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Maximilien de Fürstenberg

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Maximilien de Fürstenberg
Cardeal da Santa Igreja Romana
Grão-mestre da Ordem Equestre do Santo Sepulcro de Jerusalém
Info/Prelado da Igreja Católica
Atividade eclesiástica
Diocese Diocese de Roma
Nomeação 28 de fevereiro de 1973
Predecessor Dom Eugène Tisserant
Sucessor Dom Giuseppe Caprio
Mandato 1973 - 1988
Ordenação e nomeação
Ordenação presbiteral 9 de agosto de 1931
Nomeação episcopal 14 de março de 1949
Ordenação episcopal 25 de abril de 1949
por Dom Jozef-Ernest Cardeal van Roey
Nomeado arcebispo 14 de março de 1949
Cardinalato
Criação 26 de junho de 1967
por Papa Paulo VI
Ordem Cardeal-presbítero
Título Sagrado Coração de Jesus em Castro Pretório
Brasão
Lema Pax et virtute tua
Dados pessoais
Nascimento Heerlen, Holanda
23 de outubro de 1904
Morte Yvoir, Bélgica
22 de setembro de 1988 (83 anos)
Nacionalidade neerlandês
Progenitores Mãe: Elisabeth Marie Sylvie Ferdinande Joseph, condessa de Oultremont de Wégimont de Warfusée
Pai: Adolf Louis Egon Hubert Vincent Freiherr von Fürstenberg-Stammheim
dados em catholic-hierarchy.org
Cardeais
Categoria:Hierarquia católica
Projeto Catolicismo

O Barão Maximilien Louis Hubert Egon Vincent Marie Joseph von Fürstenberg-Stammheim, também conhecido como Maximilien de Fürstenberg (23 de outubro de 1904 - 22 de setembro de 1988) foi um cardeal da Igreja Católica Romana e foi prefeito da Congregação para as Igrejas Orientais.

Biografia

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Ele nasceu no Castelo Ter Worm, Heerlen, Países Baixos, da antiga família nobre católica Fürstenberg-Stammheim da Vestfália. Seus pais eram o Barão Adolf Louis Egon Hubert Vincent von Fürstenberg-Stammheim (1870–1950) e a Condessa Elisabeth Marie Sylvie Ferdinande Joseph d'Oultremont de Wégimont de Warfusée (1879–1953).[1]

Ele estudou no colégio da Abadia de Maredsous, em Namur, Bélgica, de outubro de 1915 a julho de 1922. Em seguida, realizou uma viagem de estudos à América Latina e, de 1922 a 1928, frequentou o Colégio Saint-Louis, em Bruxelas, onde estudou literatura clássica e filosofia.[1]

Ele prestou serviço militar no regimento de Granadeiros e obteve o posto de subtenente da reserva. Sua educação continuou quando ingressou no Instituto Superior de Filosofia da Universidade de Lovaina, saindo em 1928 com uma licenciatura em filosofia. Nesse mesmo ano, ingressou na Pontifícia Universidade Gregoriana em Roma, onde estudou até 1932 para um doutorado em teologia; ao mesmo tempo, residiu no Pontifício Colégio Belga.[1]

Sacerdócio

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Ordenado em 9 de agosto de 1931 e incardinado na arquidiocese de Mechelen. Retornou à Bélgica e tornou-se membro do corpo docente do Colégio Diocesano de Saint-Jean Berchmans, em Antuérpia, de 1932 a 1934. Professor de liturgia no Seminário Maior de Mechelen, de 1934 a 1946. Nomeado mestre de cerimônias do Cardeal Jozef-Ernest van Roey, arcebispo de Mechelen, em 1934. De 1935 a 1949, Fürstenberg foi capelão militar da reserva. Cônego do cabido da catedral metropolitana de Mechelen.[1]

