Eduardo I de Inglaterra

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Eduardo I
Rei da Inglaterra
Lorde da Irlanda e Duque da Aquitânia
Rei da Inglaterra
Reinado 16 de novembro de 1272
a 7 de julho de 1307
Coroação 19 de agosto de 1274
Predecessor Henrique III
Sucessor Eduardo II
Esposas Leonor de Castela
Margarida de França
Descendência
Leonor de Inglaterra
Joana de Acre
Alfonso, Conde de Chester
Margarida de Inglaterra
Maria de Woodstock
Isabel de Rhuddlan
Eduardo II de Inglaterra
Tomás de Brotherton, 1.º Conde de Norfolk
Edmundo de Woodstock, 1.º Conde de Kent
Casa Plantageneta
Pai Henrique III de Inglaterra
Mãe Leonor da Provença
Nascimento 17/18 de junho de 1239
Palácio de Westminster, Londres, Inglaterra
Morte 7 de julho de 1307 (68 anos)
Burgh by Sands, Cumberland, Inglaterra
Enterro Abadia de Westminster, Londres, Inglaterra

Eduardo I (17/18 de junho de 12397 de julho de 1307), chamado de Eduardo Pernas Longas e o Martelo dos Escoceses, foi o Rei da Inglaterra de 1272 até sua morte. Primeiro filho de Henrique III e Leonor da Provença, Eduardo se envolveu desde cedo nas intrigas políticas do reinado do pai, que incluíram uma rebelião dos barões ingleses. Ele brevemente ficou do lado do movimento de reforma baronial em 1259, apoiando as Provisões de Oxford. Depois de se reconciliar com Henrique, Eduardo permaneceu leal durante o subsequente conflito armado, conhecido como a Segunda Guerra dos Barões. Foi feito prisioneiro pelos barões na Batalha de Lewes, porém escapou alguns meses depois e juntou-se a luta contra Simão de Montfort. Montfort foi derrotado na Batalha de Evesham em 1265 e a rebelião foi suprimida em dois anos. Com a Inglaterra em paz, Eduardo partiu em cruzada para a Terra Santa. Ele realizou pouco e estava voltando para casa em 1272 ao ser informado da morte de Henrique. Eduardo voltou devagar e chegou na Inglaterra em 1274, sendo coroado em 19 de agosto.

Ele passou grande parte de seu reinado reformando a administração real e o direito comum. Através de extensos inquéritos, Eduardo investigou a duração de várias liberdades feudais ao mesmo tempo que reformava as leis sobre criminalidade e propriedade por meio de estatutos reguladores. Porém, cada vez mais o rei focou sua atenção em assuntos militares. Depois de suprimir uma pequena rebelião em Gales entre 1276 e 1277, Eduardo respondeu a um segunda revolta com uma grande guerra de conquista. Ele subjulgou Gales à Inglaterra, construiu vários castelos e cidades no campo e os povoou com ingleses. Em seguida, Eduardo direcionou seus esforços contra a Escócia. Convidado inicialmente para arbitrar uma disputa sucessória, ele reivindicou suserania feudal sobre o reino. Os escoceses venceram a guerra, mesmo com a vitória inglesa sendo aparente em vários momentos. Ao mesmo tempo existiam problemas internos. Suas extensas campanhas militares forçaram um grande aumentos nos impostos na década de 1290 e Eduardo enfrentou oposição popular e eclesiástica. As crises inicialmente foram evitadas, porém questões ficaram sem resolução. Quando morreu em 1307, ele deixou para seu filho Eduardo II uma guerra contra a Escócia e muitos problemas financeiros e políticos.

Eduardo era alto para sua época, dai seu apelido "Pernas Longas". Era temperamental e isso, junto com sua estatura, o transformavam em um homem intimidador, frequentemente inspirando medo em seus contemporâneos. Mesmo assim, era respeitado por seus súditos pelo modo que personificava o ideial medieval de rei: soldado, administrador e homem de fé. Historiadores modernos estão divididos sobre sua avaliação como governante: enquanto alguns o elogiaram por sua contribuição às leis e administração, outros criticaram suas atitudes sem compromisso com a nobreza. Atualmente, Eduardo é creditado por muitas realizações durante seu reinado, incluindo restaurar a autoridade real após o reinado de seu pai, estabelecer o parlamento como uma instituição permanente e, assim, também um sistema funcional para a arrecadação de impostos, reformando leis através de estatutos. Ao mesmo tempo, ele é frequentemente criticado por outras ações, como seu brutal tratamento dos escoceses e publicação do Édito de Expulsão em 1290, em que os judeus foram expulsos da Inglaterra. O édito permaneceu em efeito pelo restante da Idade Média, sendo formalmente anulado por Oliver Cromwell mais de 350 anos depois em 1656.

Início de vida[editar | editar código-fonte]

Infância e casamento[editar | editar código-fonte]

Manuscrito do século XIV de Eduardo e sua esposa Leonor. O artista talvez tenha tentado representar a ptose dele, característica que herdou de seu pai.[1]

Eduardo nasceu no Palácio de Westminster, Londres, na noite entre os dias 17 e 18 de junho de 1239,[nota 1] filho do rei Henrique III de Inglaterra e sua esposa Leonor da Provença.[2] Eduardo é um nome anglo-saxão, assim sendo não era comumente dado entre a aristocria inglesa depois da conquista normanda, porém Henrique era muito devoto de Eduardo, o Confessor, e decidiu nomear seu primeiro filho em homenagem ao rei santo.[nota 2] [4] Dentre seus amigos de infância estava Henrique de Almain, filho de seu tio Ricardo, 1.º Conde da Cornualha.[5] Ele permaneceria um amigo próximo de Eduardo, tanto através da guerra civil que se seguiu quanto da posterior cruzada.[6] Eduardo ficou aos cuidados de Hugo Giffard, pai do futuro chanceler Godofredo Giffard, até ele morrer em 1246, quando foi substituído por Bartolomeu Pecche.[7]

Existiram preocupações sobre sua saúde quando Eduardo era criança, com ele adoecendo em 1246, 1247 e 1251.[8] Mesmo assim, acabou se tornando um homem imponente: seus 1,88 m de altura lhe faziam mais alto que a grande maioria de seus contemporâneos, e assim Eduardo acabou ganhando seu epíteto de "Pernas Longas". O historiador Michael Prestwich afirma que seus "braços longos lhe deram vantagem como espadachim, coxas longas como cavaleiro. Na juventude seu cabelo encaracolado era loiro; na maturidade escureceu e na velhice ficou branco. [Suas características eram marcadas pela queda da pálpebra esquerda]. Seu discurso, apesar de balbuciador, dizia-se que era persuasivo".[9]

Em 1254, o temor de uma invasão castelhana na então província inglesa da Gasconha, no continente, fez o rei Henrique arranjar um casamento potencialmente vantajoso entre seu filho de catorze anos e Leonor, meia-irmã do rei Afonso X de Castela.[10] Eduardo e Leonor se casaram no dia 1 de novembro de 1254 no Mosteiro de Las Huelgas em Castela.[11] Ele recebeu terras de valor anual de quinze mil marcos como parte do acordo de casamento.[12] Apesar do dote que Henrique conseguiu ter sido considerável, ele oferecia pouca independência para Eduardo. Ele já havia recebido em 1249 a Gasconha, porém Simão de Montfort, 6.° Conde de Leicester havia sido nomeado tenente real no ano anterior e consequentemente ficou com a renda da terra, então na prática Eduardo não possuía a autoridade nem os lucros da província.[13] A concessão que conseguiu em 1254 incluía boa parte da Irlanda, além de vastas terras em Gales e na Inglaterra, incluindo o Condado de Chester, porém o rei manteve boa parte do controle das terras em questão, principalmente na Irlanda, então o poder de Eduardo ficava limitado lá também, com Henrique recebendo a maioria das rendas.[14]

