Madhva

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Madhva, ou Madhvacarya (kannada: ಶ್ರೀ ಮಧ್ವಾಚಾರ್ಯರು) (1238-1317) é considerado o fundador de uma escola filosófica vedantista hindu denominada Dvaita (dualismo).

O renascimento hindu foi determinado por Shankara no século VIII, derrotando os argumentos do budismo e praticamente erradicando o budismo do território indiano.

O budismo rejeita a autoridade de todos os textos védicos, que são a pedra fundamental do hinduísmo, e estabelece o nirvana como sendo a meta espiritual a ser atingida pela entidade viva. O budismo e sua meta independem do conceito de deus, e o nirvana não pode ser considerado como uma entidade, mas como uma situação do “eu.” Para todos os efeitos o budismo é uma religião ateísta. Existem princípios religiosos a serem seguidos (dharma) mas a meta é impessoal, não é a comunhão com qualquer tipo de deidade.

Ao tecer o seu comentário sobre o Brahma-sutra Shankara estabeleceu que a meta a ser alcançada pela entidade viva seria o Brahman, ou o Absoluto, a Realidade Suprema, e deixou uma lacuna no que tange quanto à caracterização do Brahman: seria Ele uma entidade? Estaria aplicado ao Brahman o conceito de substância? Sábios da escola de advaita anteriores a Shankara, como Gautama, e todos os seus sucessores definiam o Brahman como “advaiya vastu,” ou substância não-dual e inferiam que essa substância poderia ser realizada pelo indivíduo em três aspectos: como o Brahman sem qualificação (impessoal), como o Brahman corporificado (a forma pessoal) e como a forma localizada (paramatma) dentro do próprio “eu” individual.

Ramanuja no século XIII tentou harmonizar as crenças de uma seita religiosa, os shri-vaixnavas fazendo um comentário alternativo ao Brahma-sutra, estabelecendo a filosofia de vishistadvaita, que admitia a possibilidade de um certo dualismo no Brahman não-dual, abrindo assim uma brecha para o teismo filosófico.

Madhva era tido como um brâmane muito erudito, natural de Udupi, e influenciado por uma seita vaixnava local. A adoração que os vaisnaxas fazem de Krishna ou de qualquer outro avatara de Vixnu carece de qualquer preceito ou fundamento védico, uma vez que o Brahma-sutra, considerado a quintessência ou a decisão final de todos os conceitos védicos, jamais considera Vixnu, Xiva, Brahma ou qualquer outro deus mitológico como a Realidade Absoluta, ou Ser Supremo adorável.

Em sua viagem ao sul da Índia Madhva entrou em contato com o os shri-vaixnavas e a filosofia de Ramanuja, que admitia por fim a possibilidade de um aspecto dual ao Brahman. Posteriormente, Madhva redigiu um comentário ao Brahma-sutra ainda mais radical que o de Ramanuja, estabelecendo a diferenciação entre o Brahman e a alma individual, determinando que a meta a ser alcançada seria a comunhão e harmonia da alma individual com o Brahman em sua forma pessoal, como Krishna.

Muitas seitas vaixnavas adotaram essa filosofia, tais como a seita de Udupi e posteriormente a seita dos gaudiya-vaixnavas (da Bengala), que consideram Madhva um dos seus Acaryas (grande mestres) mais proeminentes e santo.

A escola advaita clássica simplesmente classifica a tese de Madhva como uma heresia, uma inferência sem base lógica ou escritural, portanto não-védica e quando muito de origem tântrica, que visa apenas satisfazer o desejo de autenticidade védica de algumas poucas seitas.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Bibliografia e Biografia de Madhva: http://www.dvaita.org/madhva/index.shtml

Diferenças Filosóficas entre Shankara, Ramanuja e Madhva: http://www.iep.utm.edu/m/madhva.htm

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