João Ribeiro Gaio

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa

D. João Ribeiro Gaio (Vila do Conde) foi um bispo católico português de Malaca entre 1578 e 1601.

Foi bispo de Malaca na segunda metade do século XVI, falecendo já no final da centúria. Contemporâneo de dois vilacondenses que muito ilustram a história da sua cidade e a da Igreja — o franciscano frei João de Vila do Conde e o jesuíta Pe. Manuel de Sá —, foi um bispo que não se empenhou no exercício do seu múnus, ao arrepio dos tempos, que eram de Contra-Reforma Católica. Deixou o seu nome ligado à genealogia e à geografia.

Em 1582 escreve ao Papa Gregório XIII, queixando-se da falta de meios, sobretudo por o dinheiro não parar onde deve :-«Os estipêndios ordinários que Sua Majestade [ Filipe II de Portugal ] concede a todos os ministros eclesiásticos destas terras são pagos por intermédio dos seus oficiais, do que resulta pagarem êles muito mal e só quando lhes apraz ».

Em 1586, segundo o pedido de D. Ribeiro Gaio ao rei de Portugal, um grupo de Dominicanos veio da Metrópole.

Quatro anos depois, o Bispo, pediu a uma nova Ordem missionária, os Agostinhos, que viessem para Malaca.

Encarregou-os da pequena capela de Santo António, perto da porta do mesmo nome (conhecida também por Porta da Madre de Deus) dentro dos muros da Fortaleza a Famosa. Frei Jerónimo da Madre de Deus construíu o mosteiro perto da capela e, durante o episcopado do D. Gonçalo da Silva, sucessor de D. Ribeiro Gaio, foi edificada uma igreja no local da primitiva capela por Frei Antão de Jesus.

Cêrca de 1588, a situação nas Molucas Tinha-se deteriorado. Malaca, situada muito longe daquelas ilhas, não podia prestar grande auxílio no combate contra os maometanos. O único recurso, portanto, era fazer um apêlo aos espanhóis das Filipinas. No fim século XVI, o poder português nas Índias começaba a declinar. Aínda por cima apareciam agora os ingleses e holandeses. No comêço de Setembro de 1592, Lencaster, de alcunha (pelos portugueses) o capitão Pé de Pau capturou dois navios lusos perto de Pulo Sembilan.

Seis anos depois, em Janeiro, sendo comandante da Fortaleza Francisco da Silva de Meneses, veio a Malaca com dois navios Benjamin Wood. Aos 9 do mesmo mês, perto de Pulo Parcelar, na bôca do rio Sungei Langat, uma das naus de Wood, numa batalha com João Gomes Faio, foi metida a pique e a outra, navegando para Bengala, afundou-se. Em 1599, os holandeses chegaram a Achém com a intenção de negociarem com o sultão, mas, depois de serem bem recebidos só por pouco escaparam a um massacre geral…

Mas a presença dos ingleses e holandeses era agora uma realidade, e o princípio da ruína (entre outro ) das missões católicas.

Portugueses e espanhóis deviam unir os seus esforços contra os invasores. Infelizmente, os dois povos, reünidos sob a mesma coroa de Filipe I, desde 1580, nunca puderam viver em boa inteligência : eram inimigos figadais.

A incompatibilidade tornou-se manifesta mesmo entre os missionários e de tal sorte que em Macau, à excepção dos Jesuítas, tôdas as ordens religiosas se recusaram a receber súbditos espanhóis em suas casas.

A esta animosidade se deve imputar, de algum modo, a ruína do Império Português e das Missões Católicas no Extremo Oriente. Em todo o caso, espíritos clarividentes tomaram a peito restabelecer a harmonia e unir os dois povos para o bem comum.

Marta, visitador dos Jesuítos nas Molucas e D. Ribeiro Gaio declararam-se a favor do intervenção espanhola nestas ilhas.

Marta, que tinha mantido as missões nas Molucas, morreu prematuramente em 1599, aos 41 anos de idade.

D. João Ribeiro Gaio seguiu-o para o mesmo destino em 1601 segundo uns e segundo outros em 1603.

Não podemos dizer ao certo quando e onde morreu. Tudo que sabemos é o que vem narrado na carta régia de 25 de Janeiro de 1601 para o Vice-rei, D. Aires de Saldanha, acerca do regresso a Portugal do velho Bispo que foi gentilmente recebido por Filipe III da Espanha « não só em atenção à sua idade, mas também porque êle (o Vice-rei) tinha ouvido dizer que êle (o Bispo) tivera contendas com alguns residentes da cidade (Malaca) e êle escreveu-me a queixar-se de não lhe terem sido fornecidas as necessárias comodidades para a volta (a Portugal)».

Obra escrita[editar | editar código-fonte]

  • Roteiro das cousas do Achem. Fontes primordiais do século XVI sobre Achem e os portos da costa norueste de Samatra.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Jorge Manuel dos Santos Alves, Pierre-Yves Manguin, Isabel Gentil : O roteiro das cousas do Achem de D. João Ribeiro Gaio : um olhar português sobre o norte de Samatra em finais do século XVI. Comissão Nacional para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses. Edição crítica do roteiro com introdução de Jorge Manuel dos Santos Alves e Pierre-Yves Manguin : Lisboa: Comissão Nacional para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses, 1997.

Mapas, fotofrafias, gravuras, Notas, Bibliografia.

Precedido por
Jorge de Santa Luzia 1558-1577

(Primeiro bispo)

Brasão arquiepiscopal
Bispo de Malaca

15781601
Sucedido por
Dom Cristóvão de Sá 1605-1610