Maxial

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Disambig grey.svg Nota: Para Maxial, aldeia na freguesia e concelho da Sertã, conhecida também como Maxial da Estrada ou Maxialinho, veja Maxial da Estrada.
Portugal Maxial 
  Freguesia portuguesa extinta  
Localização
Maxial está localizado em: Portugal Continental
Maxial
Localização de Maxial em Portugal Continental
Coordenadas 39° 8' 19" N 9° 10' 39" O
Concelho primitivo Torres Vedras
Concelho (s) atual (is) Torres Vedras
Freguesia (s) atual (is) Maxial e Monte Redondo
História
Extinção 28 de janeiro de 2013
Características geográficas
Área total 29,24 km²
População total (2016) 2 633 hab.
Densidade 90 hab./km²

Maxial foi uma freguesia portuguesa do concelho de Torres Vedras, com 29,24 km² de área[1] e 2 633 habitantes (2016[2]). Densidade: 90 hab/km².

Foi extinta (agregada) pela reorganização administrativa de 2012/2013,[3] sendo o seu território integrado na União das Freguesias de Maxial e Monte Redondo.

A palavra Maxial deriva de Machial, um monte de arbustos adequados para a pastagem de gado caprino.

Com lugares desta freguesia foi criada em 1984 a freguesia de Outeiro da Cabeça (986 hb)

História[4][editar | editar código-fonte]

Alguns vestígios arqueológicos parecem conceder a esta freguesia uma origem pré-histórica. O castro do Cabeço do Jardo é a prova evidente do que se acaba de afirmar. Aí terão vivido as primeiras populações da freguesia.

Com a chegada dos romanos, no séc. III a.C., esses povos foram obrigados a abandonar os seus castros, no sopé das montanhas, e a descer para os vales aluviais, mais férteis e produtivos.

A herança deixada pelos romanos na região de Torres Vedras, como no resto do País, foi significativa. A romanização fez-se sentir primeiramente na instalação de novos povoamentos, mas também na técnica de construção das habitações, na abertura de estradas e de pontes, e, a nível do sistema económico e financeiro, a alteração profunda do regime fiscal e a introdução de novas técnicas agrícolas.

Os principais vestígios da presença romana estão concentrados em S. Martinho, junto de Aldeia Grande. Ali apareceram há alguns anos objectos diversos e moedas daquele tempo, dos Imperadores Tibério e Nero. Tudo isso se encontra, hoje, no Museu Municipal de Torres Vedras.

Em termos eclesiásticos, foi um priorado da apresentação dos beneficiados da colegiada de S. Miguel de Torres Vedras. Os agricultores pagavam os dízimos de 142 moios de pão e de 27 moios de vinho.

Em 1471, foi fundada nesta freguesia uma albergaria pelos moradores de Ermegeira João Gil Cuchifel e sua mulher, Catharina Annes. Foi dada a essa albergaria o nome de Hospital de Nossa Senhora da Piedade, que se tornou um dos mais célebres de toda a região torreense. Depois de estar activo durante quatrocentos anos, acabou por ser desactivado em 1860 e integrado na Santa Casa da Misericórdia de Torres Vedras. Dele resta hoje a sua ermida.

Durante o reinado de D. Afonso VI, foi Maxial elevada à categoria de vila e de sede de concelho. É este o momento mais alto da história da freguesia. Que durou pouco, no entanto, pois em 1667 o concelho já estava extinto. Refere Madeira Torres em relação ao assunto: “Em consequência da graça concedida ao Secretário das Mercês – Gaspar Severim de Faria de um lugar até quarenta vizinhos para constituir-se, de que ele fosse Donatário e de haver sido por ele designado o lugar do Maxial este foi elevado a Vila por carta de 26 de Janeiro de 1662, como se vê no livro 6.º do Registo da Câmara. (...) Foi extinto por provisão de 8 de Janeiro de 1667, expedida por efeito de imediata resolução que se acha no livro 7.º do Registo da Câmara.”

