Porta Esquilina

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Saltar para a navegação Saltar para a pesquisa
Porta Esquilina
Arco de Galiano, a antiga Porta Esquilina.
Diagrama da Muralha Serviana com a Porta Esquilina (nº 3).
Tipo Portão
Geografia
País Itália
Cidade Roma
Localidade Região III - Ísis e Serápis
Coordenadas 41° 53' 45" N 12° 30' 05" E
Porta Esquilina está localizado em: Roma
Porta Esquilina
Porta Esquilina

Porta Esquilina era um portão da antiga Muralha Serviana[1]. Segundo a tradição, sua construção remonta ao século VI a.C., quando se acredita que a muralha teria sido construída pelo rei Sérvio Túlio. Porém, segundo os estudiosos modernos e as evidências arqueológicas, ela seria do século IV a.C.[2].

Localização[editar | editar código-fonte]

A Porta Esquilina se abria entre Roma e o monte Esquilino, a leste da cidade e que servia, na época republicana, como cemitério. Depois, a região foi tomada pelos mais belos jardins dos imperadores romanos, como os Jardins de Mecenas[3]. Ao norte da Porta Esquilina estava o áger (aterro), uma seção fortificada da Muralha Serviana[4]. A sudoeste estavam alguns monumentos notáveis, como a Casa Dourada de Nero, as Termas de Tito e as Termas de Trajano[5]. Duas grandes estradas romanas, a via Labicana e a via Prenestina, partiam da Porta Esquilina[6], mas deixavam Roma como uma única via até se separarem definitivamente perto da muralha exterior da cidade, a Muralha Aureliana[1].

História[editar | editar código-fonte]

Seguindo o conceito do pomério, aparentemente havia uma "tradição" não oficial romana de que certos tipos de assassinatos deveriam ser realizados "fora" da cidade e, por isso, diversos autores antigos incluem a Porta Esquilina em suas descrições de atos do tipo. Por exemplo, Cícero conta que a morte de Asino de Larinum teria ocorrido "fora da Porta Esquilina"[7] e Tácito afirma que o astrólogo Públio Márcio teria sido executado pelos cônsules fora da Porta Esquilina[8].

A Porta Esquilina também foi mencionada na literatura antiga como uma importante via de entrada e saída de Roma. Lívio narra o plano estratégico do cônsul Valário para atrair salteadores etruscos que atacavam os romanos. Valário ordenou que o gado, que havia sido recolhido para o interior da muralha por segurança, fosse retirado pela Porta Esquilina para que os etruscos fossem atraídos para o sul para que os romanos pudessem emboscá-los e envolvê-los por todos os lados[9]. Cícero, num discurso minimizando a grandiosidade dos triunfos, menciona como ele pisoteou seus louros macedônios ao entrar na cidade pela Porta Esquilina, o que sugere que este portão era utilizado para os triunfos da época[10]. Outro exemplo é a descrição de Plutarco sobre a primeira marcha sobre Roma de Sula[11], que ordenou que a Porta Esquilina fosse conquistada e enviou algumas de suas forças para tomá-la. Porém, pedras e tijolos foram atirados nelas por cidadãos romanos que Mário havia recrutado para defender a cidade[12].

Inicialmente, a Porta Esquilina era um arco simples construído no século I d.C., que depois foi transformado numa estrutura tripla no século III[13] que alcançava 8,8 metros de altura[1], uma obra patrocinada pelo equestre Marco Aurélio Vítor em 262 em homenagem ao imperador romano Galiano[14]. Apesar de as evidências arqueológicas terem revelado sinais das fundações de um pilar a mais, os arcos adicionais de Aurélio Vítor não sobreviveram e atualmente apenas o arco central original permanece no local[13].

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b c Platner, S.B. & Ashby, T. A Topographical Dictionary of Ancient Rome. London: Humphrey Milford Oxford University, Press. 1929 (em inglês)
  2. Holloway, R. Ross. The Archaeology of Early Rome and Latium. London and New York: Routledge Press. 1994 (em inglês)
  3. Speake, Graham. A Dictionary of ancient history. Oxford, OX, UK: Blackwell Reference, 1994. (em inglês)
  4. Palmer, Robert E. A. Jupiter Blaze, Gods of the Hills, and the Roman Topography of CIL VI, 377. American Journal of Archaeology, Vol. 80, No. 1, pp. 43-56. (Winter, 1976) (em inglês)
  5. Bunson, Matthew. Encyclopedia of the Roman Empire. New York: Facts on File, 1994. (em inglês)
  6. The Geography of Strabo. London. George Bell & Sons. 1903. (em inglês)
  7. Cic. Pro. Clu. 37. M. Tullius Cicero. The Orations of Marcus Tullius Cicero, trad. C.D. Yonge, B. A. London. Henry G. Bogn, York Street, Covent Garden. 1856. (em inglês)
  8. Tac. Ann. ii. 32. Complete Works of Tacitus. Tácito. Alfred John Church. William Jackson Brodribb. Sara Bryant. New York: Random House, Inc. Random House, Inc. ed. 1942. (em inglês)
  9. Lívio. ii. 11. 5. History of Rome. Trad. Rev. Canon Roberts. New York, New York. (em inglês)
  10. Cic. In Pis. 61, M. Tullius Cicero. The Orations of Marcus Tullius Cicero, trad. C. D. Yonge, B. A. London. George Bell & Sons, York Street, Covent Garden. 1891. (em inglês)
  11. Plut. Sulla 9. 6
  12. Carney, T. F.The Flight and Exile of Marius. Greece & Rome, 2nd Ser., Vol. 8, No. 2, pp. 98-121 (Out., 1961). (em inglês)
  13. a b Holland, Leicester B. The Triple Arch of Augustus. American Journal of Archaeology, Vol. 50, No. 1, pp. 52-59 (Jan. - Mar., 1946). (em inglês)
  14. Marindin, G. E., William Smith LLD,and William Wayte. A Dictionary of Greek and Roman Antiquities. Albemarle Street, London. John Murray. 1890. (em inglês)