Eugénia de Montijo
| Eugénia | |||||
|---|---|---|---|---|---|
Retrato por Gustave Le Gray, 1856 | |||||
| Imperatriz Consorte dos Franceses | |||||
| Reinado | 30 de janeiro de 1853 a 4 de setembro de 1870 | ||||
| Predecessora | Maria Amélia das Duas Sicílias (como Rainha dos Franceses) | ||||
| Sucessora | Monarquia abolida | ||||
| Dados pessoais | |||||
| Nascimento | 5 de maio de 1826 Granada, Espanha | ||||
| Morte | 11 de julho de 1920 (94 anos) Madrid, Espanha | ||||
| Sepultado em | Abadia de São Miguel, Farnborough, Hampshire, Reino Unido | ||||
| |||||
| Marido | Napoleão III da França | ||||
| |||||
| Casa | Portocarrero (por nascimento) Bonaparte (por casamento) | ||||
| Pai | Cipriano de Palafox y Portocarrero, 8.º Conde de Montijo | ||||
| Mãe | María Manuela Kirkpatrick de Closeburn y de Grévignée | ||||
| Religião | Catolicismo | ||||
| Assinatura | |||||
Eugénia de Montijo[a] (nome completo em castelhano: María Eugenia Ignacia Agustina de Palafox y Kirkpatrick; Granada, 5 de maio de 1826 – Madrid, 11 de julho de 1920) foi a esposa do Imperador Napoleão III e Imperatriz Consorte dos Franceses de 1853 até a abolição da monarquia em 1870. Ela também foi a chefe de Estado "de facto" da França entre 28 de julho e 4 de setembro de 1870, sendo considerada a última mulher a fazê-lo.[1][2]
Nascida em uma família da nobreza espanhola, Eugénia foi educada na França, Espanha e Inglaterra. Como imperatriz, usou sua influência para defender políticas autoritárias e clericalistas. Seu envolvimento na política lhe rendeu muitas críticas de seus contemporâneos. Napoleão e Eugénia tiveram um filho, Napoleão Eugénio, Príncipe Imperial. Graças à sua beleza e elegância, Eugénia contribuiu de modo significativo para a construção da imagem pública e do prestígio do regime imperial. Seu interesse pela vida da rainha Maria Antonieta favoreceu a difusão da moda neoclássica, um estilo amplamente apreciado durante o reinado de Luís XVI. Após a queda do Império, a família imperial se exilou na Inglaterra. Eugénia sobreviveu ao marido e ao filho e passou o resto da vida dedicando-se a preservar a memória deles e a do Segundo Império Francês.
Juventude
[editar | editar código]
Nascida em Granada, Espanha, em 5 de maio de 1826, ao meio-dia, na rua Grazia,[3] María Eugenia Ignacia Agustina de Palafox y Kirkpatrick era filha de Dom Cipriano de Palafox y Portocarrero, conde de Montijo e Teba, e de Dona María Manuela Kirkpatrick de Closeburn y de Grévignée.[4] Ela tinha uma irmã mais velha, María Francisca, conhecida pelo apelido de Paca e matriarca da Casa de Alba.[5]
Pressentindo o início das Guerras Carlistas, sua mãe enviou as duas filhas para a França em 1834, onde Eugénia foi educada em Paris, na escola do convento do Sacré-Coeur, instituição na qual recebeu a formação tradicional destinada à aristocracia católica da época. Em 1837, Eugénia e Paca frequentaram brevemente um internato para meninas na Royal York Crescent, em Bristol, Inglaterra,[6] com o objetivo de aprender inglês. Eugénia era apelidada de "Cenouras" devido aos seus cabelos "castanho-ticiano" e chegou a tentar fugir para a Índia, tendo inclusive embarcado em um navio nos cais de Bristol. Em agosto de 1837, ambas retomaram seus estudos em Paris.[7]

