Germano (césar)

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Germano
Nacionalidade Império Bizantino
Progenitores Mãe: possivelmente Matasunta
Pai: possivelmente Germano
Religião Catolicismo

Germano (em grego: Γερμανός) foi um césar do Império Bizantino. Casou-se com Cárito, uma filha do imperador Tibério II (r. 574–582) e Ino Anastácia.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Soldo de Atalarico (r. 526–534)
Soldo do imperador Tibério II (r. 574–582)

De acordo com a obra de Michael Whitby, Germano era um patrício e governador da prefeitura pretoriana da África. Foi escolhido pelo moribundo Tibério II como um viável herdeiro para o trono em 582: "Em uma cerimônia dupla em 5 de agosto Germano [...] e Maurício foram elevados ao posto de césar e casaram com as duas filhas de Tibério, Cárito e Constantina". Whitby diz que este evento indica os planos de Tibério de ter dois co-governantes como sucessores. Ele sugere que o imperador moribundo ainda pode ter tentado reintroduzir o conceito de imperador ocidental e oriental, com Germano e Maurício escolhidos por suas respectivas conexões com as províncias orientais e ocidentais. Whitby identifica este Germano com o filho de nome semelhante filho de Germano (d. 550) e Matasunta.[1]

De acordo com uma afirmação na Gética de Jordanes, o Germano sênior foi um descendente do nobre gente Anícia. A natureza exata desta conexão, contudo, se não for um artifício literário para indicar sua descendência nobre, é incerto. Theodor Mommsen supôs que sua mãe podia ter sido a filha de Anícia Juliana.[2] Matasunta foi a filha de Eutarico e Amalasunta. Foi irmã do rei ostrogótico Atalarico (r. 526–534) e neta de Teodorico, o Grande (r. 493–526) e Audofleda.[3] Whitby sugere que esta origem dupla nos Arícios e na realeza ostrogótica de fato daria ao novo césar uma forte pretensão de governar a África e a prefeitura pretoriana da Itália. No entanto, o nome comum "Germano" pode insinuar que estas figuras seriam relacionadas entre si, mas há evidências insuficientes para identificações.[1][4]

A Crônica de João de Nikiu registra sobre a morte de Tibério: "Ele morreu na paz do terceiro ano de seu reinado. Foi devido aos pecados dos homens que seus dias foram tão poucos; pois eles não eram dignos de tal imperador amante de Deus, e então perderam este gracioso e bom homem. Antes de morrer, deu ordens que seu genro, de nome Germano, poderia ser elevado ao trono imperial. Agora ele tinha formalmente sido patrício. Mas devido à sua humildade de coração se recusou a ser imperador. Logo após Maurício, que era da província da Capadócia, foi feito imperador."[5] Whitby considera que isto seria a única fonte primária para Tibério preferindo Germano sobre Maurício. Ele sente que tem mais a ver com o viés de João contra Maurício do que sua precisão. João de Nikiu critica as políticas religiosas de Maurício e ainda chama-o de pagão. A narrativa de João de Nikiu é contrariada pela História dos Francos de Gregório de Tours que também registra eventos bizantinos. Ele mostra Maurício sendo escolhido a dedo para ser herdeiro, primeiro pela imperatriz Sofia (r. 565–578) e depois por Tibério II.[1]

Germano desaparece das fontes após seu casamento. Ele pode ter ressurgido como o patrício Germano mencionado na década de 600, cuja filha casou-se com o filho mais velho de Maurício, Teodósio. Mais uma vez, a identificação é incerta.[6]

Referências

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Bury, John Begnell (1958). History of the Later Roman Empire. From the Death of Theodosius I to the Death of Justinian, Volume 2 (Nova Iorque e Londres: Dover Publications). ISBN 0-486-20399-9. 
  • Whitby, Michael (1988). The Emperor Maurice and his Historian. Theophylact Simocatta on Persian and Balkan Warfare (Oxford: Oxford University Press). ISBN 0-19-822945-3.