Depressão pós-esquizofrénica

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Depressão pós-esquizofrénica
Especialidade Psiquiatria
Classificação e recursos externos
CID-10 F32.89
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A depressão pós-esquizofrénica é um "episódio depressivo que surge na sequência de uma doença esquizofrénica em que alguns sintomas esquizofrénicos de baixo nível ainda podem estar presentes.[1] Alguém que sofre de depressão pós-esquizofrénica vivencia ambos os sintomas da depressão e, por vezes, sintomas leves de esquizofrenia. Infelizmente, a depressão é um sintoma comum encontrado em pacientes com esquizofrenia que pode não ser notado pelos outros à volta do paciente durante vários anos. No entanto, muito pouca pesquisa foi feita sobre o assunto, o que significa que há poucas respostas sobre como esta deve ser sistematicamente diagnosticada ou tratada, e qual o curso que a doença poderá tomar.[2] Alguns cientistas negariam totalmente a existência de depressão pós-esquizofrénica, insistindo que é uma fase da esquizofrenia como um todo. Mais tarde, a depressão pós-esquizofrénica tornou-se oficialmente reconhecida como uma síndrome e é considerada um subtipo de esquizofrenia.

Sintomas[editar | editar código-fonte]

Como a natureza da esquizofrenia aguda é semelhante à da depressão, é difícil diferenciar os níveis normais de depressão em pacientes com esquizofrenia dos níveis depressivos na depressão pós-esquizofrénica. "O humor subjetivamente baixo proeminente, sugerindo depressão, e embotamento proeminente do afeto, sugerindo sintomas negativos, são as duas características mais úteis na diferenciação [esquizofrenia e depressão]."[1] Vários pesquisadores acreditam que a depressão é na verdade um sintoma da esquizofrenia que foi ocultado pela psicose.[3] No entanto, os sintomas geralmente surgem após os primeiros episódios psicóticos, se surgirem.[4] Oficialmente, o diagnóstico de depressão pós-esquizofrénia num paciente requer que o paciente esteja a experienciar um episódio depressivo de curto ou longo prazo após a superação da esquizofrenia. O paciente ainda deve demonstrar alguns sintomas esquizofrénicos, mas esses sintomas não devem mais ser o foco da doença. Normalmente, os sintomas depressivos não são graves o suficiente para serem classificados como um episódio depressivo grave.[5] Formalmente, o diagnóstico implica que o paciente tenha tido esquizofrenia no último ano, uma série de sintomas esquizofrénicos e depressão presente por duas semanas ou mais. Os sinais de esquizofrenia leves podem ser retraimento social, agitação ou hostilidade, e sono irregular, como no caso de insónia e hipersonia.

Causas[editar | editar código-fonte]

Não há uma causa clara para que certos pacientes com esquizofrenia desenvolvam depressão pós-esquizofrénica enquanto que outros não. No entanto, existem algumas teorias sobre as possíveis causas. Aqueles que sofrem de depressão pós-esquizofrénica frequentemente sofrem de isolamento social devido à sua doença, o que pode aumentar os níveis de depressão.[6] Há fortes evidências de isolamento relacionado ao estigma contra pessoas que sofrem de doenças mentais numa variedade de sociedades, especialmente aquelas com esquizofrenia, visto que muitas vezes são vistas como perigosas e imprevisíveis. Por causa desse isolamento e dos estudos que relacionam o isolamento social e a depressão, é possível que os pacientes estigmatizados eventualmente desenvolvam depressão pós-esquizofrénica.[7] A depressão em pacientes com esquizofrenia também pode ser causada pelo abuso de substâncias, o que é bastante comum entre aqueles que sofrem de esquizofrenia, pois os depressores como o álcool e a cannabis podem relaxar o paciente.[8] Além disso, com as poucas informações atualmente conhecidas sobre a depressão pós-esquizofrénica, a origem da doença pode ser causada pela não administração de medicamentos antipsicóticos para o tratamento da esquizofrenia.[9] Depois de serem retirados da medicação antipsicótica, a medicação antidepressiva dos pacientes esquizofrénicos teve que ser aumentada, enquanto que aqueles sob medicação antipsicótica relataram ter sofrido menos sintomas depressivos, dando motivos para acreditar que a falta de medicação antipsicótica nos estágios iniciais da esquizofrenia pode levar a depressão pós-esquizofrénica.[10] No entanto, alguns profissionais da psicologia ainda pressionam pela redução das drogas neurolépticas, pois há uma crença popular de que a depressão pós-esquizofrénica seja causada por este tipo de medicação.[3] Acredita-se que os terapeutas também causem depressão em pessoas com esquizofrenia, por terem administrado psicoterapia demais depois dee o paciente já ter superado os seus sintomas esquizofrénicos. A esquizofrenia em si não deve ser negligenciada como um fator-chave na causa da depressão pós-esquizofrénica. Um estudo feito por um período de dois anos acompanhando pacientes com esquizofrenia e monitorando a sua depressão não foi capaz de localizar possíveis gatilhos, como os listados anteriormente, então é possível que a própria natureza da esquizofrenia seja a principal causa da depressão pós-esquizofrénica.[11]

Suicídio[editar | editar código-fonte]