Em março de 1839, após a morte de seu pai em Madrid as jovens deixaram Paris para reunir-se com a mãe na Espanha.[8] Eugénia cresceu e tornou-se uma jovem obstinada e fisicamente audaciosa, dedicando-se à equitação e a diversos outros esportes.[9] Em certa ocasião, foi salva de um afogamento e, após decepções amorosas, tentou suicídio duas vezes.[10] Demonstrava grande interesse por política e passou a apoiar a causa bonapartista.[11] Em razão do papel de sua mãe como anfitriã da alta sociedade espanhola, Eugénia teve a oportunidade de conhecer a rainha Isabel II, o primeiro-ministro Ramón Narváez e intelectuais proeminentes, diplomatas, escritores, músicos, toureiros e outras celebridades da época. Sobre Eugénia, o romancista Juan Valera escreveu, em 1847:
"Ela é uma jovem diabólica que, com uma coqueteria infantil, grita, faz barulho e apronta todas as travessuras de um menino de seis anos, enquanto, ao mesmo tempo, é a moça mais elegante desta cidade e desta corte. É tão impetuosa e mandona, tão dedicada aos exercícios de ginástica e ao incenso dos cavalheiros elegantes e, enfim, tão adoravelmente mal-educada, que se pode quase garantir que seu futuro marido será um mártir dessa criatura celestial, nobre e, acima de tudo, extremamente rica."[12]
Dona María Manuela, cada vez mais preocupada em encontrar um marido adequado para a filha, levou-a novamente a Paris em 1849 e, posteriormente, à Inglaterra em 1851.[13]
Casamento
[editar | editar código]
Eugénia conheceu o príncipe Luís Napoleão Bonaparte pela primeira vez após ele assumir a presidência da Segunda República, acompanhada de sua mãe, durante uma recepção oferecida pelo "príncipe-presidente" no Palácio do Eliseu em 12 de abril de 1849.[14] Napoleão perguntou-lhe "qual é o caminho mais curto para seus aposentos?" Ao que ela respondeu com humor "pela capela, meu senhor, pela capela".[15]
Em 22 de janeiro de 1853, já como imperador, Napoleão III anunciou formalmente seu noivado, declarando: "Preferi uma mulher que amo e respeito a uma mulher desconhecida, cuja aliança traria vantagens misturadas com sacrifícios."[16] O casal se casou em 29 de janeiro de 1853, em uma cerimônia civil nas Tulherias, seguida no dia seguinte por uma cerimônia religiosa mais grandiosa na catedral de Notre-Dame.[17] Eugénia ousou em ser uma das primeiras noivas a casar-se de branco, seguindo o exemplo da rainha Vitória do Reino Unido, em uma época em que as noivas se casavam de azul, verde e até de vermelho:
"O branco começou a ser utilizado apenas em 1840, quando a rainha Vitória casou-se com o príncipe Alberto. Nessa época era a cor azul que simbolizava pureza, enquanto o branco era símbolo de riqueza. Como a cor branca não era geralmente escolhida para o vestido de noiva, a rainha Vitória surpreendeu a todos e lançou a tendência – que logo foi copiada por mulheres de todo continente europeu e americano."[18]

O casamento só se concretizou após longas negociações e diversas recusas de princesas estrangeiras à proposta de Napoleão, devido à posição da Casa de Bonaparte, ainda vista com desconfiança por algumas cortes europeias. A decisão final foi alvo de críticas em diversos setores, já que Eugénia era considerada socialmente inferior por alguns.[19][20] A imperatriz enfrentou dificuldades significativas para gerar um herdeiro. Em 1853 sofreu um aborto espontâneo aos três meses, o que a deixou assustada e abalada.[21] Em 16 de março de 1856, após um parto longo e arriscado de dois dias, que colocou em perigo tanto sua vida quanto a do bebê, Eugénia deu à luz seu único filho, Napoleão Eugénio Luís João José Bonaparte, que recebeu o título de Príncipe Imperial.[22][23]
