Estupor dissociativo

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Estupor dissociativo
A pessoa afetada pode aparentar estar dormindo ou inconsciente, porém mesmo quando incapazes de se mover ou se comunicar elas permanecem cientes do que ocorre ao seu redor.[1]
Classificação e recursos externos
CID-10 F44.2
eMedicine stupor/topic.htm Dissociative stupor/
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Estupor dissociativo é um transtorno dissociativo raro caracterizado por uma importante diminuição ou ausência de movimentos voluntários e de capacidade de resposta a estímulos externos, aparentemente resultante de estresse intenso.[2][3] Para ser considerado dissociativo é necessário que investigações médicas não revelem causas orgânicas significativas, logo é um tipo de transtorno psiquiátrico e psicológico.[4][5]

Causa[editar | editar código-fonte]

Enquanto outros tipos de centro de estupor são causados por fatores mais orgânicos e internos, o estupor dissociativo é causado principalmente pelo estresse ou algum outro fator externo, como um evento traumático recente.[1] A causa exata desse tipo de estupor tende a variar de pessoa para pessoa, mas frequentemente está associado a outros transtornos mentais, especialmente transtornos de ansiedade e distúrbios do humor.[1]

Uma pesquisa com diversos transtornos dissociativos, incluíndo estupor dissociativo, identificou que 67% dos pacientes com haviam sofrido violência sexual e 67% haviam sofrido severa violência física na infância.[6]

Sintomas[editar | editar código-fonte]

Mesmo sem nenhuma outra doença associada, o paciente pode levar dias ou até semanas para se recuperar do episódio de estupor.[7]

Nesse transtorno ocorre estupor sem que exames físicos demonstrem causas exclusivamente orgânicas, os sintomas característicos são[4]:

  • Dificuldade ou incapacidade de mover parte ou a totalidade do corpo;
  • Dificuldade ou incapacidade em perceber luz, ruídos ou estímulos táteis;
  • Incapacidade de responder a estímulos externos;
  • Ansiedade elevada.

Outros possíveis sintomas incluem[1]:

Os episódios de estupor podem ser isolados ou recorrentes. A experiência de estupor causa sofrimento significativo e pode agravar o quadro de ansiedade.[1]

Diagnóstico[editar | editar código-fonte]

Feito por exclusão de outras causas orgânicas e por análise histórico psiquiátrico e eventos traumáticos recentes.[8]

Diagnósticos diferenciais[editar | editar código-fonte]

O estupor dissociativo não deve ser confundido com[4]:

Prevalência[editar | editar código-fonte]

Em uma pesquisa com 12 sujeitos, a maioria dos sujeitos estava entre 15 e 25 anos (20 anos em média). Esse resultado foi bastante similar ao de outros estudos com transtornos dissociativos, onde 80% tinham menos de 30 anos e a idade média era 22 anos.[8] Dentre os pacientes com transtorno dissociativo 35% tinham depressão maior. Outras comorbidades comuns foram dor de cabeça, algum transtorno de personalidade e transtornos de ansiedade.[8] Ainda na mesma pesquisa 75% dos pacientes relataram eventos estressantes recentes sendo os mais comuns brigas familiares, fim de relacionamento e mortes de entes queridos, porém 25% não haviam sofrido nenhum episódio recente de estresse significativo, o que levanta dúvidas sobre a efetiva causa para esse estupor.[8]

Tratamento[editar | editar código-fonte]

Apesar dos principais sintomas de estupor dissociativo serem manifestações físicas, o tratamento mais recomendado é psicoterapia e aconselhamento médico para ajudar as pessoas que experienciaram esse tipo de estupor a lidar da forma mais saudável possível com as emoções associadas e evitar recaídas. [1]

Terapia cognitivo-comportamental tem como objetivo desenvolver as habilidades do paciente de lidar com fatores estressantes e não saudáveis, sendo portanto recomendado no tratamento de transtornos dissociativo. Remédios psiquiátricos podem ser usados para tratar comorbidades como depressão maior e transtornos de ansiedade melhorando a resposta ao tratamento.[7]

Referências

  1. a b c d e f http://www.gomentor.com/articles/dissociative-stupor.aspx
  2. http://www.oxfordreference.com/view/10.1093/oi/authority.20110803095722240
  3. http://www.psiqweb.med.br/site/DefaultLimpo.aspx?area=ES/VerClassificacoes&idZClassificacoes=304
  4. a b c CID-10
  5. http://www.psicosite.com.br/tex/sod/dis003.htm
  6. Bowman ES, Markland ON.: Psycho-dynamics and psychiatric diagnosis of pseudoseizure subjects. Am J Psychiatry 1996; 153(1): 57-63.
  7. a b R. R. Jayaprakash, A. P. Rajkumar, M. Nandyal, S. Kurian, and K. S. Jacob. Dissociative stupor, mutism and amnesia in a young man. Indian J Psychiatry. 2012 Apr-Jun; 54(2): 198–199. http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3440920/
  8. a b c d Ranjan Thapa, Pramod M. Shyangwa. Dissociative disorders: A study of Clinico -demographic Profile and Associated Stressors. DELHI PSYCHIATRY JOURNAL Vol. 13 No.1 http://medind.nic.in/daa/t10/i1/daat10i1p43.pdf