Ir para o conteúdo

Motion design

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Definição

[editar | editar código]

O motion design é um campo específico do motion graphics que une técnicas de design para dar movimento a diversos projetos gráficos, com o objetivo de transmitir informações e identidade visual/audiovisual. Exemplos incluem desde aberturas de filmes, até campanhas publicitárias, interfaces digitais, vídeo clipes e dentre outros. [1]

Motion design, design em movimento ou motion graphics englobam gráficos em movimento no espaço da tela e no tempo. Diferentemente das animações tradicionais, que remontam ao desenho quadro a quadro 2D da Disney, o motion graphics usa prioritariamente formas geométricas, ícones, textos e ilustrações – e, para animação, ao invés dos milhares de desenhos, são feitas marcações em pontos, contornos ou objetos inteiros, para que se movam na tela ao longo de um intervalo: os Quadro-chaves.[2]

O motion design é uma técnica flexível e criativa que pode ser aplicada em uma ampla gama de formatos e indústrias. É uma ferramenta poderosa para a comunicação visual, permitindo que as marcas e empresas transmitam sua mensagem de forma clara e envolvente.

O motion design tem suas origens nos experimentos visuais do início do século XX, quando artistas começaram a explorar o movimento como parte integrante da comunicação gráfica. Essas primeiras experiências estavam ligadas ao cinema e à animação experimental, mas ainda não eram reconhecidas como uma disciplina independente. Naquela época, as animações eram produzidas manualmente, quadro a quadro, em um processo demorado e caro. Com o surgimento dos primeiros computadores capazes de processar gráficos, tornou-se possível criar animações de forma mais rápida e econômica.

A partir da década de 1950, com o trabalho de designers como Saul Bass, responsável por revolucionar as aberturas de filmes, o campo ganhou identidade própria ao transformar os créditos dessas abertura em narrativas visuais dinâmicas, estabelecendo uma linguagem distinta que unia design gráfico e movimento.

O primeiro exemplo de animação por computador conhecido foi criado em 1963 por um grupo de pesquisadores do MIT. A animação, chamada "The Hummingbird", mostrava um pássaro voando em diferentes posições e foi criada usando um computador IBM 7094. Embora essa animação seja considerada um marco na história da animação por computador, ela não foi criada com o objetivo de ser usada em produções comerciais.

Nos anos 1980 e 1990, o avanço da computação gráfica e dos softwares de edição consolidou o motion design como prática profissional. Esse período foi marcado pela aplicação em vinhetas televisivas, publicidade e cinema, tornando-se parte essencial da indústria criativa. O movimento gráfico deixou de ser apenas uma experimentação artística e passou a ser reconhecido como profissão, com metodologias próprias e crescente demanda no mercado audiovisual.

Com o motion design bem desenvolvido e consolidado, essa prática se tornou bastante interessante no marketing e na criação de identidade visual, pois possui uma pluralidade de possibilidades de aplicação. A ascensão das redes sociais e das plataformas de streaming fez com que o motion design passasse a ser utilizadao para engajamento de público e fortalecimento de marcas, explorando novas linguagens visuais e interativas. [3]

Princípios da Animação no Motion Design

[editar | editar código]

A animação clássica se diferencia do motion design porque tende a focar no desenvolvimento do personagem e na narrativa, enquanto no motion, o movimento passa a se concentrar na funcionalidade, fluidez e no comportamento de elementos abstratos como parte da composição da direção de arte.

Apesar dessas diferenças, os doze princípios da animação tradicional são adaptados e aplicados no motion design, sendo frequentemente agrupados por suas funções práticas na construção do movimento digital:

Dinâmica Física, Peso e Fluidez

[editar | editar código]

Desaceleração e Aceleração (Slow In and Slow Out / Ease In & Ease Out), Arcos (Arcos) e Tempo (Timing): Princípios que simulam a física dinâmica, conferindo massa, peso e propriedades dinâmicas aos elementos. No motion design, o caminho que era reto dá lugar a movimentos orgânicos e curvilíneos (arcos), enquanto o controle do tempo (timing) e das curvas de aceleração garante que a velocidade dos componentes visuais pareça natural e não mecânica.

