Núcleo cometário

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Núcleo do Cometa Tempel 1.

O núcleo é a parte central e sólida de um cometa, popularmente chamado de bola de gelo sujo. Um núcleo cometário é composto de rochas, poeira, e gases congelados. Quando aquecido pelo sol, os gases sublimam e produzem uma atmosfera cercando o núcleo conhecida como coma. A força exercida na coma pela pressão de radiação do Sol e do vento solar causam a formação de uma enorme cauda, que aponta para a direção oposta ao Sol. Um núcleo cometário típico possui um albedo de 0,04.[1]

Divisão[editar | editar código-fonte]

O núcleo de alguns cometas pode ser frágil, uma conclusão apoiada pela observação de cometas que se partiram.[2] Entre os cometas que se dividiram incluem-se o 3D/Biela em 1846, o Cometa Shoemaker-Levy 9 em 1992,[3] e o 73P/Schwassmann-Wachmann de 1995 a 2006.[4] O historiador grego Ephorus relatou a divisão de um cometa no inverno de 372-373 AEC.[5] Suspeita-se que os cometas dividem-se por cusa de stress térmico, pressão do gás interno, ou impacto.[6]

Tamanho[editar | editar código-fonte]

Acredita-se que a maioria dos núcleos cometários não tenham mais que 16 quilômetros de diâmetro (10 milhas).[2] Mas já se conhece núcleos de cometas com mais de 40 km de diâmetro.

O núcleo em forma de batata do Cometa Halley(15×8×8 km)[2] [7] contém quantias iguais de gelo e poeira. Cerca de 80 por cento do gelo é de água, e monóxido de carbono congelado fazem outros 15 por cento. Muito do restante é dióxido de carbono, metano e amônia.[2] Os cientistas acreditam que os outros cometas sejam quimicamente similares ao cometa Halley. O núcleo do cometa Halley é também extremamente escuro. Os cientistas acreditam que a superfície do cometa, e talvez da maioria dos outros cometas, seja coberta com uma crosta escura de poeira e rochas que cobre a maior parte do gelo. Estes cometas liberam gás somente quando os buracos nesta crosta giram em direção ao sol, expondo o geo interior à luz quente do Sol.

Durante uma passagem em 2001, a sonda Deep Space 1 observou o núcleo do cometa Borrelly e descobriu que ele tem cerca da metade do tamanho (8×4×4 km)[8] do núcleo do cometa Halley.[2] O núcleo do cometa Borrelly também tem a forma de batata e possui uma superfície negra.[2] Como o cometa Halley, o cometa Borrelly somente libera gases de pequenas áreas onde buracos na crosta do cometa expõe o gelo à luz solar.

Estima-se que o núcleo do cometa Hale-Bopp tenha cerca de 30 a 40 quilômetros de diâmetro.[2] O Hale-Bopp aparecia brilhante a olho nu por que seu núcleo grande perdia uma quantia muito grande de poeira e gás.

O núcleo do P/2007 R5 provavelmente tem apenas 100-200 metros de diâmetro.[9]

O maior centauro (asteróides instáveis, que atravessam as órbitas do planetas, e são de gelo) tem o tamanho estimado entre 250 km a 300 km de diâmetro. Tres dos maiores deles incluem 10199 Chariklo (258 km), 2060 Chiron (230 km), e o 1995 SN55 (~300 km), atualmente perdido.

Cometas conhecidos tem sua densidade média estimada em 0,6 g/cm³.[10] Abaixo segue uma lista de cometas e os valores estimados para tamanho, densidade e massa.

Nome Dimensões
km
Densidade
g/cm³
Massa
kg[11]
Halley's Comet 15×8×8[2] [7] 0.6[12] 3×1014
Tempel 1 7.6×4.9[13] 0.62[10] 7.9×1013
19P/Borrelly 8×4×4[8] 0.3[10] 2×1013
81P/Wild 5.5×4.0×3.3[14] 0.6[10] 2.3×1013

Albedo[editar | editar código-fonte]

Os cometas são geralmente descritos como sendo "bolas de gelo sujas", mas as observações recentes revelaram superfícies secas ou rochosas, sugerindo que os gelos estão ocultos abaixo de uma crosta. Tem-se sugerido que os cometas deveriam ser chamados de "bolas sujas geladas".[1] Os núcleos cometários estão entre os objetos mais escuros que existem no sistema solar. A Sonda Giotto descobriu que o núcleo do Cometa Halley reflete aproximadamente 4% da luz que recebe[1] e a sonda Deep Space 1 descobriu que a superfície do Cometa Borrelly reflete somente 2,4% a 3% da luz incidente sobre o mesmo;[1] em comparação, o asfalto reflete 7% da luz incidente. Acredita-se que que o material que escurece a superfície do cometa seja feito de compostos orgânicos complexos . O aquecimento solar retira os compostos voláteis deixando para trás compostos orgânicos de cadeia longa, mais pesaods, que tendem a ser bem escuro, como o piche ou óleo cru. E é a cor escura das superfícies cometárias que lhes permite absorver o calor necessário para que se formem os jatos de gás.

