Berta da Borgonha

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Berta da Borgonha
Rainha dos Francos
Reinado 9961000
Predecessor Rosália de Ivrea
Sucessor Constança de Arles
Cônjuge Odão I de Blois
Roberto II de França
Casa Borgonha (por nascimento)
Capeto (por casamento)
Pai Conrado I da Borgonha
Mãe Matilde de França
Nascimento 952, 964, 965 ou 967
Morte 1010, 16 de Janeiro de 1016 ou 1035
Religião Catolicismo Romano

Berta da Borgonha (952, 964, 965 ou 967 - depois de 1010, em 16 de janeiro de 1016, ou em 1035), foi rainha consorte de França, casada com Roberto II de França. Era filha de Matilda de França e do rei Conrado das Duas Borgonhas, "o Pacífico", e portanto neta paterna de Luís IV de França.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Casou-se em primeiras núpcias com conde Odão I de Blois, a quem deu três filhos. Na Primavera de 996, depois da morte do marido no mês de março, Berta veio pedir ajuda e protecção a Roberto II de França. Este foi seduzido pela sua nobreza e determinação, e pouco depois tornaram-se amantes. O amor teria a oposição de Hugo Capeto, que tinha sido inimigo do seu primeiro marido.

Mas meses mais tarde, quando o velho rei morreu, Roberto acabaria por repudiar a sua esposa Rosália de Ivrea, cerca de vinte anos mais velha, de quem não gerara descendência. Apesar da oposição também da Igreja, que o condenou formalmente por motivos de consanguinidade, no final de Novembro ou no início de Dezembro de 996 casou-se com Berta. Com este matrimónio, o Pio pretendia gerar um herdeiro para a jovem dinastia capetiana, e o dote da sua nova esposa incluía os direitos sobre a Borgonha e as imensas possessões da poderosa família de Blois.

Com efeito, a ligação de Berta e Roberto tinha implicações geopolíticas: uma grande parte dos territórios do duque da Borgonha prestava vassalagem ao imperador Otão III da Germânia e os Otões controlavam o norte da Itália e tinham grande influência na nomeação dos papas.

A excomunhão de Roberto o Pio, Roberto II de França e Berta da Borgonha retratados na pintura academicista e orientalista de Jean-Paul Laurens (século XIX), no Museu de Orsay

Em Fevereiro de 997, no concílio de Pavia, o papa Gregório V exortou Roberto a renunciar à "sua prima (que era inclusivamente mãe de um afilhado seu), uma vez que a tinha desposado contrariamente à interdição apostólica", e condenou os bispos que "consentiram estas núpcias incestuosas".[1] No Verão seguinte, o papa e o imperador germânico convocaram um novo concílio em Roma. Foi infligida uma pena de sete anos de penitência ao rei, foi feita a ameaça de excomunhão dos dois amantes e de colocar o reino da França sobre interdicto (excomunhão aplicada a um território), o que nunca se chegou a concretizar.

Em 999, Gerberto d'Aurillac subiu ao papado com o nome de Silvestre II. Como antigo mestre de Roberto e de Otão III, tinha mais poder negocial com os dois soberanos. Aos 29 anos de idade, e como do seu casamento só nascesse um nado-morto, Roberto acabou por ceder à anulação do matrimónio em 1003,[2] apesar de não renunciar à anexação da Borgonha, que conseguiuria oficializar após um longo conflito.

Casou-se então pela terceira vez com Constança de Arles (973-1034), filha de Adelaide-Branca de Anjou e de Guilherme I, conde da Provença e Arles, de quem teve descendência. Mas apesar do novo casamento, Berta ainda se manteve sua amante. Em 1008, devido às pressões e recriminações da sua nova esposa, Roberto deslocou-se a Roma para tentar oficializar ainda o seu casamento com o amor da sua vida. O papa, agora João XVIII, recusou, e desta vez o monarca submeteu-se à vontade eclesiástica.

Berta faleceria depois de 1010, em 16 de Janeiro de 1016 ou em 1035.

Referências

Precedida por:
Rosália de Ivrea
Armas da dinastia capetiana
Rainha de França

9961003
Sucedida por:
Constança de Arles


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