Eduardo ficou sob a influência, entre 1254 e 1257, dos parentes de sua mãe, conhecidos como saboianos,[15] com o mais notável sendo Pedro II, Conde de Saboia e tio da rainha.[16] Eduardo ficou cada vez mais com as facções lusignana e poitevina depois de 1257 – os meio-irmãos de Henrique[nota 3] – liderados por homens como Guilherme de Valence, 1.º Conde de Pembroke.[18] Essa associação foi significante já que os dois grupos de estrangeiros privilegiados eram ressentidos pela aristocracia inglesa, se tornando o centro do movimento baronial de reforma que se seguiu.[19] Havia relatos de condutas indisciplinadas e violentas por parte de Eduardo e dos lusignanos, levantando questões sobre as qualidades pessoais do herdeiro do trono. Os anos seguintes acabariam por formar o caráter de Eduardo.[20]

Primeiras ambições[editar | editar código-fonte]

Eduardo mostrava independência política desde 1255, quando se aliou com a família Soler na Gasconha no conflito existente entre os Soler e os Colomb. Isso ia de encontro com a política de seu pai de mediação entre as facções locais.[21] Um grupo de magnatas escreveu um documento em maio de 1258 para reformar o governo real – as chamadas Provisões de Oxford – principalmente contra os lusignanos. Eduardo ficou do lado de seus aliados políticos e se opôs fortemente às provisões. Entretanto, o movimento conseguiu limitar a influência dos estrangeiros e gradualmente a atitude de Eduardo mudou. Ele entrou em uma aliança formal com Ricardo de Clare, 6.º Conde de Gloucester e um dos principais reformistas, em março de 1259. Então em 15 de outubro anunciou que apoiava os objetivos dos barões e seu líder, Simão de Montfort.[22]

O motivo da mudança de atitude de Eduardo pode ter sido puramente pragmático; Simão estava em melhor posição para apoiar sua causa na Gasconha.[23] Seu comportamento virou pura insubordinação quando o rei foi para a França em novembro. Ele fez várias nomeações para avançar a causa dos reformistas, fazendo com que Henrique acreditasse que seu filho estava considerando um golpe de estado.[24] O rei inicialmente se recusou a ver Eduardo depois de voltar da França, porém os dois se reconciliaram depois de mediações de Ricardo da Cornualha e de Bonifácio de Saboia, o Arcebispo da Cantuária.[25] Eduardo foi enviado para o exterior e se uniu novamente aos lusignanos em novembro de 1260, que estavam exilados em território francês.[26]

Eduardo voltou para a Inglaterra e se desentendeu com alguns de seus antigos aliados lusignanos no início de 1262 por questões financeiras. Henrique o enviou no ano seguinte em uma campanha em Gales contra Llywelyn ap Gruffudd, porém teve resultados limitados.[27] Simão estava longe da Inglaterra desde 1261, porém retornou por volta da mesma época e reiniciou o movimento baronial de reforma.[28] Foi nesse momento importantíssimo que Eduardo começou a assumir o controle da situação, já que o rei parecia estar disposto a ceder para as exigências dos barões. Considerando que tinha sido até aquele momento imprevisível e equivocado, a partir de então ele permaneceu firmemente dedicado a proteger os direitos reais de seu pai.[29] Ele se reuniu com alguns dos homens que havia alienado no ano anterior – dentre os quais estavam seu amigo de infância Henrique de Almain e também João de Warenne, 6.º Conde de Surrey– e tomou o Castelo de Windsor dos rebeldes.[30] Um acordo foi alcançado entre os dois lados através da arbitração do rei Luís IX de França. O Mise de Amiens era bem favorável aos realistas, algo que acabou plantando as sementes para o conflito subsequente.[31]

Guerra civil e cruzadas[editar | editar código-fonte]

Segunda Guerra dos Barões[editar | editar código-fonte]

A Segunda Guerra dos Barões ocorreu entre os anos de 1264 e 1267, em que as forças baroniais lideradas por Simão de Montfort lutaram contra aqueles que permaneciam leais a Henrique. A primeira cena de batalha aconteceu na cidade de Gloucester, que Eduardo conseguiu retomar do inimigo. Ele negociou uma trégua com Roberto de Ferrers, 6.º Conde de Derby, quando este veio ajudar os rebeldes, um acordo que ele mais tarde quebrou. Eduardo então capturou Northampton do filho de Simão, também chamado Simão, embarcando em seguida numa campanha retaliatória contra as terras de Roberto.[32] As forças baroniais e realistas se enfrentaram finalmente na Batalha de Lewes em 14 de maio de 1264. Eduardo comandou a ala direita e foi bem, logo derrotando o contingente londrino das forças de Simão. Entretanto, ele insensatamente seguiu o inimigo disperso e ao retornar descobriu que o restante de seu exército havia sido derrotado.[33] Eduardo e seu amigo Henrique de Almain foram entregues como reféns ao inimigo como parte de um acordo chamado Mise de Lewes.[34]

Manuscrito medieval mostrando a multilação de Simão na Batalha de Evesham.

Eduardo permenceu em cativeiro até março, sendo mantido sob estreita vigilância mesmo depois de sua soltura.[35] Ele conseguiu escapar de seus captores em 28 de maio e se junto às forças de Gilberto de Clare, 7.º Conde de Gloucester, que havia desertado para o lado do rei.[nota 4] [36]

O apoio de Simão estava diminuindo e Eduardo retomou Worcester e Gloucester com relativa facilidade e pouco esforço.[37] Enquanto isso, Simão fez uma aliança com Llywelyn e começou a ir para oeste a fim de se juntar às forças de seu filho Simão. Eduardo conseguiu realizar um ataque surpresa no Castelo de Kenilworth, onde o jovem Simão foi esquartejado, e depois proceguiu para atacar o pai.[38] As duas forças se encontraram na segunda grande batalha da Guerra dos Barões, a Batalha de Evesham no dia 4 de agosto de 1265. Simão teve poucas chances contra as superiores forças reais, sendo morto e multilado depois da batalha.[33]

Eduardo ganhou a reputação de desonesto através de episódios como a enganação de Roberto em Gloucester. Porém, ele começou a aprender com seus erros durante a campanha do verão e passou a agir de modo a ganhar o respeito e admiração de seus contemporâneos.[39] A guerra não acabou com a morte de Simão e Eduardo participou das campanhas que se seguiram. No Natal, ele chegou a um acordo com Simão de Montfort, o Jovem, e seus associados na ilha de Axholme, Lincolnshire, liderando em março um ataque bem sucedido aos Cinque Ports.[40] Um contingente de rebeldes manteve o praticamente inexpugnável Castelo de Kenilworth e não se renderam até a assinatura do conciliatório Dictum de Kenilworth.[nota 5] [41] Em abril parecia que se Roberto tomasse a causa reformista a guerra civil continuaria, porém os dois lados chegaram a um acordo depois da renegociações dos termos do Dictum de Kenilworth.[nota 6] [42] Entretanto, Eduardo esteve pouco envolvido nas negociações de pós-guerra; nesse momento seu principal foco estava no planejamento de sua cruzada.[43]

Cruzadas e ascensão[editar | editar código-fonte]

Operações de Eduardo durante a Nona Cruzada.

