Carmen

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Carmen
(personagem-título)
Idioma original Francês
Compositor Georges Bizet
Libretista Henri Meilhac e Ludovic Halévy
Tipo do enredo Drama
Número de atos 4
Número de cenas 4
Ano de estreia 1875
Local de estreia Opéra Comique, Paris
Poster de 1875.

Carmen é uma ópera em quatro atos do compositor francês Georges Bizet, com libreto de Henri Meilhac e Ludovic Halévy, baseada na novela homônima de Prosper Mérimée. Estreou em 1875, no Ópera-Comique de Paris[1] .

Histórico[editar | editar código-fonte]

O caráter transgressor da protagonista provocou severas críticas na estreia da ópera, em março de 1875. A aclamação popular só aconteceu em outubro daquele ano, quando foi encenada em Viena, sob os aplausos de Brahms, Wagner, Tchaikovsky e Nietzsche. Porém, Bizet, que havia morrido em julho, não pôde ver o sucesso da sua obra, que teria uma volta triunfal aos palcos de Paris em 1883[2] [3] .

No Brasil[editar | editar código-fonte]

Foi apresentada no Brasil pela primeira vez em 1881, no Teatro D. Pedro II do Rio de Janeiro. A Companhia Francesa de Maurice Grau, responsável pela montagem, tinha como estrela Paola Marié, irmã de Célestine Galli-Marié, que representara Carmen em Paris. Em 6 de setembro de 1913 houve a primeira apresentação da ópera no Theatro Municipal, cantada em idioma italiano. Tornou-se uma das óperas mais populares do Municipal carioca, somando quase 100 récitas em 30 temporadas até 2014.

Em Portugal[editar | editar código-fonte]

A estreia em palcos portugueses aconteceu em novembro de 1885, em Lisboa.

Personagens[editar | editar código-fonte]

Carmen (Cigana que usa seus talentos de dança e canto para enfeitiçar e seduzir vários homens) mezzo-soprano
Don José (Cabo do exército, é um homem honesto e decente que, ao se envolver com Carmen, vira um fora-da-lei) tenor-lírico
Micaëla (Noiva de Don José, tenta resgatá-lo da vida destrutiva que ele levará com Carmen) soprano coloratura
Escamillo (Famoso toreador de Granada, foi "enfeitiçado" por Carmen) baixo-barítono
Frasquita (Amiga de Carmen, a acompanha em todas as aventuras) soprano
Mercédès (Também é amiga de Carmen, a acompanha em todas as aventuras) mezzo-soprano
Remendado (Namorado de Frasquita, é um contrabandista) tenor
Dancaïre (Namorado de Mercédès, é servo de Remendado e também contrabandista) barítono
Moralès (Sargento) barítono
Zúñiga (Oficial comandante de Don José. Embora tenha prendido Carmen pelo crime que ela cometeu, também foi enfeitiçado por ela) baixo
Lillas Pastia (Dono de taberna onde todos os contrabandistas se encontram) não canta
O Guia (Acompanhou Micaëla até onde estava Don José) não canta

Sinopse[editar | editar código-fonte]

Ato I[editar | editar código-fonte]

