Os Doze Pares da França

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Dá-se a designação de Doze pares da França à tropa de elite pessoal do rei Carlos Magno da França, formada por doze cavaleiros leais ao rei, liderados por Rolando, sobrinho de Carlos Magno. A expressão "doze pares" se dá pelo fato dos doze cavaleiros terem extrema semelhança entre si, em termos de força, habilidade com armas e lealdade ao rei, e daí o termo "par".

Base histórica e mito[editar | editar código-fonte]

No século XI, os pares curiae eram os vassalos que auxiliavam o senhor feudal nas causas judiciais. Anteriormente, porém, na época carolíngia, já existiam os primi palatii (ou primi in curia), que eram os principais vassalos ao serviço do rei. Essa tropa de elite de Carlos Magno é citada na chamada Nota Emilianense, um comentário datado do século XI (c. 1054-1070) escrito no Códice emilianense 39. O autor espanhol da Nota Emilianense ter-se-á confundido ao crer que a palavra primi tinha o valor semântico de primos carnais e escreveu que Carlos Magno teria doze sobrinhos (""habuit duodecim neptis") já que, se todos eram primos entre si (primi), teriam de ser necessariamente sobrinhos de Carlos Magno. Assim se explica a confusão amplamente divulgada segundo a qual Rolando (protagonista da Canção de Rolando e principal dos pares de França) era o sobrinho favorito de Carlos Magno. Rolando não era, provavelmente, sobrinho do imperador, mas é possível que fosse um filho ilegítimo e incestuoso seu (fruto de uma relação entre Carlos Magno e a sua irmã). Esta é uma teoria bastante plausível, segundo os romanistas, e comum para a época, e seria um dos motivos da preferência de Carlos Magno por Rolando.

Os Doze pares também podem ser vistos também como personagens de ficção, protagonistas das obras medievais da denominada Matéria de França, um ciclo literário em que Carlos Magno e seus paladinos são os heróis principais. A primeira obra conhecida do ciclo é A Canção de Rolando, uma canção de gesta francesa do século XII que descreve de maneira fantasiosa a destruição da retaguarda do exército franco na Batalha de Roncesvales. Na batalha real, travada em 778, Rolando e outros paladinos francos foram massacrados numa passagem dos Pirenéus por guerreiros vascões. No poema, Rolando e os outros pares são traídos por Ganelão, um nobre franco que concerta um ataque junto ao rei muçulmano Marsílio, de Saragoça. Os mouros atacam e matam a todos a retaguarda franca, comandada por Rolando. Na segunda parte do poema, Carlos Magno regressa e vinga a morte de sua tropa de elite conquistando Saragoça e executando Ganelão.

A partir de 'A Canção de Rolando surgiram muitas outras obras literárias medievais que apresentavam Carlos Magno, Rolando e os pares como campeões da luta da cristandade contra a ameaça islâmica. A aliança celebrada entre a dinastia franca e a Igreja tinha fins estratégicos e políticos. Pretendia representar-se Carlos Magno como o modelo homem cristão virtuoso que governaria um vasto império sob os desígnios de Deus, o imperador que reuniria os reinos do Oriente e do Ocidente. Não é de estranhar, portanto, que estivesse rodeado de doze cavaleiros virtuosos e fiéis, os quais representam o modelo bíblico dos doze apóstolos. É possível estabelecer aqui, também, um paralelismo entre Ganelão e Judas: o vassalo traidor, responsável pela morte de Rolando, Oliveiros e todos os cristãos que pereceram na Batalha de Roncesvales.

Ver também[editar | editar código-fonte]