Eduardo assumiu a cruz das cruzadas em 24 de junho de 1268 durante uma elaborada cerimônia junto de Henrique de Almain e seu irmão Edmundo, 1.º Conde de Lencastre. Alguns de seus antigos adversários se comprometeram com a Nona Cruzada – como Ricardo de Clare, que no final acabou não participando.[44] Com o país em paz, o maior impedimento do projeto era alcançar seu financiamento.[45] Luís IX, que era o líder da cruzada, fez um empréstido de 17,5 mil libras. Porém não foi o suficiente; o restante teve de ser arrecadado através de um imposto nos laicatos, que não eram taxados desde 1237.[46] O parlamento aprovou em maio de 1270 um imposto de um vigésimo,[nota 7] em troca Henrique concordou em reafirmar a Magna Carta e impor restrições nos empréstimos dos judeus.[47] Eduardo partiu de Dover para a França em 20 de agosto.[48] Historiadores não conseguiram determinar com certeza o tamanho da força, porém Eduardo provavelmente levou consigo 225 cavaleiros e no total menos de mil homens.[45]

Os cruzados originalmente tinham a intenção de libertar o sitiado forte cristão de Acre, porém Luís se desviou para Tunes. O rei francês e seu irmão Carlos de Anjou haviam decidido atacar o emirado para estabelecer um forte cristão no Norte da África. Os planos falharam quando as forças francesas foram aflingidas em 25 de agosto por uma epidemia, tirando a vida do próprio Luís.[nota 8] Carlos já havia assinado um acordo com o emir na época que Eduardo chegou a Tunes, não havendo nada além de voltar para a Sicília. A cruzada foi adiada até a primavera seguinte, porém uma tempestade devastadora na costa da Sicília dissuadiu Carlos e Filipe III, sucessor de Luís, de uma nova campanha.[49] Eduardo decidiu continuar sozinho, finalmente chegando em Acre no dia 9 de maio de 1271.[50]

A situação da Terra Santa nessa época era precária para os cristãos. Jerusalém havia caído em 1244, com Acre passando a ser o centro do estado cristão.[51] Os estados muçulmanos estavam ofensivos sob a liderança de Baibars, e agora ameaçavam Acre. Apesar dos homens de Eduardo terem sido uma adição importante para a guarnição, eles tinham poucas chances contra as força superiores de Baibars, e um ataque em junho a São Jorge-de-Lebeyne foi em grande parte inútil.[52] Uma embaixada no Ilcanato de Abaca ajudou a trazer um ataque mongol a Alepo no norte, distraindo as forças de Baibars.[53] Eduardou liderou em novembro um ataque contra Qaqun, porém tanto seu ataque quanto a invasão mongol falharam. As coisas pareciam estar cada vez mais desesperadoras quando Hugo III do Chipre, rei nominal da Jerusalém, assinou em maio de 1272 um trégua de dez anos com os muçulmanos.[54] Eduardo foi contra, porém um ataque em junho de um assassino muçulmano o forçou a abandonar a campanha. Apesar de ter conseguido matar o assassino, foi atingido no braço por um adaga possivelmente envenenada e ficou muito enfraquecido nos meses seguintes.[nota 9] [56]

Eduardo deixou Acre apenas no dia 24 de setembro. Ao chegar à Sicília, recebeu a notícia que seu pai havia morrido no dia 16 de novembro.[57] Eduardo ficou muito triste, porém fez uma viagem vagarosa de volta para casa ao invés de se apressar. Isso se deu parcialmente por sua saúde ainda não estar perfeita, mas também pela falta de urgência.[58] A situação política na Inglaterra estava estável depois de mudanças no meio do século e Eduardo foi proclamado rei logo após a morte de Henrique, e não durante sua coroação como era o costume.[nota 10] [59] O reino foi governado na ausência do novo rei por um conselho real liderado pelo bispo Roberto Burnell.[60] Ele fez uma longa jornada passando pela península Itálica e pela França, visitando o Papa Gregório X e suprimindo uma rebelião na Gasconha entre outras coisas.[61] Ele chegou na Inglaterra apenas em 2 de agosto de 1274, sendo coroado no dia 19.[62]

Início de reinado[editar | editar código-fonte]

Guerras galesas[editar | editar código-fonte]

Conquista[editar | editar código-fonte]

Gales depois do Tratado de Montgomery em 1267.
  Principado de Llywelyn ap Gruffudd
  Territórios conquistados por Llywelyn
  Territórios dos vassalos de Llywelyn
  Senhorios dos barões das Bordas
  Senhorios do rei da Inglaterra

Llywelyn ap Gruffudd conseguiu uma situação muito vantajosa depois da Guerra dos Barões. Com o Tratado de Montgomery de 1267 ele obteve oficialmente as terras que havia conquistado em Perfeddwlad e teve seu título de Príncipe de Gales reconhecido.[63] Mesmo assim os conflitos armados continuaram, particularmente contra Lordes das Bordas insatisfeitos, como Gilberto de Clare, 7.º Conde de Gloucester, Rogério Mortimer, 1.º Barão Mortimer, e Humberto de Bohun, 3.º Conde de Hereford.[64] Os problemas pioraram em 1274 quando Gruffydd ap Gwenwynwyn e Dafydd ap Gruffydd, irmão de Llywelyn, deserdaram para a Inglaterra depois de falharem em uma tentativa de assassinato ao príncipe.[65] Llywelyn recusou-se a prestar homenagem a Eduardo por causa das hostilidades e o fato do rei estar abrigando seus inimigos.[66] Uma nova provocação contra Eduardo veio quando o príncipe plenejou se casar com Leonor, filha de Simão de Montfort.[67]

A guerra foi declarada em novembro de 1276.[68] Operações iniciais foram lançadas sob a lideraça de Rogério, Edmundo irmão de Eduardo e Guilherme de Beauchamp, 9.º Conde de Warwick.[nota 11] [69] O apoio a Llywelyn era fraco até entre seus conterrâneos.[70] Eduardo invadiu em julho de 1277 com uma força de 15.500, dos quais nove mil eram galeses. A campanha nunca chegou a uma grande batalha porque o príncipe logo percebeu que não tinha outra escolha além de se render.[71] Pelo Tratado de Aberconwy assinado em novembro de 1277, Llywelyn ficou apenas com o território de Gwynedd, porém lhe foi permitido manter o título de Príncipe de Gales.[72]

A guerra estourou novamente em 1282, porém desta vez era totalmente diferente. Para os galeses era uma guerra pela identidade nacional, tendo amplo apoio provocado particularmente pelas tentativas de impor o Direito da Inglaterra sobre Gales.[73] Ela se tornou uma guerra de conquista para Eduardo ao invés de apenas uma expedição punitiva como a campanha anterior.[74] O conflito começou com uma rebelião de Dafydd, que estava insatisfeito com a recompensa que havia recebido do rei em 1277.[75] Llywelyn e outros chefes galeses logo se juntaram, tendo inicialmente sucessos militares. Gilberto de Clare foi derrotado em junho na Batalha de Llandeilo Fawr.[76] Lucas de Tany, comandante de Eduardo em Anglesey, decidiu realizar um ataque surpresa contra os galeses enquanto João Peckham, o Arcebispo da Cantuária, conduzia negociações de paz. Uma ponte flutuante havia sido construída, porém os homens de Lucas foram emboscados pouco depois de atravessá-la e sofreram grandes perdas na Batalha de Moel-y-don.[77] Os avanços galeses terminaram em 11 de dezembro quando Llywelyn foi atraído para uma emboscada e morto na Batalha da Ponte de Orewin.[78] A conquista de Gwynedd foi completada em junho de 1283 com a captura de Dafydd, que foi levado até Shrewsbury e executado como traidor alguns meses depois.[79]

Outras rebeliões ocorreram entre 1287–88 e uma mais séria em 1294 sob a liderança de Madog ap Llywelyn, um parente distante de Llywelyn ap Gruffudd. O último conflito exigiu a atenção pessoal do rei, porém nos dois casos as rebeliões foram suprimidas.[80]

Colonização[editar | editar código-fonte]

Gales foi incorporado a Inglaterra em 1284 com o Estatuto de Rhuddlan e recebeu um sistema administrativo similar ao inglês, com os condados sendo policiados por xerifes.[81] O direito inglês foi introduzido para casos criminais, porém os galeses receberam permissão para manterem suas próprias leis para disputas de propriedades.[82] Eduardo embarcou em um grande projeto de colonização em Gales depois de 1277 e principalmente depois de 1283, criando novas cidades como Flint, Aberystwyth e Rhuddlan.[83] Os novos residentes eram migrandes ingleses, com os galeses locais sendo banidos de viverem nas novas cidades, com muitas sendo protegidas por grandes muralhas.[84]