O primeiro ato começa numa praça de Sevilha, onde se situa uma fábrica de tabaco e um quartel. O cabo Morales comenta com os soldados do corpo da guarda, os Dragões do Regimento de Alcalá, a passagem dos transeuntes pela praça. Então, entra em cena uma simples aldeã chamada Micaela, aproxima-se de Morales e pergunta timidamente pelo cabo Don José. Morales responde-lhe que este chegará com a rendição da guarda e convida-a a esperá-lo na companhia dos seus homens, mas Micaela decide retirar-se para regressar mais tarde. Ouvem-se nos bastidores os clarins que anunciam o render da guarda e aparecem em cena os soldados sob comando de Don José, seguidos por um grupo de crianças que os imita com admiração. À sua chegada ao quartel, Morales comenta em tom jocoso a visita da aldeã. Zúniga, um tenente recém-chegado à cidade, interroga, em seguida, Don José sobre a beleza e a duvidosa reputação das cigarreiras da fábrica da praça, mas o cabo manifesta o seu único interesse por Micaela, por quem está apaixonado. O sino da fábrica soa e anuncia o intervalo das cigarreiras, que entram em cena a fumar e a conversar animadamente com um grupo de homens que as espera. A última a aparecer é Carmen, uma bela cigana que seduz todos os homens que encontra à sua passagem. Seguidamente, Carmen canta uma habanera aos presentes, que manifestam a sua admiração por ela, à excepção do indiferente Don José, que é, precisamente, o objeto do seu desejo. Antes de regressar à fábrica, Carmen, em sinal de desafio, atira-lhe uma das suas flores. Depois deste episódio aparece Micaela, que regressa ao posto da guarda e entrega a Don José uma carta da sua mãe, em que lhe pede que se case com a aldeã. Depois de se relembrarem juntos das paisagens da sua infância, Micaela abandona a cena e Don José começa a ler a carta. Ocorre então um tumulto no interior da fábrica; um grupo de trabalhadoras comenta entre gritos que está a haver uma rixa entre as mulheres em que Carmen interveio, tendo ferido outra cigarreira no rosto, com uma navalha. Zuniga ordena a Don José e aos seus homens que prendam a agressora. O cabo sai da fábrica com Carmen e recebe a ordem do tenente de a levar para a prisão. Carmen e Don José ficam sozinhos na praça. A sedutora cigana convence o cabo de que a liberte, promete-lhe o seu amor a assegura-lhe que o esperará na taberna de Lillas Pastia. Don José, alvoroçado, decide libertá-la. Nesse momento volta Zuniga com a ordem de prisão. Don José e Carmen iniciam a caminhada, mas perante os presentes a cigana finge empurá-lo e foge.Don José é preso imediatamente por permitir a sua fuga.

Ato II[editar | editar código-fonte]

O 2º ato começa na taberna de Lillas Pastia, suposto ponto de encontro de contrabandistas. Já se passou um 1 mês. Carmen e as suas amigas, Frasquita e Mercedes, jantam com Zúñiga e outros oficias, que rapidamente se juntam às cantigas e danças dos ciganos. Apesar dos convites dos soldados, Carmen recusa os seus pretendentes. Está à espera de Don José que depois de ter sido preso e mandado encarcerar por sua causa, recuperou a liberdade. A seguir, entre manifestações de júbilo, aparece em cena um famoso toureiro chamado Escamillo que, seduzido pela beleza da cigana, lhe declara o seu amor, abandonando depois a taberna com os oficiais. Em cena ficam Carmen, Mercedes e Frasquita sozinhas. Aparecem então os contrabandistas Dancaïre e Remendado, que propõem um negócio às três mulheres. Carmen recusa no início a proposta, mas por fim muda de opinião perante a possibilidade de que seu apaixonado deserte e participe na operação de contrabando. Finalmente, depois da saída dos contrabandistas, Don José chega a taberna e declara o seu amor a Carmen, que tenta convencê-lo de que se junte a ela e aceite o negócio. Don José, ofendido, nega-se, mas o aparecimento repentino de Zúñiga precipita os acontecimentos. O soldado e o tenente enfrentam-se pelo amor de Carmen. Don José, apoiado pelos contrabandistas, subleva-se ao seu superior, que fica sob custódia de alguns ciganos. Obrigado pelas circunstâncias, o soldado vê-se finalmente forçado a desertar e parte com a cigana.

Ato III[editar | editar código-fonte]

