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Hibiscus mutabilis

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Como ler uma infocaixa de taxonomiaRosa-de-são-francisco

Classificação científica
Reino: Plantae
Divisão: Magnoliophyta
Classe: Magnoliopsida
Ordem: Malvales
Família: Malvaceae
Género: Hibiscus
Espécie: H. mutabilis
Nome binomial
Hibiscus mutabilis
L.

Hibiscus mutabilis, comummente conhecida como aurora[1] ou rosa-de-são-francisco[2], é uma planta malvácea, própria de climas tropicais originalmente nativa do sul da China e Taiwan, podendo encontrar-se atualmente em todos os continentes, exceto na Antártida.[3]

Etimologia

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Quanto ao nome científico desta espécie:

  • O nome genérico, Hibiscus[4], provém do latim, hibiscum, termo este que, por seu turno, provirá do grego ἱβίσκος e significa «malvaísco».[5]

Características

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A rosa-de-são-francisco é um arbusto decíduo ereto, robusto e muito ramificado, ou uma árvore de pequenas dimensões, capaz de crescer entre o metro e meio e os 5 metros de altura, podendo ocasionalmente chegar até aos 9 metros.[7]

Tem flores laterais, grandes, isoladas e abundantes nas estações de Primavera-Verão.[8] As rosas-de-são-francisco destacam-se por abrirem, na parte da manhã, com a cor branca e de, com o decurso do dia, adquirirem tons progressivamente mais rosados, ao longo da tarde, podendo chegar ao magenta, já ao cair da noite, quando murcham.[8]

No entanto, a mutação cromática só acontece quando as flores desenvolvem o néctar.[9] Uma vez produzida a antocianina (pigmento que faz com que a flor adquira tonalidades rosadas), a rosa-de-são-francisco logra atrair polinizadores.[9]

Distribuição

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Esta espécie é quase decerto originária do sudeste da China.[9]

No entanto, presentemente, a rosa-de-são-francisco é amplamente cultivada em regiões tropicais e, ocasionalmente, em zonas temperadas como planta ornamental, sendo especialmente valorizada pelas suas flores, as quais mudam de cor ao longo do dia, existindo, inclusive, muitas variedades conhecidas.[9]

A rosa-de-são-francisco é planta de fácil cultivo, requerendo poucos cuidados.[10] Costuma privilegiar solos férteis, ricos em húmus e bem drenado, onde possa valer-se de plena luz solar, ou pelo menos luz parcial.[8] Prefere Invernos quentes, mas húmidos.[10]

A propagação desta espécie pode ser feita por sementio, estaquia e alporquia.[11]

Quanto ao sementio, pode-se semear logo no local definitivo ou, então, em recipientes próprios para o efeito.[7] A germinação, geralmente, é bastante rápida e não requer qualquer pré-tratamento especial do solo, embora possa ser acelerada se as sementes forem ligeiramente abrasadas ou postas de molho antes da sementeira.[7]

Deve-se transplantar os rebentos dos recipientes originais para vasos individuais, quando estes forem suficientemente grandes para que já possam ser manuseadas e, subsequentemente, quando atingirem cerca de 10 cm de altura, devem ser plantadas no local definitivo.[7]

Em caso de estaquia, dever-se-á de levar a cabo em estufa ou em viveiro protegido.[7] As estacas enraízam geralmente com facilidade, sobretudo se as estacas forem cortadas em ângulo através de um nó e se se aplicar hormona de enraizamento nas extremidades. [7]

Alimentar

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As folhas da rosa-de-são-francisco são comestíveis[12] e contêm rutina (um glicosídeo flavonóide).[13]

A raiz também é comestível, embora apresente uma textura muito fibrosa ou mucilaginosa, apresentando sabor pouco pronunciado.[7]

Etnobotânico

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A rosa-de-são-francisco costuma de ser colhida em estado bravo, principalmente quando é usada como planta medicinal.[13] Costuma preferir-se as folhas e as flores, quando ainda frescas. Ao passo que as folhas podem ser colhidas durante todo o ano, as flores só devem ser recolhidas durante o período de antese.[13]

