Reino da Ânglia Oriental

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O Reino da Ânglia Oriental, destaque para as regiões de Norfolk e Suffolk.

Ânglia Oriental (East Anglia em inglês) era um reino estabelecido pelos anglos na região hoje pertencente aos condados de Norfolk e Suffolk, na Inglaterra. Integrava o que a tradição denomina de Heptarquia anglo-saxã, a qual era constituída de sete reinos principais. [1] Surgiu a partir da união do North Folk com o South Folk ("povo do norte" e "povo do sul", em inglês). O reino foi um dos quatro únicos que existiram até a chegada do Grande Exército Pagão. Segundo Beda, a evangelização dos anglos orientais foi levada a cabo por monges escoceses vindos do norte.

Diferentemente de Mércia e Nortúmbria, existem poucas fontes sobre a origem exata do reino. A ausência de documentação se deve aos saques e assentamentos vikings na costa leste da Grã Bretanha, ocasionando o desaparecimento dos arquivos guardados pelas dioceses do reino, sendo Dommoc a principal delas.[2]

Por outro lado, a tradição contida na Crônica Anglo-Saxã relata sua fundação sob o reinado de Wuffa (?-578), primeiro rei da dinastia dos Wuffingas, cujo soberano mais conhecido é Redvaldo (599-624 ou 625).

Os reis da Ânglia Oriental estiveram em diversos conflitos com o reino de Mércia. Segundo Beda, eles ou eram patronos da Igreja ou vítimas da agressão de Mércia. As causas do conflito envolviam a disputa pela influência na região de East Midland, cuja localização ficava entre os dois reinos.[3]

Heptarquia anglo-saxônica, a área destacada corresponde ao reino da Ânglia Oriental

Por um período curto em torno do ano 616, após uma vitória militar contra o Reino da Nortúmbria, a Ânglia Oriental foi o mais poderoso dos Estados anglo-saxões da Grã-Bretanha; seu rei, Redvaldo, tornou-se Bretvalda (suserano da Heptarquia). Nos quarenta anos seguintes, o reino foi derrotado três vezes por Mércia e continuou a declinar. Em 794, o Rei Offa da Mércia ordenou a execução do Rei Etelberto (Aethelbert em inglês) e assumiu o controle da Ânglia Oriental. A restauração da independência ocorreu sob o reinado de Athelstan,[4] mediante uma revolta bem-sucedida contra a Mércia (825-827), na qual dois reis mércios foram mortos tentando reprimi-la.

Os reis da anglos-orientais aparecem nos escritos, segundo Yorke, como valentes guerreiros capazes de proporcionar uma efetiva resistência contra os planos de expansão de Mércia. A capacidade do reino de recuperar de um período de submissão e sobreviver até o fim do século IX  sugere a existência de um efetivo controle e administração dos recursos reais. [4]

Inglaterra durante a conquista viking denominada Danelaw.

Entretanto, em 866, o grande exército pagão saqueou a região. Em 869, os vikings capturaram em batalha o rei Edmundo e tomaram o reino. Edmundo teve uma morte cruel por resistir a invasão e foi lembrado como mártir pela tradição inglesa durante dois séculos.[5] Os dinamarqueses mantiveram o Estado como vassalo até 879, quando passaram a governar a área diretamente, sendo rei o dinamarquês Guthrum, o velho (879-890). Os saxões retomaram a área em 920 e a perderam em 1015-1017, quando foi conquistada por Canuto, o Grande, e concedida a Thorkel, o Alto, em 1017, em caráter de feudo.

O reino manteve uma economia comercial e pesqueira, com importantes relações com os povos escandinavos e francos. Há algumas semelhanças com o reino de Kent, pois ambos possuíam poderosas famílias reais no século VII e, no entanto, se expandiram modestamente ao decorrer os anos. Presume-se que a vasta região litorânea e o fácil contato com o continente tenha tornado a expansão para oeste menos necessária.[6]

Brasão de Armas do Reino da Ânglia Oriental

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências[editar | editar código-fonte]

  1. LOBATO, Maria de Nazareth Corrêa Accioli. . "Realeza, cristianização e sacralização de espaços bélicos na Northúmbria (séc. VII)". Revista Brathair. Visitado em 11/07/2016.
  2. YORKE, Barbara (1990). Kings And Kingdoms Of Early Anglo-Saxon England B.A.Seaby Ltd [S.l.] p. 58. 
  3. YORKE, Barbara (1990). Kings And Kingdoms Of Early Anglo-Saxon England B.A.Seaby Ltd [S.l.] p. 62. 
  4. a b YORKE, Barbara (1990). Kings And Kingdoms Of Early Anglo-Saxon England B.A.Seaby Ltd [S.l.] p. 64. 
  5. OLIVEIRA, João Bittencourt de. . "Topônimos Escandinavos Nas Ilhas Britânicas". Revista Brathair. Visitado em 11/07/2016.
  6. YORKE, Barbara (1990). Kings And Kingdoms Of Early Anglo-Saxon England B.A.Seaby Ltd [S.l.] p. 71.