Após o casamento, não demorou para que Napoleão III se envolvesse em diversos relacionamentos extraconjugais. A imperatriz, que considerava o sexo com ele "nojento",[24] provavelmente resistiu a novas investidas do marido mesmo após lhe dar um herdeiro.[15] Em contrapartida, Napoleão manteve uma série de amantes, entre as quais se destacam a soprano belga Bernardine Hamaekers, Virginia Oldoini, condessa de Castiglione, a empregada doméstica Eléonore Vergeot e Marie-Anne Walewska, duquesa Colonna-Walewski – esta última chegou a servir como Primeira-dama de honra da imperatriz Eugénia entre 1868 e 1870, sendo a última pessoa a desempenhar essa função na França.[25]
Imperatriz
[editar | editar código]Eugénia cumpriu fielmente os deveres de uma imperatriz, entretendo convidados e ao acompanhar o imperador a bailes, óperas e peças de teatro. Após o seu casamento, as suas damas de companhia eram compostas por seis (mais tarde doze) damas do palácio, a maioria das quais escolhidas entre as conhecidas da imperatriz antes do casamento, encabeçadas pela Grand-maitresse ("dama de companhia sênior") Anne Debelle, princesa d'Essling, e pela Dame d'honneur ("dama de honra") Pauline de Bassano. Em 1855, Franz Xaver Winterhalter pintou a Imperatriz Eugénia rodeada por suas damas de companhia, onde retratou Eugénia sentada, num cenário campestre, com oito das suas damas de companhia.[26]
A imperatriz era notória por sua beleza. Madame Carette, que mais tarde se tornaria sua leitora, descreve o reflexo vívido de sua sedução:
“Ela era bastante alta, seus traços eram regulares, e a delicada linha de seu perfil tinha a perfeição de uma medalha antiga, com um charme muito pessoal, até mesmo um tanto peculiar, que a tornava incomparável a qualquer outra mulher. Sua testa, alta e reta, estreitava-se em direção às têmporas; suas pálpebras, que ela frequentemente baixava, seguiam a linha das sobrancelhas, velando assim seus olhos, que eram bem próximos um do outro, uma característica distintiva da fisionomia da imperatriz: dois belos olhos de um azul vívido e profundo, rodeados por sombras, cheios de alma, energia e doçura (...) Seus ombros, peito e braços lembravam as mais belas estátuas. Sua cintura era fina e arredondada; suas mãos, esbeltas; seus pés, minúsculos. Nobreza e grande graça em seu porte, uma distinção inata, um andar leve e suave (...)"[27]
Além de sua beleza, Eugénia destacou-se por sua atuação política. Viajou ao Egito por ocasião da inauguração oficial do canal de Suez e representou o marido sempre que ele se ausentava da França. Devido à regência que exerceu durante a Guerra Franco-Prussiana, em 1870, ela é considerada a última mulher a ter governado a França com as prerrogativas de chefe de Estado.[1][2] Em 1860, visitou Argel ao lado de Napoleão.[28] Defendeu de forma enfática a igualdade de direitos para as mulheres e pressionou o Ministério da Educação Nacional a conceder o primeiro diploma de bacharelado a uma mulher. Também tentou, sem sucesso, persuadir a Academia Francesa a eleger a escritora George Sand como sua primeira integrante feminina.[29]

