Forte da Urzelina

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Forte da Urzelina, ilha de São Jorge.
Forte da Urzelina: muralha sul.
Forte da Urzelina: acesso às muralhas.

O Forte da Urzelina, também referido como Forte do Castelinho[1] e Forte dos Casteletos,[2] localiza-se no porto da Urzelina, freguesia de mesmo nome, concelho das Velas, na costa sul da ilha de São Jorge, nos Açores.

Em posição dominante sobre este trecho do litoral, constituiu-se em uma fortificação destinada à defesa deste ancoradouro contra os ataques de piratas e corsários, outrora frequentes nesta região do oceano Atlântico.

História[editar | editar código-fonte]

Remonta possívelmente à primeira metade do século XVI.[3]

No contexto da Guerra da Sucessão Espanhola (1702-1714) encontra-se referido como "O Forte do Porto da Urzelina." na relação "Fortificações nos Açores existentes em 1710".[4]

Desde 1808 é o único baluarte sobre o porto, após o outro ter sido destruído pela erupção vulcânica desse ano.[1]

Durante a Guerra Civil Portuguesa (1828-1834) abrigou em suas dependências um destacamento militar.[5]

A "Relação" do marechal de campo Barão de Bastos em 1862 informa que "Tem uma pequena caza de guarda arruinada", e que se encontrava em grande ruína e abandonado desde longos anos.[6]

Encontra-se referido no Tombo de 1883.[7]

No contexto da Segunda Guerra Mundial, em 1941 o imóvel foi entregue em péssimo estado ao Ministério das Finanças.[3]

Ao final do século XX, o forte foi recuperado graças à iniciativa da Junta de Freguesia da Urzelina, constituindo-se em um exemplo de recuperação de património histórico-militar a nível local.[8]

Atualmente em bom estado, ornado com uma antiga peça de artilharia,[9] nele se encontra instalada a sede do Clube Naval da Urzelina.[10]

Características[editar | editar código-fonte]

Do tipo abaluartado, de pequenas dimensões, apresenta planta no formato de um hexágono irregular. Em seus muros rasgam-se quatro canhoneiras.

Referências

  1. a b S. Jorge/Açores: Guia do Património Cultural. s.l.: Atlantic View - Actividades Turísticas, Lda, 2003. ISBN 972-96057-2-6. p. 68.
  2. "Os fortes fazem parte da história belicista da ilha"[ligação inativa] in Açoriano Oriental, 1 abr 2003, p. 19. Consultado em 2 fev 2012.
  3. a b REZENDES, 2009. Consultado em 20 dez 2011.
  4. "Fortificações nos Açores existentes em 1710" in Arquivo dos Açores, p. 180. Consultado em 8 dez 2011.
  5. DRUMOND, Francisco Ferreira. Anais da Ilha Terceira Consultado em 20 dez 2011.
  6. BASTOS, 1997:267.
  7. PEGO, 1998.
  8. CYMBRON, 1991:534.
  9. "Os fortes fazem parte da história belicista da ilha"[ligação inativa] in Açoriano Oriental, 1 abr 2003, p. 19. Consultado em 2 fev 2012.
  10. Guia das Velas 2009/2010. Nova Gráfica, Lda., Dep. Legal, n.º 268828/08. p. 11.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • BASTOS, Barão de. "Relação dos fortes, Castellos e outros pontos fortificados que se achão ao prezente inteiramente abandonados, e que nenhuma utilidade tem para a defeza do Pais, com declaração d'aquelles que se podem desde ja desprezar." in Boletim do Instituto Histórico da Ilha Terceira, vol. LV, 1997. p. 267-271.
  • CASTELO BRANCO, António do Couto de; FERRÃO, António de Novais. "Memorias militares, pertencentes ao serviço da guerra assim terrestre como maritima, em que se contém as obrigações dos officiaes de infantaria, cavallaria, artilharia e engenheiros; insignias que lhe tocam trazer; a fórma de compôr e conservar o campo; o modo de expugnar e defender as praças, etc.". Amesterdão, 1719. 358 p. (tomo I p. 300-306) in Arquivo dos Açores, vol. IV (ed. fac-similada de 1882). Ponta Delgada (Açores): Universidade dos Açores, 1981. p. 178-181.
  • CYMBRON, José Carlos M., "A situação actual do património histórico-militar dos Açores", in Boletim do Instituto Histórico da Ilha Terceira, vol. XLIX, 1991, p. 529-536.
  • NEVES, Carlos; CARVALHO, Filipe; MATOS, Artur Teodoro de (coord.). "Documentação Sobre as Fortificações Dos Açores Existentes dos Arquivos de Lisboa – Catálogo". in Boletim do Instituto Histórico da Ilha Terceira, vol. L, 1992.
  • PEGO, Damião. "Tombos dos Fortes das Ilhas do Faial, São Jorge e Graciosa (Direcção dos Serviços de Engenharia do Exército)". in Boletim do Instituto Histórico da Ilha Terceira, vol. LVI, 1998.
  • PEREIRA, António dos Santos. A Ilha de São Jorge (séculos XV-XVIII): contribuição para o seu estudo. Ponta Delgada (Açores): Universidade dos Açores, 1987. 628p. mapas, tabelas, gráficos.
  • VIEIRA, Alberto. "Da poliorcética à fortificação nos Açores: Introdução ao estudo do sistema defensivo nos Açores nos séculos XVI-XIX". in Boletim do Instituto Histórico da Ilha Terceira, vol. XLV, tomo II, 1987.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]