Foi iniciado também um grande projeto de construção de castelos sob a direção do mestre Jaime de São Jorge, um arquiteto prestigiado que Eduardo havia conhecido em Saboia durante sua volta das cruzadas.[85] Isso incluía os castelos de Beaumaris, Caernarfon, Conwy e Harlech, que serviam tanto como fortalezas quanto palácios reais.[86] [87] Seu programa de construção de castelos em Gales marcou a ampla introdução do uso de balestreiros nas muralhas de castelos pela Europa, inspirado em influências orientais. Outro produto das cruzadas foi o projeto de castelo concêntrico, com quatro dos oito castelos que Eduardo ergueu em Gales seguindo esse desenho.[88] As fortificações faziam uma afirmação clara sobre as intenções do rei de governar o Norte de Gales permanentemente, usando um imagético associado ao Império Bizantino e ao Rei Artur em uma tentativa de legitimizar seu novo regime.[89] [90]

Eduardo fez em 1284 com que seu último filho com Leonor, o futuro Eduardo II, nascesse no Castelo de Caernarfon, provavelmente para fazer uma declaração deliberada sobre a nova ordem política em Gales. David Powel, um clérigo do século XVI, sugeriu que o bebê foi oferecido aos galeses como um príncipe "que nasceu em Gales e nunca poderia falar uma palavra de inglês", porém há poucas evidências para apoiar essa afirmação.[91] [92] Na cidade de Lincoln em 1301, o jovem Eduardo tornou-se o primeiro príncipe inglês a ser investido como Príncipe de Gales.[nota 12] Ao mesmo tempo seu pai lhe conferiu o Condado de Chester e terras no Norte de Gales. O rei esperava que isso fosse ajudar na pacificação da região e daria uma maior independência financeira ao filho.[94]

Diplomacia e guerra[editar | editar código-fonte]

Eduardo (direita) prestando homenagem a Filipe IV.

Eduardo nunca mais partiu em uma cruzada depois de voltar para a Inglaterra em 1274, porém manteve a intenção e tomou a cruz novamente em 1287.[95] Essa intenção guiou boa parte de sua política religiosa pelo menos até 1291. Para organizar uma cruzada era essencial impedir o conflito entre os grandes príncipes europeus do continente. Um dos maiores obstáculos era o conflito entre a francesa Casa de Anjou que governava o sul da Itália e o Reino de Aragão. Os cidadãos de Palermo rebelaram-se em 1282 contra Carlos de Anjou e pediram a ajuda de Pedro de Aragão, naquilo que ficou conhecido como Vésperas Sicilianas. Carlos de Salermo, filho de Carlos de Anjou, foi feito prisioneiro pelos aragoneses na guerra que se seguiu.[96] Os franceses começaram a planejar um ataque contra Aragão, aumentando ainda mais as perspectivas de uma guerra continental. Era imperativo para Eduardo que tal conflito fosse evitado, e ele acabou conseguindo uma trégua entre a França e Aragão em 1286 que também ajudou na libertação de Carlos.[97] Em relação as cruzadas, os esforços do rei inglês foram infrutíferos. Um golpe devastador para seus planos ocorreu quando os muçulmanos capturaram Acre em 1291, eliminando o último refúgio cristão da Terra Santa.[98]

O papel internacional de Eduardo mudou após a queda de Acre de um diplomata para um antagonista. Ele sempre esteve muito envolvido nos assuntos relacionados a Gasconha. Ele encarregou uma comissão de investigação em 1278 ao seus fieis associados Oto de Grandson e o chanceler Roberto Burnell, que causou a substituição do senescal Lucas de Tany.[99] O rei visitou a região em 1286 e ficou lá por quase três anos.[100] O problema perene era a situação do ducado dentro do reino da França e o papel de Eduardo como vassalo do rei francês. Ele prestou homenagem ao novo rei Filipe IV de França em sua missão diplomática de 1286, porém Filipe declarou em 1294 que a Gasconha era agora sua quando Eduardo se recusou a comparecer perande ele para discutir os conflitos recentes entre marinheiros ingleses, gascões e franceses, que resultou na captura de vários navios franceses ao mesmo tempo que o porto de La Rochelle foi saqueado.[101]

Leonor de Castela morreu em 28 de novembro de 1290. Diferentemente de outros casamentos do período, o casal se amava. Além disso, assim como seu pai, Eduardo era dedicado a esposa e foi fiel durante toda a vida de casado – uma raridade dentre os monarcas da época. Ele ficou muito abalado por sua morte. Eduardo demonstrou sua dor ao erguer doze Cruzes de Leonor, uma em cada lugar onde o cortejo funerário da rainha parou para passar a noite.[102] Foi concordado como parte do acordo de paz com a França em 1294 que Eduardo se casaria com Margarida, a meia-irmã de Filipe IV, porém o casamento foi adiado por causa de guerras.[103]

Eduardo forjou alianças com o rei germânico, os condes de Flandres e Guéldria e com os borgonheses, que atacariam a França pelo norte.[104] Entretanto, as alianças mostraram-se voláteis e Eduardo enfrentou problemas internos, tanto em Gales quanto na Escócia. Foi apenas em agosto de 1297 que ele conseguiu partir para Flandres, momento em que seus aliados lá já haviam sofrido derrotas.[105] O apoio germânico nunca se materializou e ele foi forçado a procurar a paz. Seu casamento em 1299 com Margarida terminou a guerra, porém todo o caso foi custoso e inútil para a Inglaterra.[nota 13] [106]

A Grande Causa[editar | editar código-fonte]

O Trono de Eduardo, o Confessor, na Abadia de Westminster. Originalmente, a Pedra do Destino ficava no vão em baixo do acento.

A relação entre as nações da Inglaterra e Escócia era de relativa coexistência harmoniosa por volta da década de 1280.[107] A questão da homenagem não chegou ao mesmo nível de controvérsia como havia acontecido em Gales; o rei Alexandre III da Escócia prestou homenagem a Eduardo em 1278, porém aparentemente apenas para as terras que tinha na Inglaterra.[108] Os problemas surgiram apenas no início da década de 1290 com a crise da sucessão escocesa. Os dois filhos e a filha de Alexandre morreram em rápida sucessão entre 1281 e 1284. O próprio rei morreu em 1286 e o trono da Escócia passou para a princesa Margarida da Noruega, sua neta de três anos filha de sua filha Margarida e do rei Érico II da Noruega.[109] O Tratado de Birgham acertou que Margarida se casaria com Eduardo de Caernarfon, o filho de um ano de idade de Eduardo, porém a Escócia permaneceria livre do senhorio inglês.[110]

Margarida, então com sete anos, partiu da Noruega para a Escócia no outono de 1290, porém adoeceu no caminho e morreu nas Órcades.[111] Isso deixou o país sem nenhum monarca óbvio e levou a uma disputa de sucessão que entrou para a história como a Grande Causa.[nota 14] [112]

Apesar de catorze reivindicantes terem se apresentado para assumir o trono, a verdadeira disputa ficou entre João Balliol e Roberto de Bruce, 5.º Lorde de Annandale.[113] Os magnatas escoceses pediram para Eduardo arbitrar a disputa.[114] Anteriormente em Birgham, com a perspectiva de uma futura união pessoal entre os dois reinos, a questão da suserania não havia sido de grande importância para o rei inglês. Agora Eduardo insistia que, caso realmente fosse resolver a disputa, ele deveria ser reconhecido como o senhor feudal da Escócia.[115] Os escoceses estavam relutantes em fazer tal concessão e responderam que não havia ninguém com a autoridade de tomar essa decisão, já que o país estava sem rei.[116] O problema foi contornado quando os competidores concordaram que o reino seria entregue a Eduardo até o herdeiro de direito ser encontrado.[117] João Balliol foi o escolhido em 17 de novembro de 1292 depois de muitas discussões e considerações.[nota 15] [118]

