Procusto

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Teseu e Procrusto

Procusto, também conhecido como "Procrustes", "Procrusto"[1], "Damastes" ou "Polipémon" é um personagem da mitologia grega, que faz parte da história de Teseu.

História[editar | editar código-fonte]

Procusto era um bandido que vivia na serra de Elêusis. Em sua casa, ele tinha uma cama de ferro, que tinha seu exato tamanho, para a qual convidava todos os viajantes a se deitarem. Se os hóspedes fossem demasiados altos, ele amputava o excesso de comprimento para ajustá-los à cama, e os que tinham pequena estatura eram esticados até atingirem o comprimento suficiente. Uma vítima nunca se ajustava exatamente ao tamanho da cama porque Procusto, secretamente, tinha duas camas de tamanhos diferentes.[2][3]

Continuou seu reinado de terror até que foi capturado pelo herói ateniense Teseu que, em sua última aventura, prendeu Procusto lateralmente em sua própria cama e cortou-lhe a cabeça e os pés, aplicando-lhe o mesmo suplício que infligia aos seus hóspedes.

Etimologia[editar | editar código-fonte]

Procusto significa "o esticador", em referência ao castigo que o referido bandido aplicava a suas vítimas. A mesma personagem é às vezes referida como Polipémon ou Damastes.

Simbologia[editar | editar código-fonte]

Charge da revista Punch (1891) comparando a nova lei britânica das oito horas de trabalho com a cama de Procusto.

Procusto representa, em regra, a intolerância do ser humano em relação ao seu semelhante[4]. Nesse e em outros sentidos dicotômicos, o mito já foi usado como metáfora para criticar tentativas de imposição de um padrão em várias áreas do conhecimento, como na economia[5], na política[6], na educação [4][7], na história[4], na metodologia científica[8], na medicina[9], na administração[10], nas ciências sociais[1] e na sociologia eleitoral[11].

Paralelo[editar | editar código-fonte]

Curiosamente, a tradição rabínica menciona que um dos crimes cometidos contra os forasteiros pelos habitantes de Sodoma era quase idêntico ao de Procusto, dizendo respeito à cama de Sodoma (mitat s'dom) na qual os visitantes da cidade eram obrigados a dormir.[12]

Notas e referências

  1. a b WEBER, Max (2006). A 'objetividade' do conhecimento nas ciências sociais. Coleção Ensaios Comentados. Traduzido e comentado por: Gabriel Cohn (São Paulo: Ática). p. 79. ISBN 9788508106066. 
  2. Tesouro da Fraseologia Brasileira, Antenor Nascentes, p.164
  3. Dicionário da Mitologia Grega e Romana, Pierre Grimal, p.396
  4. a b c BAGNO, 2000, p. 54
  5. Metáfora sobre a homogeneização dos regimes cambiais dos países do Mercosul em artigo de Otaviano Canuto publicado em O Estado de S. Paulo (em português)
  6. Metáfora em crítica do governador de Santa Catarina às perdas provocadas pela Lei Kandir (em português)
  7. Metáfora sobre a educação em explicação do mito por Cláudio Moreno (em português)
  8. BRADY; COLLIER, 2004, p. 5
  9. (Ir)racionalidade Médica: Os Paradoxos da Clínica (em português)
  10. Metáfora sobre teorias científicas e administrativas em artigo de Ivan Guerrini na Usina de Letras (em português)
  11. SEILER, Daniel-Louis (2000). Os partidos políticos. Traduzido por Renata Maria Parreira Cordeiro (Brasília e São Paulo: UnB e IOESP). p. 103. ISBN 85-230-0548-X. «Tropeçando, ainda por cima, na renovação [dos partidos de cunho] ecologista, elas [as tipologias, sobre partidos políticos, que se organizam em uma única dimensão] se tornam um verdadeiro "leito de Procusto".» 
  12. The beds of Sodom, em Arutz Sheva (em inglês)

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • BAGNO, Marcos (2000). Pesquisa na escola: o que é, como se faz 5a ed. Loyola [S.l.] ISBN 8515018411. 
  • BRADY, Henry; COLLIER, David (Ed.) (2004). Rethinking social inquiry: diverse tools, shared standards 1 ed. (New York: Opus Editora). 
  • MÉNARD, René (1997). Mitologia Greco-Romana 5a ed. (São Paulo: Opus Editora).