Revisão sistemática

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Revisão sistemática da literatura,[1] estudos de revisão sistemática,[2] revisão bibliográfica sistemática[3] ou simplesmente revisão sistemática é a investigação científica que reúne estudos relevantes sobre uma questão formulada, utilizando o banco de dados da literatura que trata sobre aquela questão como fonte e métodos de identificação, seleção e analises sistemáticos, com intuito de se realizar uma revisão critica e abrangente da literatura.[1][2] A sistematização na revisão tem como objetivo evitar vieses que ocorreriam em uma revisão não sistemática. Incluindo vieses que podem ocorrer na forma da revisão e seleção dos artigos quanto aqueles detectados na avaliação crítica de cada estudo. Algumas revisões podem incluir meta-análise a fim de aumentar o poder estatístico da pesquisa primária.[1] Quando a revisão sistemática não inclui meta-análise, isto é, os estudos primários são integrados de forma sintetizada, mas sua integração não é combinada estatisticamente, a revisão comumente é chamada de revisão sistemática qualitativa.[3]

Métodos[editar | editar código-fonte]

  • Definição de uma estratégia de busca;[2]
  • Estabelecimento de critérios de inclusão e exclusão dos artigos;
  • Análise criteriosa da qualidade da literatura selecionada.

Críticas[editar | editar código-fonte]

Apesar de revisões sistemáticas serem geralmente consideradas como o nível mais alto de evidência científica, uma revisão sobre a qualidade de estudos de revisão sistemática (que avaliou 300 estudos deste tipo que foram publicados em inglês em novembro de 2014 no banco de dados da Medline) concluiu que a qualidade geral de seus relatórios se mostraram inconsistentes, já que muitos aspectos importantes dos métodos utilizados não foram relatados ou análises importantes não chegam a ser realizadas, como por exemplo, 1/3 das revisões analisadas não revelaram a forma como a qualidade dos artigos selecionados era avaliada e 3/4 das publicações não levavam em conta "viés de publicação" em suas análises.[4]

No Reino Unido, o financiamento destinado a grupos de revisão Cochrane é proporcional ao número de testes incluídos nas revisões, o que gera um incentivo financeiro para encontrar e incluir todos os testes, independentemente da sua qualidade.[5]

Revisões que não incluam artigos de língua não-inglesa[6] e publicações da literatura cinzenta[7] podem ter mais problemas com vieses e menor precisão como consequência.[6][7]

Pesquisa de negócios[editar | editar código-fonte]

Devido às diferentes características da pesquisa empresarial em comparação com as ciências naturais, as etapas metodológicas acima mencionadas não podem ser facilmente aplicadas na pesquisa comercial. Tranfield et al. (2003) fizeram as primeiras tentativas de transferir os procedimentos de medicina para pesquisa comercial.[8] Uma abordagem passo-a-passo foi desenvolvida por Durach et al. (2017): com base nas experiências que eles fizeram em sua própria disciplina, esses autores adaptaram as etapas metodológicas e desenvolveram um procedimento padrão para a realização de revisões sistemáticas de literatura em pesquisa de negócios.[9]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b c Marcos R. de SousaI; Antonio Luiz P. RibeiroI. Revisão sistemática e meta-análise de estudos de diagnóstico e prognóstico: um tutorial Arq. Bras. Cardiol. vol.92 no.3 São Paulo Mar. 2009
  2. a b c Sampaio RF; Mancini MC. Estudos de revisão sistemática: um guia para síntese criteriosa da evidência científica. Rev. bras. fisioter. vol.11 no.1 São Carlos Jan./Feb. 2007
  3. a b Ana Lúcia Mendes Lopes & Lislaine Aparecida Fracolli. Revisão sistemática de literatura e metassíntese qualitativa: Considerações sobre sua aplicação na pesquisa em enfermagem. USP, 2008, p. 771-7
  4. David Moher; Jennifer Tetzlaff; Andrea C Tricco; Margaret Sampson; & Douglas G Altman. Epidemiology and Reporting Characteristics of Systematic Reviews. PLoS Med. 2007 Mar; 4(3): e78.
  5. Roberts, I.; Ker, K.; Edwards, P.; Beecher, D.; Manno, D.; Sydenham, E. (2015). «The knowledge system underpinning healthcare is not fit for purpose and must change». BMJ. 350: h2463. PMID 26041754. doi:10.1136/bmj.h2463 
  6. a b Carl Heneghan & Douglas Badenoch. Ferramentas para Medicina Baseada em Evidências. Artmed Editora, 2013 - 120 páginas, p. 97
  7. a b Savoie, Isabelle; Helmer, Diane; J. Green, Carolyn; Kazanjian, Arminée (22 de janeiro de 2003). «BEYOND MEDLINE: Reducing Bias Through Extended Systematic Review Search». British Columbia Office of Health Technology Assessment (BCOHTA). 19 (1): 168-178. doi:10.1017/S0266462303000163. Consultado em 15 de outubro de 2017 
  8. Tranfield, D., Denyer, D. & Smart, P. (2003). Towards a methodology for developing evidence-informed management knowledge by means of systematic review. British Journal of Management, 14, 207–222.
  9. Durach, C.F., Kembro, J. & Wieland, A. (2017). A New Paradigm for Systematic Literature Reviews in Supply Chain Management. Journal of Supply Chain Management, 53 (4), 67–85.
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