Artabanes (general)

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Artabanes
Nascimento fl. 538–554
Nacionalidade Império Bizantino
Ocupação General
Principais trabalhos
Título

Artabanes (em grego: Ἀρταβάνης; transl.: Artavánis, do armênio antigo "Artawan"; fl. 538–554) foi um general bizantino de origem armênia que serviu sob Justiniano (r. 527–565). Inicialmente um rebelde contra a autoridade bizantina, fugiu para o Império Sassânida mas logo voltou à fidelidade bizantina. Serviu na África, onde ele ganhou grande fama por matar o general rebelde Guntárico e restaurar a lealdade da província imperial. Envolveu-se com a sobrinha de Justiniano, Prejecta, mas acabou por não casar com ela devido à oposição da imperatriz Teodora. Convocado para Constantinopla, envolveu-se em uma fracassada conspiração contra o imperador em 548–549, mas não foi severamente punido após a descoberta do plano. Foi logo perdoado e enviado para a península Itálica para lutar na Guerra Gótica, onde participou em uma decisiva vitória bizantina na batalha do Volturno.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Começo da carreira[editar | editar código-fonte]

Artabanes era descendente da casa real armênia dos arsácidas, um ramo que na época foi reconhecida como príncipes locais autônomos na margem oriental do Império Bizantino. Seu pai chamava-se João, e teve um irmão também chamado João.[1] Em 538/539, Artabanes, neste tempo aparentemente ainda jovem, participou em uma conspiração armênia contra Acácio, o procônsul da Primeira Armênia, cujos pesados impostos e comportamento cruel causou grande ressentimento. O próprio Artabanes matou Acádio. Logo depois, em uma batalha entre os rebeldes e o exército bizantino em Oenocalon, Artabanes matou o general bizantino Sitas, enviado por Justiniano para sufocar a rebelião (Procópio fornece dois registros, um atribuindo a morte de Sitas para Artabanes e outro, por outro lado, a um armênio desconhecido de nome Salomão).[2] O pai de Artabanes tentou negociar um acordo com o sucessor de Sitas, Buzes, mas foi assassinado por este último. O ato forçou Artabanes e seus seguidores a procurar auxílio do governante do Império Sassânida, Cosroes I (r. 531–579). Atravessando para território persa, ao longo dos próximos anos Artabanes e aqueles que o seguiram participaram das campanhas de Cosroes I contra os bizantinos.[3]

Retorno aos serviço bizantino[editar | editar código-fonte]

Serviço na África[editar | editar código-fonte]

África, com as províncias de Bizacena, Zeugitânia e Numídia

Em algum momento cerca de 544, ou talvez logo em 542, Artabanes, seu irmão João e vários outros armênios desertaram em favor dos bizantinos. Junto com seu irmão, Artabanes foi colocado no comando de um pequeno contingente e enviado para a África na primavera de 545 sob o senador Areobindo.[1] Lá, os bizantinos estiveram envolvidos em uma guerra prolongada com tribos mouras rebeldes. Logo após a chegada deles, João morreu na batalha de Sica Venéria com as forças rebeldes do renegado Estotzas.[4] Artabanes e seus homens mantiveram-se leais a Areobindo durante a rebelião do duque da Numídia Guntárico no final de 545. Guntárico, aliado com o chefe mourisco Antalas, marchou sob Cartago e sitiou os portões da cidade. Por insistência de Artabanes e os outros, Areobindo decidiu confrontar o rebelde. Os dois exércitos apareceram empatados, até Areobindo se assustar e fugir para um mosteiro em busca de refúgio. Logo após as tropas leais a ele também fugiram, a cidade caiu para Guntárico.[5]

