por
Afonso I
sob regência de Teresa de Leão até 1128

Notas[editar | editar código-fonte]

[a] ^ "Sibilla, filha de hum Conde de Borgonha"[25]
[a] ^ HIC REQVIESCIT D. PETRVS ALPHONSVS, ALCOBATIAE MONACHUS, FRATER D. ALPHONSI; ILLVSTRIS PRIMI REGIS PORTVGALLIAE, CVIVS LABORE, ET INDVSTRIA LOCVS ISTE CISTERCIENSI ORDINI, VIDELICET HVIC LOCO, DE ALCOBATIA FVUIT DATVS IN AERA M.C.LXXXV. QVO ANNO COEPIT REX ALPHONSVS PRIMVS PORTUGALLIAE SANCTARENAM. QVEM D. PETRUS ALPHONSI DE CLAVSTRO ALCOBATIAE VBI PRIVS FVERAT SEPVLTVS, IN DIE S. IOANNIS BAPTISTAE. AERA M.CCC.XXXI. D. DOMINICVS ABBAS TRANSTVLIT AD HVNC LOCVM

Referências

  1. Mattoso 2014, p. 28.
  2. a b Martínez Diez 2003, p. 225.
  3. Martínez Diez 2003, pp. 105 e 225.
  4. Mattoso 2014, p. 28
  5. Mattoso 2014, p. 28
  6. Martínez Diez 2003, p. 223.
  7. Martínez Diez 2003, p. 162
  8. Martínez Diez 2003, p. 162
  9. Rodrigues Oliveira 2010, pp. 28-29
  10. Martínez Diez 2003, p. 226
  11. Martínez Diez 2003, p. 170
  12. Martínez Diez 2003, pp. 170-171
  13. Mattoso, José. D. Afonso Henriques. [S.l.: s.n.], 2014. ISBN ISBN 978-972-759-911-0
  14. Caetano de Sousa, António. Historia Genealógica da Real Casa Portuguesa. [S.l.: s.n.], 1735. ISBN ISBN 978-84-8109-908-9
  15. Mattoso 2014, pp. 34-43
  16. Estefânio, Abel. (Julho 2011). "O "pacto sucessório" revisitado: o texto e o contexto". Medievalista (10). ISSN 1646-740X. Visitado em {{subst:CURRENTDAY2}} de Novembro de {{subst:CURRENTYEAR}}.
  17. Rodrigues Oliveira 2010, p. 25.
  18. a b c Rodrigues Oliveira 2010, p. 28.
  19. López Sangil 2002, p. 89.
  20. López Morán 2005, p. 89.
  21. Sotto Mayor Pizarro 2007, p. 855 e 857-858.
  22. Rodrigues Oliveira 2010, p. 31.
  23. Rodrigues Oliveira 2010, p. 33.
  24. Manrique 1649, p. 413.
  25. Almeida 1834, p. 47.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

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