Eduardo continuou a assertar sua autoridade sobre a Escócia mesmo após a ascensão de Balliol. Ele concordou em ouvir apelos dos casos resolvidos pela corte de guardiões que governaram o reino durante o interregnum, mesmo com as objeções dos escoceses.[119] Mais provocações vieram no caso de Macduff, filho de Malcolm II, Conde de Fife, em que Eduardo exigiu que Balliol comparecesse em pessoa diante do parlamento inglês para responder às acusações.[120] O rei escocês acatou e compareceu, porém a provocação final foi a exigência de Eduardo que os magnatas escoceses oferecessem auxílio militar na guerra contra a França.[121] Isso foi inaceitável para eles; os escoceses acabaram formando uma aliança com a própria França e lançaram um ataque mal sucedido contra Carlisle.[122] Eduardo respondeu invadindo a Escócia em 1296 e tomando a cidade de Berwick-upon-Tweed em um ataque sangrendo.[123] A resistência escocesa foi esmagada definitivamente na Batalha de Dunbar.[124] Eduardo confiscou a Pedra do Destino – a pedra de coroação escocesa – levando-a para Westminster e colocando no Trono de Eduardo, o Confessor; ele depôs Balliol e o fez prisioneiro na Torre de Londres, colocando ingleses para governar a Escócia.[125] A campanha foi um sucesso, porém o triunfo inglês duraria pouco.[126]

Governo e leis[editar | editar código-fonte]

Personalidade[editar | editar código-fonte]

Távola redonda feita por Eduardo, hoje no Castelo de Winchester.

Eduardo tinha a reputação de ter um temperamento feroz e intimidador; uma história conta como o Dêcano de St. Paul, querendo confrontá-lo em 1295 sobre os altos impostos, desmaiou e morreu assim que esteve na presença do rei.[9] Quando seu filho Eduardo de Caernarfon exigiu um condado para seu favorito Piers Gaveston, Eduardo explodiu de raiva e supostamente arrancou punhados de cabelo do filho.[127] Alguns de seus contemporâneos o consideravam como assustador, particularmente no início de sua vida. A Canção de Lewes o descreve como um leopardo, um animal considerado como particularmente poderoso e imprevisível.[128]

Entretanto, apesar das características assustadoras, contemporâneos consideravam Eduardo como um rei capaz e até mesmo ideal.[129] Apesar de não ser amado por seus súditos, ele era temido e respeitado.[130] Ele se encaixava nas expectativas contempoâneas em seu papel de soldado capaz e determinado, encorporando os ideais de cavalaria.[131] Sua observação dos ritos religiosos também cumpriam as expectativas da época: ele ia regularmente a igreja e dava esmolas generosas.[132]

Eduardo era muito interessado na histórias sobre o Rei Artur, que eram bem populares na Europa durante seu reinado.[133] [134] Ele visitou a Abadia de Glastonbury em 1278 para abrir uma tumba que se acreditava pertencer a Artur e Genebra, recuperando a "coroa de Artur" de Llywelyn após a conquista do Norte de Gales, enquanto seus castelos eram inspirados no mito arturiano em seu desenho e local.[135] Eduardo realizou eventos de "Távula Redonda" em 1284 e 1302, envolvendo torneios e banquetes, com os crônicos comparando ele e seus eventos da corte a Artur.[136] [137] Em alguns casos o rei aparentemente useu seu interesse em mitos arturianos para seus próprios interesses políticos, incluindo a legitimação de seu domínio sobre Gales e descreditando a crença galesa que Artur poderia voltar como um salvador político.[138]

Administração e leis[editar | editar código-fonte]

Uma moeda groat de Eduardo.

Eduardo começou a restaurar a ordem e a reestabelecer a autoridade real assim que assumiu o trono depois do final de reino desastroso de seu pai.[139] Para realizar isso ele ordenou uma grande mudança no pessoal administrativo. A mais importante alteração foi a nomeação de Roberto Burnell como chanceler, que permaneceu no posto como um dos conselheiros mais próximos do rei até 1292.[140] Eduardou em seguida substituiu a maioria dos oficiais locais, como embargadores e xerifes.[141] Essa medida foi uma preparação para um enorme inquérito por toda a Inglaterra, que ouviu reclamações sobre abuso de poder por oficiais reais e estabelecer quais propriedades e direitos da coroa haviam sido perdidos durante o reinado de Henrique III.[142] O inquérito produziu os chamados Cem Rolos, a partir da subdivisão administrativa da centena.[143]

Os Cem Rolos formaram a base para os posteriores inquéritos legais chamados de os procedimentos Quo warranto. O propósito desses inquéritos era estabelecer por qual autoridade várias liberdades de terra ocorreram.[nota 16] Se o acusado não conseguisse mostrar a autorização real para provar a concessão da liberdade, era então a opinião da coroa – baseada nas obras de Henrique de Bracton, um influente acadêmico jurídico do século XIII – que ela deveria voltar para as mãos do rei.[144]

Isso causou grande consternação dentre a aristocracia, que insistia que o uso por si só constituia uma licença.[145] Um meio termo foi alcançado em 1290, onde uma liberdade era considerada legítima contanto que pudesse ser mostrada que era exercida desde a coroação do rei Ricardo I em 1189.[146] Os ganhos reais dos procedimentos Quo warranto foram insignificantes; poucas liberdades voltaram para o rei.[147] Mesmo assim Eduardo conseguiu uma vitória significante, estabelecendo claramente o princípio que todos as liberdades essencialmente vinham da coroa.[148]

O Quo warranto de 1290 era parte de um esforço legislativo muito maior, que foi uma das maiores contribuições do reinado de Eduardo.[149] O período de reformas legislativas já havia começado na época da revolta baronial; o Estatuto de Marlborough de 1267 continha elementos tanto das Provisões de Oxford quanto do Dictum de Kenilworth.[150] A compilação dos Cem Rolos foi seguida pouco depois em 1275 pelo Estatuto de Westminster I, que assertava a prerrogativa real e delimitava restrições nas liberdades.[151] No Estatuto de Mortmain de 1279 a questão abordada foi as terras dadas à igreja.[152] A primeira cláusula do Estatuto de Westminster II de 1285, conhecida como De donis conditionalibus, lidava com assentamentos familiares de terras.[153] O Estatuto Mercante de 1285 estabeleceu regras rígidas sobre a recuperação de dívidas,[154] enquanto o Estatuto de Winchester do mesmo ano lidava com a manutenção da paz em nível local.[155] Quia emptores, emitido junto com Quo warranto, tinha a intenção de remediar disputas resultantes da alienação de terras pela subinfeudação.[156] O período de grandes estatutos praticamente terminou em 1292 com a morte de Roberto Burnell.[157]

Economia, parlamento e judeus[editar | editar código-fonte]

Ilustração do século XVII de Eduardo presidindo o parlamento. A cena mostra Alexandre III e Llywelyn ap Gruffudd ao lado de Eduardo, algo que nunca ocorreu.

