Efeito do espectador

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Efeito do espectador[1] ou difusão de responsabilidade[2] é um fenômeno observado em psicologia social e descrito pela primeira vez por John Darley e Bibb Latané em um estudo de 1968, que aponta para o fato de que a presença de outras pessoas (ou seja, expectadores) diminuem as chances de uma pessoa intervir em uma situação de emergência.[1] O efeito passou a ser conhecido também como síndrome de Genovese em alusão a Catherine Susan Genovese, que em 13 de março de 1964, aos 28 anos, foi vitima de homicídio por múltiplo esfaqueamento por um homem que a abordou nas proximidades de sua residência, por volta das 3:20 da manhã, no Queens, na cidade de Nova York, sem que ninguém a ajudasse apesar dos seus insistentes pedidos de ajuda e do grande número de testemunhas que confirmaram ter ouvido os gritos da vítima. A polícia só foi chamada meia hora depois. A morte trágica e a aparente falta de reação dos vizinhos repercutiram na mídia instigando o estudo deste fenômeno social.[2][3]

No estudo de 1968 de Darley e Latané, em parte influenciado pelo caso trágico de Genovese ocorrido anos antes, uma pessoa era colocada em uma sala para responder a um questionário. Lhe era informado que numa sala anexa um outro participante ou um grupo de participantes estariam também respondendo ao questionário. Nesta sala anexa, gravadores reproduziam áudios de pedido de ajuda e socorro simulando uma convulsão tempos depois do início do experimento. As pessoas ao qual foram informadas que na sala anexa apenas um outro participante estava a responder o formulário, tendiam a intervir com o objetivo de ajudar com maior probabilidade do que as pessoas que foram informadas que haviam mais participantes na sala anexa. A probabilidade de intervenção decaia conforme o número de participantes informados que estariam presentes na sala anexa subia.[1]

Ações para diminuir o efeito do espectador[editar | editar código-fonte]

Em um estudo publicado em 1975 e conduzido por Thomas Moriarty pela universidade de Nova York no verão de 72, ficou comprovado que os espectadores tinham maior probabilidade de intervir em uma situação de emergência se eles tivessem se comprometido antecipadamente com a vítima. No experimento, um grupo de pertences da vítima que estavam próximos a uma outra pessoa eram roubados, aquelas pessoas que haviam se comprometido com a vítima em tomar conta dos seus pertences (enquanto ela se ausentava do local naquele momento) tinham mais chance de perceberem o roubo e de intervir na situação do que aquelas do grupo de controle com quem a vítima não havia feito nenhum compromisso prévio. A conclusão dos autores é de que o compromisso prévio gera um espectador mais responsivo.[4] Estudos subsequentes de Darley e Latané na década de 70 mostraram também que a forma como o espectador era solicitado a ajudar na situação influenciava o seu comportamento. Mais pessoas ajudavam quando a vítima solicitava a ajuda do espectador pelo nome. Quando uma justificativa para a ajuda era dada ao espectador as chances dele interver também aumentavam quando em comparação a um pedido de ajuda sem nenhuma justificativa apresentada.[5]

Referências

  1. a b c Cieciura, J. (2016). A Summary of the Bystander Effect: Historical Development and Relevance in the Digital Age. Inquiries Journal, 8(11).
  2. a b Sousa, Paulo; Mendes, Walter (2014). Segurança do Paciente: criando organizações de saúde seguras. Rio de Janeiro: SciELO - Editora FIOCRUZ. p. 140. 206 páginas. ISBN 978-85-7541-594-8 
  3. Kleinman, Paul (2015). Tudo o que você precisa saber sobre psicologia: Um livro prático sobre o estudo da mente humana. São Paulo: Editora Gente. p. 151. 256 páginas. ISBN 978-85-452-0041-3 
  4. Moriarty, Thomas (1975). «Crime, commitment, and the responsive bystander: Two field experiments.». Journal of Personality and Social Psychology (em inglês). 31 (2): 370–376. ISSN 1939-1315. doi:10.1037/h0076288 
  5. Latané, Bibb; Darley, John M. (1970). The Unresponsive Bystander: Why Doesn't He Help? (em inglês). [S.l.]: Appleton-Century Crofts 


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