Ouriço-terrestre

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Como ler uma caixa taxonómicaOuriço-terrestre
Erinaceus europaeus (Marek Szczepanek).jpg

Estado de conservação
Status iucn3.1 LC pt.svg
Pouco preocupante (IUCN 3.1)
Classificação científica
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Mammalia
Ordem: Erinaceomorpha
Família: Erinaceidae
Subfamília: Erinaceinae
Género: Erinaceus
Espécie: E. europaeus
Nome binomial
Erinaceus europaeus
Linnaeus, 1758

O ouriço-terrestre (Erinaceus europeus) é um mamífero insectívoro primitivo da família Erinaceidae, a qual engloba 16 espécies de ouriços-cacheiros. O ouriço-cacheiro está apenas presente no continente europeu (nativo), sendo introduzindo na Nova Zelândia[1] . Em Portugal é uma espécie fácil de encontrar na Natureza.

Descrição física[editar | editar código-fonte]

Os ouriços são facilmente reconhecíveis pelos seus espinhos, que revestem todo o corpo (excepto no rosto e no ventre). O ouriço-cacheiro tem cerca de seis mil espinhos aguçados e com cerca de 2 a 3 centímetros, que cobrem o dorso e os flancos do seu corpo. Os espinhos são pêlos modificados cuja mobilidade é controlada pelos músculos. Os espinhos são eriçados, de cor castanha, com tonalidades mais ou menos escuras, porém o pêlo da barriga é esbranquiçado. Quando se sente ameaçado, o ouriço-cacheiro enrola-se sobre si próprio, ocultando as partes desprotegidas do seu corpo, como o ventre, os membros e a cabeça, transformando-se numa “bola com picos”, bastante difícil de penetrar. A cabeça distingue-se facilmente do resto do corpo, os olhos são grandes, as orelhas são relativamente pequenas e possui uma cauda rudimentar[2] . Não existe dimorfismo sexual, isto é, não existem características evidentes que diferenciem os machos e as fêmeas. No entanto, a principal diferença é que os machos possuem testículos intra-abdominais e o pénis bastante desenvolvido, enquanto a fêmea possui uma vagina perto do ânus e têm cinco pares de mamilos: um par na zona peitoral, dois pares na zona abdominal e dois pares na zona inguinal[3] . O comprimento do corpo varia entre 20 e 35 centímetros e a cauda entre 10 e 20 centímetros. Os animais adultos pesam em média 700 gramas, podendo este valor variar entre 400 e 1200 gramas. Um animal que não possua, pelo menos, entre 500 e as 600 gramas terá dificuldade em sobreviver ao período de hibernação[4] . Geneticamente são seres diplóides (2n) com 48 cromossomas[4] .

Distribuição geográfica[editar | editar código-fonte]

O ouriço-terrestre distribui-se por quase toda a Europa Central e Ocidental, com excepção das áreas do norte e montanhosas da Escandinávia. Também se encontra nos Países Bálticos como a Finlândia e a Estónia. A sua fronteira leste atinge a porção ocidental da Polónia, Áustria, República Checa e Eslovénia. Pode ser encontrada em quase toda a Península Ibérica. Está ausente das ilhas Baleares e Canárias e em territórios no norte da África[2] . Foi introduzida recentemente, em algumas ilhas dos Açores, nomeadamente em São Miguel, Santa Maria, Terceira, São Jorge, Pico e Faial. No Mediterrâneo, ocorre na ilha de Córsega (França), Sardenha e Sicília (Itália) [5] .

Ecologia e comportamento[editar | editar código-fonte]