Ela foi uma firme defensora do poder temporal do Papa na Itália e do ultramontanismo. Por essa razão, tentou dissuadir energicamente o marido de reconhecer o novo Reino da Itália, formado em 1861 após a anexação, pelo Reino da Sardenha, do Reino das Duas Sicílias, governado pelos Bourbon, e de quase todo o território papal fora de Roma. Também apoiou a manutenção de uma guarnição francesa em Roma para assegurar a continuidade do domínio papal sobre a cidade. Sua oposição ao processo de unificação italiana rendeu-lhe a inimizade do rei Vítor Emanuel II, que declarou "O imperador está visivelmente enfraquecendo e a imperatriz é nossa inimiga e trabalha com os sacerdotes. Se eu a tivesse em minhas mãos, ensinaria-lhe bem para que servem as mulheres e em que ela não deve se intrometer."[30] Eugénia também entrou em conflito com o ministro das Relações Exteriores da França, Édouard de Thouvenel, a respeito da presença da guarnição francesa em Roma. Para grande desagrado da imperatriz, Thouvenel negociou um acordo para reduzir a presença militar francesa em troca de uma garantia de soberania papal por parte do novo reino italiano. O Jean Gilbert Victor Fialin, duque de Persigny, atribuiu à influência de Eugénia a demissão de Thouvenel pelo imperador e declarou a Napoleão "Você se deixa governar por sua esposa, assim como eu. Mas eu só comprometo o meu futuro... enquanto você sacrifica os seus próprios interesses, os do seu filho e os do país em geral."[31]
Eugénia também foi amplamente responsabilizada pelo fracasso da intervenção francesa no México e pela posterior morte do imperador Maximiliano I. A imperatriz incentivou a intervenção por enxergar nela a possibilidade de estabelecer um poder católico na América do Norte, capaz de conter a influência dos Estados Unidos, majoritariamente protestante, e de favorecer, por uma espécie de 'efeito dominó', o surgimento de outras monarquias conservadoras e católicas governadas por príncipes europeus na América Central e do Sul.[32]
Exílio, velhice e morte
[editar | editar código]
Em 1870, Eugénia figurou entre as defensoras mais incisivas da guerra contra a Prússia, empenhando-se até o final em prol de uma intervenção austríaca em favor da França na Guerra Franco-Prussiana. Apesar de não gozar de ampla popularidade junto ao público francês, que a denominava l'Espagnole ("a espanhola"), logrou consolidar-se socialmente como referência e influenciadora nas questões de moda e estilo.[33]
Quando o Segundo Império foi derrubado após a derrota da França na Guerra Franco-Prussiana, a imperatriz, acompanhada de seu marido e de seu filho, refugiou-se definitivamente na Inglaterra, estabelecendo residência em Camden Place, em Chislehurst, Kent.[34] Seu marido, Napoleão III, morreu em 1873.[35] Seu filho faleceu em 1879 enquanto lutava na Guerra Anglo-Zulu, na África do Sul.[36]
Ela passou o restante da vida em reclusão até sua morte. Dividia seu tempo entre Farnborough, em Hampshire, e a Villa Cyrnos, localizada em Cap Martin, nas proximidades de Mónaco.[37] Ainda assim, frequentava a corte da rainha Vitória, onde era tratada com o respeito cerimonial considerado apropriado a uma imperatriz. O afeto da rainha Vitória pela imperatriz exilada era compartilhado por seus filhos e netos.[38] Uma neta da rainha Vitória, Vitória Eugénia de Battenberg, futura esposa do rei Afonso XIII da Espanha, recebeu o seu nome em homenagem à imperatriz francesa.[39]