Actividade Económica[5][editar | editar código-fonte]

Desde tempos remotos que a principal actividade económica da maior parte das gentes da Freguesia, consistia na prática da agricultura de subsistência, sendo as culturas principais, a vinha, o trigo e o milho, seguindo-se a batata, o feijão, o grão e outros produtos hortícolas. Também existiam variadas árvores de fruto, figueiras, macieiras, pereiras, ameixeiras, com destaque para a oliveira cujas azeitonas eram "conduto" umas, e azeite outras, depois de esmagadas nos lagares (hoje extintos). A criação de pequenos rebanhos de cabras e ovelhas e ainda outros animais, como o boi, o porco, o cavalo, o macho, o burro, coelhos e galinhas contribuíam para a economia rural da freguesia, sendo utilizados na alimentação das pessoas uns, e nos transportes outros.

No aspecto industrial, a Freguesia possuía dispersas pelo seu território, cerca de trinta moinhos de vento e cinco de água (azenhas) que transformavam o grão em farinha, cujos moleiros nos seus animais de carga transportavam os cereais ao moinho e depois a farinha à casa dos fregueses, após deduzida a "maquia" tributo do seu trabalho. Outras pequenas industrias, como a olaria, com seus artesãos oleiros, os ferreiros, que fabricavam e reparavam as ferramentas rurais (enxadas etc.) cutileiros, cesteiros, carpinteiros, tanoeiros e sapateiros, distribuídos pelos vários lugares, asseguravam as necessidades do povo rural. Com o rodar dos tempos estas condições alteram-se significativamente e embora a agricultura continue factor importante na economia da Freguesia, esta processa-se em moldes diferentes, com tendência acentuada para algumas culturas intensivas, em virtude do desenvolvimentos, da mecanização e do mercado existente.

Algumas culturas ancestrais, como a do trigo e do milho quase desapareceram, sendo a maior parte das suas terras plantadas de eucaliptos e pinheiros, culturas presentemente mais rentáveis, constituindo matéria prima para a pasta do papel.

Morta a cultura dos cereais, cessa a indústria da moagem, e os moinhos são agora marcos em ruína da história de um passado recente.

População[editar | editar código-fonte]

População da freguesia de Maxial [6]
1864 1878 1890 1900 1911 1920 1930 1940 1950 1960 1970 1981 1991 2001 2011 2016
1 281 1 575 1 930 2 184 2 505 2 660 3 079 3 642 4 096 4 216 3 866 3 876 2 829 2 962 2 751 2 633

Aldeias de Maxial[editar | editar código-fonte]

Da sua freguesia fazem parte as aldeias de: Loubagueira, Ermegeira, Ereira, Vila Seca, Casais de Santo António, Folgarosa, Aldeia Grande, Póvoa e Valentina, bem como outros casais de menor dimensão, como os Casais da Capela, do Seixo, de Torres.

Património[editar | editar código-fonte]

Notas e Referências

  1. Instituto Geográfico Português, Carta Administrativa Oficial de Portugal (CAOP), versão 2012.1
  2. INE (2012) – "Censos 2011 (Dados Definitivos)", "Quadros de apuramento por freguesia" (tabelas anexas ao documento).
  3. Diário da República, 1.ª Série, n.º 19, Reorganização administrativa do território das freguesias, Lei n.º 11-A/2013, de 28 de janeiro, Anexo I. Acedido a 19/07/2013.
  4. Freguesias, Desenvolvido por Portal das. «Junta de Freguesia de Maxial». www.maxial.freguesias.pt. Consultado em 27 de dezembro de 2017 
  5. Freguesias, Desenvolvido por Portal das. «Junta de Freguesia de Maxial». www.maxial.freguesias.pt. Consultado em 27 de dezembro de 2017 
  6. Instituto Nacional de Estatística (Recenseamentos Gerais da População) - https://www.ine.pt/xportal/xmain?xpid=INE&xpgid=ine_publicacoes



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