Ação-sequência e Movimento em Ondas (Follow Through and Overlapping Action) e Ação Secundária (Secondary Action): Auxiliam a dar um aspecto mais realista ao movimento, indicando que os objetos seguem as leis da física. Enquanto o overlapping dita que partes de um elemento se movimentam em ritmos diferentes e o follow through faz com que continuem se movendo após a parada principal, a ação secundária atua como um reforço visual para enfatizar a ação ou a mensagem principal da cena.

Elasticidade e Impacto

[editar | editar código]

Esticar e Achatar (Squash & Stretch) e Exageração (Exageration): Consistem em deformar os objetos para dar uma sensação de peso e elasticidade. No motion design, isso é usado para deixar as transições mais vivas. Por exemplo, quando uma janela ou um botão "quica" ou estica um pouco ao aparecer, isso dá um aviso visual de que o elemento reagiu ao comando.

Composição, Expectativa e Metodologia

[editar | editar código]

Antecipação (Anticipation) e Composição em Cena (Staging): A antecipação prepara o espectador para o movimento principal (como o flexionar de joelhos antes de um salto), conferindo maior verossimilhança físico-dinâmica. Junto ao staging, que consiste no posicionamento dos elementos no "palco" ou cena, esses princípios servem para guiar o olhar do espectador e garantir que ele entenda a mensagem sem se distrair.

Animação Quadro-a-quadro e Pose a Pose (Straight Ahead & Pose to Pose): Referem-se às metodologias de produção. No ambiente digital do motion design, o método pose a pose é o mais usado através dos programas de computador, onde o designer define as posições principais do objeto e o software calcula o caminho e a duração do movimento entre elas.

Sobre Solidez (Solid Drawing) e Apelo (Appeal): No contexto do motion design, os princípios de representar o volume bidimensional em qualquer ângulo (Solidez) e de conferir carisma e estilo estético (Apelo) deixam de focar na anatomia de personagens e passam a ser aplicados diretamente na Solidez do Design Gráfico em si. Isso significa manter a proporção, dar sensação de profundidade aos elementos e criar um estilo visual bonito que prenda a atenção de quem está assistindo. [4]

Exemplos de aplicação do Motion Design

[editar | editar código]
  • Explainer videos
  • Publicidade e promocionais
  • Vinhetas Televisivas
  • Aberturas e Créditos de filmes
  • Gráficos de Apoio
  • Infográficos animados

Explainer videos

[editar | editar código]

São utilizados para facilitar o entendimento de um conceito, produto, ideia ou acontecimento. Seu uso é predominantemente expositivo. Os exemplos vão desde os vídeos dos canais Kurzgesagt e Vox, até campanhas de conscientização, como o spot encomendado pelo Departamento de Saúde de Virginia para incentivar a população a aderir à vacinação contra a COVID-19.

Também pode ser utilizado para apresentar as ferramentas de um aplicativo ou orientar os participantes de um evento sobre seu funcionamento.

É comum em produtos multimídia, como em documentários como Cosmos ou os do Canal Nostalgia.

Publicidades e Promocionais

[editar | editar código]

Refere-se à utilização do motion design em campanhas publicitárias e conteúdos promocionais.

A partir da combinação entre animação, design gráfico e comunicação visual, é possível desenvolver narrativas dinâmicas capazes de fortalecer a identidade das marcas, transmitir informações de maneira mais atrativa e ampliar o engajamento do público.

O Airbnb, por exemplo, utiliza técnicas de motion design para demonstrar, de forma suave e intuitiva, o funcionamento de sua plataforma. No projeto “Airbnb It”, foram desenvolvidas várias animações fluidas e delicadas com o objetivo de incentivar proprietários a transformarem suas residências em fontes de renda, disponibilizando-as para aluguel temporário enquanto viajam ou permanecem fora de casa.

Nessa série de animações curtas, é possível observar diferentes personagens inseridos em narrativas compostas por uma estética geométrica contemporânea, marcada por um tom confortável e acolhedor. O visual detalhado e aconchegante, aliado à tipografia leve e aos efeitos sonoros calmantes, contribuem para a construção de uma propaganda simples, porém eficaz, capaz de transmitir a identidade da plataforma e alcançar o público de maneira acessível e envolvente. [5]

Outra plataforma popular que também utiliza o motion design em suas campanhas publicitárias é o Duolingo. Diferentemente dos projetos do Airbnb, o Duolingo aposta em uma abordagem mais dinâmica e divertida. Em um de seus projetos, intitulado “Make it Fun”, cuja proposta consiste em tornar o aprendizado mais divertido, a plataforma utiliza animações e transições rápidas, personagens expressivos e movimentos caricatos para causar impacto visual e atrair a atenção do público para a mensagem publicitária.

