Tolui Cã

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
(Redirecionado de Tolui)
Saltar para a navegação Saltar para a pesquisa
Tolui Cã
Tolui Cã, por
Raxide Aldim de Hamadã (início do século XIV)
Nascimento 1191
Morte 1232 (41 anos)
Mongólia
Cidadania Império Mongol
Progenitores Mãe:Börte
Pai:Gengis Khan
Cônjuge Sorkaktani
Filho(s) Mongke Khan, Hududu, Kublai Khan, Hulagu Khan, Arik Böke, Bochuo, Moge, Suigedu, Xuebietai, Yesubuhua, Dumugan
Irmão(s) Alahaibieji, Aletalun, Huochenbieji, Yeli'andun, Jochi, Djaghatai Khan, Wuluchi, Kuoliejian, Chawuer, Shuerche, Ögedei
Ocupação , regente
Causa da morte veneno

Tolui Cã ou Tului Cã (Toluy; em mongol: Толуй хаан; 11921232) foi o filho mais novo de Gengis Cã. Sua mãe era Börte, e seu ulus, ou herança territorial, após a morte de seu pai em 1227, foi a sua terra pátria da Mongólia, onde serviu como administrador civil durante o período de tempo decorrido até a confirmação de Oguedai Cã como segundo grande cã do Império Mongol (1206–1368). Antes disso, havia servido com distinção nas campanhas contra a dinastia Jin, os Xi Xia e o Império Corásmio, sendo que esta última participação foi crucial para a captura de Merve e Nixapur. É um ancestral direto da maior parte dos imperadores da Mongólia.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Durante a ascensão de Gengis Cã, Tolui quase foi morto por um tártaro quando tinha cinco anos de idade; foi salvo por sua irmã, Altani, e dois companheiros de Gengis. Em 1203 seu pai lhe concedeu Sorghaghtani, sobrinha de Ongue Cã, como esposa. Seu primeiro filho, Mangu Cã, nasceu a 1209. Foi o melhor guerreiro entre os filhos de Gengis Cã, e participou de um combate pela primeira vez contra a dinastia Jin, em 1213, quando escalou as muralhas de Dexing com seu cunhado Chiqu.

Em 1221 Gengis Cã o enviou para o Coração, no Irã. As cidades da região haviam se revoltado por diversas vezes, e os defensores de Nixapur mataram Toquchar, cunhado de Tolui, em novembro de 1220. O exército de Tolui evacuou toda a população da cidade para as planícies vizinhas, onde foram massacradas juntamente com a população de Merv.[1]

Sucessão de Gengis Cã[editar | editar código-fonte]

Quando Gengis Cã estava decidindo quem o sucederia, encontrou alguma dificuldade em escolher entre seus quatro filhos. Tolui tinha excelentes aptidões militares e muitos sucessos como general, porém Gengis Cã acabou por escolher Ögödei por ter maior capacidade política, imaginando que Tolui era cauteloso demais para ser um bom líder. Tolui acompanhou Gengis em sua campanha contra os Xi Xia em 1227.

Após a morte de Gengis Cã, Tolui supervisionou de maneira geral o Império Mongol por dois meses. As ações dos nobres mongóis foram influenciadas em parte pela tradição que o filho mais novo herdava as propriedades do pai, e em parte porque Tolui tinha o maior e mais poderoso exército da Mongólia central na época. Tolui apoiou a eleição do grande cã, e Ögödei acabou sendo escolhido como imperador, satisfazendo os desejos de seu pai.

Tolui participou de campanhas militares com Oguedai Cã e Mangu no Norte da China, servindo como estrategista e comandante de campo em 1231-32. Após invadirem com sucesso a maior parte das fortificações dos Jin, retornaram para o norte.[2]

Morte e legado[editar | editar código-fonte]

De acordo com a História Secreta dos Mongóis, Tolui teria se sacrificado para curar Ögödei de uma doença gravíssima contraída durante uma campanha na China. Os xamãs haviam determinado que a origem da doença de Ögödei eram os espíritos terrestres e aquáticos da China, que estavam furiosos pela expulsão de seus súditos e devastação de suas terras. Apesar da oferta de terras, animais e até outras pessoas a doença de Ögödei só piorava, porém quando este ouviu que havia sido decidido oferecer o sacrifício de um próprio membro da família, imediatamente melhorou; Tolui se ofereceu e morreu logo em seguida, após ingerir uma bebida 'enfeitiçada'. Para o historiador persa Ata Malik Juvaini, no entanto, Tolui teria morrido de alcoolismo.[3]

Talvez mais importante que ele tenha sido o papel de sua família, os Toluidas, na definição dos destinos do Império Mongol. Através de sua esposa cristã, Sorghaghtani Beki, Tolui teve como descendentes Mangu, Cublai, Ariq Böke e Hulagu, tornando-se assim progenitor dos grande cãs, dos imperadores da dinastia Iuã e dos ilcãs. Durante a guerra civil do Império Mongol, os Toluidas apoiaram a corte do grande cã; foi, no entanto, uma rivalidade entre dois dos próprios filhos de Tolui, Cublai e Ariq Böke, que fragmentou o poder do império e pôs os canatos ocidentais uns contra os outros, no início da década de 1260.

A rivalidade entre os Toluidas e os filhos de Oguedai e Jochi provocou estagnação e disputas internas durante os períodos de regência, após as mortes de Oguedai e seu filho, Guiuque. Mangu concedeu, postumamente, a seu pai o título de grande cã, em 1252.[4] Quando Cublai Cã fundou a dinastia Yuan, em 1271, ele gravou o nome de seu pai nos registros oficiais como Ruizong.

Família[editar | editar código-fonte]

Tolui tinha muitas concubinas e esposas, porém sua principal cônjuge foi Sorghaghtani, mãe de quatro de seus filhos homens. Entre seus filhos estavam:

  • Mangu Cã, grande cã do Império Mongol
  • Jurikha
  • Qutughtu
  • Cublai Cã, grande cã dos Mongóis e Imperador da Dinastia Yuan
  • Hulegu, primeiro ilcã da Pérsia Mongol
  • Arik Böke, pretendente ao trono de grande cã, contou com o apoio dos mongóis tradicionalistas contra Cublai.
  • Bujek. Morreu anteriormente, nada se sabe dele além de seu envolvimento na invasão mongol da Europa, em 1236-41 e na eleição de Mangu em 1250.
  • Mukha
  • Satukhtai
  • Sabukhtai
Tolui Cã
Nascimento: 1192 Morte: 1232
Títulos de nobreza
Precedido por
Gengis Cã
Regente do Império Mongol
1227–1229
Sucedido por
Oguedai Cã
Precedido por
Gengis Cã
Imperador da dinastia Yuan
(promovido postumamente por Cublai Cã)

1227–1229
Sucedido por
Oguedai Cã

Referências

  1. William Bayne Fisher, John Andrew Boyle, Ilya Gershevitch, Ehsan Yar. The Cambridge History of Iran, p. 313
  2. Frederick W. Mote, Imperial China 900-1800, p. 447
  3. Paul Kahn, Francis Woodman Cleaves, The secret history of the Mongols, p.xxvi
  4. Jack Weatherford, Genghis Khan and the making of the modern world, p. 169