No Natal de 1943, Fürstenberg foi preso pelos alemães na casa de sua mãe por causa de uma inscrição em latim colocada na vela de Natal da catedral metropolitana, que parecia expressar grande esperança no desembarque dos Aliados no Norte da África; foi condenado a dois anos de prisão. Após um ano de detenção na prisão de Saint-Gilles, em Bruxelas, foi libertado no dia de Natal de 1944. Durante a Regência da Bélgica, foi nomeado capelão da corte e condecorado com a cruz de cavaleiro da Ordem de Leopoldo II por sua conduta patriótica. Nomeado pelos bispos da Bélgica reitor do Pontifício Colégio Belga, em Roma, em 27 de fevereiro de 1946, ocupou o cargo até sua ascensão ao episcopado; entre seus alunos estava o jovem sacerdote Karol Wojtyla. Foi nomeado Prelado doméstico de Sua Santidade em 13 de maio de 1947.[1]

Episcopado

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O Papa Pio XII nomeou-o Arcebispo titular de Palto em 14 de março de 1949 e delegado apostólico no Japão em 22 de março do mesmo ano. Consagrado em 25 de abril de 1949, na catedral de Saint-Rombaud, em Mechelen, pelo Cardeal Jozef-Ernest van Roey, arcebispo de Mechelen, assistido por Jean Marie van Cauwenbergh, bispo auxiliar de Mechelen, e por Oscar Joseph Joliet, bispo auxiliar de Gand. Seu lema episcopal era Pax et virtute tua (Paz e virtude tua).[1]

Tornou-se Internúncio no Japão em 28 de abril de 1952 e Regente da nunciatura na Coreia, 1952-1953. Monsenhor Maximilien de Fürstenberg foi nomeado delegado apostólico na Austrália, Nova Zelândia e Oceania em 21 de novembro de 1959, até ser nomeado Núncio Apostólico em Portugal em 28 de abril de 1962. Participou do Concílio Vaticano II de 1962 a 1965.[1] Foi agraciado com as grã-cruzes da Ordem de Cristo e da Ordem do Infante D. Henrique em 1966 e 1967, respectivamente.[2]

Cardinalato

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Brasão de Maximilien de Furstenberg como Grão-Mestre da Ordem do Santo Sepulcro

Criado cardeal-presbítero no consistório de 26 de junho de 1967; recebeu o barrete vermelho e o título de Sacro Cuore di Gesù a Castro Pretorio, diaconato elevado pro illa vice a título, em 15 de julho de 1967. Prefeito da Sagrada Congregação para as Igrejas Orientais em 15 de janeiro de 1968. Durante trinta e sete dias, coincidindo com o 50º aniversário da fundação da Sagrada Congregação para a Igreja Oriental em 1969, viajou para a Índia, Iraque, Síria, Jordânia, Egito, Turquia e Terra Santa para visitar os patriarcas das Igrejas Orientais Católicas e também o Patriarca Ecumênico Ortodoxo Atenágoras I de Constantinopla.[1]

Enviado papal especial às comemorações do 10º aniversário da constituição da sé metropolitana da Filadélfia dos Ucranianos, Filadélfia, 1969. Participou da Primeira Assembleia Extraordinária do Sínodo dos Bispos, Vaticano, 1969. Enviado papal às comemorações do centenário do Irã, 1971. Participou da Segunda Assembleia Ordinária do Sínodo dos Bispos, Vaticano, 1971.[1]

No final da década de 1960, quando o Papa Paulo VI implementou mudanças para reformar a Cúria Romana, o Cardeal recebeu a responsabilidade, juntamente com outros dois Cardeais, de supervisionar o enorme patrimônio e a renda do Vaticano. Como Prefeito da Congregação para as Igrejas Orientais, o cardeal estava envolvido em uma disputa entre o Vaticano e os católicos do Rito Ucraniano, que protestavam contra o que eles chamavam de tratamento de segunda classe pelo Vaticano. Em 1971, o Vaticano se recusou a conceder status patriarcal à Igreja Católica Ucraniana; o Cardeal de Furstenberg havia anteriormente declarado um sínodo inválido, no qual os bispos ucranianos votavam por uma forma patriarcal de administração da igreja.[3]

Cardeal de Fürstenberg foi nomeado pelo papa como Grão-mestre da Ordem Equestre do Santo Sepulcro de Jerusalém, de março de 1972 até sua morte. Renunciou à prefeitura da Congregação em 28 de fevereiro de 1973.[1]