Dessa forma, um vídeo curto de aproximadamente trinta segundos consegue comunicar a identidade da plataforma, construir um universo visual próprio e transmitir aos usuários a ideia de que o aprendizado de idiomas pode ocorrer de maneira divertida, acessível e eficaz. [6]

Vinhetas Televisivas

[editar | editar código]

A construção das vinhetas da MTV é um exemplo importante de como o motion design se apresenta no contexto televisivo, rompendo com o design gráfico estático tradicional e com o paradigma de que identidades visuais devem ser totalmente fixas e imutáveis para preservar a consistência da marca.

Com o logotipo criado em 1981 pelo estúdio Manhattan Design, os designers responsáveis — Pat Gorman, Frank Olinsky e Patti Rogof — encontraram uma solução para desafiar o "padrão-ouro" do design gráfico: manter o “M” em uma fonte sans-serif acompanhado pelo “TV” em formato de grafite. Isso criou o contraste de formas que conhecemos, unindo um elemento estruturado a outro que representa uma escrita mais rápida e dinâmica.

Durante o desenvolvimento do projeto, eles perceberam que esse formato permitia alterar diferentes características do logotipo, entre elas a cor, a textura e as formas, sem que ele deixasse de ser o logo da MTV que as pessoas reconheciam, preservando sua essência. A partir dessa ideia, o estúdio Manhattan elaborou inúmeros outros esboços que viriam a se tornar as vinhetas mais icônicas da indústria televisiva.

Esse conceito de mutabilidade e a atribuição de uma "persona" à identidade visual da MTV também foram fundamentais para que a marca estivesse em constante sintonia com o seu público, majoritariamente jovem, pois permitiam que as vinhetas fossem adaptadas de modo a acompanhar as tendências do momento. Além disso, a MTV protagonizou a introdução desse campo do design na era digital, utilizando conceitos e técnicas que só se tornaram acessíveis de forma massiva com a popularização dos computadores. [7]

Aberturas e créditos de filmes

[editar | editar código]

No cinema, uma das aplicações do o motion design se dá em aberturas de filmes, ganhando destaque em meados do século XX. Um exemplo é a abertura do filme "Guardiões da Galáxia" (2014), produzido pela Marvel Studios. A abertura foi criada pelo estúdio de design Perception e combina elementos gráficos e tipográficos em movimento com uma trilha sonora animada, criando uma sequência visualmente impactante que ajuda a definir a estética e o tom do filme. Na abertura, vemos as palavras "Guardiões da Galáxia" em uma tipografia inspirada nos anos 80, com um efeito de distorção e movimento que sugere uma sensação de espaço e movimento. À medida que a trilha sonora começa, vemos imagens de estrelas, planetas e naves espaciais em movimento, criando uma sensação de aventura e exploração. A abertura é uma mistura de animação 2D e 3D, com elementos que se movem em diferentes.

Nomes importantes para o desenvolvimento do motion design no contexto cinematográfico incluem: o neo-zelandês Len Lye, que começou com animações experimentais quando fez seu primeiro filme “Tuslava (1929)”, inspirado na arte indígena da Austrália. Já na década de 50, o designer gráfico estadunidense Saul Bass se destacou ao aplicar design gráfico ao cinema e à TV, o que foi fundamental para a evolução do motion design. “O homem do Braço de Ouro” (1955), com um estilo de animação único, demonstra o estilo de Bass ao usar de cores e formas abstratas para contar a narrativa do filme em sua abertura. [8]

Gráficos de apoio

[editar | editar código]

Nesta categoria estão inclusas as lower thirds, identificações e descrições que aparecem em jornais, programas televisivos e outros. Incluem quaisquer gráficos animados que são utilizados em produções audiovisuais para preencher espaço de tela, servir como demonstrações visuais ou conversar com ideias que estão sendo apresentadas. Exemplo é quando o nome de um conceito surge em uma video aula, ou um cronômetro é sobreposto em um vídeo de workout.

Infográficos animados

[editar | editar código]

Podem estar presentes em explainer videos, mas não necessariamente. São usados, por exemplo, em telejornais, ao falar de previsão do tempo ou economia. Também em documentários, quando gráficos de dados são utilizados.

