Primeira Guerra de Independência da Escócia

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Primeira Guerra de Independência da Escócia
Parte da(o) Guerras de independência da Escócia
Battle of Bannockburn - Bruce addresses troops.jpg
Batalha de Bannockburn
Data 1297 a 1328
Local Escócia, Inglaterra e Irlanda
Desfecho Vitória da Escócia, com o país mantendo sua independência
Combatentes
Royal Arms of the Kingdom of Scotland.svg Reino da Escócia
Blason pays fr FranceAncien.svg Reino da França
England COA.svg Reino da Inglaterra
Coat of arms of the Lordship of Ireland.svg Senhorio da Irlanda
Principais líderes

Blason Murray (Moray) (selon Gelre).svg Andrew Moray 
Royal Arms of the Kingdom of Scotland.svg William Wallace 
Royal Arms of the Kingdom of Scotland.svg Roberto I da Escócia
Douglas Arms 1.svg Jaime Douglas
Blason Jean Dumbar.svg Tomás Randolfo I
Armoiries de Pouilly 1.svg Eduardo Bruce
Royal Arms of the Kingdom of Scotland.svg Guilherme Douglas, o Destemido

England COA.svg Eduardo I da Inglaterra
Blason ville fr Dreux (Eure-et-Loir).svg João de Warenne
England COA.svg Eduardo II da Inglaterra
Blason Guillaume de Valence (William of Pembroke).svg Aymer de Valence
Jean de Richmond (1266-1333).svg João da Bretanha
England COA.svg Raimundo Caillau
England COA.svg João de Bermingham
Forças
Cerca de 20 000 Cerca de 100 000
Vítimas
Desconhecido Desconhecido

A Primeira Guerra da Independência Escocesa ocorreu ao final do século XIII quando a monarquia escocesa, convivendo com as brigas incessantes dos clãs, viu Eduardo I da Inglaterra avançar com as suas tropas para a total subjugação do reino.[1]

A guerra[editar | editar código-fonte]

Tudo começou após o rei Alexandre III falecer, em 1286, sem deixar um herdeiro homem. Sua filha e sucessora, Margarida da Escócia, veio a morrer logo em seguida. Com o trono vago, os diversos clãs que dividiam o país começaram a disputar o poder. Eduardo I, então rei da vizinha Inglaterra, foi convocado para ser o árbitro de sucessão e mediar a disputa entre as casas pelo trono escocês. Eduardo viu nisso uma oportunidade para expandir sua influência por toda a Grã-Bretanha. Ele obrigou então os escoceses a nomeá-lo Lorde Regente do reino. Tropas inglesas também começaram a tomar posições nos territórios da fronteira.[2]

João Balliol e Roberto de Bruce foram os principais concorrentes ao trono da Escócia. Em 1291 os dois apresentaram seu caso ao Rei da Inglaterra. No ano seguinte, Eduardo I favoreceu João e o indicou para Rei. No ano seguinte, o novo monarca da Escócia se reuniu com o rei inglês em Newcastle onde prestou homenagens a ele. Com esse gesto, Eduardo queria mostrar a João que considerava este como um vassalo do seu reino.[3]

Em 1294, o rei inglês ordenou a João I que ele reunisse um exército e juntasse dinheiro para ajudar a Inglaterra na sua guerra contra a França. Como o seu prestígio com o próprio povo não era grande, João sabia que os clãs da Escócia não o apoiariam se ele fosse ajudar os ingleses. Ele então decidiu desafiar Eduardo I e rejeitou seu comando. Um conselho de guerra foi formado e negociações para cooperação com o rei francês Filipe IV começaram. Em 1295, Eduardo descobriu tudo e ficou furioso. Tropas foram convocadas e a situação na fronteira ficou tensa rapidamente. No ano seguinte, o exército escocês estava se preparando no sul, mas estava desfalcado pois muitos lordes da Escócia, como Roberto de Bruce, ignoraram o chamado de Balliol, pois o consideravam um rei fraco.

Em março de 1296, tropas inglesas saquearam Berwick. No mês seguinte, o exército escocês sob comando do rei João foi massacrado na batalha de Dunbar. Sem ter como deter o avanço inglês e enfraquecido pela falta de apoio interno, João teve que renunciar ao trono. Enquanto lordes tentavam acertar algum entendimento com Londres, pequenos senhorios e nobres instigaram a população escocesa a se revoltar. Líderes militares como Andrew Moray e William Wallace ganharam notoriedade e forçaram Eduardo I a enviar tropas para enfrenta-los.

A setembro de 1297, Wallace e Morey reuniram suas forças para deter os ingleses em Stirling, um ponto considerado o coração do país. Na violenta batalha que se seguiu, mesmo muito inferiores numericamente, os escoceses derrotaram as tropas inglesas. Esta vitória deu novo ânimo a causa da Escócia. Com Andrew de Moray falecendo durante a batalha, William Wallace colheu sozinho a glória da vitória e foi nomeado Guardião do Reino e comandante dos exércitos escoceses. Em 1298, ele ordenou uma série de arrastões e saques no norte da Inglaterra. Eduardo I reagiu e ordenou uma ofensiva militar diretamente contra Edimburgo. Para detê-lo, Wallace posicionou suas forças em Falkirk, mas acabou sendo derrotado na batalha que se seguiu. William renunciou ao posto de Guardião e fugiu para o norte. Campanhas lançadas por ambos os lados até 1302 terminaram em impasse.

Em 1303 as hostilidades voltaram a todo vapor. Tropas inglesas lançaram-se em novas ofensivas e tomaram o castelo de Stirling. Com vários lordes escoceses preferindo mudar de lado e se submeter a Eduardo I da Inglaterra, parecia que o conflito poderia terminar com um resultado desfavorável a Escócia. Porém Roberto Bruce continuou a resistir. Após a morte de William Wallace, executado a mando do rei Eduardo I, a população escocesa novamente se preparou para se levantar novamente em revolta. Em 1306, a maioria dos lordes escoceses decidiram apoiar Bruce e a guerra recomeçou. No ano seguinte, com sua posição bem firmada, Roberto se proclamou rei dos escoceses e lançou-se em batalha novamente contra a Inglaterra. Ainda em 1306, Eduardo I faleceu. Seu filho e sucessor, Eduardo II, apesar de inúmeras tentativas, não conseguiu dar um fim no conflito. Seus exércitos foram então derrotados na decisiva batalha de Bannockburn, que virou a maré da guerra em favor dos escoceses.[4]

Em 1327, após anos de calmaria, tensão e hostilidades esporádicas, a paz finalmente voltaria a imperar na região. Neste ano, Eduardo II faleceu. Seu sucessor, Eduardo III da Inglaterra, teve que ordenar o recuo de suas tropas da Escócia. Então, a 1 de maio de 1328, é firmado o tratado de Edimburgo-Northampton. A Inglaterra oficialmente reconhecia assim a independência da Escócia e aceitava Roberto I como seu rei.[2]

Referências

  1. "Scottish Wars of Independence". Heritage History. Página acessada em 1 de novembro de 2013.
  2. a b "The Wars of Independence". Página acessada em 31 de julho de 2014.
  3. "The Scottish Wars of Independence, 1286-1328". Página acessada em 31 de julho de 2014.
  4. Barrow, G.W.S. Robert Bruce and the Community of the Realm of Scotland. Edinburgh.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ícone de esboço Este artigo sobre conflitos armados é um esboço. Você pode ajudar a Wikipédia expandindo-o.