Na Península Ibérica possui uma vasta gama de habitats, desde zonas abertas até áreas mais arborizadas, esta última é a mais procurada pelos ouriços-cacheiros pois oferece abrigo e protecção. Na área do Mediterrâneo preferem áreas mais húmidas, como florestas. Habitam também zonas semi-urbanas, como jardins. O ouriço-cacheiro é um animal activo, principalmente ao crepúsculo e durante a noite. O ouriço-cacheiro é insectívoro, isto é, o seu regime alimentar passa sobretudo por pequenos insectos. No entanto, também come frutos silvestres, sementes, minhocas, caracóis, ovos de aves (de ninhos que são construídos no solo) ou ainda pequenas rãs e répteis que encontre pelo seu caminho. Apesar das pequenas patas, o ouriço-cacheiro pode percorrer um a três quilómetros numa noite à procura de alimento[6] . Como se alimenta em poucas porções e tem uma taxa metabólica muito alta, os ouriços-cacheiros procuram alimento também durante o dia, em especial as fêmeas durante o período de amamentação e os jovens, pois têm maiores necessidades energéticas[6] . Os ouriços-cacheiros são animais solitários, contudo não são animais territoriais. A sua área territorial varia entre 20 a 30 hectares para os machos e cerca de 10 hectares para as fêmeas[2] . Não são animais agressivos, porém há registo de lutas, principalmente entre os machos, para estabelecer domínio entre eles. São mamíferos noctívagos e hibernam, usando uma toca que cavam no solo. A hibernação do ouriço ocorre desde de Novembro até Março, havendo uma alta taxa de mortalidade nos ouriços durante a primeira hibernação[2] . Os ouriços-cacheiros constroem tocas para hibernar e terem as crias. Durante os meses mais quentes do ano, refugiam-se em locais com vegetação densa, mudando muitas vezes de abrigo. Em Portugal, a hibernação apenas acontece nos ouriços-cacheiros que habitem regiões de elevadas altitudes, como a Serra da Estrela e planaltos do distrito de Bragança, onde o frio é bastante acentuado[7] .

Reprodução[editar | editar código-fonte]

Por terem o corpo coberto de espinhos, é difícil pensar como os ouriços-cacheiros se reproduzem. Porém os espinhos são manobráveis e, na época de reprodução, quando o macho faz uma “dança” à volta da fêmea, esta baixa os espinhos de forma a que os espinhos fiquem deitados sobre o seu corpo, permitindo o acasalamento[6] .

Em Portugal, os ouriços podem acasalar entre Janeiro/Fevereiro e Agosto/ Setembro, sendo que na maior parte das vezes, acasalam apenas uma vez por ano. A fêmea constrói um ninho com penas e palhas onde criará sozinha, a sua ninhada. O período de gestação tem a duração de 35 dias, nascendo 2 a 6 crias. As crias nascem cegas, de cor branca e com peso relativo de 10 a 25 g. As crias não nascem com os picos aguçados e o seu corpo está envolto numa camada gelatinosa espessa. Deste modo, ao nascer, as crias não ferem a mãe. Mas no interior dos espinhos há um líquido que horas após o nascimento, secará levando a que estes rapidamente fiquem eriçados e fortes. A abertura dos olhos ocorre após duas semanas e as crias começam a sair do ninho na terceira semana. A amamentação dura cerca de um mês. Após esse período, a cria alimenta-se sem qualquer auxílio dos progenitores[8] .

Até ao primeiro ano de vida, a mortalidade é bastante elevada (até 70%). Passado esse ano, os ouriços conseguem viver até cinco anos. A maturidade sexual é atingida ao primeiro ano de vida. As crias, desde nascimento, enrolam-se sobre si mesmas, pois são deixadas sozinhas no ninho pela progenitora que necessita de se alimentar. Embora as crias sejam mais vulneráveis, pois os seus espinhos são menos duros, os predadores não são a principal ameaça dos ouriços[9] .

Factores de Ameaça[editar | editar código-fonte]

Por serem animais relativamente lentos, são um dos vertebrados mais susceptíveis de ser atropelados[10] . Por exemplo, na província de Leão (Espanha) são atropelados em média de 1,7 indivíduos por quilómetro[10] . No que diz respeito a relações bióticas, existem registos de o ouriço-cacheiro ser predado pelo Bufo-real (Bubo bubo), raposas (Vulpes vulpes), texugos (Meles meles) e mesmo cães (Canis lupus).

Parasitas[editar | editar código-fonte]

São animais que apresentam diversas patologias, sendo parasitados por trematódes, nematodes, sifonápteros e acarinos, entre os quais alguns parasitas exclusivos, como o trematóde Brachylaemus erinacei e a pulga Archaeopsylla erinacei[11] .

Factores de Conservação[editar | editar código-fonte]

O ouriço-cacheiro está classificado como espécie com estatuto de conservação pouco preocupante (LC), segundo a Lista Vermelha da IUCN[12] .

Apesar da sua principal ameaça ser os atropelamentos, não estão sujeitos a nenhuma tendência regressiva e são abundantes em toda sua área de distribuição. O ouriço-cacheiro é uma das espécies que está listada no Anexo III da Convenção de Berna. Ocorre em várias áreas protegidas dentro da sua área geográfica.

Importância cultural e económica[editar | editar código-fonte]

Não tem particular interesse económico especial pelo seu uso. Em certas regiões Europeias são animais por vezes perseguidos pelo Homem, pois alimentam-se de ovos de aves cinegéticas que têm ninho no solo[8] .