Apesar de manter-se completamente alheia à política, com a eclosão da Primeira Guerra Mundial, ela doou seu iate a vapor Thistle à Marinha Real Britânica. Ela financiou um hospital militar em Farnborough Hill, além de fazer grandes doações a hospitais franceses, pelas quais foi nomeada Dama-Grã-Cruz da Ordem do Império Britânico (GBE) em 1919.[40]
A ex-imperatriz faleceu em julho de 1920, aos 94 anos, enquanto visitava seu sobrinho-neto, Jacobo Fitz-James Stuart, duque de Alba, em seu Palácio de Liria, em Madrid. Ela foi sepultada na cripta imperial da Abadia de São Miguel, em Farnborough. Seu marido e seu filho também foram sepultados nesta cripta. O rei Jorge V do Reino Unido compareceu à sua missa de réquiem.[41]
Influência na cultura
[editar | editar código]
A imperatriz foi descrita como "talvez a última personagem real a exercer influência direta e imediata sobre a moda.[42] Em um período em que as indústrias de luxo de Paris estavam em plena expansão, ela contribuiu para estabelecer padrões que marcariam a moda contemporânea.[43] Em 1858, o inglês Charles Frederick Worth inaugurou um ateliê na Rue de la Paix, em Paris, e passou a convidar clientes ilustres — entre elas a imperatriz Eugénia de Montijo — para ver suas criações apresentadas por modelos vivos, uma inovação para a época. Com essa prática, estabeleceram-se as bases tanto dos desfiles de moda quanto da alta-costura. Worth forneceu centenas de vestidos para ela ao longo dos anos e foi nomeado costureiro oficial da corte em 1869.[44][45] Vestidos, cores e penteados "à l’impératrice" difundiram-se amplamente e foram imitados em toda a Europa e na América. O chamado "chapéu Eugénia", que alcançou grande popularidade na década de 1930 e foi difundido pela atriz Greta Garbo, recebeu esse nome em referência direta à imperatriz.[46]
Gilda de Mello e Souza menciona um episódio que ajuda a explicar o surgimento da crinolina. Até então, as saias eram armadas por meio de nove anáguas engomadas utilizadas na corte. Buscando substituir esse sistema pesado, a imperatriz teria visitado, em julho de 1854, uma fábrica de espetos em processo de falência — a empresa Peugeot — levando consigo o desenho de uma estrutura semelhante a uma gaiola, formada por finos aros de arame de aço. Esse dispositivo permitiria sustentar as saias de forma mais leve e ventilada, dando origem à crinolina moderna.[47] A imperatriz também se notabilizou pelo uso de amplas crinolinas e pelo hábito de trocar de vestuário diversas vezes ao longo do dia, utilizando trajes diferentes para a manhã, a tarde, a noite e a madrugada.[48][42]

A influência de Eugénia no gosto contemporâneo estendeu-se às artes decorativas. Ela era uma grande admiradora da rainha Maria Antonieta e decorou seus interiores em releituras dos estilos Luís XV e Luís XVI. Surgiu uma moda geral pelo design francês do século XVIII, que ficou conhecido como "Estilo Luís XVI Impératrice".[49][50] De acordo com Nancy Nichols Barker, sua admiração por Maria Antonieta "era quase uma obsessão. Ela colecionava seus retratos e objetos pessoais, morava em sua suíte em Saint-Cloud, construiu uma pequena maquete do Petit Trianon no parque e frequentemente mantinha conversas lúgubres com Hübner sobre o destino da rainha-mártir."[51]
