Devaneio excessivo

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Devaneio excessivo é um conceito de psicologia que foi introduzido por  Eli Somer[1] para descrever uma actividade de fantasia excessiva que substitua a interação humana dos indivíduos ou que interfira com as suas actividades diárias. Os devaneios podem ter origem durante a infância devido a abusos ou problemas emocionais que não tenham sido endereçados, o que faz com que os indivíduos comecem a devanear como escape para os problemas reais.[2]

Sinais e sintomas[editar | editar código-fonte]

Há muitos sintomas associados com devaneios excessivos, contudo um indivíduo que sofra deste transtorno não sofre necessariamente de todos os sintomas.

Frequentemente os devaneios excessivos são despoletados por padrões de pensamendo ou de actividade (chamados 'triggers'). Alguns 'triggers' comuns são livros, filmes, música ou, até, condução de automóvel. Indivíduos que sofrem de devaneios excessivos também podem apresentar dificuldades em levantar-se da cama ou adormecer, porque querem continuar com os seus devaneios. Muitas vezes os indivíduos excessivamente devaneadores sussuram, falam, adoptam expressões faciais ou fazem algum tipo de movimendo repetitivo e irrefletido durante os devaneios.   Indivíduos excessivamente devaneadores podem passar horas simplesmente devaneando. Os devaneadores muitas vezes têm fantasias elaboradas nas suas mentes, semelhantes a um romance ou filme. Muitos têm diferentes fantasias, cada uma com os seus intervenientes, ambiente, guião, etc. Os indivíduos excessivamente devaneadores podem tornar-se apegados aos intervenientes dos seus devaneios, ainda que estejam conscientes de que não são reais.[3]

Temas recorrentes[editar | editar código-fonte]

Temas recorrentes podem incluir:[1]

  • Eu idealizado;
  • Violência;
  • Poder e controlo;
  • Emprisionamento;
  • Resgate e fuga;
  • Excitação sexual;

Finalidades identificadas[editar | editar código-fonte]

As finalidades do devaneio excessivo incluíem escape para o stress e dor, através de uma alteração de humor e realização de desejos provocada pelos devaneios; companheirismo (escape para a solidão), intimidade (escape para a falta de contacto humano e sexual), e calmante (escape para a ansiedade e stress).[1]

"Todos os indivíduos que sofrem de devaneios excessivos afirmam que a finalidade do devaneio é dupla: disconexão da dor provocada pela vida e transformação da má sorte da vida em experências desejáveis."[4]

Diagnóstico[editar | editar código-fonte]

A Escala de devaneio excessivo - Maladaptive Daydreaming Scale (MDS) - é um questionário de auto-análise de 14 items desenhado para aferir o fantasiamento anormal. O questionário é estatisticamente válido e uma métrica fidedigna para medir o devaneio excessivo e distinguir os indivídos que sofrem de Devanio Excessivo dos que não sofrem.[5] Diagnósticos de saúde mental são determinados apenas com base em entrevistas estruturadas e conduzidas em ambiente clínico.[6][7] Por isso, ainda não foi desenvolvida nenhuma ferramenta de diagnóstico oficial para diagnosticar o devaneio excessivo.

Diagnóstico diferencial[editar | editar código-fonte]

O devaneio excessivo é erradamente e frequentemente diagnosticado como esquizofrenia [3]  o que é definido como um distúrbio mental caracterizado por um anormal comportamento social e incapacidade em reconhecer o que é real.[8] Esquizofernia é considerada uma psicose,[9][10][11] enquanto que devaneio excessivo não é considerado uma psicose e a Escala de Devaneio Excessivo - Maladaptive Daydreaming Scale (MDS) - tem sido pouco correlacionda como métrica de psicose.[5] A diferença fundamental entre os dois transtornos é que indivíduos com devaneio excessivo - (MDers) - estão conscientes de que os intervenientes dos devaneios não são reais e conseguem distinguir entre o que é real e o que não é, enquanto que os indivíduos que sofrem de esquizofrenia não conseguem.[8] Os individuos que sofrem de devaneio excessivo não ouvem vozes ou vêm pessoas que não são reais,[3] enquanto que os indivíduos que sofrem de esquizofrenia podem apresentar este sintoma.[12]

Gerir o devaneio excessivo[editar | editar código-fonte]

