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Parque Estadual Mata do Pau-Ferro: diferenças entre revisões

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A '''Reserva Ecológica da Mata do Pau Ferro''' é uma gleba de terra de 600 hectares situada no sítio "Vaca Brava", pertencente ao Governo do Estado da [[Paraíba]].
A '''Reserva Ecológica da Mata do Pau Ferro''' é uma gleba de terra de 600 hectares situada no sítio "Vaca Brava", pertencente ao Governo do Estado da [[Paraíba]].

Foi criada pelo Decreto-Lei nº 14.832, de [[19 de outubro]] de [[1992]] e localiza-se mais precisamente na microrregião do Brejo Paraibano, a cinco quilômetros da sede do município de [[Areia]], [[Paraíba]], entre as coordenadas geográficas: 6º 58’12" latitude sul e 35º 42’ 15" longitude oeste de [[Meridiano de Greenwich|Greenwich]].
Foi criada pelo Decreto-Lei nº 14.832, de [[19 de outubro]] de [[1992]] e localiza-se mais precisamente na microrregião do Brejo Paraibano, a cinco quilômetros da sede do município de [[Areia]], [[Paraíba]], entre as coordenadas geográficas: 6º 58’12" latitude sul e 35º 42’ 15" longitude oeste de [[Meridiano de Greenwich|Greenwich]].
A Reserva Ecológica Mata do Pau-Ferro está localizada 5 km a oeste da sede do município de Areia (6º 58’12’S e 35o 42’15’W), numa altitude variável entre 400 e 600 m, temperatura média anual de 22º C, umidade relativa em torno de 85% e totais
pluviométricos anuais em torno de 1400 mm (Mayo & Fevereiro 1981). A área foi adquirida pelo Estado em 1937 e, desde a década de 40, tem sido objeto de coletas aleatórias, principalmente por parte de Jaime Coelho de Moraes e Lauro Xavier, numa primeira fase (anos 40 e 50). Na década de 80, teve início, por iniciativa do Centro de Ciências Agrárias da UFPB, um projeto de levantamento florístico da área que, infelizmente, não teve seqüência, embora inúmeras coletas tenham sido realizadas por Vânia Fevereiro e colaboradores. Na área existem algumas trilhas para o explorador visitar melhor o interior da mata.
O atual levantamento florístico foi realizado através de caminhadas aleatórias em toda a área da Reserva, no período de 1997 a 2000 e em um total de 85 unidades amostrais, constituídas por parcelas de 10 x 20 m, distribuídas em transectos ao longo dos ambientes de matas ciliares da referida unidade de conservação. Estas coletas foram sistemáticas em relação ao estrato arbustivo-arbóreo, objeto de um estudo fitossociológico realizado ao longo das matas ciliares (Nascimento 2002). A identificação do material foi realizada com o auxílio de chaves analíticas, consultas à bibliografia especializada, através de comparações com material previamente identificado por especialistas ou por consulta aos próprios especialistas. O material coletado foi incorporado à coleção do Herbário JPB. Foi levantado também todo o material coletado anteriormente na área e que se encontrava depositado nos herbários JPB e EAN. Como resultado, elaborou-se uma lista das espécies de Angiospermas, de acordo com o sistema de Cronquist (1988), com a citação de um material de referência. O nome dos autores está abreviado de acordo com Brummit & Powell (1992).