Nomeado presidente da Comissão Central para o Ano Santo de 1975, em 9 de maio de 1973. Enviado papal especial às comemorações do 12º centenário da catedral de Salzburgo, Áustria, 1974. Participou da Exposição Oceânica do Dia da Santa Sé, em Okinawa, Japão, 1975. O Cardeal de Fürstenberg participou dos conclaves que elegeram o Papa João Paulo I e o Papa João Paulo II em agosto e outubro de 1978.[1]

Participou da Primeira Assembleia Plenária do Sacro Colégio Cardinalício, Vaticano, 1979. Camerlengo do Sacro Colégio Cardinalício, de 24 de maio de 1982 a 25 de junho de 1984. O cargo estava vago desde a morte do Cardeal Egidio Vagnozzi em 26 de dezembro de 1980. Foi enviado papal especial às cerimônias inaugurais da Casa Internacional do Peregrino e à consagração do altar da Capela Pax Christi, no santuário de Kevelaer, Alemanha, 1982. Perdeu o direito de participar do conclave ao completar oitenta anos de idade, em 23 de outubro de 1984.[1]

Ele perdeu o direito de participar do conclave quando completou 80 anos de idade, em 1984. Devido a problemas de saúde, foi internado como paciente na Policlínica Gemelli de Roma por vários meses; em 30 de maio de 1988, o Papa João Paulo II o visitou. Poucos dias depois, ele foi transferido para a clínica da Universidade de Louvain de Mont-Godinne, perto de Namur.

O cardeal Fürstenberg morreu em Mont-Goddine, Namur, de uma hemorragia cerebral. O funeral foi celebrado em 28 de setembro, na Igreja de Notre-Dame au Sablon, em Bruxelas, igreja capitular da tenência belga da Ordem do Santo Sepulcro. Seu caixão estava coberto com a bandeira belga e encimado pelo barrete vermelho. No dia seguinte, de acordo com seu último testamento, foi sepultado na cripta da igreja franciscana de Mont-Apollinaris em Remagen, na Alemanha.

Referências

  1. a b c d e f g h i j k l «The Cardinals of the Holy Roman Church - June 26, 1967». cardinals.fiu.edu. Consultado em 10 de novembro de 2025 
  2. «ENTIDADES ESTRANGEIRAS AGRACIADAS COM ORDENS PORTUGUESAS - Página Oficial das Ordens Honoríficas Portuguesas». www.ordens.presidencia.pt. Consultado em 10 de novembro de 2025 
  3. «Cardinal de Furstenberg Dies in Belgium at 83». nytimes.com (em inglês). 24 de setembro de 1988. Consultado em 10 de novembro de 2025 

Precedido por
James Francis McIntyre

Arcebispo titular de Palto

1949 - 1967
Sucedido por
vago
Precedido por
Paolo Marella

Delegado Apostólico no Japão

1949 - 1952
Sucedido por
-
Precedido por
-

Internúncio Apostólico no Japão

1952 - 1959
Sucedido por
Domenico Enrici
Precedido por
Romolo Carboni

Delegado Apostólico para a Austrália, Nova Zelândia e Oceania

1959 - 1962
Sucedido por
Domenico Enrici
Precedido por
Giovanni Panico

Núncio Apostólico em Portugal

1962 - 1967
Sucedido por
Giuseppe Maria Sensi
Precedido por
-

Cardeal do título Sagrado Coração de Jesus em Castro Pretório

1967 - 1988
Sucedido por
Giovanni Saldarini
Precedido por
Gustavo Testa

Prefeito da Congregação para as Igrejas Orientais

1968 - 1973
Sucedido por
Paul-Pierre Philippe, OP
Precedido por
Eugène Tisserant

Grão-Mestre da Ordem Equestre do Santo Sepulcro de Jerusalém

1973 - 1988
Sucedido por
Giuseppe Caprio
Precedido por
Egidio Vagnozzi

Camerlengo do Colégio Cardinalício

1982 - 1984
Sucedido por
Silvio Oddi