O devaneio excessivo não é reconhecido oficialmente como um transtorno psicológico, pelo que também não há um tratamento oficial. Contudo, existem alguns métodos que podem ajudar os indivíduos a endereçar os sintomas, fazendo com que o devaneio excessivo tenha menos impacto nas suas vidas [13]:

  • Partilhar transtorno com amigos e família: alertar amigos e familía para que alertem sempre que notarem padrões de devaneio excessivo;
  • Evitar cansaço: quando os indivíduos estão mais cansados têm mais tendência para devaneios;
  • Identificar padrões de pensamento e actividade que causem frequentemente o devaneio e tentar controlar a entrada em devaneio;
  • Tratar problemas que despoletaram os devaneios: se os devaneios são uma forma de escape (para a solidão, para frustração sexual, etc.), é possível que os devaneios sejam o sintoma de um problema mais complexo. Esses problemas devem ser tratados e endereçados usando terapias, ajudando os indivíduos que sofrem de devaneios excessivos a controlarem melhor os seus pensamentos;

Cobertura na imprensa[editar | editar código-fonte]

"No entanto, muitos psicólogos nunca ouviram falar de devaneios excessivos, e os devaneios excessivos ainda não são reconhecidos como um transtorno. Muitos não acreditam que uma actividade tão banal como fantaziar possa causar tanta aflição. Como podem então os indivíduos que sofrem de devaneio excessivo ser ajudados? É o devaneio excessivo um síndrome por si só, ou é a manifestação de outro problema? O que origina este transtorno e como pode ser tratado? Ainda mais importante, como tornar este síndrome mais conhecido para que os indivíduos que devaneiam em excesso não se sintam como eu me senti, a única pessoa do mundo que passava tanto tempo quanto possível no meu mundo imaginário?"[14] Apesar de ainda não ser um transtorno ou uma patologia oficialmente reconhecida, o devaneio excessivo tem recebido alguma atenção da imprensa.[15][16][17]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b c Somer, Eli. «Maladaptive Daydreaming: A Qualitative Inquiry». Journal of Contemporary Psychotherapy. Journal of Contemporary Psychotherapy. Consultado em 18 May 2014  Verifique data em: |acessodata= (ajuda)
  2. Ardino, Vittoria (ed.). Post-Traumatic Syndromes in Childhood and Adolescence. Chichester, West Sussex, UK: Wiley-Blackwell. p. 162. ISBN 978-0-470-66929-7 
  3. a b c http://www.medicaldaily.com/maladaptive-daydreaming-what-it-247629 "Maladaptive Daydreaming- What Is It?" -Medical Daily
  4. Maladaptive Daydreaming: A Qualitative Inquiry
  5. a b Somer, Eli. «Maladaptive Daydreaming: Development and validation of the Maladaptive Daydreaming Scale (MDS)». Elsevier. Elsevier. Consultado em 26 Feb 2016  Verifique data em: |acessodata= (ajuda)
  6. Steiner, JI. «A comparison of the structured clinical interview for DSM-III-R and clinical diagnoses». J Nerv Ment Dis. J Nerv Ment. Consultado em 27 Feb 2016  Verifique data em: |acessodata= (ajuda)
  7. Shear, MK. «Diagnosis of nonpsychotic patients in community clinics». Am J Psychiatry Dis. Am J Psychiatry. Consultado em 27 Feb 2016  Verifique data em: |acessodata= (ajuda)
  8. a b «Schizophrenia Fact sheet N°397». WHO. September 2015. Consultado em 3 February 2016  Verifique data em: |acessodata=, |data= (ajuda)
  9. American Psychiatric Association, 1994 The Diagnostic and Statistical Manual Revision IV (DSM-IV)
  10. Gelder, Michael G; Mayou, Richard; Geddes, John (2005). Psychiatry. New York: Oxford University Press. p. 12. ISBN 978-0-19-852863-0 
  11. Yuhas, Daisy. «Throughout History, Defining Schizophrenia Has Remained a Challenge (Timeline)». Scientific American Mind (March 2013). Consultado em 2 March 2013  Verifique data em: |acessodata= (ajuda)
  12. Carson VB (2000).
  13. Management Techniques
  14. "When Daydreaming Replaces Real Life" – The Atlantic, April 2015
  15. The Atlantic featured an article on Maladaptive Daydreaming.
  16. CBC Radio's The Current featured an episode on the subject called "Maladaptive daydreaming, a debilitating condition with no escape" (June 2015)
  17. Living in an Imaginary World.