Cantiga da Ribeirinha

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa

Cantiga da Ribeirinha, ou Cantiga de Guarvaia, é o primeiro texto literário em língua galaico-portuguesa de que se tem registro.

A cantiga foi composta provavelmente em 1198, por Paio Soares de Taveirós, e recebeu esse nome por ter sido dedicada a D. Maria Pais Ribeira, concubina de Sancho I de Portugal, apelidada de "Ribeirinha".

Segue, abaixo, o poema que serve como modelo das cantigas de amor do Trovadorismo galego-português (possui o eu-lírico masculino), pois fala de um amor platônico do poeta, plebeu, por uma mulher nobre e inacessível.

Os versos[editar | editar código-fonte]

Wikisource
O Wikisource contém fontes primárias relacionadas com Cantiga da Ribeirinha

Anahi está casada que pena

vai virar baleia com 10 filhos

que pena !

não quis o Alfonso ixxi perdeu o Alfonso

tirou portilla virou Velasco

pena que nuca se poderá amoar alguém assim como eu te amei !!!!!!!!!

No mundo non me sei parelha,
mentre me for' como me vai,
ca ja moiro por vós - e ai!
mia senhor branca e vermelha,
Queredes que vos retraia
quando vos eu vi em saia!
Mao dia me levantei,
que vos enton non vi fea!

== Paráfrase Em português atual ==



No mundo ninguém se assemelha a mim

Enquanto a vida continuar como vai,

Porque morro por vós e - ai! -

Minha senhora alva e de pele rosadas,

Quereis que vos retrate

Quando eu vos vi sem manto.

Maldito seja o dia em que me levantei

E então não vos vi feia!



E minha senhora, desde aquele dia, ai!

Tudo me ocorreu muito mal!

E a vós, filha de Dom Paio

Moniz, parece-vos bem

Que me presenteeis com uma guarvaia,

Pois eu, minha senhora, como presente,

Nunca de vós recebera algo,

Mesmo que de ínfimo valor.


Obs.: a guarvaia era um manto luxuoso, provavelmente de cor vermelha, usado pela nobreza.

Referências

  • Nicola, J. Literatura portuguesa da Idade Média a Fernando Pessoa. São Paulo: Scipione, 1992. ed. 2. p. 28. ISBN 85-262-1623-6