Capitalismo de vigilância

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Capitalismo de vigilância é um termo usado e popularizado pela acadêmica Shoshana Zuboff que denota um novo gênero de capitalismo que monetiza dados adquiridos por vigilância.[1][2].[3] De acordo com ela surgiu devido ao “acoplamento de vastos poderes digitais e a radical indiferença e narcisismo intrínseco do capitalismo financeiro e sua visão neoliberal que dominou o comércio pelas ultimas tres decadas, especialmente em economias” e a dependência da arquitetura global de mediação computadorizada que produz e a distribui na amplamente incontestada nova expressão de poder que ela chama de ‘Big Other’.[4]

Ela afirma que foi descoberto e consolidado pela Google, sendo o capitalismo de vigilância o que a Ford e General Motors foram para a produção em massa e capitalismo gerencial um século atrás, e depois foi adotado pelo Facebook e outros e usando mecanismos ilegítimos de extração e mercantilização e controle de comportamento para produzir novos mercados de predição de comportamento e modificação.[4]

Zuboff afirma que “o mundo online, que era gentil com o nosso mundo é agora onde o capitalismo está desenvolvendo novos meios”[5] pelo extração de dados em vez da produção de novos bens, portanto gerando intensas concentrações de poder pela extração e ameaçador núcleo de valores como a liberdade.[6] e privacidade.

Antecedentes[editar | editar código-fonte]

Pressão econômica do capitalismo estavam dirigindo a intensificação da conexão e monitoramento online com espaços que a vida social ficando mais passível de saturação por atores corporativos, direcionado a obtenção de lucro e/ou a regulamentação da ação.[6] Turow [6][6][7] diz que “centralidade do poder corporativo é uma realidade direta do coração da era digital”. O capitalismo ficou focado em explicar a proporção da vida social que se expõem a coleta e processamento de dados.[6] Pode haver implicações significantes para a vulnerabilidade e controle da sociedade como da privacidade. Contudo, o aumento do coleta de dados de dados pode haver algumas vantagens para o indivíduo e sociedade como a auto-otimização (Quantified Self), [6] otimizações sociais (como pela cidades inteligentes) e serviços novos ou otimizados (como vários aplicativos da Google). Ainda, coletando e processando dados no contexto do núcleo capitalista motivado pela produção do lucro pode apresentar um perigo inerente.

Zuboff contrasta com a produção em massa do capitalismo industrial com o capitalismo de vigilância com a antiga forma de se tornar independente com a população que foi consumida e seu empregados e a última presa das populações dependentes que nem são consumidores nem empregados são amplamente ignorantes sobre seus processos.

Ela nota que o capitalismo de vigilância atingiu além do terreno convencional das empresas privadas e o acúmulo não somente a vigilância ativa e capital, mas também direitos e operação sem mecanismos significantes de permissão. Vigilância é a estrutura de modificação poderosa na economia da informação.[8] Isso pode apresentar um poder futuro poder de mudança além da estado-nação que se torna uma corporatocracia. Oliver Stone, criador do filme Snowden apontou que o jogo baseado em localização Pokémon Go é ‘o último sinal de imersão do capitalismo de vigilância’.[8]

Em 2014 Vincent Mosco fez referência para o marketing da informação sobre os clientes e inscritos para advertir o capitalismo de vigilância e toma nota do do estado de vigilância que o acompanha. Christian Fuchs encontra que o estado de vigilância funde com o capitalismo de vigilância.[9] Similarmente Zuboff informa que o problema é bem mais complicado pelo altamente invisível arranjos colaborativos que o mecanismo do estado segurança.[10] De acordo com a companhia Trebor Scholz que recrutam pessoas como informantes para esse tipo de capitalismo.[11]

Principais características[editar | editar código-fonte]

Zuboff identifica quatro características principais na lógica de capitalismo de vigilância e especifica seguindo as quatro características identificadas pelo chefe de economia do Google, Hal Varian:[12]

  1. A direção através de mais e mais extração de dados e analise.
  2. O desenvolvimento de novas formas contratuais usando monitoramento computacional e automação
  3. O desejo de personalizar e customizar os serviços oferecidos para os usuários de plataformas digitais
  4. O uso de infraestrutura tecnológica para executar experimentos futuros em seus usuários e consumidores.

