Canteiros (Carbonária)

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Canteiros foi o nome dado um grupo base não superior a cinco carbonários, constituía o núcleo base operacional e revolucionário mais importante da organização secreta de carácter político-religioso Carbonária Portuguesa.

História[editar | editar código-fonte]

O termo apareceu sempre ligado à Maçonaria Florestal[1] sendo sinónimo de lugar de reunião esse nome enquadra-se nos primórdios da fundação da Carbonária,[2] organização que enquanto associação secreta, exerceu a sua principal actividade desde o fim do sec XVIII a meados do século XIX, os primeiros carbonários nas suas comunicações, usavam expressões próprias dos ofícios porque eram denominados os seus membros em Itália (carbonari - carvoeiros) e, em França (fendeurs - lenhadores).

Na Carbonária Portuguesa[editar | editar código-fonte]

Sabe-se que desde o inicio foi necessário utilizar esta figura e denominação organizacional[3] e que eram os núcleos de base operacional mais importante desta organização, eram normalmente compostos por cinco Bons Primos, os Rachadores que se conheciam a todos, não conhecendo os membros da Carbonária Portuguesa mais do que estes cinco homens como membros da organização (pois nos outros órgãos apresentavam-se sempre todos de capuz tendencialmente negro ou com a cara mascarrada de carvão), o que tornava assim difícil a descoberta dos chefes, os quais todavia conheciam os seus homens.

Estes canteiros embora tendo ampla autonomia operacional funcionavam sob a égide de uma Choça, organização essa que agregava, coordenava e governava pelo menos quatro destes, estando assim estas organizações, e os seus membros submetidos organicamente e ritualmente. Não podendo efectuar iniciações e recepções a novos membros não era assim tão improvável que não o fizessem pelo menos para o primeiro grau de Rachador.

Segundo Luz de Almeida:[3] Compõem-se a associação de Canteiros, Choças, Barracas, Vendas e Alta-Venda(…).

Sabe-se que foi um Canteiro formado por elementos radicais pertencentes a outra organização ligada à Carbonária Portuguesa, denominada A Coruja,[4] e que tinha como elementos Alfredo Luís da Costa, Manuel dos Reis da Silva Buíça e Aquilino Ribeiro de entre outros e que se reunia no Café Gelo no Rossio que partiu a acção que resultou no Regicídio de 1 de Fevereiro de 1908 e de que resultou a morte de Carlos I e do seu filho Luís Filipe.

Referências

  1. Maçonaria Florestal Carbonária por Stella Carbono M.'.C.'.
  2. Também conhecida pelo nome de Maçonaria Florestal, sendo os dois nomes sinónimos.
  3. a b Entrevista a Luz de Almeida, Jornal República de 29 de Setembro de 1911
  4. A Maçonaria condenou o Regicidio de 1908 - Entrevista a António Reis ao Correio da Manhã em 27 de Janeiro de 2008

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • MONTALVOR, Luís de (direcção),História do Regime Republicano em Portugal, Capítulo: A obra revolucionária da propaganda: as sociedades secretas (pp. 202–56, Vol II), Lisboa, 1932
  • Entrevista a Luz de Almeida, Jornal República de 29 de Setembro de 1911
  • VENTURA, António, A Carbonária em Portugal 1897-1910, Livros Horizonte, 2008 (2.ª Ed.), ISBN 978-972-24-1587-3
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