Cavalo Nóia

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Cavalo Nóia é uma festa realizada desde 1999 no bairro Vila Missionária da cidade brasileira de São Paulo[1].

A Festa retrata a história de três cavalos que pastavam no gramado do colégio, um certo dia ao atravessar a rua, eles foram atropelados, dois deles foram sacrificados, um terceiro ficou aleijado e passou a ser cuidado no colégio pelos alunos e professores, morrendo alguns anos depois. Desde então, sempre nos finais dos anos letivos, os aluno, professores e moradores faziam carreatas pelo bairro, com festas e músicas.

Em 2009, a festa recebeu a incorporação de um projeto premiado pelo órgão governamental e educacional brasileiro, o MEC, a partir de histórias do bairro e absorção de elementos da cultura popular de outras regiões do país[2].

A festa é, portanto, uma expressão popular híbrida e multicultural. Os seus resultados mostram a promoção de uma troca simbólica com a comunidade[3].

O projeto educacional[editar | editar código-fonte]

O projeto realizado paralelamente à festa foi desenvolvido na Escola Estadual Professor Doutor Lauro Pereira Travassos, inserida em um ambiente de violência e medo, e foi adaptado a partir de elementos locais e experiências culturais de outras regiões brasileiras[2].

O aglomerado cultural formado por linguagens e festividades como o boi-bumbá, reisado, carnaval de rua, folguedos, São João, sambas de roda, capoeira e jongos fazem parte de sua essência[2].

Em 2008, o projeto, coordenado pelo professor e mestre em Artes Visuais Jacson Silva Matos, já levado à festa teve a adesão de 3.500 pessoas, e continuou a envolver os moradores do bairro, mas dessa vez a comunidade escolar. Os resultados resultaram em um convite e adesão à 28ª Bienal de Arte de São Paulo[2][4].

Em 2009, recebeu o 'X Prêmio Arte na Escola Cidadã' na categoria Educação de Jovens e Adultos, concedido pelo Instituto Arte na Escola e Sesi pela excelência pedagógica. Foi avaliado como "um sonho de todo professor de Arte", essencialmente por sair da escola e integrar-se com a comunidade. O órgão avaliou que o projeto valoriza a cultura e transforma pessoas e relações[2].

Em junho de 2009, participou da abertura do 23º Congresso da International Society for the Performing Arts, realizado pela primeira vez no Brasil.

Fases pedagógicas[editar | editar código-fonte]

O projeto é realizado em quatro fases distribuídas durante o ano. Inicialmente, pesquisa-se sobre cultura popular, em integração das disciplinas de História e Geografia, e são realizadas rodas de bate-papo, exibição de vídeos e leitura de livros para envolver os alunos[2].

Na segunda etapa, começa a confecção artesanal das alegorias a partir tecidos, tintas, papéis e materiais recicláveis, cujo desenvolvimento é feito em sala de aula ou, em extensão do projeto, na casa dos alunos[2].

A terceira fase, acontecem os ensaios das danças, novas coreografias e cantigas. Em novembro, o Cavalo Nóia desfila pelas ruas da Vila Missionária[2].

Elaboram-se cordéis, letras de músicas e poesias em conjunto com as aulas de Português[2].

Referências

  1. R7. (3 de novembro de 2009). Manifestações artísticas ocupam Metrô de São Paulo, acesso em 7 de maio de 2010
  2. a b c d e f g h i Portal do Professor/MEC. (outubro de 2009). Prêmio Arte na Escola chega à 10ª edição, acesso em 7 de maio de 2010
  3. Banco Cultural. (3 de novembro de 2009). SP - Programação Laboratório Performático, acesso em 7 de maio de 2010
  4. Martí, Silas. (6 de dezembro de 2008). Festa psicodélica fecha a Bienal. Jornal Folha de S.Paulo