Acredita-se que cerca de seis por cento dos asteróides próximos da Terra sejam núcleos exintos de cometas (veja Cometas extintos) que não mais apresentam jatos de gás.[15] Entre estes asteróides com albedo baixo estão 14827 Hypnos e 3552 Don Quixote.

Referências

  1. a b c d Robert Roy Britt (2001-11-29). "Comet Borrelly Puzzle: Darkest Object in the Solar System". Space.com. Consult. 2008-10-26. 
  2. a b c d e f g h Yeomans, Donald K. (2005). "Comets (World Book Online Reference Center 125580)". NASA. Consult. 2007-11-20. 
  3. JPL Public Information Office. "Comet Shoemaker-Levy Background". JPL/NASA. Consult. 2008-10-25. 
  4. Whitney Clavin (2006-05-10). "Spitzer Telescope Sees Trail of Comet Crumbs". Spitzer Space Telescope at Caltech. Consult. 2008-10-25. 
  5. Donald K. Yeomans (1998). "Great Comets in History". Jet Propulsion Laboratory. Consult. 2007-03-15. 
  6. H. Boehnhardt. "Split Comets" (PDF). Lunar and Planetary Institute (Max-Planck-Institut für Astronomie Heidelberg). Consult. 2008-10-25. 
  7. a b "What Have We Learned About Halley's Comet?". Astronomical Society of the Pacific (No. 6 - Fall 1986). 1986. Consult. 2008-12-14. 
  8. a b Weaver, H. A.; Stern, S.A.; Parker, J. Wm. (2003). "Hubble Space Telescope STIS Observations of Comet 19P/BORRELLY during the Deep Space 1 Encounter". The American Astronomical Society [S.l.: s.n.] 126: 444–451. doi:10.1086/375752. Consult. 2008-12-14. 
  9. "SOHO's new catch: its first officially periodic comet". European Space Agency. 2007-09-25. Consult. 2007-11-20. 
  10. a b c d D. T. Britt; G. J. Consol-magno SJ; W. J. Merline (2006). "Small Body Density and Porosity: New Data, New Insights" (PDF). Lunar and Planetary Science XXXVII. Consult. 2008-12-14. 
  11. Halley: Usando o volume de um elpsóide de 15x8x8km * uma densidade de 0,6 g/cm³ dá uma massa (m=d*v) de 3.02E+14 kg. Tempel 1: Usando um raio esférico de 6,25 km; o volume de uma esfera * uma densidade de 0,62 g/cm³ dá uma massa de 7.9E+13 kg. 19P/Borrelly: Usando o volume de um elipsóide de 8x4x4km * uma densidade de 0.3 g/cm³ dá uma massa de 2.0E+13 kg. 81P/Wild: Usando o volume de um elipsóide 5.5x4.0x3.3km * uma densidade de 0.6 g/cm³ dá uma massa de 2.28E+13 kg.
  12. RZ Sagdeev; PE Elyasberg; VI Moroz. (1988). "Is the nucleus of Comet Halley a low density body?". AA(AN SSSR, Institut Kosmicheskikh Issledovanii, Moscow, USSR), AB(AN SSSR, Institut Kosmicheskikh Issledovanii, Moscow, USSR), AC(AN SSSR, Institut Kosmicheskikh Issledovanii, Moscow, USSR). Consult. 2007-05-15. 
  13. "Comet 9P/Tempel 1". The Planetary Society. Consult. 2008-12-15. 
  14. "Comet 81P/Wild 2". The Planetary Society. Consult. 2007-11-20. 
  15. Whitman, Kathryn; Alessandro Morbidelli and Robert Jedicke (2006). "The Size-Frequency Distribution of Dormant Jupiter Family Comets" [S.l.: s.n.] Consult. 2008-02-06. 

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ícone de esboço Este artigo sobre astronomia é um esboço. Você pode ajudar a Wikipédia expandindo-o.