==Espécies vegetais da Mata==
Foram relacionadas, para a Mata do Pau-Ferro, 309 espécies de Angiospermas, distribuídas em 84 famílias. Dessas, 27 ficaram determinadas apenas ao nível de gênero e 3 ao nível de família, devido à ausência ou insuficiência de material fértil. As famílias mais importantes com relação ao número de espécies foram: Rubiaceae (24), Malvaceae (21), Solanaceae (16), Asteraceae (14), Convolvulaceae (12) e Fabaceae (12), com cerca de 32,7% do total de espécies identificadas. Fabaceae, porém, se tratada com senso amplo (Leguminosae), seria a família com o maior número de espécies (30).
Os gêneros com maior número de espécies coletadas foram: Sida (11), Solanum (10), Piper (6), Psychotria (5), Senna (6), Ipomoea (5) e Vernonia (5). Destes, Sida caracteriza-se principalmente por espécies presentes em áreas alteradas. Já as espécies de Solanum e Psychotria são características do sub-bosque da Mata Atlântica. Destacam-se também os gêneros Croton e Passiflora, com 4 espécies cada, e Cordia, Heliotropium, Tournefortia, Miconia,Acacia, Microtea, Borreria e Melochia, com 3 espécies cada. Dentre as espécies arbóreas identificadas na área estudada, são comumente encontradas Tapirira guianensis, Erythroxylum pauferrense, E. simonis, Ocotea glomerata, Eschweilera ovata, Byrsonima sericea, Rapanea guianensis e Cupania revoluta.
Como ocorre com as outras matas de brejo de altitude do Nordeste, dados de levantamentos anteriores, quando feitos, foram publicados de forma muito incompleta, dificultando uma análise de mudanças da flora ao longo dos anos. Na Mata do Pau-Ferro foi feito um trabalho pioneiro por Mayo & Fevereiro (1982), no qual os autores afirmam que identificaram cerca de 200 espécies de angiospermas e gimnospermas. No entanto, publicaram apenas uma lista preliminar com 24 espécies arbóreas encontradas em dois transectos de 6 x 200 m, nos quais foram levantadas todas as árvores com DAP maior ou igual a 10 cm. Todavia, mesmo o número total de espécies mencionado é bem inferior ao encontrado neste trabalho.
A ênfase dos trabalhos com a flora das matas serranas nordestinas, nos últimos anos, tem sido a comparação entre distintos brejos. Em uma comparação deste tipo, a Mata do Pau-Ferro destaca-se pela riqueza de espécies. O número encontrado é um pouco menor (309 contra 375) que o da Mata do Estado, em São Vicente Férrer, Pernambuco (Ferraz 2002), e muito próximo ao número de espécies listadas para o Pico do Jabre, na Paraíba, porém bem maior que o de todas as outras matas de brejo já estudadas, que ficaram abaixo de 200. Várias hipóteses podem ser levantadas para explicar esta maior riqueza, mas não é possível, atualmente, separar a contribuição de diferentes causas. Os levantamentos dirigidos preferencial ou mesmo exclusivamente para arbóreas (Ferraz et al.1998, Tavares et al. 2000, Cavalcante et al. 2000, Nascimento 2001, Moura & Sampaio, 2001), obviamente, resultam em números inferiores aos da flora total e impedem uma comparação realista com a lista completa deste trabalho. Mas as listas abrangentes das matas da Serra de Itabaiana, em Sergipe (Vicente 1999), e de Pesqueira, em Pernambuco (Correia 1996), contam apenas com 106 e 188 espécies, respectivamente.
A maior proximidade do brejo de Areia da área originalmente ocupada com Mata Atlântica, na faixa mais úmida e mais próxima à costa, também pode ser uma causa de maior riqueza, como foi aventado para a Mata de São Vicente Férrer (Ferraz 2002). As duas matas estão bastante próximas desta faixa, em contraposição a brejos circundados por uma área de maior raio na qual predomina a caatinga, como a Serra de Baturité, no Ceará (Cavalcante et al. 2000), ou em Triunfo (Ferraz et al. 1998) e Pesqueira (Correia 1996), em Pernambuco. Entretanto, nestes casos, o efeito da maior distância pode ser reforçado pelo efeito do tamanho da área remanescente de mata, outro fator que pode influenciar na riqueza da flora, áreas menores tendendo a uma flora mais pobre (Ferraz 2002). Os remanescentes na Serra de Baturité e em Triunfo são muito pequenos (menos de 50 ha) e o de Pesqueira um pouco maior (85 ha), mas bem menor que os de Pau-Ferro e de São Vicente Férrer (mais de 600 ha). Estas áreas maiores também podem incluir uma maior variação de situações, como clareiras, estágios sucessionais em locais de antigos cultivos e depressões inundáveis, que contribuem para a flora total com as espécies que lhes são características. A Mata do Pau-Ferro inclui todas as situações acima.
Naturalmente, estas não são as únicas causas de uma flora reduzida. O tamanho do remanescente de mata em Brejo dos Cavalos (cerca de 500 ha), em Caruaru (Tavares et al.2000), e a distância da mata costeira são semelhantes aos da Mata do Pau-Ferro, mas o número de espécies listadas foi bem menor. Há que se considerar o efeito da antropização, embora ele seja menos claro em suas conseqüências. Uma degradação avançada pode resultar em redução no número de espécies, mas a alteração de algumas manchas pode favorecer a presença de espécies invasoras, às vezes vindas dos cultivos vizinhos, que se somam às da flora original. Além destas causas, diferenças ambientais, como disponibilidade hídrica (chuva, orvalho, profundidade de solo), temperatura e fertilidade do solo (distintos nutrientes), podem ser responsáveis por diferenças em riqueza. É necessário um maior número de estudos para que a contribuição destes múltiplos fatores seja identificada.