A imperatriz também possuía uma das mais importantes coleções de joias de sua época. Catherine Granger recorda que suas compras foram estimadas na enorme soma de 3.600.000 francos, valor comparável aos 200.000 francos destinados à compra de obras de arte para sua coleção pessoal. O joalheiro norte-americano Charles Tiffany, que já havia adquirido as joias da Coroa francesa, comprou a maior parte das joias da antiga imperatriz do governo e as vendeu para as damas da alta sociedade norte-americana.[52] A maior parte delas mais tarde pertenceu à socialite brasileira Aimée de Heeren.[53]

Tal como a imperatriz Teresa Cristina do Brasil, conhecida como "Imperatriz arqueóloga", Eugénia também se encantou com os vestígios da Antiguidade, especialmente egípcios. Um episódio frequentemente citado envolve a Exposição Universal de Paris de 1867. Nessa ocasião, uma coleção de antiguidades egípcias foi enviada a Paris por determinação de Sa'id do Egito. Impressionada com o conjunto, a imperatriz Eugénia teria solicitado ao governante egípcio a transferência integral da coleção. O pedido foi encaminhado ao egiptólogo francês Auguste Mariette, então responsável pela administração e preservação das antiguidades egípcias. Mariette, empenhado em impedir a dispersão do patrimônio arqueológico do país, evitou atender à solicitação, preservando a integridade da coleção sob controle institucional no Egito.[54]
A imperatriz também era interessada em novidades tecnológicas e quis conhecer pessoalmente o dirigível de Alberto Santos Dumont, embora vivesse reclusa em sua velhice:
"[...] Ela vivia num retiro absoluto, completamente afastada da sociedade, sobretudo depois do desaparecimento de seu filho, o príncipe Eugénio Luís, herdeiro do trono, que em 1879 foi morto na África do Sul, durante a guerra dos ingleses contra os zulus. Ninguém conseguia vê-la, Eugénia evitava jornalistas e fotógrafos, […] portanto foi com desvanecimento que Alberto recebeu, no dia 23 de janeiro a visita desta grande dama […] Eugénia, trajada de preto, chegou ao hangar numa carruagem fechada […] achava-se com quase oitenta anos, mas o rosto exibia os vestígios da impressionante beleza que fascinara o filho de Hortênsia de Beauharnais."[55]
Curiosidade
[editar | editar código]- O asteróide 45 Eugenia, descoberto por Hermann Mayer Salomon Goldschmidt, foi nomeado a partir de Eugénia[56] e, seu satélite, descoberto em 1998, foi chamado Le Petit-Prince ("o pequeno príncipe") em homenagem ao seu filho.[57]
Honras e brasões
[editar | editar código]Honras
Império Austríaco: Dama da Ordem da Cruz Estrelada[58]
Segundo Império Mexicano: Dama Grã-Cruz da Ordem de San Carlos[59]
Reino Unido: Dama Grã-Cruz da Ordem do Império Britânico[60]
Espanha: Dama da Ordem das Damas Nobres da Rainha Maria Luísa[61]
Reino de Portugal: Dama da Ordem da Rainha Santa Isabel[62]
Brasões
- Brasão de Eugénia como Imperatriz dos Franceses
- Brasão de Eugénia como Imperatriz dos Franceses (com insígnia da Ordem das Damas Nobres da Rainha Maria Luísa)
- Monograma imperial de Eugénia
Notas
- ↑
- Eugênia em português brasileiro
* Eugénie em francês
- Eugênia em português brasileiro
Referências
- 1 2 «Chatou : un café causerie sur l'impératrice Eugénie». leparisien.fr. 17 de outubro de 2016
- 1 2 Badinguet 2017, p. 44
- ↑ Chauvel 1998, p. 17
- ↑ Vizetelly 1908, pp. 62-63
- ↑ Commire 2002, p. 307
- ↑ Jones 1992, p. 138
- ↑ Seward 2004, p. 7
