Yugem

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O dragão do fumo que escapa do Monte Fuji, Hokusai.

Yuugen ou Yugem (幽玄, Yūgen?) refere-se a um importante conceito sobre a estética tradicional japonesa. O termo foi encontrado pela primeira vez em textos filsóficos chineses, onde significa "escuro" ou "misterioso". Yugem significa um profundo sentimento interno.[1] Expressão de profundidade, do mistério não-traduzido, do incompreensível e do abstrato em todas as atividades artísticas.[1] Yugem é a expressão do inevitável da impermanência. Segundo os japoneses, o yugem pode apenas ser intuído, apreciado pela mente e jamais verbalizado - estando além da consciência. Estética famosamente defendida por Zeami para o teatro , baseia-se no uso da sugestão para criar uma elegância refinada e profunda.[2] É dito significar "um profundo sentido misterioso da beleza do universo... e triste beleza do sofrimento humano".[3] Na crítica da poesia japonesa de waka, este termo foi usado para descrever a subtil profundidade das coisas que é vagamente referida nesses poemas.[4] O yugem pode também referir-se ao nome de um estilo de poesia (um dos dez estilos ortodoxos delineados nos tratados de Fujiwara no Teika). Nos tratados internacionais de teatro noh de Zeami Motokiyo, o yugem refere a graça e elegância de vestir valorizando o comportamento das damas da corte.[5] Assim, segundo a interpretação de Zeami, o yugem surge como significado de "elegância refinada" no desempenho do noh.[6][1][4]

Algumas pinturas japonesas de paisagens com névoa, por exemplo, levam o observador a fazer uma conexão com o espaço que parece estar além deste mundo. Este é o sentido estético do Yugem.[4][7]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b c «Japanese Aesthetics» (em inglês). 12 de dezembro de 2005. Consultado em 10 de fevereiro de 2014 
  2. Leonardo Boiko. «Tendências da arte japonesa nos períodos Kamakura e Muromachi» (PDF). Consultado em 9 de março de 2014 
  3. Ortolani, Benito. The Japanese Theatre. Princeton University Press: Princeton, 1995, p. 325
  4. a b c «A casa moderna ocidental e o Japão» (PDF). lume.ufrgs.br. Consultado em 4 de janeiro de 2014 
  5. Rimer, J. Thomas and Yamazaki Masakazu (trans.), 1984, On the Art of the Nō Drama: The Major Treatises of Zeami, Princeton: Princeton University Press.
  6. Yamazaki, Masakazu; J. Thomas Rimer (1984). On the Art of the No Drama : The Major Treatises of Zeami. Princeton, NJ: Princeton University Press. ISBN 0-691-10154-X 
  7. (Hume & 1995 253-254)

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Hume, Nancy G. (1995). Japanese Aesthetics and Culture: A Reader (em inglês). Albany: State University of New York Press