Ócio

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Disambig grey.svg Nota: Se procura pelo texto do sociólogo Domenico De Masi, veja O Ócio Criativo.
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O ócio, no sentido vulgar do termo, remete à noção de folga, de falta de compromissos de trabalho e, nesse contexto, possui uma conotação negativa que liga a ideia de ociosidade à ideia de vadiagem e de preguiça. Na literatura e na sociologia, contudo, o termo foi e é empregado muitas vezes em sentidos distintos.

Defesa do trabalho[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Trabalho

No âmbito do cristianismo, ainda que em diversos contextos o trabalho tenha sido apresentado como um dos castigos divinos em resposta ao pecado original, foi com a igreja calvinista que se estruturou a ideia do trabalho como um valor positivo e não um fardo. Max Weber (1864-1920) chamou essa ideologia de ética protestante e, de acordo com ela, só o trabalho, não a compaixão ou a devoção religiosa, levariam à salvação da alma.[1] Essa mesma espécie de devoção religiosa, desta vez ligada ao trabalho e à prosperidade, contudo, fez com que muitos sacrificassem a família, a saúde e o desenvolvimento pessoal em nome de um salário que não conseguirão gastar, numa situação que remete à célebre frase presente nos portões do campo de concentração de Auschwitz, nos quais se podia ler: "o trabalho liberta". [1]

Defesa do ócio[editar | editar código-fonte]

A defesa do ócio enquanto um momento de criação e reflexão, distinto portanto da noção de "não fazer nada", aparece na literatura do ocidente como uma resposta à sociedade industrial que tornou os indivíduos cada vez mais atarefados e presos ao mundo do trabalho. A base da teoria marxista desde o seu início era o direito progressivo do trabalhador a apropriação do ócio criativo, fazendo que a sociedade ficasse mais produtiva como um todo.[2] Desde o século XIX, quando o jornalista francês Paul Lafargue (1842-1911) publicou seu notório O Direito à Preguiça, a noção do ócio passou a ser revista e readequada a essa nova sociedade. Subsequentemente ao texto de Lafargue, por exemplo, pode-se citar O Elogio ao Ócio, um ensaio de autoria do filósofo e matemático inglês Bertrand Russell (1872-1970), para quem o trabalho não é ou não deveria ser o objetivo da vida de um indivíduo, trazendo o ideal de um mundo em que todos possam se dedicar a atividades agradáveis, usando o tempo livre (ocioso) não apenas para se divertir, mas para ampliar seus conhecimentos e a capacidade de reflexão. Já na segunda metade do século XX, a expressão ócio criativo foi consagrada pelo texto homônimo do sociólogo italiano Domenico De Masi (1938-), publicado originalmente em 1995. Nele, De Masi analisa a questão do ócio numa sociedade pós-industrial.

De modo mais informal o autor Stephen Robins publicou uma coletânea de citações intitulada The Importance of Being Idle (em tradução livre, "A Importância de Estar Ocioso"), que inspirou e dá nome a uma canção do grupo de rock britânico Oasis. Noel Gallagher teria descoberto o livro de Stephen Robins enquanto fazia uma limpeza em sua própria garagem, tratando-se na verdade de um exemplar que pertencia a sua então namorada Sara McDonald.

Referências

  1. a b Folha: Revolução digital pode reinventar o emprego contemporâneo
  2. A emancipação ociosa, ou, o que nos propõe a teoria crítica de Marx?
  3. Entrevista concedida no dia 09/09/2015 à apresentadora Kátia Biaia, no programa "CRA-RJ Entrevista", no contexto do IX ENCAD.

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