As frequentes campanhas militares de Eduardo prejudicaram a nação economicamente.[158] Havia vários meios pelos quais o rei podia arrecadar dinheiro para guerras, incluindo impostos, empréstimos e subsídios. Eduardo negociou um acordo em 1275 com a comunidade mercante nacional que assegurou um imposto permanente na lã. Um acordo similar foi alcançado com mercadores estrangeiros em 1303 em troca de certos privilégios e direitos.[159] Os lucros dos impostos eram entregues aos riccardi, um grupo de banqueiros de Luca, na Península Itálica.[160] Isso era em troca por seus serviços como agiotas para a coroa, ajudando a financiar as guerras em Gales. O rei francês confiscou os recursos dos riccardi quando começou a guerra entre a França e a Inglaterra, assim o banco faliu.[161] Depois disso, a família Frescobaldi de Florença assumiu o papel de agiotas da coroa inglesa.[162]

Outra fonte de renda para a coroa eram os judeus ingleses. Os judeus eram propriedade pessoal do rei e ele podia combrar impostos do grupo como desejar.[163] Os judeus foram tão explorados que por volta de 1280 eles já não eram mais de grande uso financerio para a coroa, porém ainda assim podiam ser usados como barganhas políticas.[164] Seus negócios de usura, proíbidos para cristãos, deixaram muitas pessoas individadas com eles e criou um sentimento de ressentimento geral.[165] Eduardo havia emitido o Estatuto do Judaísmo em 1275, que criminalizava a usura e encorajava os judeus a procurarem novas profissões;[166] ele prendeu os chefes de várias famílias judaicas em 1279 no contexto da falha do desvalorizamento da moeda, fazendo com que aproximadamente trezentos fossem executados.[167] O rei mandou em 1280 que todos os judeus comparecessem a sermões especiais pregados por freis dominicanos na esperança de persuadi-los a se converterem, porém isso não aconteceu.[168] O ataque final veio com o Édito de Expulsão de 1290, em que Eduardo formalmente expulsou todos os judeus da Inglaterra.[169] Esse ato acabou gerando rendas a partir da apropriação de empréstimos e propriedades judaicas, e também deu ao rei capital político para negociar um subsídio considerável com o parlamento.[170] A expulsão durou até 1656[171] e virou um precedente seguido por outros monarcas europeus: Filipe II de França expulsou em 1182 todos os judeus de seus territórios; João I, Duque da Bretanha, fez o mesmo em seu ducado em 1239; e Luís IX de França expulsou os judeus no final da década de 1240 de seus domínios reais antes de ir para o oriente.[168]

Eduardo realizava parlamentos razoavelmente regulares durante seu reinado.[172] Porém, uma mudança significativa ocorreu em 1295. Para esse parlamento, além dos lordes seculares e eclesiásticos, foram convocados dois cavaleiros vindos de cada província e dois representantes de cada bairro.[173] Não era novo a representação dos comuns no parlamento; o que diferente era a autoridade com que esses representantes foram convocados. Enquanto os comuns anteriormente eram chamados simplesmente para concordar com decisões já tomadas pelos magnatas, agora eles deveriam se reunir com total autoridade de suas comunidades para dar parecer favorável às decisões tomadas pelo parlamento.[174] O rei agora tinha total apoio para cobrar subsídios de toda a população. Esses subsídios eram impostos cobrados por uma determinada fração dos bens móveis de todos os homens leigos.[175] Enquanto Henrique cobrou apenas quatro desses durante seu reinado, Eduardo cobrou nove.[176] O formato eventualmente se tornou o padrão para todos os parlamentos, com os historiadores nomeando essa assembleia como o "Parlamento Modelo".[nota 17] [177]

Descendência[editar | editar código-fonte]

Eduardo e Leonor tiveram pelo menos catorze filhos, talvez até chegando em dezesseis. Deles, cinco filhas chegaram à idade adulta, porém apenas um dos meninos sobreviveu a Eduardo, o futuro Eduardo II. Afirma-se que Eduardo I temia pelo fracasso do filho em viver às expectativas de um herdeiro da coroa, em determinado momento decidindo exilar o favorito dele Piers Gaveston.[178]

Com Margarida, ele teve dois filhos que ambos viveram até a idade adulta e uma filha que morreu criança.[179] A crônica de Abadia de Hailes indica que João Botetourt pode ter sido um filho ilegítimo de Eduardo, porém a afirmação não tem fundamentos.[180]

Nome Nascimento Morte Notas
Com Leonor de Castela
Filha maio de 1255 29 de maio de 1255 Natimorta ou que morreu pouco depois.
Catarina c. 17 de junho de 1264 5 de setembro de 1264 Enterrada na Abadia de Westminster.
Joana c. janeiro de 1265 c. 7 de setembro de 1265 Enterrada na Abadia de Westminster.
João 13 de julho de 1266 3 de agosto de 1271 Morreu em Wallingford aos cuidados do tio-avô Ricardo, 1.º Conde da Cornualha.
Enterrado na Abadia de Westminster.
Henrique 6 de maio de 1268 12 de outubro de 1274 Enterrado na Abadia de Westminster.
Leonor c. 18 de junho de 1269 19 de agosto de 1298 Casou-se com Henrique III, Conde de Bar, com descendência.
Enterrada na Abadia de Westminster.
Juliana c. maio de 1271 5 de setembro de 1271 Nasceu e morreu enquanto seus pais estavam em Acre.
Joana 1272 23 de abril de 1307 Casou-se com Gilberto de Clare, 7.º Conde de Gloucester, com descendência.
Casou-se com Raul de Monthermer, 1.º Barão Monthermer, com descendência.
Alfonso 24 de novembro de 1273 19 de agosto de 1284 Enterrado na Abadia de Westmisnter.
Margarida 15 de maio de 1275 c. 11 de maio de 1333 Casou-se com João II, Duque de Brabante, com descendência.
Berengária 1 de maio de 1276 c. 7 de junho de 1277/78 Enterrada na Abadia de Westminster.
Filha dezembro de 1277 janeiro de 12778 Enterrada na Abadia de Westminster.
Maria 11/12 de março de 1279 29 de maio de 1332 Freira beneditina em Amesbury.
Filho 1280/81 Poucas evidências existentes.
Isabel c. 7 de agosto de 1282 5 de maio de 1316 Casou-se com João I, Conde da Holanda, sem descendência.
Casou-se com Humberto de Bohun, 4.º Conde de Hereford, com descendência.
Eduardo II 25 de abril de 1284 21 de setembro de 1327 Casou-se com Isabel de França, com descendência.
Com Margarida de França
Tomás 1 de junho de 1300 4 de agosto de 1338 Casou-se com Alice Hales, com descendência.
Casou-se com Maria Brewes, sem descendência.[181]
Edmundo 1 de agosto de 1301 19 de março de 1330 Casou-se com Margarida Wake, 3.º Baronesa Wake de Liddell, com descendência.[182]
Leonor 6 de maio de 1306 1310 [183]

Ancestrais[editar | editar código-fonte]

Notas

  1. Como as fontes dizem simplesmente que ele nasceu na noite entre 17 e 18 de junho, não é possível saber a data exata do nascimento de Eduardo.[2]
  2. Números régios não eram comumente usados na época de Eduardo. Como primeiro rei pós-conquista a ter esse nome,[3] ele era chamado simplesmente de "Rei Eduardo" ou "Rei Eduardo, filho do Rei Henrique". Foi apenas depois da ascensão de seu filho e neto, ambos com o mesmo nome, que "Eduardo I" passou a ser utilizado.[4]
  3. Isabel de Angoulême, mãe de Henrique III, se casou com Hugo X de Lusignan depois da morte do rei João.[17]
  4. Este Gilberto de Clare era filho do supracitado Gilberto de Clare.[36]
  5. O dictum restaurava as terras dos rebeldes deserdados em troca do pagamento de multas espituladas por seu nível de envolvimento no conflito.[41]
  6. A principal concessão era que o deserdado poderia tomar posse de suas terras antes de pagarem a multa.[42]
  7. Significando uma concessão de 1/20 de todos os bens móveis.
  8. A doença era disenteria ou tifo epidémico.[49]
  9. A anedota que Leonor de Castela salvou a vida de Eduardo ao sugar o veneno de sua ferida é quase certamente uma invenção posterior.[55] Outros relatos contam que Leonor foi levada embora por João de Vescy e sugerem que foi Oto de Grandson, um dos amigos de Eduardo, quem tentou sugar o veneno.[56]
  10. Apesar de não existirem provas escritas, acredita-se que essa acordo foi feito antes da partida de Eduardo.[59]
  11. O posto de Edmundo foi mantido por Payne de Chaworth até abril de 1275.[69]
  12. Esse título tornou-se o tradicional título do herdeiro aparente do trono inglês. Eduardo não nasceu como herdeiro aparente, porém se tornou em 1284 com a morte de seu irmão mais velho Alfonso, Conde de Chester.[93]
  13. Prestwich estima que o total gasto foi de aproximadamente quatrocentas mil libras.[106]
  14. O termo é uma invenção do século XVIII.[112]
  15. Apesar do princípio de primogenitura não ser aplicado necessariamente para descendentes através da linhagem feminina, havia poucas dúvidas que a reivindicação de Balliol era a mais forte.[118]
  16. Gilberto de Clare, 9.º Conde de Gloucester, estava dentre aqueles destacados pelos juízes legais, que foi visto impiedosamente iviolando os direitos reais nos anos anteriores.[144]
  17. O termo foi cunhado por William Stubbs.[177]

