Três F

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A expressão "Três F" é uma junção dos termos Futebol, Fado e Fátima.

Estes eram popularmente referidos, no pós 25 de Abril, como os três pilares da ditadura de António de Oliveira Salazar, (na realidade a triologia salazarista era Deus, Pátria e Família) para a pacificação da população e alienação da mesma no que concerne a política do país na altura. Na realidade Salazar não gostava de fado, achava-o popularucho e apelidava a Dona Amália de Criaturinha. No futebol, de que também não era apreciador aproveitou-se do sucesso do Benfica dos anos sessenta, de Coluna, Costa Pereira e Eusébio (naturais das Colónias) para legitimar o Imperialismo português, ao ponto de ter inviabilizado a transferência de Eusébio para a Juventus "por não ter ainda cumprido o serviço militar obrigatório". Esta expressão é ainda hoje usada quando se refere a pouca participação da população portuguesa nos assuntos da sociedade.

Esta expressão sugere uma conotação do fado como arte menor, ou pelo menos desprovida de motivações sociais.

Paradoxalmente, no dia 13 de Maio de 2017, em plena democracia, parecem consumar-se simbolicamente os três 'F's:

  1. Celebrou-se o centenário das alegadas aparições, com a peregrinação oficial ao santuário do Papa Francisco;
  2. o Sport Lisboa e Benfica, o clube mais popular do país, conseguiu pela primeira vez o tetracampeonato nacional;
  3. Salvador Sobral venceu o Festival Eurovisão da Canção, e ainda que não interpretando um fado, mesmo assim parece completar esta trilogia simbólica.

Em qualquer caso a cultura e o desporto nacionais apresentam nesta data sinais de vitalidade. Em 2011 o fado foi reconhecido como património da humanidade pela UNESCO. Em 2016 a seleção portuguesa de futebol havia vencido o campeonato da Europa. É notório que os autores portugueses têm um reconhecimento dentro e fora de portas muito superior ao dos anos da ditadura, quer em termos artísticos e culturais, quer até em termos científicos. Mesmo em termos políticos, o sucesso internacional de personalidades como António Guterres, Durão Barroso e Freitas do Amaral parecem evidenciar essa mesma vitalidade. Tendo nessa data decorrido 43 anos em democracia, sem guerra, com enorme expansão do ensino a todos os níveis, com progressos socio-económicos e com a liberdade de expressão, a vitalidade da sociedade portuguesa é incomparavelmente maior.

13 de Maio de 2017 parece simbolizar com alguma ironia a supremacia das sociedades democráticas sobre as totalitárias.

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