Mandarim (burocrata)

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Retrato do mandarim chinês Jiang Shunfu (1453–1504) da dinastia Ming. O quadrado de mandarim indica que era um funcionário público de primeiro nível.
Fotografia de um funcionário governamental da dinastia Qing, com o quadrado de mandarim à frente.

Mandarim ou mandari (do sânscrito mantri, ‘conselheiro de Estado’; pelo malaio mantari), nos antigos impérios da China, do Aname e da Coreia, designava um funcionário pertencente à classe dos letrados e recrutado por concurso.[1]

Os mandarins dividiam-se em duas categorias: civil e militar. Cada uma destas categorias divide-se em nove graus, subdividindo-se cada um destes em duas classes: a dos grandes mandarins e a dos mandarins ordinários.

O acesso a esta classe privilegiada era feito por concurso (os exames imperiais), após obtidos os graus de bacharel, licenciado e doutor.

As promoções na carreira eram obtidas por mérito ou por favor. Existem ainda os mandarins honorários que são cargos comprados e que lhes conferem o direito de usar as insígnias de autoridade, sem usufruírem contudo das suas atribuições.

No que diz respeito às suas funções, os mandarins não podiam exercer cargos no mesmo lugar por um período superior a três anos, sendo responsáveis pelos seus atos. Uma vez não cumpridas as suas obrigações, eram destituídos do cargo e sujeitos a multas avultadas. Quanto à sua indumentária, os mandarins costumavam usar uma fivela no cinturão e bordados na sua túnica. Estes bordados representavam uma ave ou um animal terrestre, consoante o mandarim fosse civil ou militar.

O símbolo mais característico da sua dignidade é o grande botão que colocam na parte traseira do seu chapéu. Os mandarins mais importantes ou de primeiro grau usam este botão feito de rubis e os outros que lhes sucedem na hierarquia usam o botão feito de coral, safiras, lápis-lazúli, cristal, madrepérola, ouro ou prata.

Na análise de Max Weber,[2] o poder dos mandarins é fundado no conhecimento formal dos regulamentos e da leitura. Confúcio é o ideólogo desses funcionários do Estado,[3] e a base da sua ideologia é a crença na ordem como base da sociedade - ordem que se manifesta na tradição, no culto familiar e no culto religioso do céu. Segundo o confucionismo, o pecado se deve à ignorância. Assim, esse sistema de crenças e doutrinas converte-se em uma espécie de "religião dos letrados", de modo que os concursos de saber e de memória funcionam como rituais constitutivos da casta dos mandarins. [4]

Referências

  1. Dicionário Houaiss: 'mandarim'
  2. The Religion Of China - Confucianism and Taoism, The Free Press, 1968
  3. Institutional, evolutionary and cultural aspects in Max Weber’s social economics. Por Heino Heinrich Nau. Cahiers d'économie Politique/ Papers in Political Economy, vol. 49, nº 2, 2005, pp. 127-142.
  4. O pensamento de Max Weber. Por Maurício Tragtenberg. Revista de História, 12 de março de 1966, pp 169-191.
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