Comparar a flora da Mata do Pau-Ferro com a da mata ombrófila costeira paraibana esbarra na carência de dados. Há apenas um trabalho publicado sobre esta mata costeira (Barbosa 1996) e quase na máxima distância possível de Areia, em João Pessoa, a poucos quilômetros do mar. Se já houve uma gradação de flora desta faixa costeira até a encosta da Borborema, onde está Areia, não se sabe e fica difícil saber, porque quase toda a vegetação original foi substituída por cultivos. Neste levantamento em João Pessoa, foram encontradas 236 espécies, das quais 89 em comum com o levantamento da Mata do Pau-Ferro, mostrando claramente a ligação florística entre ambas as áreas.
Esta ligação parece maior que a existente entre as matas do Pau-Ferro e de São Vicente Férrer. Das 375 espécies deste último local, apenas 49 também ocorreram na lista das 309 espécies de Pau-Ferro. Do mesmo modo, comparações com a flora de outras matas serranas nordestinas, tomadas isoladamente, revelam um baixo número de espécies em comum. Tomando, por exemplo, a lista florística mais completa depois das duas acima, a da mata de Pesqueira (Correia 1996), apenas 32 das 188 espécies também ocorreram em Pau-Ferro. As outras comparações apontam quadro semelhante. É preciso ressaltar, entretanto, que todas elas devem ser feitas com cautela, por conta de diversas limitações, como a amostragem parcial da flora e a alta proporção de espécies com identificação incompleta. Tendo em mente esta ressalva, parece que a flora dos brejos é muito diversificada, com baixa semelhança entre matas isoladas, mas com muitas espécies que aparecem em alguns deles e em outros não. Este padrão é apontado comparando-se a flora de vários brejos pernambucanos (Sales et al. 1998). Na listagem ampla, com 957 espécies, há 118 também encontradas na Mata do Pau-Ferro. Portanto, um número relativamente grande de espécies ocorre em algum outro brejo, ainda que a semelhança florística seja baixa com cada um deles tomado isoladamente. O maior número de espécies em comum com um deles, o de São Vicente Férrer, foi apenas 49. Desta análise emerge uma outra observação importante: quase dois terços das espécies de Pau-Ferro (quase 200 espécies) não foram citadas na lista geral da flora dos brejos pernambucanos organizada por Sales et al. (1998). Isto leva à conclusão de que as matas serranas têm floras bem particulares e que todo esforço deve ser feito para preservar os poucos remanescentes ainda existentes.
Obviamente, a diversidade florística das matas serranas se reduz e a semelhança entre elas aumenta quando se consideram níveis taxonômicos acima de espécie, como gênero e família. Em todos os biomas brasileiros, as famílias presentes não variam muito, refletindo a origem comum da flora neotropical. Algumas poucas famílias estão ausentes em alguns biomas, notadamente famílias bem representadas nas matas úmidas e freqüentemente ausentes em levantamentos na caatinga, como por exemplo, Lecythidaceae, Moraceae e Melastomataceae. O inverso é menos comum, com poucas exceções, entre elas, Cactaceae. Neste nível, em geral, a flora das matas serranas nordestinas é mais semelhante à de outras matas enquadradas no bioma Mata Atlântica, como as matas costeiras da região, e, por isto, as matas serranas têm sido incluídas neste bioma, apesar de situadas dentro da área do bioma Caatinga. Esta situação, com toda a indefinição de fronteiras que causa, justifica que tenham sido referidas para as matas serranas muitas espécies típicas de caatinga, incluindo várias da família Cactaceae. Na Mata do Pau-Ferro estão representadas quase todas as famílias da Mata Atlântica nordestina (Barbosa 1996).
A comparação das famílias presentes na Mata do Pau-Ferro com as das listas de outras matas Serranas pode ser feita, em maior detalhe, levando em conta a representatividade, em termos de número de espécies. Entretanto, considerando que as comparações ficam prejudicadas no caso das listas oriundas de levantamentos com critérios de exclusão que eliminam espécies de plantas de pequeno porte, os casos comparáveis são muito poucos. Várias das famílias com maior número de espécies em Pau-Ferro, como Malvaceae (21 espécies), Asteraceae (14), Convolvulaceae (12) e Solanaceae (16), possuem muitas espécies de plantas de pequeno porte, excluídas nos levantamentos restritos a arbóreas. Assim, foram pouco representadas nas listas dos trabalhos voltados mais à fitossociologia, mas também eram das mais representadas na lista de São Vicente Férrer (Ferraz 2002). As famílias com predominância de espécies que atingem porte arbóreo e que constam na lista de Pau-Ferro entre às com maior número de espécies, também tinham posição alta no ordenamento por número de espécies em outras listas de matas serranas. Há, no entanto, diferenças nas ordens de classificação das famílias entre as distintas matas. Em quase todas, Fabaceae, no sentido amplo de Leguminosae (30 espécies em Pau-Ferro), tem o maior número de espécies, como ocorre também na caatinga e no cerrado, numa característica da flora neotropical.