No País Basco e em Portugal era uma espécie capturada, com fins gastronómicos. O ouriço-cacheiro era considerado um petisco no sul de Portugal, tendo o prato nome de «leitão da serra». Actualmente, não é permitida a captura destes animais selvagens [3] .

Informações taxonómicas[editar | editar código-fonte]

Estudos genéticos recentes apoiam a distinção de uma nova subespécie E. europaeus hispanicus, endémica da Península Ibérica, porém são necessários estudos adicionais serem realizados para confirmar esta possibilidade[2] .

Referências

  1. Amori, G., Hutterer, R., Kryštufek, B., Yigit, N., Mitsain, G. & Palomo, L.J. 2008. Erinaceus europaeus. In: IUCN 2013. IUCN Red List of Threatened Species. Version 2013.2. <www.iucnredlist.org>.
  2. a b c d e Palomo, L. J., Gisbert , J. y Blanco, J. C. (2007). Atlas de los mamíferos terrestres de España (Dirección ., p. 558). Madrid, España. Retrieved from http://scholar.google.pt/scholar?q=Atlas+de+los+Mamíferos+Terrestres+de+España&btnG=&hl=pt-PT&as_sdt=0,5#2
  3. a b Mitchell-Jones, A., & Amori, G. (1999). The atlas of European mammals. Wageningen UR, Library (Netherlands) WURL, 1, 12. Retrieved from http://agris.fao.org/agris-search/search/display.do?f=2012/NL/NL201233744074.xml;NL2012033807
  4. a b alomo, L. J., Gisbert , J. y Blanco, J. C. (2007). Atlas de los mamíferos terrestres de España (Dirección ., p. 558). Madrid, España. Retrieved from http://scholar.google.pt/scholar?q=Atlas+de+los+Mamíferos+Terrestres+de+España&btnG=&hl=pt-PT&as_sdt=0,5#2 Robinson, M. (1996). A relationship betwen echolocation calls and noseleaf widths in bats of the genera Rhinolophus and Hipposideros. Journal of Zoology. Retrieved from http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1111/j.1469-7998.1996.tb05459.x/abstract Sharp, L. (1985). British Hedgehog Preservation Society. Environmental Conservation. Retrieved from http://journals.cambridge.org/abstract_S0376892900016167
  5. Amori, G., Hutterer, R., Kryštufek, B., Yigit, N., Mitsain, G. & Palomo, L.J. 2008. Erinaceus europaeus. In: IUCN 2013. IUCN Red List of Threatened Species. Version 2013.2. <www.iucnredlist.org>.
  6. a b c Sharp, L. (1985). British Hedgehog Preservation Society. Environmental Conservation. Retrieved from http://journals.cambridge.org/abstract_S0376892900016167
  7. Robinson, M. (1996). A relationship betwen echolocation calls and noseleaf widths in bats of the genera Rhinolophus and Hipposideros. Journal of Zoology. Retrieved from http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1111/j.1469-7998.1996.tb05459.x/abstract
  8. a b Bunnell, T. (2002). The assessment of British hedgehog (Erinaceus europaeus) casualties on arrival and determination of optimum release weights using a new index. Journal of Wildlife Rehabilitation. Retrieved from http://www.researchgate.net/publication/235346763_The_Assessment_of_British_Hedgehog_(Erinaceus_europaeus)_Casualties_on_Arrival_and_Determination_of_Optimum_Release_Weights_Using_a_New_IndexToni_Bunnell/file/9fcfd51124044b18ac.pdf
  9. Blanco, J. (1998). Mamíferos de España II. Cetáceos, Artiodáctilos, Roedores y. Retrieved from http://www.lavoisier.fr/livre/notice.asp?ouvrage=2410302
  10. a b Huijser, M., & Bergers, P. (2000). The effect of roads and traffic on hedgehog ( Erinaceus europaeus) populations. Biological Conservation. Retrieved from http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0006320700000069
  11. Morris, P., & English, M. (1969). Trichophyton mentagrophytes var. erinacei in British hedgehogs. Medical Mycology. Retrieved from http://informahealthcare.com/doi/abs/10.1080/00362177085190221
  12. Amori, G., Hutterer, R., Kryštufek, B., Yigit, N., Mitsain, G. & Palomo, L.J. 2008. Erinaceus europaeus. In: IUCN 2013. IUCN Red List of Threatened Species. Version 2013.2. <www.iucnredlist.org>.