Teixeira Cabral

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Saltar para a navegação Saltar para a pesquisa
Text document with red question mark.svg
Este artigo ou secção contém fontes no fim do texto, mas que não são citadas no corpo do artigo, o que compromete a confiabilidade das informações. (desde outubro de 2016)
Por favor, melhore este artigo inserindo fontes no corpo do texto quando necessário.
Wikitext.svg
Esta página ou seção precisa ser wikificada (desde outubro de 2016).
Por favor ajude a formatar esta página de acordo com as diretrizes estabelecidas.

António Teixeira Cabral (Funchal, 29 de Janeiro de 1908 - Lisboa, 1 de Julho de 1980) caricaturista que iniciou a sua actividade artística nos finais dos anos 20, trabalhou com caricatura pessoal, integrado-se no modernismo português, destacando-se pelo seu traço sintético de sentido crítico e humor subtil. A autocaricatura do artista foi constantemente inserida na sua obra junto com a imagem do retratado.

Nascido no Funchal, António Teixeira Cabral vem para Lisboa no fim dos anos 20, começando a sua actividade na capital como caricaturista no 'Sempre Fixe', em 1928, seguindo-se, no início dos anos 30, uma ligação ao 'Diário de Notícias', como efectivo (1932-1938), e no qual publica os seus trabalhos, a grande parte deles ocupando lugar na primeira página. Também se encontra colaboração artística da sua autoria no 'Diário de Lisboa' (outubro, 1931 - janeiro, 1932) e no Diário de Lisboa : edição mensal[1] (1933), no Cinéfilo (1930), Acção (1941), O Diabo (1935), Diário de Coimbra (1933), Semana Portuguesa [2] (1933-1936), Re-Nhau-Nhau (1930-1934), O Século (outubro - novembro, 1931), Notícias Ilustrado (1931-1933), Novidades (17 maio 1934), Kino (1930), Ilustração (1930; 1934), Girasol (1931), Dominó (1935), Açores-Madeira (1958), entre outras publicações. Colaborou durante muito tempo no 'Diário Popular' (anos 40-60), na 'Revista de Angola' (anos 70), na revista 'Autores : boletim da Sociedade de Escritores e Compositores Teatrais Portugueses (anos 70).[3]

Em 1929, Teixeira Cabral realizou a sua primeira exposição, “que lhe granjeou os primeiros louros da sua carreira triunfal”.[4] Em novembro de 1932, a projecção já alcançada por Teixeira Cabral no Díario de Notícias levou-o à realização de uma exposição individual, ansiada por muitos, e que foi concretizada em Coimbra.[5] A exposição de caricaturas de Teixeira Cabral em Coimbra era um evento esperado e obteve grande sucesso, tendo sido “considerado como um acontecimento artístico de grande relevo”[6], conforme afirmava o Diário de Notícias, poucos dias após a inauguração, acrescentando: “Teixeira Cabral apresenta uma série de trabalhos, tal como ele os viu, tal como ele os realiza, e que provam ser hoje em dia, o primeiro dos nossos caricaturistas. Entre eles, continuava o mesmo artigo, “alguns, são verdadeiras maravilhas, não só de graça mas de técnica”[7]. Colocando em destaque a técnica com que o artista elaborava as suas caricaturas, e que as distinguiam, o articulista desafiava as instituições a que pertenciam algumas das personalidades marcantes que Teixeira Cabral ali retratava a adquirir essas mesmas obras, a fim de as colocar nas suas instalações, afirmando que elas “valem bem mais do que muitos dos óleos que geralmente se lhes destinam”.


António Teixeira Cabral foi o único caricaturista entre os modernistas portugueses a participar com um projeto de caricatura na Galeria UP, visto que o artista plástico Tom, um dos proprietários da Galeria UP, juntamente com António Pedro, na altura já ter abandonado a caricatura pela qual tinha iniciado a sua atividade artística. Tendo a Galeria UP exposto, durante os três anos da sua existência, nomes sonantes do modernismo, encontramos, então, o nome do caricaturista Teixeira Cabral, que ali também faz a sua exposição, de 16 a 26 de Maio de 1934. A inauguração foi presidida pelo poeta, escritor e filósofo, Teixeira de Pascoaes e contava com a presença de algumas figuras significativas, como a do antigo ministro Lacerda de Almeida, cineasta Manuel Luís Vieira, flautista brasileiro Moacyr Liserra, com presença de um dos proprietarios, Tom, que um pouco antes também practicava a caricatura como sua arte, embora sem grandes exitos.