==Objetivos da Unidade de Conservação==
==Objetivos da Unidade de Conservação==

Revisão das 13h42min de 15 de dezembro de 2008

A Reserva Ecológica da Mata do Pau Ferro é uma gleba de terra de 600 hectares situada no sítio "Vaca Brava", pertencente ao Governo do Estado da Paraíba. Foi criada pelo Decreto-Lei nº 14.832, de 19 de outubro de 1992 e localiza-se mais precisamente na microrregião do Brejo Paraibano, a cinco quilômetros da sede do município de Areia, Paraíba, entre as coordenadas geográficas: 6º 58’12" latitude sul e 35º 42’ 15" longitude oeste de Greenwich. A Reserva Ecológica Mata do Pau-Ferro está localizada 5 km a oeste da sede do município de Areia (6º 58’12’S e 35o 42’15’W), numa altitude variável entre 400 e 600 m, temperatura média anual de 22º C, umidade relativa em torno de 85% e totais pluviométricos anuais em torno de 1400 mm (Mayo & Fevereiro 1981). A área foi adquirida pelo Estado em 1937 e, desde a década de 40, tem sido objeto de coletas aleatórias, principalmente por parte de Jaime Coelho de Moraes e Lauro Xavier, numa primeira fase (anos 40 e 50). Na década de 80, teve início, por iniciativa do Centro de Ciências Agrárias da UFPB, um projeto de levantamento florístico da área que, infelizmente, não teve seqüência, embora inúmeras coletas tenham sido realizadas por Vânia Fevereiro e colaboradores. Na área existem algumas trilhas para o explorador visitar melhor o interior da mata. O atual levantamento florístico foi realizado através de caminhadas aleatórias em toda a área da Reserva, no período de 1997 a 2000 e em um total de 85 unidades amostrais, constituídas por parcelas de 10 x 20 m, distribuídas em transectos ao longo dos ambientes de matas ciliares da referida unidade de conservação. Estas coletas foram sistemáticas em relação ao estrato arbustivo-arbóreo, objeto de um estudo fitossociológico realizado ao longo das matas ciliares (Nascimento 2002). A identificação do material foi realizada com o auxílio de chaves analíticas, consultas à bibliografia especializada, através de comparações com material previamente identificado por especialistas ou por consulta aos próprios especialistas. O material coletado foi incorporado à coleção do Herbário JPB. Foi levantado também todo o material coletado anteriormente na área e que se encontrava depositado nos herbários JPB e EAN. Como resultado, elaborou-se uma lista das espécies de Angiospermas, de acordo com o sistema de Cronquist (1988), com a citação de um material de referência. O nome dos autores está abreviado de acordo com Brummit & Powell (1992).