- ↑ Seward 2004, pp. 11-12
- ↑ Seward 2004, pp. 17-18
- ↑ Seward 2004, pp. 20-22
- ↑ Seward 2004, pp. 17-18
- ↑ Valera, Juan (1958). Obras completas Vol. 3, 4.ª ed. (em castelhano). Madrid, p. 11b
- ↑ Seward 2004, pp. 20-26
- ↑ Kurtz 1964, p. 29
- 1 2 Bierman, M.F.E.M (1988). Napoleon III and His Carnival Empire (em inglês). [S.l.]: St Martin's Press (New York). ISBN 0-312-01827-4
- ↑ Kurtz 1964, p. 50
- ↑ Kurtz 1964, pp. 55-59
- ↑ «História do Vestido de Noiva»
- ↑ Duff 1978, pp. 83-84
- ↑ Kurtz 1964, pp. 45-52
- ↑ Duff 1978, pp. 104-105
- ↑ Duff 1978, pp. 126-129
- ↑ Kurtz 1964, pp. 90-94
- ↑ Kelen, Betty (1966). Mistresses: Domestic Scandals of 19th Century Monarchs (em inglês). New York: Random Hours. LCCN 65021242. OCLC 619857
- ↑ McQueen, Alison (2011). Empress Eugénie and the Arts (em inglês)
- ↑ «Fashion and Politics in Franz Xaver Winterhalter's Portrait of The Empress Eugénie surrounded by her Ladies-in-Waiting – Smarthistory». smarthistory.org. Consultado em 2 de fevereiro de 2023
- ↑ Noble y Real; "La Emperatriz Eugenia"
- ↑ «Interior of Governors Palace, Algiers, Algeria». World Digital Library. 1899. Consultado em 25 de setembro de 2013
- ↑ Séguin, Philippe (1990). Louis Napoléon Le Grand (em francês). [S.l.]: Bernard Grasset. pp. 204–210. ISBN 978-2253061519. OCLC 1036680743. OL 1599191M
- ↑ Dolan 1994, p. 24
- ↑ Dolan 1994, pp. 24-25
- ↑ Histoire-Recherche: "Le réve mexicain de Napoléon III vire au cauchemar"
- ↑ Aubry, Octave (1931). L'imperatrice Eugénie (em francês). Paris: Fayard
- ↑ «Camden Place». chislehurst.co.uk. Cópia arquivada em 8 de fevereiro de 2016
- ↑ Girard 1986, p. 500
- ↑ Kurtz 1964, pp. 401, 411
- ↑ Seward 2004, p. 270
- ↑ Kurtz 1964, p. 448
- ↑ Dardé Morales, Carlos. «Victoria Eugenia de Battenberg». Historia Hispánica (em espanhol). Real Academia de la Historia. Consultado em 29 de dezembro de 2025
- ↑ Seward 2004, pp. 293-294
- ↑ Guillot, Kévin. «L'impératrice Eugénie et la famille royale britannique». Monarchie Britannique! (em francês). Consultado em 27 de julho de 2022
- 1 2 Laver, James (1995). Costume & Fashion. [S.l.]: Thames & Hudson. p. 185
- ↑ Fury, Alexander (18 de setembro de 2013). «Impress of an empress: The influence of Eugénie on luxury style is still felt today». The Independent. Consultado em 14 de janeiro de 2021
- ↑ Krick, Jess (2000). «Charles Frederick Worth (1825–1895) and the House of Worth». Metropolitan Museum of Art. Consultado em 15 de janeiro de 2021
- ↑ English, Bonnie (2013). A Cultural History of Fashion in the 20th and 21st Centuries: From Catwalk to Sidewalk (em inglês). [S.l.]: Bloomsbury. p. 8
- ↑ Shields, Jody (1991). Hats: A Stylish History and Collector's Guide (em inglês). New York: Clarkson Potter. p. 43. ISBN 978-0-517-57439-3
- ↑ Souza, Gilda de Mello e (1987). O Espírito das roupas: a moda do século XIX. São Paulo: Cia das Letras
- ↑ Kirkland, Stephane (2013). Paris Reborn: Napoléon III, Baron Haussmann, and the Quest to Build a Modern City (em inglês). [S.l.]: St. Martin's Press. pp. 58–59
- ↑ Deschamps, Madeleine (1989). L'Art de Vivre: Decorative Arts and Design in France 1789-1989 (em inglês). [S.l.]: The Vendome Press. p. 116
- ↑ «Cabinet ca. 1866, Alexander Roux, France». metmuseum.org. 1866. Consultado em 21 de janeiro de 2021
- ↑ Barker 2011, p. 12
