Emirado Islâmico do Afeganistão

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Emirado Islâmico do Afeganistão
Flag of Afghanistan (1992-1996; 2001).svg
1996 – 2001 Flag of Afghanistan.svg
Flag Brasão
Bandeira Brasão
Localização de Afeganistão
Localização do Afeganistão
Continente Ásia
Região Ásia Central
País  Afeganistão
Capital Cabul
Língua oficial Pachto
Dari
Árabe
Governo Teocracia islâmica
Chefe do Conselho Supremo
 • 1996-2001 Mohammed Omar
Período histórico Pós-Guerra Fria
Guerra ao Terror
 • 1996 Fundação
 • 2001 Dissolução

O Emirado Islâmico do Afeganistão[1] foi fundado em 1996, quando os talibãs começaram a dominar o Afeganistão e terminou com a sua queda do poder em 2001, com a invasão norte-americana. No auge de sua influência, o Taliban nunca controlou totalmente o território do Afeganistão; cerca de 10% do país, a região nordeste, estava sob o dominio da Frente Islâmica para a Salvação do Afeganistão ou Aliança do Norte [2] .

História[editar | editar código-fonte]

O Taliban e seu governo surgiu a partir do caos que se encontrava o Afeganistão após a invasão soviética. Começou como um movimento político-religioso fundamentalista islâmico composto de estudantes das madrassas na região de Helmand e Candaar, no Afeganistão. Surpreendentemente pashtuns étnicos locais, misturaram códigos tribais dos Pashtunwali com elementos do ensinamento islâmico Deobandi para formar o movimento talibã, uma ideologia fundamentalista islâmica anti-ocidental, anti-moderna e altamente restritiva que governaria o país [3] .

Espalhando de Candaar, o Taliban, eventualmente apreendeu Cabul em 1996. Até o final de 2000, o Taliban foi capaz de capturar 90% do país, além de fortalezas da oposição afegã ( a Aliança do Norte) principalmente encontradas na região nordeste da província de Badakhshan. O Talibã tentou impor uma interpretação estrita da lei islâmica, a Sharia, e depois foram apontados como partidários dos mujahideen, principalmente por abrigar rede de Osama bin Laden, a Al-Qaeda.

Durante a história de cinco anos do Emirado islâmico, grande parte da população experimentou restrições à sua liberdade e às violações dos direitos humanos. As mulheres eram proibidas de trabalhar, as meninas proibidas de frequentar escolas ou universidades. Aqueles que resistiram foram punidos imediatamente. Os comunistas foram sistematicamente erradicados e os ladrões foram punidos por amputar uma de suas mãos ou pés. Apesar isso, os talibãs conseguiram quase que erradicar a maior parte da produção de ópio em 2001 [4] .

Após o tratamento duro do Taleban a minoria xiita do Afeganistão, o Irã intensificou a assistência à Aliança do Norte. As relações com o Taliban se deterioraram ainda mais em 1998, após as forças talibãs tomarem o consulado iraniano em Mazar-e Sharif e executarem diplomatas iranianos. Na sequência deste incidente, o Irã quase entrou em guerra com o Taliban no Afeganistão, mas a intervenção do Conselho de Segurança das Nações Unidas e dos Estados Unidos impediram uma iminente invasão iraniana.

Falta de reconhecimento internacional[editar | editar código-fonte]

Só o Paquistão, Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos reconheceram o governo talibã. O Estado não foi reconhecido pelas Nações Unidas. O Turquemenistão, no entanto, era conhecido por ter realizado reuniões oficiais e acordos com os ministros do governo talibã.

Uma das razões para essa falta de reconhecimento internacional foi o desprezo do Taliban pelo direito internacional, como demonstrado por suas ações ao assumir o poder. Por exemplo, um dos primeiros atos do Emirado Islâmico foi o assassinato do ex-presidente do Afeganistão, Mohammad Najibullah. Antes do Taliban ter sequer tomado o controle da capital do Afeganistão, enviou uma equipe para prender, torturar, mutilar e matar Najibullah, deixando seu corpo pendurado em um poste de luz fora do palácio presidencial por dois dias. Como Najibullah estava hospedado no complexo das Nações Unidas em Cabul, isto era uma violação do direito internacional.[5] Como mais um exemplo, o regime talibã foi também fortemente criticado pelo assassínio de diplomatas iranianos no Afeganistão [5] [6] em 1998.

Ver Também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Directorate of Intelligence (2001). CIA -- The World Factbook -- Afghanistan (mirror). Página visitada em 2008-03-07. "note - the self-proclaimed Taliban government refers to the country as Islamic Emirate of Afghanistan"
  2. Map of areas controled in Afghanistan '96
  3. Rashid, Taliban (2000)
  4. Afghanistan, Opium and the Taliban
  5. a b Mullah Omar : WarlordsofAfghanistan.com
  6. [15 Sep 1998] SC/6573 : SECURITY COUNCIL STRONGLY CONDEMNS MURDER OF IRANIAN DIPLOMATS IN AFGHANISTAN