Espécies vegetais da Mata

Foram relacionadas, para a Mata do Pau-Ferro, 309 espécies de Angiospermas, distribuídas em 84 famílias. Dessas, 27 ficaram determinadas apenas ao nível de gênero e 3 ao nível de família, devido à ausência ou insuficiência de material fértil. As famílias mais importantes com relação ao número de espécies foram: Rubiaceae (24), Malvaceae (21), Solanaceae (16), Asteraceae (14), Convolvulaceae (12) e Fabaceae (12), com cerca de 32,7% do total de espécies identificadas. Fabaceae, porém, se tratada com senso amplo (Leguminosae), seria a família com o maior número de espécies (30). Os gêneros com maior número de espécies coletadas foram: Sida (11), Solanum (10), Piper (6), Psychotria (5), Senna (6), Ipomoea (5) e Vernonia (5). Destes, Sida caracteriza-se principalmente por espécies presentes em áreas alteradas. Já as espécies de Solanum e Psychotria são características do sub-bosque da Mata Atlântica. Destacam-se também os gêneros Croton e Passiflora, com 4 espécies cada, e Cordia, Heliotropium, Tournefortia, Miconia,Acacia, Microtea, Borreria e Melochia, com 3 espécies cada. Dentre as espécies arbóreas identificadas na área estudada, são comumente encontradas Tapirira guianensis, Erythroxylum pauferrense, E. simonis, Ocotea glomerata, Eschweilera ovata, Byrsonima sericea, Rapanea guianensis e Cupania revoluta. Como ocorre com as outras matas de brejo de altitude do Nordeste, dados de levantamentos anteriores, quando feitos, foram publicados de forma muito incompleta, dificultando uma análise de mudanças da flora ao longo dos anos. Na Mata do Pau-Ferro foi feito um trabalho pioneiro por Mayo & Fevereiro (1982), no qual os autores afirmam que identificaram cerca de 200 espécies de angiospermas e gimnospermas. No entanto, publicaram apenas uma lista preliminar com 24 espécies arbóreas encontradas em dois transectos de 6 x 200 m, nos quais foram levantadas todas as árvores com DAP maior ou igual a 10 cm. Todavia, mesmo o número total de espécies mencionado é bem inferior ao encontrado neste trabalho. A ênfase dos trabalhos com a flora das matas serranas nordestinas, nos últimos anos, tem sido a comparação entre distintos brejos. Em uma comparação deste tipo, a Mata do Pau-Ferro destaca-se pela riqueza de espécies. O número encontrado é um pouco menor (309 contra 375) que o da Mata do Estado, em São Vicente Férrer, Pernambuco (Ferraz 2002), e muito próximo ao número de espécies listadas para o Pico do Jabre, na Paraíba, porém bem maior que o de todas as outras matas de brejo já estudadas, que ficaram abaixo de 200. Várias hipóteses podem ser levantadas para explicar esta maior riqueza, mas não é possível, atualmente, separar a contribuição de diferentes causas. Os levantamentos dirigidos preferencial ou mesmo exclusivamente para arbóreas (Ferraz et al.1998, Tavares et al. 2000, Cavalcante et al. 2000, Nascimento 2001, Moura & Sampaio, 2001), obviamente, resultam em números inferiores aos da flora total e impedem uma comparação realista com a lista completa deste trabalho. Mas as listas abrangentes das matas da Serra de Itabaiana, em Sergipe (Vicente 1999), e de Pesqueira, em Pernambuco (Correia 1996), contam apenas com 106 e 188 espécies, respectivamente. A maior proximidade do brejo de Areia da área originalmente ocupada com Mata Atlântica, na faixa mais úmida e mais próxima à costa, também pode ser uma causa de maior riqueza, como foi aventado para a Mata de São Vicente Férrer (Ferraz 2002). As duas matas estão bastante próximas desta faixa, em contraposição a brejos circundados por uma área de maior raio na qual predomina a caatinga, como a Serra de Baturité, no Ceará (Cavalcante et al. 2000), ou em Triunfo (Ferraz et al. 1998) e Pesqueira (Correia 1996), em Pernambuco. Entretanto, nestes casos, o efeito da maior distância pode ser reforçado pelo efeito do tamanho da área remanescente de mata, outro fator que pode influenciar na riqueza da flora, áreas