Referências

  1. Morris 2009, p. 22
  2. a b Morris 2009, p. 2
  3. Morris 2009, pp. xv–xvi
  4. a b Carpenter, David. (2007). "King Henry III and Saint Edward the Confessor: The Origins of the Cult". English Historical Review cxxii (498): 865–891. DOI:10.1093/ehr/cem214.
  5. Prestwich 1997, p. 6
  6. Prestwich 1997, pp. 46, 69
  7. Prestwich 1997, pp. 5–6
  8. Prestwich 1997, p. 6
  9. a b Prestwich 2007, p. 177
  10. Morris 2009, pp. 14–18
  11. Morris 2009, p. 20
  12. Prestwich 1997, p. 10
  13. Prestwich 1997, pp. 7–8
  14. Prestwich 1997, pp. 11–14
  15. Prestwich 2007, p. 96
  16. Morris 2009, p. 7
  17. Prestwich 1997, p. 21
  18. Prestwich 1997, pp. 22–23
  19. Prestwich 2007, p. 95
  20. Prestwich 1997, p. 23
  21. Prestwich 1997, pp. 15–16
  22. Carpenter, David. (1985). "The Lord Edward's oath to aid and counsel Simon de Montfort, 15 October 1259". Bulletin of the Institute of Historical Research 58: 226–237. DOI:10.1111/j.1468-2281.1985.tb01170.x.
  23. Prestwich 1997, pp. 31–32
  24. Prestwich 1997, pp. 32–33
  25. Morris 2009, pp. 44–45
  26. Prestwich 1997, p. 34
  27. Powicke 1962, pp. 171–172
  28. Maddicott, John. Simon de Montfort. Cambridge: Cambridge University Press, 1994. p. 225. ISBN 0-521-37493-6
  29. Powicke 1962, pp. 178
  30. Prestwich 1997, p. 41
  31. Prestwich 2007, p. 113
  32. Prestwich 1997, pp. 42–43
  33. a b Sadler, John. The Second Barons' War: Simon de Montfort and the Battles of Lewes and Evesham. Barnsley: Pen and Sword Military, 2008. pp. 55–69, 105–109. ISBN 1-84415-831-4
  34. Maddicott, John. (1983). "The Mise of Lewes, 1264". English Historical Review 98 (338): 588–603. DOI:10.1093/ehr/xcviii.ccclxxxviii.588.
  35. Prestwich 1997, pp. 47–48
  36. a b Prestwich 1997, pp. 48–49
  37. Prestwich 1997, pp. 49–50
  38. Powicke 1962, pp. 201–202
  39. Morris 2009, pp. 75–76
  40. Prestwich 1997, p. 55
  41. a b Prestwich 2007, p. 117
  42. a b Prestwich 2007, p. 121
  43. Prestwich 1997, p. 63
  44. Morris 2009, pp. 83, 90–92
  45. a b Prestwich 1997, p. 71
  46. Prestwich 1997, p. 72
  47. Maddicott, John. In: Coss, P. R.; Lloyd, S. D. (eds.). Thirteenth Century England. Woodbridge: Boydell Press, 1989. pp. 93–117. Capítulo: "The Crusade Taxation of 1268–70 and the Development of Parliament". , vol. 2. ISBN 0-85115-513-8
  48. Morris 2009, p. 92
  49. a b Riley-Smith, Jonathan. The Crusades: A History. Londres: Continuum, 2005. pp. 210–211. ISBN 0-8264-7269-9
  50. Prestwich 1997, p. 75
  51. Morris 2009, p. 95
  52. Prestwich 1997, p. 76
  53. Morris 2009, pp. 97–98
  54. Prestwich 1997, p. 77
  55. Prestwich 1997, p. 78
  56. a b Morris 2009, p. 101
  57. Prestwich 1997, pp. 78, 82
  58. Prestwich 1997, p. 82
  59. a b Morris 2009, p. 104
  60. Carpenter 2004, p. 466
  61. Prestwich 1997, pp. 82–85
  62. Powick 1962, p. 226
  63. Carpenter 2004, p. 386; Morris 2009, p. 132
  64. Davies 2000, pp. 322–323
  65. Prestwich 1997, p. 175
  66. Prestwich 1997, pp. 174–175
  67. Davies 2000, p. 327
  68. Powicke 1962, p. 409
  69. a b Powicke 1962, p. 409
  70. Prestwich 2007, p. 150
  71. Prestwich 2007, p. 151
  72. Powicke 1962, p. 413
  73. Davies, Rees. In: Davies, Rees; Griffiths, R. A.; Jones, I. G.; Morgan, K. O. (eds.). Welsh Society and Nationhood. Cardiff: University of Wales Press, 1984. pp. 51–69. Capítulo: "Law and national identity in thirteenth century Wales". , ISBN 0-7083-0890-2
  74. Prestwich 1997, p. 188
  75. Davies 2000, p. 348
  76. Morris 2009, p. 180
  77. Prestwich 1997, pp. 191–192
  78. Davies 2000, p. 353
  79. Carpenter 2004, p. 510
  80. Prestwich 1997, pp. 218–220
  81. Carpenter 2004, p. 511
  82. Davies 2000, p. 368
  83. Prestwich 1997, p. 216
  84. Harriss, G.L. (1975). King, Parliament and Public Finance in Medieval England to 1369. Oxford: Oxford University Press. ISBN 0-19-822435-4. Lilley, Keith D.. In: Williams, Diane; Kenyon, John. The Impact of Edwardian Castles in Wales. Oxford: Oxbow Books, 2010. pp. 104–106. Capítulo: "The Landscapes of Edward's New Towns: Their Planning and Design". , ISBN 978-1-84217-380-0
  85. Coldstream, Nicola. In: Williams, Diane; Kenyon, John. The Impact of Edwardian Castles in Wales. Oxford: Oxbow Books, 2010. pp. 39–40. Capítulo: "James of St George". , ISBN 978-1-84217-380-0
  86. Prestwich 1997, p. 160
  87. Brears, Peter. In: Williams, Diane; Kenyon, John. The Impact of Edwardian Castles in Wales. Oxford: Oxbow Books, 2010. Capítulo: "Food Supply and Preparation at the Edwardian Castles". , p. 86. ISBN 978-1-84217-380-0
  88. Cathcart King, David James. The Castle in England and Wales: An Interpretative History. Londres: Croom Helm, 1988. pp. 83–84. ISBN 0918400082
  89. Prestwich 2010, p. 6
  90. Wheatley, Abigail. In: Williams, Diane; Kenyon, John. The Impact of Edwardian Castles in Wales. Oxford: Oxbow Books, 2010. pp. 129, 136. Capítulo: "Caernarfon Castle and its Mythology". , ISBN 978-1-84217-380-0
  91. Phillips, Seymour. Edward II. New Haven & Londres: Yale University Press, 2011. pp. 35–36. ISBN 978-0-300-17802-9
  92. King Edward II: His Life, his Reign and its Aftermath, 1284–1330. Montreal & Kingston: McGill-Queen's University Press, 2003. pp. 3–4. ISBN 978-0-7735-3157-4
  93. Prestwich 1997, pp. 126–127
  94. Phillips, J. R. S. (2008). "Edward II (Edward of Caernarfon) (1284–1327), king of England and lord of Ireland, and duke of Aquitaine". Oxford Dictionary of National Biography. Oxford: Oxford University Press. DOI:10.1093/ref:odnb/8518. 
  95. Prestwich 1997, pp. 326–328
  96. Powicke 1962, pp. 252–253
  97. Prestwich 1997, pp. 323–325
  98. Prestwich 1997, p. 329
  99. Prestwich 1997, p. 304
  100. Morris 2009, pp. 204–217
  101. Morris 2009, pp. 265–270
  102. Morris 2009, pp. 230–231
  103. Prestwich 1997, pp. 395–396
  104. Prestwich 1997, pp. 387–390