Não há um consenso quanto à necessidade de se diferenciar infográficos animados de explainer vídeos, mas uma forma de pensar essa diferenciação é considerar os infográficos animados com uma linguagem verbal escrita muito mais presente e animações mais objetivas.

Tecnologia

[editar | editar código]

A consolidação do motion design como uma esfera da área do design só foi possível devido aos avanços tecnológicos. Um dos marcos importantes para que esse desenvolvimento pudesse ocorrer de forma massiva foi o surgimento do computador e de softwares bastante conhecidos, como o Adobe Premiere e o After Effects no fim da década de 90, e outras alternativas mais recentes como o DaVinci Resolve, e o OpenToonz, que chegou a ser utilizado em produções famosas como “Princesa Mononoke”, do Studio Ghibli. [9] Esse progresso permitiu a expansão do uso de técnicas que unem todos os elementos que compõem o motion design. 

No entanto, Austin Shaw - Designer e autor de Design for Motion: Fundamentals and Techniques of Motion Design - defende que o motion designer não depende apenas do computador, mas também de métodos tradicionais que influenciam diretamente a construção visual dos projetos. Na prática de motion design, é necessário que o profissional desenvolva habilidades digitais e analógicas, utilizando práticas como desenho, pintura e experimentações manuais no processo criativo.

A criação de assets, como imagens, texturas e ilustrações produzidas pelos próprios designers com câmeras, scanners, somado ao uso de softwares 3D são bastante relevantes nesse tipo de produção. Esses artefatos autorais contribuem para resultados mais originais e com uma identidade visual mais consistente. Também vale ressaltar técnicas experimentais, como glitches, distorções visuais e tinta em movimento, como uma expansão das possibilidades criativas no motion design.

Além disso, ele enfatiza a importância de um fluxo de trabalho organizado e não destrutivo, utilizando máscaras, filtros inteligentes e organização de arquivos para facilitar alterações e otimizar projetos. Ou seja, mesmo com o avanço tecnológico, as ferramentas analógicas, como sketchbooks e pincéis, continuam essenciais para explorar ideias e estimular a criatividade.

Nessa mesma perspectiva, o impacto de novas tecnologias, como sensores de movimento e impressoras 3D destacam que o motion design está em constante transformação. Ainda assim, a principal função do designer permanece a mesma: usar criatividade e pensamento visual para solucionar problemas de forma inovadora.[10]

Referências

  1. Lessa, Washington Dias; Freire, Isabel Xavier (dezembro de 2016). «BALIZAMENTO CONCEITUAL DO MOTION GRAPHIC DESIGN». Editora Blucher: 3452–3463. doi:10.5151/despro-ped2016-0297. Cópia arquivada em 29 de abril de 2025
  2. «Everything You Need to Know About Becoming a Motion Graphics Designer». Rasmussen College (em inglês). Consultado em 4 de fevereiro de 2020. Cópia arquivada em 14 de janeiro de 2026
  3. SHANASA, Dhyan (2020). Manual de Sobrevivência para Motion Designers. São Paulo: Layer Lemonade
  4. Sato, Leticia Midori (7 de dezembro de 2015). «Os 12 princípios da animação: da adesão à sua subversão»
  5. «Airbnb It | BUCK». buck.co. Consultado em 25 de maio de 2026. Cópia arquivada em 12 de março de 2026
  6. «Duolingo: Make it Fun + Hola Elected Officials | Wieden+Kennedy». www.wk.com. Consultado em 27 de maio de 2026
  7. B. MEGGS, Philip [et al.] (2025). Meggs' History Of Graphic Design. Hoboken: John Wiley & Sons. pp. 712–715
  8. Sagatio, Raphael Guaraná (20 de agosto de 2019). «A evolução do motion graphics: da narrativa do cinema para a autonomia audiovisual». Diálogo com a Economia Criativa. 4 (11): 156–176. ISSN 2525-2828. doi:10.22398/2525-2828.411156-176
  9. «OpenToonz». OpenToonz (em inglês). Consultado em 27 de maio de 2026
  10. SHAW, Austin (2015). Design for Motion: Fundamentals and Techniques of Motion Design. [S.l.]: Focal Press
Ícone de esboço Este artigo sobre design é um esboço. Você pode ajudar a Wikipédia expandindo-o.