Guerra de Kalinga

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Guerra de Calinga
ImperioDeChandragupta269aC-pt.svg
Império Máuria em 269 a.C.
Data 261-260 a.C.[1]
Local Rio Daia, Calinga
Desfecho Decisiva vitória máuria
Mudanças
territoriais
Calinga anexada ao Império Máuria
Combatentes
Império Máuria Calinga
Principais líderes
Asoca, o Grande Rani Padmavati (presumido)
Forças
400 000[2][nt 1] 60 000 infantaria[4]
1 000 cavalaria[4]
700 elefantes[4]
Vítimas
10 000[5] 100 000+[1]


A Guerra de Calinga ou Kalinga (em sânscrito: कलिंग युद्धम्) foi uma guerra travada em 261-260 a.C. entre o Império Máuria sob Asoca, o Grande (r. 272/268–232 a.C.) e o estado de Calinga, uma república localizada na costa do atual estado indiano de Orissa.[6] Esta guerra foi o único grande conflito travada por Asoca depois de sua ascensão ao trono. Calinga colocou uma enorme resistência, mas não foi páreo para a força brutal do exército de Asoca. O excessivo derramamento de sangue desta guerra foi o motivo de Asoca adotar o budismo. Após a conquista, ele incorporou a região ao Império Máuria.

Guerra[editar | editar código-fonte]

Provavelmente situado entre os domínios máurias de Bengala e Andar, a Calinga independente foi "um espinho no corpo político Império Máuria" e pôde ter representado uma ameaça aos seus domínios. A conquista de Calinga provavelmente foi movida por razões políticas e econômicas.[7] Situado no caminho das rotas sul do vale do Ganges, foi também uma poderosa área marítima, que caso incorporada no Império Máuria tornar-se-ia numa fonte conveniente de renda.[1]

Durante o precedente Império Nanda, Calinga estava sob controle de Mágada, mas esta recuperou a independência com o início do governo dos máurias.[8] Desde o tempo do avô e do pai de Asoca, os imperadores Chandragupta Máuria (r. 322/321–298 a.C.) e Bindusara (r. 298–272/268 a.C.), o Império Máuria estava seguindo uma política de expansão territorial.[9][10][11] Para realizar a tarefa de conquistar Calinga, Asoca primeiro tratou de estabelecer-se seguramente no trono máuria.[12]

De acordo com o 13º édito de Asoca, a guerra começou no oitavo ano do reinado de Asoca, provavelmente em 261 a.C.. A batalha de Calinga foi travada na margem do Rio Daia entre as forças de Asoca e os habitantes da região.[13] Por meio do 13º édito sabe-se que a batalha foi massiva e causou a morte de mais de 10 000 dos soldados máurias e 100 000 soldados e muitos civis de Calinga,[5] enquanto mais de 150 000 foram deportados.[1] Diz-se que, no fim da batalha, o rio Daia ficou vermelho com o sangue dos mortos.[2]

Rescaldo[editar | editar código-fonte]

Com o fim do conflito, Calinga foi anexada ao Império Máuria.[14] Esta guerra teve um efeito profundo sobre as políticas públicas e a personalidade de Asoca. Em decorrência da crueldade dos combates, Asoca, arrependido, converte-se a filosofia não-violenta do budismo.[15] Ele decidiu nunca empreender outra guerra e também instrui seus filhos e netos a "nunca empreender tal guerra"; para ele uma conquista devia ser feita mediante a piedade e virtude (Darma-Vijaia). Após a conquista de Calinga, Asoca devotou sua vida ao bem estar moral e material das pessoas e reformulou suas políticas com tal finalidade.[1]

Notas

  1. De acordo com Charles A. Truxillo, Asoca manteve durante seu reinado uma força militar de ca. 500 000 homens mais vários milhares de elefantes.[3]
  • Este artigo foi inicialmente traduzido do artigo da Wikipédia em inglês, cujo título é «Kalinga war».

Referências

  1. a b c d e Agnihotri 1981, p. A-249.
  2. a b Field 2012.
  3. Truxillo 2008, p. 72.
  4. a b c Davidar 2007, p. 97.
  5. a b Agarwal 2012, p. 154.
  6. Bentley 1993, p. 44.
  7. Mohapatra 1986, p. 10.
  8. Raychaudhuri 1996, p. 204-209; 270-271.
  9. Background «Chanakya Niti» Verifique valor |url= (ajuda) (em inglês). Consultado em 13 de julho de 2014 
  10. «SRI CHANAKYA NITI-SASTRA - THE POLITICAL ETHICS OF CHANAKYA PANDIT» (em inglês). Consultado em 13 de julho de 2014 
  11. Daniélou 2003, p. 109.
  12. Mohapatra 1986, p. 12.
  13. Mohanty 2008, p. 5.
  14. «Detail History of Orissa» (em inglês). Consultado em 12 de julho de 2014. Cópia arquivada em 12 de abril de 2014 
  15. Salles 2008, p. 212.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Agarwal, M. K. (2012). From Bharata to India: Chrysee the Golden. [S.l.]: iUniverse. ISBN 1475907656 
  • Bentley, Jerry (1993). Old World Encounters: Cross-Cultural Contacts and Exchanges in Pre-Modern Times. Nova Iorque: Oxford University Press 
  • Daniélou, Alain (2003). A Brief History of India. [S.l.]: Inner Traditions / Bear & Co. ISBN 1594777942 
  • Davidar, David (2007). The Solitude of Emperors. [S.l.]: Penguin Books India. ISBN 0670081434 
  • Field, Field F. (2012). «The Execution of Mithridates». One Bloody Thing After Another: The Worlds Gruesome History. [S.l.]: Michael O'Mara Books. ISBN 1843179180 
  • Mohanty, N. (2008). Tiger & Other Poems. [S.l.]: Sarup & Sons. ISBN 817625827X 
  • Raychaudhuri, H. C.; Mukherjee, B. N. (1996). Political History of Ancient India: From the Accession of Parikshit to the Extinction of the Gupta Dynasty. [S.l.]: Oxford University Press 
  • Salles, Catherine (2008). Larousse das Civilização Antigas. Vol. I da Babilônia aos Exército Enterrado Chinês. São Paulo: Larousse do Brasil. ISBN 978-85-7635-443-7 
  • Truxillo, Charles A. (2008). Periods of World History: A Latin American Perspective. [S.l.]: Jain Publishing Company. ISBN 0895818639 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]