Dodge Polara

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Dodge Polara ou Dodginho
Dodge Polara Brazil.jpg Dodge Polara brasileiro
Visão Geral
Produção 1973 até 1981
Fabricante Chrysler
Modelo
Carroceria sedan
Ficha técnica
Motor 1.800 cc (gasolina)
Potência 78 cv (82 cv)
Transmissão 4 marchas
Layout versões básica, SE, Luxo, Gran Luxo, GLS
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A década de 1970 reservou gratas surpresas ao mercado automotivo brasileiro, com uma nova safra de carros populares que veio acompanhar o crescimento sócio-econômico que o país estava vivendo. E uma das grandes atrações do 8º Salão de São Paulo, em 1972, estava no estande da Chrysler: junto com o luxuoso Dart e o esportivo Charger R/T, aparecia uma nova concepção de automóvel popular, o Dodge 1800.

O projeto visava atender à uma necessidade global: oferecer espaço, conforto e desenho atual – tudo isso a um preço acessível. O mesmo carro era vendido na Europa como Hillman (depois Talbolt), nos Estados Unidos como Plymouth Cricket e na Argentina como Dodge 1500. Para desenvolver a nossa versão, a Chrysler trouxe para o Brasil algumas unidades do Hillman Avengar, que sofreram tropicalização na parte mecânica e acertos na suspensão. A gigantesca bateria de testes obteve um resultado surpreendente em conforto, dirigibilidade e economia, coisa nunca antes vista em um automóvel denominado popular.

Com estilo à frente de seu tempo, o 1800 tinha traseira fastback que chamava atenção junto à dianteira com quatro faróis redondos e a grade quadriculada. Frisos cromados e rodas esportivas de série lembravam o Charger R/T. Era um automóvel extremamente espaçoso, com comodidade interna perfeita para uma tradicional família de classe média – sem contar o porta-malas com volume elogiável se comparado aos veteranos.

Mas os dois primeiros anos de produção do Dodginho no Brasil não foram fáceis, com diversos problemas de qualidade e na carburação. O motor 1.8 (de maior cilindrada em relação ao Corcel e ao Passat) não era suficiente para trazer bom desempenho em ultrapassagens e acelerações. Parte da “culpa” vinha do carburador Solex Brosol H34, de corpo simples, vertical e de fluxo descendente. Assim, o propulsor rendia apenas 78 cv e um torque de 13,4 kgfm, levando o 1800 à máxima de 140 km/h e de 0 a 100 km/h em longos 20 segundos.

Com um trabalho intenso para melhorar o desempenho e economia do 1.800, os engenheiros da Chrysler apresentaram uma solução para o problema de carburação na linha 1974. Foram incorporados novos coletores de admissão e escape, além de um novo carburador, desta vez de tipo horizontal SU importado da Inglaterra. O propulsor ganhou 4 cv, chegando aos 82 cavalos. A máxima subiu para 150 km/h e o consumo de combustível melhorou cerca de 20%.

Para resgatar os clientes insatisfeitos e conquistar uma nova parcela do mercado, a Chrysler investiu numa campanha publicitária forte e numa garantia total que cobria até os pneus. Uma ação da concessionária Ibirapuera Veículos, em São Paulo, foi além: quem comprasse um 1800 0 KM rodaria 10.000 quilômetros com os custos de gasolina pagos pela loja!

O Polara chegava em 1975 junto com um pacote de modificações para justificar o novo nome e apagar de vez a má reputação do 1.800. No novo modelo não tinha essa de ficar atrás da concorrência nas rodovias. O motor passou a contar com 92 cv graças ao carburador SU-175 inglês com taxa de compressão mais alta, maior diâmetro nas válvulas de escape e modificações no cabeçote e coletor de gases. O carro chegava facilmente aos 160 km/h, e isso sem deixar o proprietário amigo dos frentistas.

O bom desempenho do modelo garantiu um aumento de 56% em suas vendas. E o sucesso foi reconhecido em 1977, quando o Polara foi eleito o “Carro do Ano” pela revista Auto Esporte, um feito comemorado intensamente pela Chrysler. O slogan daquele ano reconhecia o trabalho feito pela marca: “O carro que respeitou a opinião publica”.

A maior modificação estética desde a introdução do hatch ocorreu na linha 1978. O novo Polara foi baseado nas modificações já aplicadas no Chrysler Avenger 1977 vendido na Inglaterra, com faróis retangulares e luzes de direção fazendo parte do conjunto frontal. A nova grade com filetes horizontais de plástico na cor preta também deixaram o modelo com visual mais robusto.

Neste mesmo ano, o Polara passou a ostentar o famoso emblema de um leão. A publicidade da época usava o rei da selva em toda a campanha do carro, que contou com um ensaio usando quatro leões adultos e um leãozinho de seis meses no interior do modelo. A famosa seção fotográfica com dois leões na rua Boa Vista, em pleno centro de São Paulo, ficou conhecida como “ Polara Coração de Leão”.

O Polara passou a oferecer um interior muito mais luxuoso, com opção de bancos reclináveis e ajuste contínuo do encosto. Em 1979, uma inovação vinha elevá-lo ao posto de popular mais sofisticado do mercado: o modelo passava a oferecer câmbio automático de quatro velocidades (da Borg Warner importado da Inglaterra), com relação de marcha muito semelhante à do câmbio manual. Seu funcionamento trazia a mesma suavidade encontrada nos carros luxuosos da marca, fazendo do Polara um carro ainda mais confortável. O destaque na mídia especializada reforçou a imagem de sofisticação, pois ele era o único compacto com opção de cambio automático no Brasil – um item destinado a automóveis de extremo luxo.

O problema dessa nova transmissão estava na manutenção. O pioneirismo oferecido pela Chrysler foi tanto que a mão-de-obra para fazer reparos nesse câmbio era inexistente nas autorizadas da marca, sendo necessário levar os carros equipados com essa transmissão para realizar a manutenção na própria fábrica.

Ainda em 1979, a Volkswagen assumia o controle da Chrysler do Brasil, comprando 67% das ações da montadora no Brasil pelo valor de US$ 50 milhões. As novas campanhas publicitárias mostravam que a marca alemã continuava apostando suas fichas nos modelos norte-americanos – em especial no Polara, mas seu fim já estava próximo.

Em 1980 as primeiras alterações eram realizadas já sob o comando da VW. A nova versão GLS chegava para ocupar o posto de opção esportiva, direcionada para o público jovem. Os bancos dianteiros traziam encosto de cabeça integrado e o painel de instrumentos fazia inveja à concorrência, com seis mostradores – incluindo manômetro de óleo e voltímetro da marca Veglia. Os para-choques ganharam ponteiras de plástico e o para-brisa poderia ser laminado como opcional.

A mecânica ganhou modificações importantes, com um novo carburador vertical de corpo duplo e taxa de compressão de 8:1. Este foi o ultimo suspiro do Polara antes de encerrar a produção em 1981, com cerca de 92.665 unidades produzidas – contando também o pioneiro 1800. A Dodge voltaria a fabricar veículos no Brasil com a picape Dakota, no fim dos anos 1990, mas isso já é assunto para outro capítulo do “Carros para sempre”

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