Viés de publicação

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Meta-análise da ameaça de estereótipo nas pontuações de matemática das meninas mostrando assimetria típica do viés de publicação em um gráfico de funil. De Flore, PC, & Wicherts, JM (2015) [1]

Viés de publicação é a tendência em publicações científicas de evidências positivas terem maior probabilidade de serem publicadas do que evidências negativas, tornando tendencioso os resultados disponíveis para confronto.[2] Como consequência, revisões sistemáticas com ou sem meta-análises que não incluem estudos não publicados tendem a apresentar resultados enganosos.[3]

Origem[editar | editar código-fonte]

Evidências a respeito do viés de publicação foram primeiramente descritas em 1959 pelo pesquisador Theodore Sterling que observou que os estudos de tratamentos psicológicos tinham maior probabilidade de serem publicados se sua hipótese nula tivesse sido rejeitada.[4]

Exemplo[editar | editar código-fonte]

Em uma revisão os pesquisadores observaram que enquanto 94% dos estudos com evidência positiva sobre os efeitos benéficos de antidepressivos são publicados, apenas 14% dos estudos com evidência negativa o são. No entanto, quando todos os estudos são incluídos em uma meta-análise, os antidepressivos se mostram mais eficazes do que um placebo apenas por uma pequena margem.[2]

Causas[editar | editar código-fonte]

Diversos fatores são apontados como causas para este fenômeno, como negligência por parte dos pesquisadores, financiadores que podem desencorajar publicações com evidência negativa motivados por interesses financeiros e publicações científicas em busca de descobertas estrondosas podem julgar resultados negativos ou inconclusivos como desinteressantes.[5]

Medidas[editar | editar código-fonte]

Apesar do viés de publicação não poder ser completamente eliminado,[3] a presença desse viés pode ser identificada por meio de gráfico de funil e de testes estatísticos,[6] como o teste de Egger ou o teste de Begg.[7] E como forma de amenizar este problema, periódicos científicos podem exigir que todo estudo seja registrado no início do projeto para ser considerado elegível para futura publicação, dando aos editores e revisores uma ferramenta para medir a proporção de evidências positivas e negativas.[2] Se os revisores entrarem em contato com os autores destes estudos primários não publicados e conseguirem acesso aos seus resultados completos, o efeito causado pelo viés de publicação em revisões pode ser diminuído.[3]

Referências

  1. Flore P. C.; Wicherts J. M. (2015). «Does stereotype threat influence performance of girls in stereotyped domains? A meta-analysis». J Sch Psychol. 53: 25–44. PMID 25636259. doi:10.1016/j.jsp.2014.10.002 
  2. a b c Charles Wheelan. Estatística: O que é, para que serve, como funciona. Zahar, 2016 - 328 páginas, parte 121-2 no Google Livros.
  3. a b c Gordon Guyatt; Drummond Rennie; Maureen O. Meade & Deborah J. Cook. Diretrizes para Utilização da Literatura Médica: Fundamentos para Prática Clínica da Medicina Baseada em Evidência. Artmed Editora, 2009 - 386 páginas, p. 372 no Google Livros
  4. Ebrahim, Shah; Bowling, Ann (1 de junho de 2005). Handbook of Health Research Methods: Investigation, Measurement and Analysis (em inglês). [S.l.]: McGraw-Hill Education (UK). p. 50. 625 páginas 
  5. Robert Matthews. As leis do acaso: Como a probabilidade pode nos ajudar a compreender a incerteza. Zahar, 2017 - 302 páginas, parte 172 no Google Livros
  6. Mauricio Gomes Pereira & Taís Freire GalvãoII. Heterogeneidade e viés de publicação em revisões sistemáticas. Epidemiol. Serv. Saúde vol.23 no.4 Brasília Dec. 2014
  7. Jack L. Cronenwett & K Johnston. Rutherford Cirurgia Vascular. Elsevier Brasil, 2016 - 2792 páginas, parte 131 no Google Livros

Ver também[editar | editar código-fonte]

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