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Goethita

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Amostra de goethita (α-FeOOH), um hidróxido de ferro comum em depósitos supergênicos, coletada no estado de Minas Gerais, Brasil. O mineral apresenta aspecto terroso a botrioidal e é economicamente importante como minério de ferro secundário.
Goethita, de Minas Gerais, Brasil

A goethite ou goethita[1] é um mineral de óxido de ferro, com fórmula química FeO(OH) que pode ocorrer em vários tons de castanho, laranja, amarelo e vermelho, ainda que a sua risca se mantenha sempre. É opaco e tem brilho adamantino.

Este mineral aparece sob a forma de um agregado cristalino fibroso. É muito dificilmente riscado pelo estilete, o que corresponde a uma dureza entre 5,0 e 5,5. Tem clivagem perfeita e fractura desigual, é denso (4,28) e quebradiço. A goethite tem um aspecto estriado e áspero.

Características

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Fórmula Química - FeO (OH)

Composição - Óxido de ferro hidratado. 90,0% de Fe2O3, 10,0% de H2O

Cristalografia - Ortorrômbico

Classe - Bipiramidal rômbica

Propriedades Ópticas - Unixial negativo, negativo

Hábito - Prismático, fibroso, maciço, radial, estalactítico

Clivagem - Perfeita (010)

Dureza - 5 - 5,5

Densidade relativa - 3,3 - 4,3

Fratura - Ausente

Brilho - Adamantino a submetálico

Cor - Vermelho, preto, amarelo, marrom

Associação - Associada a limonita, hematita, pirita, gibsita, caulinita.

Propriedades Diagnósticas - Estrias longitudinais, cor de traço amarelo, solúvel em HCl.

Ocorrência - Ocorre associada ao quartzo, por alteração de sulfetos como pirita; inclusões em hematita, limonita e micas. Em parte, é formado a partir de limonita.

Usos - Fonte de ferro, pigmentos etc.

Formação e gênese

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A goethita é um dos minerais de ferro mais abundantes nos ambientes superficiais da Terra. Sua formação está diretamente associada aos processos de intemperismo químico e à oxidação de minerais ricos em ferro. Quando minerais contendo ferro ferroso (Fe²⁺), como pirita, siderita e marcasita, entram em contato com a água e oxigênio, ocorre transformação para ferro ferrico (Fe³⁺), favorecendo a precipitação da goethita.[2]

Esse processo é particularmente intenso em regiões tropicais e subtropicais, onde as condições climáticas aceleram a alteração química das rochas. Por essa razão, a goethita constitui um importante componente dos solos lateríticos e de depósitos de alteração superficial.[3]

Além disso, a goethita pode precipitar diretamente em ambientes sedimentares, hidrotermais e pantanosos. Pesquisas também demostraram que determinadas bactérias oxidantes de ferro podem participar da sua formação por meio de processos de biomineralização.[4]

Ocorrência

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A distribuição geográfica da goethita é extremadamente ampla, sendo encontrada em praticamente todos os continentes. Depósitos importantes ocorrem na Alemanha, Reino Unido, França, Espanha, República Tcheca, Marrocos, Cuba e Estados Unidos. No Brasil, o mineral está presente em depósitos ferríferos e em extensas áreas de solos tropicais ricos em óxidos e hidróxidos de ferro.[5]

A importância desse mineral ultrapassa o planeta Terra. Em 2005, análise realizada pelo veículo explorador Spirit identificaram a presença de goethita na cratera Gusev, em Marte. Como a formação desse mineral normalmente requer a presença de água liquida, sua descoberta foi considerada uma evidência significativa de condições aquosas no passado no planeta vermelho.[6]

Morfologia

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A goethita apresenta grande diversidade de formas naturais. Embora possa ocorrer como cristais prismáticos ou aciculares, é mais frequentemente encontrada em massas compactas, agregados fibrosos, estruturas botrioidais (semelhantes a cachos de uva), formas reniformes e estalactíticas.[7]

Uma característica importante desse mineral é a formação de pseudomorfos. Nesse processo, a goethita substitui quimicamente outros minerais ricos em ferro, preservando a forma externa original. Pseudomorfos da goethita após pirita são particularmente comuns e constituem importantes indicadores de processos de oxidação mineral.[8]

Além da sua utilização como fonte de ferro para a indústria siderúrgica, a goethita possui relevância histórica como pigmento mineral. Desde o período paleolítico, minerais ricos em goethita foram utilizados na produção de pigmentos ocres empregados em pinturas rupestres e manifestações artísticas antigas.[9]

Quando submetida ao aquecimento, a goethita pode transformar-se em hematita, adquirindo coloração avermelhada. Essa característica ampliou sua utilização histórica em tintas, cerâmicas e objetos decorativos.[10]

Exemplares bem cristalizados ou variedades iridescentes são valorizados por colecionadores e podem ser lapidados para utilização em joias e objetos ornamentais.[11]

A cor do solo

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A goethita é o principal componente da ferrugem (ferro oxidado) e também um dos compostos responsáveis pela cor característica dos solos: a cor marrom terrosa dos solos argilosos se deve a quantidades variáveis de goethita, bem como outros minerais de óxido-hidróxidos de ferro III, tais como a limonita de cor amarela (FeO(OH)·nH2O) e a hematita avermelhada (Fe2O3). Quantidades variáveis desses três minerais, bem como a presença ou não de matéria orgânica (ácidos húmicos; cor escura quase preta) são responsáveis por dar cor aos solos.