Areobindo foi assassinado por Guntárico, mas Artabanes assegurou garantias de sua proteção e comprometeu a si mesmo à serviço de Guntárico. Em segredo, contudo, ele planejou derrubá-lo. Logo após, a Artabanes foi confiada uma expedição contra os mouros de Antalas. Marchou ao sul, junto com um contingente mourisco aliado sob Cutzinas. Os homens de Antalas fugiram diante dele, mas Artabanes não os perseguiu e voltou. De acordo com Procópio, ele considerou liderar seus homens para juntar-se com a leal guarnição imperial situada em Adrumeto, mas decidiu retornar para Cartago e ir em frente em seu plano de assassinar Guntárico.[6]

Após seu retorno para Cartago, ele justificou sua decisão de retornar na necessidade de convocar todo o exército para reprimir os rebeldes, e pediu a Guntárico anunciar ele mesmo. Ao mesmo tempo, ele conspirou com seu sobrinho, Gregório, e alguns outros de seus guarda-costas armênios para assassinar o usurpador (embora Coripo sugira que foi o prefeito pretoriano Atanásio o verdadeiro mentor do conluio). Na véspera da partida do exército no começo de maio, Guntárico organizou um grande banquete, e convidou Artabanes e Atanásio para compartilhar o mesmo sofá, uma marca de honra. De repente, durante o banquete, os armênios de Artabanes caíram em cima dos guardas de Guntárico, enquanto o próprio Artabanes supostamente conseguiu disferir o golpe mortal em Guntárico.[7] [8]

Este feito valeu-lhe grande honra e fama: Prejecta, viúva de Areobindo e sobrinha de Justiniano, com quem Guntárico havia planejado casar, deu-lhe uma grande recompensa, enquanto o imperador confirmou-o como [[mestre dos soldados da África (magister militum per Africam). Apesar de já ter casado com uma parente sua, Artabanes envolveu-se com Prejecta. Enviou-a de volta para Constantinopla e ele próprio pediu a Justiniano para chamá-lo da África, para que pudessem casar.[8] [9]

Constantinopla: conspiração contra Justiniano[editar | editar código-fonte]

Imperador Justiniano (r. 527–565)

Logo depois, Artabanes foi chamado para Constantinopla, sendo substituído na África por João Troglita. Recebeu numerosas honrarias de Justiniano, e foi nomeado mestre dos soldados na presença (magister militum praesentalis), conde dos federados e cônsul honorário. Apesar disto e sua grande popularidade, não logrou alcançar sua ambição de casar com Prejecta: sua esposa foi para a capital imperial e apresentou seu caso à imperatriz Teodora. A imperatriz obrigou Artabanes a ficar com sua esposa sendo incapaz, até a morte de Teodora em 548, de divorciar-se dela. Até então, contudo, Prejecta já tinha casado novamente.[10] [11]

Irritado acerca deste assunto, logo após a morte de Teodora (final de 548 ou começo de 549) ele esteve envolvido no então chamado "Complô Armênio" ou "Conspiração de Artabanes". O verdadeiro instigador, contudo, foi um parente seu chamado Ársaces, que propôs o assassinato de Justiniano e a elevação de Germano, o primo do imperador, ao trono imperial. Os conspiradores pensaram que Germano seria amigável aos planos deles, já que este havia ficado insatisfeito com as intromissões de Justiniano na resolução da vontade de seu recém-falecido irmão Boraides, que tinha inicialmente nomeado Germano como seu principal beneficiário em oposição a sua única filha.[12] [13] Os conspiradores se aproximaram do varão de Germano, Justino, e revelaram para ele o conluio. Imediatamente Justino informou a seu pai que, por conseguinte, informou o conde dos excubitores Marcelo. De modo a descobrir mais das intenções deles, Germano encontrou-se pessoal com os conspiradores, enquanto um assessor de confiança de Marcelo estava escondido nas proximidades para ouvir. Embora Marcelo tenha hesitado informar Justiniano sem mais provas, acabou revelando a conspiração para o imperador. Justiniano ordenou que os conspiradores fossem presos e interrogados, porém foram tratados de forma extremamente branda. Artabanes foi despojado de seus ofícios e confinado no palácio sob guarda, mas logo foi perdoado.[14] [15]