Aqueles que sofrem de depressão pós-esquizofrénica também estão commumente em risco de adotarem comportamentos suicidas.[1] Há uma correlação entre suicídio e depressão pós-esquizofrénica, de acordo com a pesquisa de Mulholland e Cooper em "The Symptoms of Depression in Schizophrenia and its Management". Além disso, a depressão e a esquizofrenia foram estudadas individualmente para tentar determinar se há uma correlação, e pesquisas indicaram que existe uma tendência muito forte para pessoas com depressão ou esquizofrenia tentarem suicídio.[12] Estatisticamente, de todos os pacientes que sofrem de esquizofrenia, "10% ... suicidam-se. Pacientes deprimidos com esquizofrenia apresentam risco particularmente alto de suicídio nos primeiros meses após o diagnóstico e após a alta hospitalar."[13] Os fatores de risco que aumentam a chance de suicídio são, do maior para o menor, episódios depressivas anteriores, tentativas anteriores de suicídio, abuso de drogas, entre outros.[14] Surpreendentemente, o risco de suicídio na verdade diminuiu com a presença de alucinações. A Classificação de Transtornos Mentais e Comportamentais CID-10 reconhece oficialmente o suicídio como um aspecto proeminente da depressão pós-esquizofrénica. Por causa desse aumento drástico no suicídio, pode ser difícil estudar a depressão pós-esquizofrénica, já que muitas das suas vítimas tragicamente se suicidam.

Tratamento[editar | editar código-fonte]

Por vários anos, os estudiosos debateram entre si se os medicamentos antipsicóticos tinham ou não uma tendência a aumentar os níveis de depressão ou simplesmente a ajudar o paciente a controlar a sua doença mental. No entanto, evidências conclusivas apontam para drogas antipsicóticas que realmente ajudam os pacientes com depressão, ao mesmo tempo que auxiliam na supressão dos episódios esquizofrénicos.[10] Especificamente, a risperidona, a olanzapina, a quetiapina, a flufenazina, o haloperidol e a L-sulpirida tiveram o melhor desempenho em testes de medicamentos relacionados a pessoas com esquizofrenia.[13] Junto com medicamentos antipsicóticos, os pacientes pós-esquizofrénicos podem receber antidepressivos para tratar ativamente a depressão.[4] No entanto, os medicamentos certamente não são a única resposta. Na base da depressão e da esquizofrenia, o retraimento social é um sintoma compartilhado entre os dois. Pessoas que sofrem de esquizofrenia precisam de um forte sistema de apoio para serem saudáveis, assim como é o caso do resto da população humana. A oportunidade de se tornarem cidadãos trabalhadores é outra forma de evitar a depressão em pacientes com esquizofrenia, ajudando-os a criar laços sociais e a sentirem-se auto-realizados.[1]

Referências

  1. a b c d Mulholland, Ciaran; Cooper, Stephen (1 de maio de 2000). «The symptoms of depression in schizophrenia and its management». Advances in Psychiatric Treatment. 6: 169–177. doi:10.1192/apt.6.3.169 
  2. Jeczmien, P; Levkovitz, Y; Weizman, A; Carmel, Z (agosto de 2001). «Post-psychotic depression in schizophrenia». The Israel Medical Association Journal. 3: 589–92. PMID 11519384 
  3. a b «Post-schizophrenic depression». Annales Médico-Psychologiques. Junho de 1975 
  4. a b Ivanets, NN; Kinkul'kina, MA (2008). «Depression in schizophrenia». Vestnik Rossiiskoi Akademii Medistinskikh Nauk: 55–63. PMID 19140400 
  5. The ICD-10 Classification of Mental and Behavioural Disorders. [S.l.]: World Health Organization 
  6. Nordt, C.; Rossler, W.; Lauber, C. (2006). «Attitudes of mental health professionals toward people with schizophrenia and major depression». Schizophrenia Bulletin. 32: 709–714. PMC 2632277Acessível livremente. PMID 16510695. doi:10.1093/schbul/sbj065 
  7. Crisp, Arthur H.; Gelder, Michael G.; Rix, Susannah; Meltzer, Howard I.; Rowlands, Olwen J. (julho de 2000). «Stigmatisation of people with mental illnesses». The British Journal of Psychiatry. 177: 4–7. PMID 10945080. doi:10.1192/bjp.177.1.4 
  8. Mauri, MC; Volonteri, LS; De Gaspari, IF; Colasanti, A; Brambilla, MA; Cerruti, L (2006). «Substance abuse in first-episode schizophrenic patients: A retrospective study». Clinical Practice and Epidemiology in Mental Health. 2. 4 páginas. PMC 1435752Acessível livremente. PMID 16556300. doi:10.1186/1745-0179-2-4 
  9. «Outpatient maintenance of chronic schizophrenic patients with long-term fluphenazine: double-blind placebo trial». British Medical Journal. 1973 
  10. a b «Dysphoric and depressive symptoms in chronic schizophrenia». Schizophrenia Research. 1989 
  11. Johnson, D. (1981). «Studies of depressive symptoms in schizophrenia». British Journal of Psychiatry. 139: 89–101. PMID 7030447. doi:10.1192/bjp.139.2.89 
  12. Schwartz-Stav, Osnat (7 de abril de 2006). «Depressive, suicidal behaviour and insight in adolescents with schizophrenia». European Child & Adolescent Psychiatry. 15: 352–359. PMID 16604378. doi:10.1007/s00787-006-0541-8 
  13. a b Samuel, Siris (agosto de 2012). «Treating 'depression' in patients with schizophrenia». Current Psychiatry 
  14. Hawton, Keith; Sutton, Lesley; Haw, Camilla; Sinclair, Julia; Deeks, Jonathan J. (junho de 2005). «Schizophrenia and suicide: systematic review of risk factors». The British Journal of Psychiatry. 187: 9–20. PMID 15994566. doi:10.1192/bjp.187.1.9