Além de influenciar a coloração dos solos, a goethita desempenha papel importante na retenção de nutrientes e contaminantes. Sua elevada área superficial permite a absorção de fósforo, metais pesados e compostos orgânicos, tornando esse mineral relevante para estudos de fertilidade de solo e de remediação ambiental.[12]

Referências

  1. ↑ «Goethita». Infopédia. Cópia arquivada em 29 de julho de 2023
  2. ↑ Braithwaite, R.S.W. (fevereiro de 2001). «J.W. Anthony, R.A. Bideaux, K.W. Bladh and M.C. Nichols Handbook of Mineraiogy, Volume 4, Arsenates, Phosphates, Vanadates. Tucson, Arizona, Mineral Data Publishing, 2000, 680 pp. Price US$108. ISBN 0 9622097 3 2.». Mineralogical Magazine. 65 (1): 152–153. ISSN 0026-461X. doi:10.1180/s0026461x00025664
  3. ↑ Klein, Cornelis; Hurlbut, Cornelius S.; Dana, James Dwight (1985). Manual of mineralogy: after James D. Dana 20th ed ed. New York: Wiley. ISBN 978-0-471-80580-9
  4. ↑ Larese-Casanova, Philip; Haderlein, Stefan B.; Kappler, Andreas (julho de 2010). «Biomineralization of lepidocrocite and goethite by nitrate-reducing Fe(II)-oxidizing bacteria: Effect of pH, bicarbonate, phosphate, and humic acids». Geochimica et Cosmochimica Acta. 74 (13): 3721–3734. ISSN 0016-7037. doi:10.1016/j.gca.2010.03.037
  5. ↑ Howie, R. A. (dezembro de 1995). «J. W. Anthony, R. A. Bideaux, K. W. Bladh and M. C. Nichols. Handbook of Mineralogy: Volume II: Silica and Silicates. Tucson (Mineral Data Publishing), 1995 ISBN (0-9622-0971-6). xvi + 904 pp. Price $135.00 (+ $7.50 shipping and handling). Available from P.O.Box 37072, Tucson, Arizon 85740, USA.». Mineralogical Magazine. 59 (397): 771–771. ISSN 0026-461X. doi:10.1180/minmag.1995.059.397.22
  6. ↑ Klingelhöfer, G.; DeGrave, E.; Morris, R. V.; Van Alboom, A.; de Resende, V. G.; De Souza, P. A.; Rodionov, D.; Schröder, C.; Ming, D. W.; Yen, A. (novembro de 2005). «Mössbauer spectroscopy on Mars: goethite in the Columbia Hills at Gusev crater». Hyperfine Interactions. 166 (1-4): 549–554. ISSN 0304-3843. doi:10.1007/s10751-006-9329-y
  7. ↑ Evans, Clifford (julho de 1964). «Archaeological Techniques for Amateurs. Philip C. Hammond. D. van Nostrand Company, Princeton, New Jersey, 1963. vii + 329 pp., 15 unnumbered figs. $5.95.». American Antiquity. 30 (1): 126–127. ISSN 0002-7316. doi:10.2307/277667
  8. ↑ Vaughan, D. J. (março de 1991). «J. W. Anthony, R. A. Bideaux, K. W. Bladh, and M. C. Nichols, Handbook of Mineralogy: Volume I; Elements, Sulfides, Sulfosalts. Tucson, Arizona (Mineral Data Publishing), 1990. viii + 588 pp. Price $82.50 + $5.00 shipping and handling.». Mineralogical Magazine. 55 (378): 146–147. ISSN 0026-461X. doi:10.1180/minmag.1991.055.378.20
  9. ↑ Hradil, David; Grygar, Tomáš; Hradilová, Janka; Bezdička, Petr (abril de 2003). «Clay and iron oxide pigments in the history of painting». Applied Clay Science. 22 (5): 223–236. ISSN 0169-1317. doi:10.1016/s0169-1317(03)00076-0
  10. ↑ Cavallo, G.; Fontana, F.; Gialanella, S.; Gonzato, F.; Riccardi, M. P.; Zorzin, R.; Peresani, M. (6 de março de 2018). «Heat Treatment of Mineral Pigment During the Upper Palaeolithic in North‐East Italy». Archaeometry. 60 (5): 1045–1061. ISSN 0003-813X. doi:10.1111/arcm.12360
  11. ↑ Gosse, Ralph (outubro de 1968). «Notes on Rare and Unusual New England Gemstones». Rocks & Minerals. 43 (10): 753–756. ISSN 0035-7529. doi:10.1080/00357529.1968.11765131
  12. ↑ van der Zee, Claar; Roberts, Darryl R.; Rancourt, Denis G.; Slomp, Caroline P. (2003). «Nanogoethite is the dominant reactive oxyhydroxide phase in lake and marine sediments». Geology. 31 (11). 993 páginas. ISSN 0091-7613. doi:10.1130/g19924.1