menores tendendo a uma flora mais pobre (Ferraz 2002). Os remanescentes na Serra de Baturité e em Triunfo são muito pequenos (menos de 50 ha) e o de Pesqueira um pouco maior (85 ha), mas bem menor que os de Pau-Ferro e de São Vicente Férrer (mais de 600 ha). Estas áreas maiores também podem incluir uma maior variação de situações, como clareiras, estágios sucessionais em locais de antigos cultivos e depressões inundáveis, que contribuem para a flora total com as espécies que lhes são características. A Mata do Pau-Ferro inclui todas as situações acima. Naturalmente, estas não são as únicas causas de uma flora reduzida. O tamanho do remanescente de mata em Brejo dos Cavalos (cerca de 500 ha), em Caruaru (Tavares et al.2000), e a distância da mata costeira são semelhantes aos da Mata do Pau-Ferro, mas o número de espécies listadas foi bem menor. Há que se considerar o efeito da antropização, embora ele seja menos claro em suas conseqüências. Uma degradação avançada pode resultar em redução no número de espécies, mas a alteração de algumas manchas pode favorecer a presença de espécies invasoras, às vezes vindas dos cultivos vizinhos, que se somam às da flora original. Além destas causas, diferenças ambientais, como disponibilidade hídrica (chuva, orvalho, profundidade de solo), temperatura e fertilidade do solo (distintos nutrientes), podem ser responsáveis por diferenças em riqueza. É necessário um maior número de estudos para que a contribuição destes múltiplos fatores seja identificada. Comparar a flora da Mata do Pau-Ferro com a da mata ombrófila costeira paraibana esbarra na carência de dados. Há apenas um trabalho publicado sobre esta mata costeira (Barbosa 1996) e quase na máxima distância possível de Areia, em João Pessoa, a poucos quilômetros do mar. Se já houve uma gradação de flora desta faixa costeira até a encosta da Borborema, onde está Areia, não se sabe e fica difícil saber, porque quase toda a vegetação original foi substituída por cultivos. Neste levantamento em João Pessoa, foram encontradas 236 espécies, das quais 89 em comum com o levantamento da Mata do Pau-Ferro, mostrando claramente a ligação florística entre ambas as áreas. Esta ligação parece maior que a existente entre as matas do Pau-Ferro e de São Vicente Férrer. Das 375 espécies deste último local, apenas 49 também ocorreram na lista das 309 espécies de Pau-Ferro. Do mesmo modo, comparações com a flora de outras matas serranas nordestinas, tomadas isoladamente, revelam um baixo número de espécies em comum. Tomando, por exemplo, a lista florística mais completa depois das duas acima, a da mata de Pesqueira (Correia 1996), apenas 32 das 188 espécies também ocorreram em Pau-Ferro. As outras comparações apontam quadro semelhante. É preciso ressaltar, entretanto, que todas elas devem ser feitas com cautela, por conta de diversas limitações, como a amostragem parcial da flora e a alta proporção de espécies com identificação incompleta. Tendo em mente esta ressalva, parece que a flora dos brejos é muito diversificada, com baixa semelhança entre matas isoladas, mas com muitas espécies que aparecem em alguns deles e em outros não. Este padrão é apontado comparando-se a flora de vários brejos pernambucanos (Sales et al. 1998). Na listagem ampla, com 957 espécies, há 118 também encontradas na Mata do Pau-Ferro. Portanto, um número relativamente grande de espécies ocorre em algum outro brejo, ainda que a semelhança florística seja baixa com cada um deles tomado isoladamente. O maior número de espécies em comum com um deles, o de São Vicente Férrer, foi apenas 49. Desta análise emerge uma outra observação importante: quase dois terços das espécies de Pau-Ferro (quase 200 espécies) não foram citadas na lista geral da flora dos brejos pernambucanos organizada por Sales et al. (1998). Isto leva à conclusão de que as matas serranas têm floras bem particulares e que todo esforço deve ser feito para preservar os