- ↑ «Empress Eugenie's Bow Brooch | The Court Jeweller». Consultado em 27 de julho de 2025. Cópia arquivada em 12 de outubro de 2018
- ↑ Aimee de Heeren wearing the Marguerite Necklace Arquivado em 2015-01-10 no Wayback Machine
- ↑ Monteiro, Fernando. «O primeiro monoteísmo da História». Rascunho - O Jornal de Literatura do Brasil. Consultado em 21 de outubro de 2024. Arquivado do original em 6 de outubro de 2009
- ↑ Fernando Jorge. «As lutas, a glória e o martírio de Santos Dumont»
- ↑ Schmadel, Lutz D.; International Astronomical Union (2003). Dictionary of minor planet names (em inglês). Berlim, Nova Iorque: Springer-Verlag. p. 19. ISBN 978-3-540-00238-3
- ↑ «Solar System Exploration: Asteroids – Moons». National Aeronautics and Space Administration. 2011. Consultado em 18 de setembro de 2011
- ↑ «Sternkreuz-orden». Hof- und Staatshandbuch der Österreichisch-Ungarischen Monarchie. Viena: Druck und Verlag der K.K. Hof- und Staatsdruckerei. 1918. p. 332
- ↑ «Soberanas y princesas condecoradas con la Gran Cruz de San Carlos el 10 de Abril de 1865» (PDF). Diario del Imperio (em espanhol). National Digital Newspaper Library of Mexico. p. 347. Consultado em 14 de novembro de 2020
- ↑ Seward 2004, pp. 293-294.
- ↑ «Real orden de Damas Nobles de la Reina Maria Luisa». Guía Oficial de España (em espanhol). 1887. p. 167. Consultado em 21 de março de 2019
- ↑ «Condecorações de Napoleão III». Academia Falerística de Portugal. 3 de fevereiro de 2011. Consultado em 28 de novembro de 2019. Cópia arquivada em 13 de outubro de 2014
Bibliografia
[editar | editar código]- Badinguet, Louis (2017). L'Impérial Socialiste (em francês). [S.l.]: Massot Éditions. ISBN 979-10-97160-01-2
- Barker, Nancy Nichols (2011). Distaff Diplomacy: The Empress Eugenie and the Foreign Policy of the Second Empire (em inglês). [S.l.]: University of Texas
- Commire, Anne (2002). Women in World History: A Biographical Encyclopedia (em inglês). 5. Waterford, Connecticut: Yorkin Publications. ISBN 0-7876-4074-3
- Dolan, Therese (1994). «The Empress's New Clothes: Fashion and Politics in Second Empire France». Woman's Art Journal (em inglês). 15 (1)
- Duff, David (1978). Eugenie and Napoleon III (em inglês). New York: William Morrow. ISBN 0688033385
- Geneviève, Chauvel (1998). Inoubliable Eugénie (em francês). [S.l.]: Pygmalion
- Girard, Louis (1986). Napoléon III (em francês). Paris: Fayard. ISBN 978-2-0127-9098-8
- Jones, Donald (1992). A History of Clifton (em inglês). Chichester: Phillimore. ISBN 0-85033-820-4
- Kurtz, Harold (1964). The Empress Eugénie: 1826–1920 (em inglês). Boston: Houghton Mifflin. LCCN 64006541
- Seward, Desmond (2004). Eugénie: The Empress and her Empire (em inglês). Stroud: Sutton. ISBN 0-7509-29790
- Vizetelly, Ernest Alfred (1908). Court Life of the Second French Empire, 1852-1870: Its Organization, Chief Personages, Splendour, Frivolity, and Downfall (em inglês). [S.l.]: C. Scribner's sons
Ligações externas
[editar | editar código]- Site consagrado ao Segundo Império, em francês
- Músicas de Salão dos tempos da Imperatriz Eugênia, em francês
- Charles Emile Waldteufel, compositor da corte e pianista particular da Imperatriz Eugênia, em francês
| Eugénia de Montijo 5 de maio de 1826 – 11 de julho de 1920 | ||
|---|---|---|
| Precedida por Maria Amélia das Duas Sicílias |
Imperatriz Consorte dos Franceses 30 de janeiro de 1853 – 4 de setembro de 1870 |
Monarquia abolida |