No caso de Teixeira Cabral, os seus trabalhos adquiriram na altura um enorme impacto, como comprova uma artigo de 1970: "Terá surgido na “camada” renovadora das artes portuguesas […] batendo caricaturistas de processos arcaicos.” E acrescenta-se: “Dotado duma nova visão, caricaturística – com muito de análise psíquica – o moço acabado de chegar da sua querida Ilha da Madeira, logo se tona o caricaturista dos intelectuais”.[8] Numa crítica à obra de Teixeira Cabral, Diogo de Macedo escreve sobre o artista: “De simplificação em simplificação, estilizando até à bizarria do amorável, ele atinge a síntese do que pretende, a mór parte das vezes, com linhas que na natureza só muito ocultas residiam”.[9]

António Teixeira Cabral fez uma carreira ligada ao jornalismo, colocando a caricatura ao serviço da reportagem e da notícia, assumindo um conceito de fotógrafo, retratando a pessoa que observava presencialmente de forma rápida e definindo as suas características essenciais, assumindo-se como um repórter, numa atividade atípica para o jornalismo de hoje.


Pelo seu traço e pelo seu poder inovador de síntese, para a época, Teixeira Cabral seria frequentemente imitado, ou exercia influência na forma da caricatura de então, como reconhecia Manuel L. Rodrigues: “Teixeira Cabral criou um estilo pessoal. O seu traço é, por isso mesmo, imitado. Artista moderno na melhor acepção do termo tem a paixão da síntese”[1][10].  Igualmente Diogo de Macedo dava conta dessas situações, afirmando: “Com a sua arguta visão e interpretação, veio marcar no nosso meio de pesadões e amarelhísticos bonequeiros, um passo elegante, original e inteligente, que, visto o número de imitadores, é de esperar que crie escola”.[9]


Referências

  1. Diário de Lisboa : edição mensal (1933) cópia digital, Hemeroteca Digital
  2. Rita Correia (16 de dezembro de 2016). «Ficha histórica:Semana Portuguesa: revista de informação e crítica (1933-1936)» (PDF). Hemeroteca Municipal de Lisboa. Consultado em 8 de setembro de 2017 
  3. Hovorkova, Nataliya (2013). As caricaturas de Teixeira Cabral no seu contexto histórico. Início da sua carreira e contribuição da sua atividade artística para a arte nos anos 30 do século XX. [S.l.]: Dissertação : Mestrado, UCP 
  4. Vasconcelos. «Teixeira Cabral: um grande caricaturista português que ainda vive na fulguração memorável do seu antigo esplendor, pagando à bohémia o tributo das Artistas Celebres». Açores-Madeira, n. 9, 1958, pp.22-24. 
  5. S.n. «Uma exposição de caricaturas de Teixeira Cabral». Diário de Notícias, 6 nov. 1932, p. 9 
  6. Chi-Nai-Kinon. «Teixeira Cabral». Gazeta de Coimbra, 15 nov. 1932, p. 4 
  7. «Exposição de Teixeira Cabral». Diário de Notícias, 15 nov. 1932, p. 4 
  8. «A ingratidão deste mundo... Para quando a retrospetiva sobre o eleito Teixeira Cabral?». O Momento, 17 jan. 1970, Lisboa, p. 12 
  9. a b Macedo, Diogo de. «O caricaturista Teixeira Cabral visto pelo escultor Diogo de Macedo». Diário de Lisboa, 30 maio 1934, p. 3 
  10. Rodrigues, Manuel L. «A arte da caricatura pessoal e um dos seus mais modernos representantes». Ilustração, 1 jun. 1934, p. 8