  105. Prestwich 1997, p. 392
  106. a b Prestwich 1972, p. 172
  107. Carpenter 2004, p. 518
  108. Prestwich 1997, p. 357
  109. Barrow 1965, pp. 3–4
  110. Morris 2009, p. 235; Prestwich 1997, p. 361
  111. Barrow 1965, p. 42; Morris 2009, p. 237
  112. a b Morris 2009, p. 253
  113. Prestwich 2007, p. 231
  114. Powicke 1962, p. 601
  115. Prestwich 1997, pp. 361–363
  116. Barrow 1965, p. 45
  117. Prestwich 1997, p. 365
  118. a b Prestwich 1997, pp. 358, 367
  119. Prestwich 1997, p. 370
  120. Prestwich 1997, p. 371
  121. Barrow 1965, pp. 86–88
  122. Barrow 1965, pp. 88–91, 99
  123. Barrow 1965, pp. 99–100
  124. Prestwich 1997, pp. 471–473
  125. Prestwich 1997, pp. 473–474
  126. Prestwich 1997, p. 376
  127. Prestwich 1997, p. 552
  128. Prestwich 1997, p. 24
  129. Prestwich 1997, p. 559
  130. Prestwich 2003, pp. 37–38
  131. Prestwich 2003, pp. 33–34
  132. Prestwich 1997, pp. 112–113
  133. Prestwich 2003, p. 34
  134. Raban, Sandra. England Under Edward I and Edward II, 1259-1327. Oxford: Blackwell, 2000. p. 140. ISBN 9780631223207
  135. Morris 2009, p. 192; Prestwich 1997, pp. 120–121
  136. Prestwich 1997, pp. 120–121
  137. Loomis, Roger Sherman. (1953). "Edward I, Arthurian Enthusiast". Speculum 28 (1): 114–127. DOI:10.2307/2847184.
  138. Morris 2009, pp. 164–166; Prestwich 1997, pp. 121–122
  139. Morris 2009, pp. 116–117
  140. Prestwich 1997, p. 92
  141. Prestwich 1997, p. 93
  142. Morris 2009, p. 115
  143. Cam, Helen. The Hundred and the Hundred Rolls: An Outline of Local Government in Medieval England. Londres: Merlin Press, 1963.
  144. a b Sutherland 1963, pp. 146–147
  145. Sutherland 1963, p. 14
  146. Powicke 1962, pp. 378–379
  147. Sutherland 1963, p. 188
  148. Sutherland 1963, p. 149
  149. Prestwich 1997, p. 267
  150. Brand, Paul. Kings, Barons and Justices: The Making and Enforcement of Legislation in Thirteenth-Century England. Cambridge: Cambridge University Press, 2003. ISBN 0521372461
  151. Plucknett 1949, pp. 29–30
  152. Plucknett 1949, pp. 94–98
  153. Prestwich 1997, p. 273
  154. Plucknett 1949, pp. 140–144
  155. Prestwich 1997, pp. 280–281
  156. Plucknett 1949, pp. 45, 102–104
  157. Prestwich 1997, p. 293
  158. Harriss 1975, p. 49
  159. Brown 1989, pp. 65–66
  160. Prestwich 1997, pp. 99–100
  161. Brown 1989, pp. 80–81
  162. Prestwich 1997, p. 403
  163. Prestwich 1997, p. 344
  164. Prestwich 1997, pp. 344–345
  165. Morris 2009, p. 86
  166. Powicke 1962, p. 322
  167. Morris 2009, pp. 170–171
  168. a b Morris 2009, p. 226
  169. Morris 2009, pp. 226–228
  170. Prestwich 1997, p. 345; Powicke 1962, p. 513
  171. Prestwich 1997, p. 346
  172. Powicke 1962, p. 342
  173. Brown 1989, p. 185
  174. Harriss 1975, pp. 41–42
  175. Brown 1989, pp. 70–71
  176. Brown 1989, p. 71
  177. a b Morris 2009, pp. 283–284
  178. Powicke 1962, p. 719
  179. Parsons, John Carmi. (1984). "The Year of Eleanor of Castile's Birth and her Children by Edward I". Medieval Studies XLVI: 245–265.
  180. Gorski, Richard (2009). "Botetourt, John, first Lord Botetourt (d. 1324)". Oxford Dictionary of National Biography. Oxford: Oxford University Press. DOI:10.1093/ref:odnb/2966. 
  181. Waugh, Scott L. (2004). "Thomas, 1st Earl of Norfolk (1300–1338)". Oxford Dictionary of National Biography. Oxford: Oxford University Press. DOI:10.1093/ref:odnb/27196. 
  182. Waugh, Scott L. (2004). "Edmund, first earl of Kent (1301–1330)". Oxford Dictionary of National Biography. Oxford: Oxford University Press. DOI:10.1093/ref:odnb/8506. 
  183. Parsons, John Carmi (2008). "Margaret (1279?–1318)". Oxford Dictionary of National Biography. Oxford: Oxford University Press. DOI:10.1093/ref:odnb/18046. 
  184. King Edward I (Hammer of the Scots) > Ancestors RoyaList. Visitado em 29 de dezembro de 2014.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Barrow, G. W. S.. Robert Bruce and the Community of the Realm of Scotland. Londres: Eyre and Spottiswoode, 1965. OCLC 655056131
  • Brown, A. L.. The Governance of Late Medieval England 1272–1461. Londres: Edward Arnold, 1989. ISBN 0-8047-1730-3
  • Carpenter, David. The Struggle for Mastery: Britain, 1066–1284. Londres: Penguin Books, 2004. ISBN 9780140148244
  • Davies, Rees. The Age of Conquest: Wales, 1063–1415. Oxford: Oxford University Press, 2000. ISBN 0-19-820878-2
  • Harriss, G. L.. King, Parliament and Public Finance in Medieval England to 1369. Oxford: Oxford University Press, 1975. ISBN 0-19-822435-4
  • Morris, Marc. A Great and Terrible King: Edward I and the Forging of Britain. Londres: Windmill Books, 2009. ISBN 978-0-09-948175-1
  • Plucknett, Theodore Frank Thomas. Legislation of Edward I. Oxford: The Clarendon Press, 1949. OCLC 983476
  • Powicke, F. M.. The Thirteenth Century, 1216–1307. 2ª ed. Oxford: Clarendon Press, 1962. OCLC 3693188
  • Prestwich, Michael. Edward I. New Haven: Yale University Press, 1997. ISBN 0-300-07209-0
  • Prestwich, Michael. The Three Edwards: War and State in England, 1272-1377. 2ª ed. Londres: Routledge, 2003. ISBN 9780415303095
  • Prestwich, Michael. Plantagenet England: 1225–1360. Oxford: Oxford University Press, 2007. ISBN 0-19-822844-9
  • Sutherland, Donald. Quo Warranto Proceedings in the Reign of Edward I, 1278–1294. Oxford: Clarendon Press, 1963. OCLC 408401

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

O Commons possui uma categoria contendo imagens e outros ficheiros sobre Eduardo I de Inglaterra
Eduardo I de Inglaterra
Casa de Plantageneta
17 de junho de 1239 – 7 de julho de 1307
Precedido por
Henrique III
Royal Arms of England (1198-1340).svg
Rei da Inglaterra, Lorde da Irlanda e Duque da Aquitânia
16 de novembro de 1272 – 7 de julho de 1307
Sucedido por
Eduardo II
Precedido por
Joana
Conde de Ponthieu
1279 – 28 de novembro de 1290
com Leonor