Contra medidas e soluções[editar | editar código-fonte]

Um grande número de organizações tem lutado pelo discurso livre e direitos de privacidade no novo capitalismo de vigilância [13] e vários governos nacionais têm promulgado leis. E também é concebível que novas capacidades do usos para vigilância em massa que requer mudanças estruturais para prever mal uso por esse novo sistema.

Zuboff compara exigindo privacidade dos capitalistas de segurança ou pressionando para um fim do comércio de vigilância na internet pedindo Henry Ford fazer um modelo T a mão e afirmando que tais demandas são ameaças essenciais que violam os mecanismos básicos de sobrevivência individual.

Zuboff alerta que os princípios de autodeterminação podem ser confiscados devido a “ignorância, desamparado, desatenção, inconveniência, hábito, ou deriva” e afirma que “nós tendemos a contar com modelos mentais, vocabulários e ferramentas destiladas de catástrofes passadas”, referindo ao pesadelo do totalitarismo do século XX ou as predações monopolizadas da Era dourada do capitalismo com contra medidas que têm sido desenvolvidas para ir de encontro com aqueles que ameaçam não serem suficientes ou até apropriadas para as novas mudanças.

Ela também coloca a questão: “Será que seremos mestres da informação ou seremos escravos?” e também afirma “se o futuro digital é a nossa casa, então seremos nós que devemos doma-lo”.[14]

Referências[editar | editar código-fonte]

  1. Powles, Julia (2 de maio de 2016). «Google and Microsoft have made a pact to protect surveillance capitalism». The Guardian. Consultado em 9 de fevereiro de 2017 
  2. name=faz1>Zuboff, Shoshana (5 de março de 2016). «Google as a Fortune Teller: The Secrets of Surveillance Capitalism». Frankfurter Allgemeine Zeitung. Consultado em 9 de fevereiro de 2017 
  3. Sterling, Bruce. «Shoshanna Zuboff condemning Google "surveillance capitalism"». WIRED. Consultado em 9 de fevereiro de 2017 
  4. a b Zuboff, Shoshana (9 de abril de 2015). «Big other: surveillance capitalism and the prospects of an information civilization». Social Science Research Network. Journal of Information Technology. 30 (1): 75–89. SSRN 2594754Acessível livremente. doi:10.1057/jit.2015.5 
  5. «Shoshana Zuboff: Dark Google and Surveillance Capitalism». David Charles. 21 de janeiro de 2015. Consultado em 9 de fevereiro de 2017 
  6. a b c d e Couldry, Nick. «The price of connection: 'surveillance capitalism'» (em inglês). The Conversation. Consultado em 9 de fevereiro de 2017 
  7. Turow, Joseph. The Daily You: How the New Advertising Industry Is Defining Your Identity and Your Worth (em inglês). [S.l.]: Yale University Press. ISBN 0300165013. Consultado em 9 de fevereiro de 2017 
  8. Galič, Maša; Timan, Tjerk; Koops, Bert-Jaap (13 de maio de 2016). «Bentham, Deleuze and Beyond: An Overview of Surveillance Theories from the Panopticon to Participation». Philosophy & Technology. doi:10.1007/s13347-016-0219-1 
  9. Mosco, Vincent. To the Cloud: Big Data in a Turbulent World (em inglês). [S.l.]: Routledge. ISBN 9781317250388. Consultado em 9 de fevereiro de 2017 
  10. Fuchs, Christian. Social Media: A Critical Introduction (em inglês). [S.l.]: SAGE. ISBN 9781473987494. Consultado em 9 de fevereiro de 2017 
  11. Scholz, Trebor. Uberworked and Underpaid: How Workers Are Disrupting the Digital Economy (em inglês). [S.l.]: John Wiley & Sons. ISBN 9781509508181. Consultado em 9 de fevereiro de 2017 
  12. Danaher, John (21 de março de 2016). «The Logic of Surveillance Capitalism». Algocracy and the Transhumanist Project. Consultado em 9 de fevereiro de 2017 
  13. Foster, John Bellamy; McChesney, Robert W. (1 de julho de 2014). «Surveillance Capitalism by John Bellamy Foster». Monthly Review. Consultado em 9 de fevereiro de 2017 
  14. Zuboff, Shoshana (15 de setembro de 2014). «Shoshana Zuboff: A Digital Declaration». Frankfurter Allgemeine Zeitung. Consultado em 9 de fevereiro de 2017