As folhas são descritas como possuindo propriedades analgésicas, antídoticas, demulcentes, expectorantes e refrigerantes.[13] São, inclusive, referidas como ingrediente usado em preparações para o tratamento da linfadenite tuberculosa.[14]

Do que toca às flores, estas exibem propriedades anti-inflamatórias, depurativas, febrífugas, pectorais e estimulantes.[14] Com efeito, fazem-se decoções ou infusões tradicionais das flores, as quais se administram no tratamento de afeções torácicas e pulmonares.[13] As flores são também surgem referenciadas como parte de formulações fitoterápicas utilizadas no tratamento do carcinoma.[14] nasofaríngeo.

As folhas e flores, quando usadas em conjunto, são aplicadas topicamente, sob a forma de cataplasma, no tratamento de afeções cutâneas (tais como impetigo, feridas, tumefações e infeções dérmicas), sendo particularmente indicadas para queimaduras e escaldões de cicatrização lenta.[14][13]

Com a casca do caule da rosa-de-são-francisco extrai-se uma fibra, que é, tradicionalmente, usada no fabrico de cordões e cordas.[11]

Das flores desta espécie também se extrai uma substância usada em preparações cosméticas comerciais, atuando como condicionador cutâneo.[7]

O Commons possui imagens e outros ficheiros sobre Hibiscus mutabilis

Referências

  1. «Dicionário Online - Dicionário Caldas Aulete - Significado de rosa-de-são-francisco». aulete.com.br. Consultado em 18 de outubro de 2025 
  2. S.A, Priberam Informática. «rosa-de-são-francisco». Dicionário Priberam da Língua Portuguesa. Consultado em 18 de outubro de 2025 
  3. «Hibiscus mutabilis L.». Plants of the World 
  4. «Hibiscus - Latin - Wordsense». WordSense Dictionary (em inglês). Consultado em 19 de outubro de 2025 
  5. «Hibiscum - Latin - Wordsense». WordSense Dictionary (em inglês). Consultado em 19 de outubro de 2025 
  6. «mūtābĭlis - ONLINE LATIN DICTIONARY - Latin - English». www.online-latin-dictionary.com. Consultado em 26 de maio de 2022 
  7. a b c d e f g h «Hibiscus mutabilis - Useful Tropical Plants». tropical.theferns.info. Consultado em 18 de outubro de 2025 
  8. a b c Huxley, Anthony; Griffiths, Mark; Levy, Margot (1992). The new Royal horticultural society dictionary of gardening. Royal horticultural society New ed. ed. London New York: Macmillan Stockton press. ISBN 0-333-47494-5 
  9. a b c d Whistler, W. Arthur (2000). Tropical ornamentals: a guide. Portland (Oregon): Timber press. 552 páginas. ISBN 0-88192-448-2. Consultado em 18 de outubro de 2025 
  10. a b Phillips, Roger; Rix, Martyn; Rix, Alison (1997). Conservatory and Indoor Plants (em inglês). [S.l.]: Macmillan. 286 páginas. ISBN 0-330-37376-5. Consultado em 18 de outubro de 2025 
  11. a b Manandhar, Narayan P. (2002). Plants and people of Nepal. Portland (Oregon): Timber press. 636 páginas. ISBN 0-88192-527-6 
  12. Kunkel, Günther (2010). Plants for Human Consumption: An Annotated Checklist of the Edible Phanerogams and Ferns (em inglês). Saint Paul, Minnesota, EUA: Koeltz Scientific Books. 393 páginas. ISBN 3874292169. Consultado em 18 de outubro de 2025 
  13. a b c d e f Duke, J. A.; Ayensu, E. S. (1985). «Medicinal Plants of the world. 4 2: Medicinal Plants of China / J. A. Duke; E. S. Ayensu». Algonac, Mich: Reference Publications. ISBN 978-0-917256-20-2 
  14. a b c d USA; Hunan-Zhong-Yi-Yao-Yan-Jiu-Suo, eds. (1987). A barefoot doctors manual: The American translation of the official Chinese paramedical manual. Philadelphia: Running Press. 960 páginas. ISBN 9780914294924 
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