poucos remanescentes ainda existentes. Obviamente, a diversidade florística das matas serranas se reduz e a semelhança entre elas aumenta quando se consideram níveis taxonômicos acima de espécie, como gênero e família. Em todos os biomas brasileiros, as famílias presentes não variam muito, refletindo a origem comum da flora neotropical. Algumas poucas famílias estão ausentes em alguns biomas, notadamente famílias bem representadas nas matas úmidas e freqüentemente ausentes em levantamentos na caatinga, como por exemplo, Lecythidaceae, Moraceae e Melastomataceae. O inverso é menos comum, com poucas exceções, entre elas, Cactaceae. Neste nível, em geral, a flora das matas serranas nordestinas é mais semelhante à de outras matas enquadradas no bioma Mata Atlântica, como as matas costeiras da região, e, por isto, as matas serranas têm sido incluídas neste bioma, apesar de situadas dentro da área do bioma Caatinga. Esta situação, com toda a indefinição de fronteiras que causa, justifica que tenham sido referidas para as matas serranas muitas espécies típicas de caatinga, incluindo várias da família Cactaceae. Na Mata do Pau-Ferro estão representadas quase todas as famílias da Mata Atlântica nordestina (Barbosa 1996). A comparação das famílias presentes na Mata do Pau-Ferro com as das listas de outras matas Serranas pode ser feita, em maior detalhe, levando em conta a representatividade, em termos de número de espécies. Entretanto, considerando que as comparações ficam prejudicadas no caso das listas oriundas de levantamentos com critérios de exclusão que eliminam espécies de plantas de pequeno porte, os casos comparáveis são muito poucos. Várias das famílias com maior número de espécies em Pau-Ferro, como Malvaceae (21 espécies), Asteraceae (14), Convolvulaceae (12) e Solanaceae (16), possuem muitas espécies de plantas de pequeno porte, excluídas nos levantamentos restritos a arbóreas. Assim, foram pouco representadas nas listas dos trabalhos voltados mais à fitossociologia, mas também eram das mais representadas na lista de São Vicente Férrer (Ferraz 2002). As famílias com predominância de espécies que atingem porte arbóreo e que constam na lista de Pau-Ferro entre às com maior número de espécies, também tinham posição alta no ordenamento por número de espécies em outras listas de matas serranas. Há, no entanto, diferenças nas ordens de classificação das famílias entre as distintas matas. Em quase todas, Fabaceae, no sentido amplo de Leguminosae (30 espécies em Pau-Ferro), tem o maior número de espécies, como ocorre também na caatinga e no cerrado, numa característica da flora neotropical.

Objetivos da Unidade de Conservação

  • Preservar a diversidade biológica dos ecossistemas no estado de evolução livre, com um mínimo de interferência direta ou indireta do homem.
  • Incentivar a obtenção de conhecimentos, mediante pesquisas e estudos de caráter biológico ou ecológico.
  • Proteger espécies raras, endêmicas, vulneráveis ou em perigo de extinção.
  • Preservar os recursos da biota.
  • Contribuir para o monitoramento ambiental, fornecendo parâmetros relativos a uma área pouco ou nada afetada por ações antrópicas.
  • Proteger a bacia e os recursos hídricos da área.

Promover a educação ambiental da comunidade local, a fim de compatibilizar o manejo com as finalidades da reserva, que será administrada pela Superintendência de Administração do Meio Ambiente – Sudema, a qual promoverá as medidas necessárias à sua delimitação, assim como promoverá as gestões necessárias ao cumprimento do decreto que criou essa área de proteção ambiental

As terras, flora, fauna e belezas naturais das áreas constitutivas da reserva ficam desde logo sujeitas à proteção das Normas Ambientais e Florestais prevista nas Constituições Federal e Estadual e no Código Florestal, bem como na Legislação Complementar e Regular em vigor.

Ligações externas

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