Num desfiladeiro, os contrabandistas fazem os preparativos para a entrega dos produtos do contrabando, sob a supervisão de Dancaire. É de noite. Carmen cansada do ciumento amor de Don José e, além disso, descontente com a sua nova vida, tenta adivinhar nas cartas o seu futuro na companhia de Frasquita e Mercedes. As cartas revelam um mal presságio para Carmen: A morte. Á saída dos contrabandistas e das mulheres, Don José permanece num penhasco, a vigiar o esconderijo dos seus novos amigos. Da escuridão surge então Micaëla, que com a ajuda de um guia chega ao esconderijo de seu amado Don José com a esperança de o convencer a voltar a casa de sua mãe. Porém um disparo interrompe os seus propósitos. Don José disparou contra um intruso,que sai ileso. É o famoso toureiro Escamillo, que, desconhecendo a identidade do seu interlocutor, lhe conta que está à procura de Carmen, que está cansada do seu amante, um soldado que desertou por ela. Don José, cego de ciúme, desafia o toureiro para uma luta até à morte com navalhas, que é interrompida graças à volta dos contrabandistas. Depois de insultar o desertor e convidar os presentes para as corridas de touros de Servilha, Escamillo abandona a cena. A seguir, Dancaire descobre a presença de Micaëla ,que abandona o seu esconderijo e pede a Don José que a acompanhe porque sua mãe está a morrer. Ele aceita e sai com a aldeã, não sem prevenir Carmen, em tom ameaçador, de que voltará para vir buscar. A cigana não dá importância aos seus avisos, pensando no seu novo objeto de desejo.

Ato IV[editar | editar código-fonte]

Em Sevilha, frente à praça de touros, uma multidão espera a chegada dos toureiros. Os vendedores aproveitam a ocasião para oferecer os seus produtos ao público. Aparece então a quadrilha e atrás dela, Escamillo e Carmen. À entrada do toureiro na praça de touros, Mercedes e Frasquita avisam a cigana da presença de Don José, mas ela mostra não ter medo de se encontrar com o seu antigo amante. A seguir, Don José retém Carmen quando tenta entrar na praça, suplicando-lhe que volte com ele. Ela responde-lhe que o seu amor por ele acabou. Do interior da praça soam as vivas a Escamillo. O desertor tenta deter com violência a cigana, mas ela atira-lhe despeitadamente o anel que ele lhe tinha oferecido. Em fúria, Don José enfia uma faca na barriga de Carmen. A multidão que vai saindo da praça assiste à terrível cena. Don José, cheio de tristeza, cai de joelhos junto ao corpo de sua amada Carmen[4] .

Orquestração[editar | editar código-fonte]

A orquestração inclui:

Passagens musicais famosas[editar | editar código-fonte]

Estátua representando a personagem Carmen em Sevilha.

Carmen é, provavelmente, a ópera não-italiana com maior número de árias famosas, dentre as quais podemos destacar[carece de fontes?]:

Ato I[editar | editar código-fonte]

  • Prelúdio e Entreato
  • Coro: "Sur la place chacun passe…"
  • Coro das crianças: "Avec la garde montante…"
  • Habanera: "L'amour est un oiseau rebelle…"
  • Dueto de Don José e Micaela: "Parle-moi de ma mère!…"
  • Coro das Cigarreiras: "Au secours! Au secours!…"
  • Canção e Dueto de Carmen e Don José: "Près des remparts de Seville…"

ll

Ato II[editar | editar código-fonte]

  • Canção e Dança dos Ciganos: "Les tringles des sistres tintaient.."
  • Canção do Toreador: "Votre toast, je peux vous le rendre…"
  • Quinteto: "Nous avons en tête un affaire…"
  • Dueto e Canção: "Je vais danser en votre honneur…"
  • Finale: "Holà! Carmen! Holà!…"

Ato III[editar | editar código-fonte]

  • Trio: "Mêlons!…Coupons!…"
  • Coro dos contrabandistas: "Quant au douanier, c'est notre affaire…"
  • Ária de Micaela: "Je dis que rien ne…"
  • Dueto de Escamillo e Don José: "Je suis Escamillo, torero de Grenade!…"

Ato IV Prelúdio[editar | editar código-fonte]

  • Entreato do 4.º ato
  • Coro das comerciantes: "A deux cuartos…"
  • Coro das Crianças: "Les voici, voici la quadrille…"
  • Dueto de Escamillo e Carmen: "Se tu m'aimes, Carmen…"
  • Dueto Final entre Don José e Carmen: "C'est toi! C'est moi!…"

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Carmen. Opera Glass (em inglês)
  2. Montagem inédita de 'Carmen', de Bizet, no Theatro Municipal. Secretaria de Estado de Cultura, 09/04/2014
  3. Carmen - Performance history. Opera Glass (em inglês)
  4. Synopsis - Carmen. Metropolitan Opera House (em inglês)

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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