Serviço na Itália[editar | editar código-fonte]

Em 550, Artabanes foi apontado mestre dos soldados da Trácia (magister militum per Thracias) e enviado para substituir o velho senador Libério no comando de uma expedição em curso contra a Sicília, que tinha sido recentemente invadida pelo rei ostrogodo Totila. Artabanes não conseguiu acompanhar a expedição devido a várias tempestades no mar Jônico.[16] Quando chegou na Sicília e tomou o comando das forças bizantinas lá. Sitiou as guarnições góticas deixadas por Totila após ele partir a ilha e logo forçou-as a rendição. Ao longo dos dois anos seguintes, ele permaneceu na Sicília. De acordo com Procópio, os habitantes da cidade de Crotona, que haviam sido sitiados pelos godos, pediram-lhe ajuda insistentemente, mas ele não fez nada.[17] [18]

Em 553, Artabanes atravessou para a península Itálica, onde juntou-se com o exército de Narses como um de seus generais. Diante da invasão franca no verão de 553, Narses ordenou que Artabanes e outros generais ocupassem as passagens dos Apeninos e assediassem o avanço inimigo; após um contingente bizantino ser derrotado em Parma, contudo, outros generais bizantinos retiraram-se para Favência até um enviado de Narses persuadi-los a se mover novamente para a área de Parma.[19] Em 554, Artabanes estava estacionado em Pisauro com tropas bizantinas e hunas. Em Fano, ele emboscou e derrotou a guarda avançada do exército franco de Leutaris, que estava voltando de uma expedição de pilhagem no sul da Itália em direção a Gália. A maioria dos francos pereceu, e na confusão, muitos cativos escaparam, levando muito do butim franco com eles. Artabanes, contudo, não atacou o corpo principal do exército de Leutaris, desde que era numericamente superior a sua própria força.[20] Ele então marchou para o sul e juntou-se com a principal força de Narses, acompanhando-o em sua campanha contra o exército franco restante sob Butilino. Na decisiva vitória na batalha de Casilino, junto com Valeriano, ele comandou a cavalaria bizantina no flanco esquerdo. Eles estavam escondidos na mata, como parte do estratagema de Narses para atacar os francos na parte traseira para cercá-los. Nada mais se sabe sobre ele depois disso.[21] [22]

Referências

  1. a b Martindale 1992, p. 125
  2. Martindale 1992, p. 8–9, 125, 1162
  3. Martindale 1992, p. 125, 255, 641
  4. Martindale 1992, p. 108, 643
  5. Martindale 1992, p. 108–109, 126, 575
  6. Martindale 1992, p. 126
  7. Martindale 1992, p. 126–127, 143, 576
  8. a b Bury 1958, p. 146
  9. Martindale 1992, p. 125, 127, 576, 1048
  10. Martindale 1992, p. 127–128; 1048–1049
  11. Bury 1958, p. 67
  12. Martindale 1992, p. 128
  13. Bury 1958, p. 66-67
  14. Martindale 1992, p. 128-129
  15. Bury 1958, p. 68
  16. Bury 1958, p. 69; 255–256
  17. Martindale 1992, p. 129
  18. Bury 1958, p. 260
  19. Martindale 1992, p. 129-130
  20. Martindale 1992, p. 130; 789–790
  21. Martindale 1992, p. 130
  22. Bury 1958, p. 279

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Bury, John Bagnell. History of the Later Roman Empire: From the Death of Theodosius I to the Death of Justinian. Mineola, Nova Iorque: Dover Publications, Inc., 1958. vol. 2. ISBN 0-486-20399-9.
  • Martindale, John Robert; Jones, Arnold Hugh Martin; Morris, J.. The Prosopography of the Later Roman Empire: Volume III: A.D. 527–641. Cambridge: Cambridge University Press, 1992. vol. 3. ISBN 978-0-521-20160-5.